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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Mais utilizados no frio, descongestionantes nasais podem afetar a saúde do coração

 

Divulgação

- 75% das pessoas utilizam descongestionantes nasais e que 63% recorrem à automedicação;

- Uso frequente desses medicamentos pode trazer consequências que vão além do sistema respiratório e pode afetar o funcionamento do coração. 


Com a chegada das temperaturas mais baixas, aumentam os casos de rinite, alergias respiratórias e resfriados. Na tentativa de aliviar rapidamente a congestão nasal, muitas pessoas recorrem aos descongestionantes vendidos sem prescrição médica, mas o que poucos sabem é que o uso frequente desses medicamentos pode trazer consequências que vão além do sistema respiratório e pode afetar o funcionamento do coração. Dados de um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Campos mostram que 75% das pessoas utilizam descongestionantes nasais e que 63% recorrem à automedicação. A pesquisa também identificou que 23% dos participantes apresentavam dependência ativa desses produtos e entre eles, houve maior prevalência de efeitos como hipertensão arterial e taquicardia. 

O Dr Daniel Terrível, cardiologista, diretor social e gerente médico dos ambulatórios Trasmontano, explica o mecanismo de ação desses medicamentos e os riscos associados ao uso indiscriminado. "Os descongestionantes nasais promovem a contração dos vasos sanguíneos para reduzir o inchaço da mucosa e facilitar a passagem do ar. No entanto, esse efeito não ocorre apenas no nariz. Em pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias ou fatores de risco cardiovasculares, essas substâncias podem elevar a pressão arterial, aumentar a frequência cardíaca e favorecer episódios de palpitação", explica o especialista. 

Para quem enfrenta episódios recorrentes de obstrução nasal, a recomendação é investigar a causa do sintoma em vez de recorrer continuamente aos descongestionantes. Medidas como lavagem nasal com solução salina, hidratação adequada, controle de fatores ambientais e tratamento específico para rinite alérgica podem ajudar a aliviar o desconforto sem os riscos associados ao uso prolongado desses medicamentos. 

Nos casos em que já existe dependência, a interrupção do uso deve ocorrer com acompanhamento médico. "Muitas pessoas mantêm um frasco na bolsa, no carro ou ao lado da cama e passam a utilizar o produto automaticamente diante de qualquer desconforto. Identificar esse comportamento e estabelecer um plano para abandoná-lo é fundamental para reduzir a dependência e evitar a exposição contínua aos efeitos sistêmicos da medicação", afirma o cardiologista. 

Embora sejam eficazes para o alívio temporário da congestão nasal, os descongestionantes não devem ser utilizados por períodos prolongados nem sem orientação profissional. O uso consciente desses medicamentos é essencial para preservar não apenas a saúde respiratória, mas também a cardiovascular, especialmente entre pessoas com doenças cardíacas já diagnosticadas.


Grupo Trasmontano
www.trasmontano.com.br


Garganta inflamada: o limite seguro para o uso de antibióticos

Crianças que enfrentam infecções de repetição seguidas no mesmo ano entram em um ciclo perigoso de medicações pesadas devido a bloqueios estruturais; a médica Dra. Loyane Brozon mostra quando a recorrência deixa de ser uma baixa de imunidade comum e exige cirurgia.


Quem tem criança em casa sabe que a cena se repete quase como um roteiro, basta o tempo mudar para a garganta inflamar, a febre subir e a corrida ao pronto-socorro começar. O problema é quando esse ciclo vira uma rotina massacrante. Entrar e sair de consultórios levando mais uma receita de antibiótico pesado para casa se tornou o cotidiano de muitas famílias. Mas o que poucos pais sabem é que esse vai e vem de infecções pode não ter nada a ver com imunidade baixa, e o excesso de remédios pode estar camuflando um problema físico real.

O uso repetitivo de antibióticos em intervalos curtos é um perigo silencioso. Além de sobrecarregar o organismo em crescimento e agredir a flora intestinal, essa prática contribui para o aumento da resistência bacteriana, ou seja, o remédio vai deixando de fazer efeito. Quando a criança não consegue passar dois ou três meses sem precisar de uma nova dose, a medicina acende um alerta vermelho: o foco precisa sair do alívio imediato dos sintomas e ir direto para a anatomia da garganta.

A Dra. Loyane Bronzon, otorrinolaringologista especialista em ronco, apneia e no atendimento infantil, explica que existe uma conta exata para saber quando a situação passou dos limites seguros. "O sinal de alerta definitivo é quando a criança enfrenta sete ou mais infecções de garganta em um único ano, ou uma média de cinco episódios por ano durante dois anos seguidos. Nessas condições, quase sempre estamos lidando com amígdalas e adenoides grandes demais, que funcionam como uma espécie de 'esconderijo' para as bactérias, impedindo que o corpo se cure de verdade", esclarece.

Esse aumento anatômico, que muita gente conhece como carne esponjosa, transforma a respiração em um trabalho hercúleo. Para conseguir o ar que falta, o pequeno passa a respirar o tempo todo pela boca. É aí que o problema silenciosamente transborda para outras áreas do desenvolvimento, afetando desde o formato da arcada dentária até a qualidade do sono, que é o momento mais importante para o crescimento infantil.

As noites mal dormidas por conta desse bloqueio na garganta cobram um preço alto durante o dia, muitas vezes confundindo os pais e até os professores. "O ronco e as pausas na respiração durante a noite quebram o ciclo do sono. Como o cérebro da criança não oxigena direito e ela não descansa, o reflexo no dia seguinte é o oposto do adulto, em vez de moleza, ela apresenta uma hiperatividade difícil de controlar, irritabilidade e falta de concentração nas aulas", ressalta a médica.

Chega um momento em que insistir em mais uma caixa de remédio deixa de ser um cuidado e passa a ser um risco. Quando as medicações perdem o sentido e a qualidade de vida da criança vai embora, a cirurgia para a retirada das amígdalas e da adenoide deixa de ser um tabu. Longe de ser um procedimento extremo, a intervenção surge como o caminho mais seguro e definitivo para quebrar o ciclo da farmácia e devolver ao pequeno o direito de respirar, dormir e crescer com saúde.

 


Fonte: Dra. Loyane Bronzon — Médica Otorrinolaringologista | Especialista em ronco, apneia do sono e otorrinolaringologia infantil



Quase metade das crianças grávidas após estupro chega tarde ao pré-natal no Brasil


                                      Freepik

Quatro em cada dez crianças brasileiras com até 14 anos que engravidam após sofrer violência sexual não conseguem acessar o pré-natal no período considerado ideal pelos profissionais de saúde. Entre meninas com até 12 anos, apenas 44,4% iniciam o acompanhamento no primeiro trimestre da gestação.

O atraso é ainda mais alarmante quando se observa a parcela que chega aos serviços de saúde após 22 semanas de gravidez. Isso ocorre com 28,3% das crianças de até 12 anos — o dobro da proporção observada entre as adolescentes em geral.

Os dados constam em estudos da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), baseados em mais de 1 milhão de gestações registradas no país. Os resultados foram divulgados após o Senado anular uma norma do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) que trata do atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e da garantia de seus direitos, entre eles, o aborto legal.

De acordo com os estudos, o Brasil registra, em média, 11.607 partos por ano de meninas que engravidaram antes dos 14 anos. Pela legislação brasileira, toda gravidez nessa faixa etária é considerada resultado de estupro de vulnerável.

Segundo o epidemiologista Cesar Victora, diretor do Centro Internacional de Equidade em Saúde da UFPel, que conduziu as pesquisas, essas meninas já sofrem com o acesso tardio aos cuidados após uma violência sexual e podem ser ainda mais afetadas com a decisão do Senado.

Para ele, a demora para chegar aos serviços de saúde é consequência de uma sucessão de barreiras que começam muito antes do primeiro atendimento.

“Estamos falando de meninas pobres, frequentemente negras ou indígenas, que acumulam múltiplas vulnerabilidades. Muitas não receberam educação sexual adequada. Elas não sabem reconhecer os sinais de uma gravidez e sequer imaginam que um atraso menstrual possa significar gestação”, afirma.

A dificuldade de identificar precocemente a gravidez tem também explicações biológicas. Conforme o ginecologista e obstetra Cristião Rosas, coordenador da Rede Médica pelo Direito de Decidir, meninas muito jovens costumam apresentar ciclos menstruais irregulares e nem sempre percebem as mudanças corporais típicas da gestação.

“São justamente as meninas abaixo de 14 anos as que mais tardiamente procuram atendimento. Algumas sequer menstruaram regularmente. O atraso menstrual é visto como algo normal para essa fase da vida. Elas não percebem o corpo grávido da mesma forma que uma mulher adulta”, afirma.

Segundo ele, sintomas comuns no início da gravidez podem ser confundidos com outras condições. “Já vi meninas serem atendidas inicialmente com hipótese diagnóstica de verminose. O diagnóstico costuma ser tardio.”

O atraso preocupa especialistas porque reduz uma das principais oportunidades de identificação da violência sexual pela rede de saúde. É durante as primeiras consultas que equipes médicas podem reconhecer sinais de abuso, realizar notificações obrigatórias, orientar sobre o direito ao aborto legal, acionar serviços de saúde, assistência social e jurídica.

Quanto mais tarde ocorre esse primeiro contato, menor tende a ser a capacidade de intervenção do Estado.

A pesquisa da UFPel analisou registros de nascimentos ocorridos entre 2020 e 2022. No conjunto das adolescentes brasileiras com menos de 20 anos, 70,2% iniciaram o pré-natal até a 12ª semana de gestação, conforme recomendação do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Entre as crianças mais novas, porém, a situação é muito diferente. A proporção de início oportuno cai para 55,6% entre meninas de até 12 anos.

Os dados sugerem que justamente as vítimas com maior dependência familiar e menor autonomia enfrentam mais obstáculos para reconhecer a gravidez, comunicar a situação a adultos de confiança e acessar os serviços de saúde.

A situação é agravada porque a maioria dos casos de estupro de vulnerável ocorre dentro do ambiente familiar ou entre pessoas próximas. “Quando o agressor é alguém conhecido ou da própria família, a possibilidade de a menina relatar a violência ou de algum adulto suspeitar da situação costuma ser muito menor. Isso contribui para que a descoberta da gravidez aconteça ainda mais tarde”, diz Rosas.

As desigualdades regionais, raciais e sociais aprofundam esse cenário. Na região Norte, os índices de início precoce do pré-natal estão entre os piores do país.

Entre meninas indígenas, os resultados são ainda mais preocupantes. Apenas 46,3% das crianças indígenas com até 12 anos iniciaram o acompanhamento no período recomendado.

Mesmo aos 19 anos, quando os indicadores costumam melhorar, apenas 61,7% das adolescentes indígenas começaram o pré-natal no primeiro trimestre. Entre adolescentes brancas da mesma idade, a proporção chega a 83,1%.

A escolaridade também aparece como um importante marcador de vulnerabilidade. Em praticamente todas as faixas etárias analisadas, adolescentes com menos anos de estudo apresentaram piores indicadores de acesso ao pré-natal do que aquelas com maior escolaridade.

Estudos da médica Fátima Marinho, pesquisadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mostram que as dificuldades impactam também nos indicadores de saúde dos recém-nascidos.

Quase um quinto dessas meninas (18%) teve parto prematuro e 14,6% deram à luz bebês com baixo peso, proporções superiores às observadas entre mães adultas.

Segundo Marinho, os efeitos ultrapassam a gravidez e repercutem ao longo de toda a vida. “Essas meninas-mães enfrentam condições socioeconômicas mais desfavoráveis, com impactos persistentes sobre escolaridade, inserção no mercado de trabalho e perpetuação de ciclos de pobreza e desigualdade.”

Rosas afirma que o atraso no acesso aos serviços tem impacto direto sobre os riscos enfrentados pelas vítimas. Segundo ele, meninas com menos de 14 anos apresentam risco cerca de cinco vezes maior de morrer durante a gestação e o parto do que mulheres entre 20 e 24 anos.

“A literatura científica mostra que a gravidez decorrente de estupro de vulnerável está associada a consequências graves para a saúde, para a qualidade de vida e para o risco de morte dessas meninas”, afirma.

O médico avalia que a resolução suspensa pelo Senado não criava novos direitos, mas organizava fluxos para garantir atendimento mais rápido e menos burocrático às vítimas. “Ela buscava proteger meninas que já chegam aos serviços em situação extrema de vulnerabilidade.”

Para Fátima Marinho, toda gravidez em menores de 14 anos deve ser compreendida como uma grave falha de proteção da infância. “É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar a proteção integral de crianças e adolescentes, prevenindo e combatendo todas as formas de violência sexual”, afirma.

Segundo a pesquisadora, decisões que relativizam a condição de vulnerabilidade dessas crianças enfraquecem mecanismos de proteção construídos ao longo de décadas. “Colocam em risco milhares de meninas brasileiras.”

 

Cláudia Collucci

Fonte : https://www1.folha.uol.com.br/amp/equilibrioesaude/2026/06/quase-metade-das-criancas-gravidas-apos-estupro-chega-tarde-ao-pre-natal-no-brasil.shtml


Câncer de Rim pode ser curado em mais de 90% dos casos quando detectado cedo, alerta especialista


Na quinta-feira, 18 de junho, foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Rim, data que busca ampliar o conhecimento da população sobre uma doença que costuma evoluir de forma silenciosa e que, quando identificada precocemente, apresenta elevadas chances de cura. 

Os rins desempenham papel fundamental no organismo, sendo responsáveis pela filtração e limpeza do sangue, além de atuarem no controle da pressão arterial, na produção de hormônios e no equilíbrio de líquidos e minerais. O câncer de rim ocorre quando há um crescimento anormal de células no órgão, formando um tumor maligno. O tipo mais frequente é o carcinoma de células renais, responsável por cerca de 90% dos casos. 

Um dos principais desafios para o diagnóstico é justamente a ausência de sintomas na fase inicial da doença. Em muitos casos, os tumores são identificados durante exames realizados por outros motivos. Entre os métodos utilizados estão ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Segundo o chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento, Sérgio Roithmann, a conscientização é fundamental para aumentar as chances de diagnóstico precoce e reduzir os fatores de risco associados à doença. 

“Cuidar da saúde geral é a melhor maneira de proteger os rins. Uma alimentação equilibrada, controle do peso e exercício físico regular são fundamentais. Além disso, é importante manter acompanhamento médico periódico, especialmente para pessoas que apresentam fatores de risco”, afirma o especialista. 

Embora o câncer de rim e a doença renal crônica sejam condições distintas, elas compartilham os mesmos fatores de risco importantes, como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, tabagismo e envelhecimento, o que reforça que cuidar da saúde dos rins de forma ampla é também uma forma de reduzir o risco de ambas. 

O cenário preocupa: dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que mais de 170 mil brasileiros realizam diálise atualmente, enquanto cerca de 50 mil novos pacientes iniciam terapia renal substitutiva todos os anos. Em âmbito global, projeções do estudo Global Burden of Disease apontam que a doença renal crônica poderá se tornar a quinta principal causa de morte até 2040.
 

Como prevenir doenças renais

Entre os principais cuidados recomendados pelos especialistas estão:

• Manter hidratação adequada para preservar a função renal;

• Controlar a pressão arterial e os níveis de glicose no sangue;

• Evitar o uso excessivo de medicamentos potencialmente tóxicos para os rins, como anti-inflamatórios sem orientação médica;

• Adotar uma alimentação equilibrada, com controle do consumo de sódio;

• Praticar atividade física regularmente;

• Realizar check-ups periódicos para avaliação da função renal.
 

Quem deve monitorar a saúde dos rins

A recomendação é que pessoas a partir dos 40 anos realizem avaliações periódicas da função renal. O acompanhamento deve ser ainda mais rigoroso para indivíduos com diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares ou histórico familiar de doença renal, independentemente da idade. Entre os idosos, o monitoramento contínuo também é considerado essencial, já que o envelhecimento é um importante fator de risco para alterações na função dos rins.

Quando detectado precocemente, o câncer de rim apresenta taxas de cura superiores a 90%, reforçando a importância da informação, da prevenção e da realização de exames de rotina. 



Hospital Moinhos de Vento
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O que o seu corpo diz no inverno? Sintomas ignorados revelam desequilíbrios para além das baixas temperaturas, explica médico

Mudanças na alimentação, no sono e na rotina de exercícios podem favorecer processos inflamatórios e desequilíbrios no organismo. 

 

Com a chegada do inverno, muitas pessoas percebem mudanças no próprio corpo. A disposição diminui, a prática de exercícios é deixada de lado com frequência, o consumo de alimentos calóricos cresce e até a qualidade do sono pode ser afetada. Embora esses comportamentos sejam comuns durante os períodos mais frios, eles podem ter reflexos importantes na saúde e contribuir para sintomas que vão além do desconforto causado pelas baixas temperaturas.

Segundo a revisão científicaEfeitos do exercício aeróbico na qualidade do sono, insônia e marcadores inflamatórios, publicada na National Library of Medicine, o exercício aeróbico é uma abordagem promissora para melhorar a qualidade do sono e reduzir a inflamação sistêmica. O estudo chama a atenção para um dos hábitos mais afetados durante o inverno que é a prática de atividade física, onde muitas pessoas passam a apresentar queixas relacionadas ao cansaço, à baixa imunidade e à indisposição. 

Para o Dr. Octávio Guarçoni, referência em medicina no Brasil, esses relatos podem estar relacionados a desequilíbrios que se desenvolvem de forma silenciosa no organismo. "O inverno favorece mudanças de comportamento que impactam diretamente a saúde. As pessoas tendem a se movimentar menos, beber menos água, consumir alimentos mais pesados e permanecer mais tempo em ambientes fechados. Quando esses fatores se acumulam, podem contribuir para processos inflamatórios e para alterações hormonais, metabólicas e intestinais", explica. 

À frente da Guarçoni Health Center, clínica com mais de 10 anos de atuação e referência em saúde integrada, o Doutor explica que os chamados “sintomas comuns” são justamente aqueles que costumam passar despercebidos. A indisposição, por exemplo, geralmente é atribuída ao clima mais frio, enquanto o inchaço é frequentemente associado aos excessos alimentares típicos da época. No entanto, quando esses sinais passam a fazer parte da rotina, é importante investigar suas causas e não apenas tratar os efeitos.

Além de impactarem no bem-estar, essas alterações costumam refletir diretamente na aparência. O aumento da retenção de líquidos, a sensação de ganho de peso e  a piora da qualidade da pele são algumas das queixas mais frequentes nos consultórios, especialmente durante os meses mais frios. 

Ainda segundo Guarçoni, o inverno também é um período que o público aproveita para investir em cuidados estéticos e tratamentos que auxiliam na recuperação da qualidade da pele e na melhora da autoestima. Entre os mais procurados estão os bioestimuladores de colágeno, laser, peeling, microagulhamento e tecnologias para rejuvenescimento, já que a menor exposição solar favorece a recuperação e reduz o risco de complicações pós-procedimento.

Para minimizar os impactos da estação, Dr. Octavio recomenda manter uma hidratação adequada, preservar a prática regular de exercícios físicos, priorizar uma alimentação equilibrada e buscar acompanhamento profissional sempre que sintomas como inchaço, fadiga, alterações na pele ou indisposição persistirem. "O frio pode influenciar o funcionamento do organismo, mas sinais recorrentes não devem ser normalizados. Muitas vezes, eles são a forma que o corpo encontra para mostrar que algo precisa ser investigado", conclui.

 

Jogos da Copa podem levar coração do torcedor a bater quase 140 vezes por minuto


Com a Copa do Mundo mobilizando milhões de brasileiros, a emoção das partidas pode provocar alterações importantes no organismo. Uma análise realizada pelo Hcor de 30 torcedores mostrou que, em momentos de grande emoção durante jogos de futebol, a frequência cardíaca chegou a quase 140 batimentos por minuto (bpm) — cerca de 75% acima da média de um adulto em repouso, que gira em torno de 80 bpm. 

Segundo o Dr. César Jardim, cardiologista do Hcor, essa resposta é resultado da descarga de adrenalina desencadeada por situações de tensão, expectativa ou comemoração. “Em pessoas saudáveis, esse aumento temporário dos batimentos geralmente não representa riscos. Já indivíduos com doenças cardiovasculares ou fatores de risco devem ficar mais atentos, pois emoções intensas podem desencadear sintomas como palpitações, falta de ar, dor no peito e, em casos mais graves, eventos cardíacos”, explica. 

O especialista reforça que manter os exames preventivos em dia e controlar fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e tabagismo, são medidas importantes para acompanhar a competição com mais tranquilidade e segurança.


Hcor


Copa do Mundo e Neurodiversidade: o desafio da inclusão além do camp

Entender o funcionamento cerebral permite que a festa do futebol seja para todos

 

A prevalência do autismo atinge cerca de 1% da população mundial, enquanto o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) afeta entre 5% e 8% dos adultos globalmente. Durante a Copa do Mundo, arenas e praças frequentemente ignoram cérebros que processam o mundo de forma atípica.

Dr. Matheus Trilico, neurologista referência em TEA e TDAH adulto, afirma que a inclusão exige compreensão neurobiológica e adaptação ambiental. A falta de preparo dos espaços públicos gera barreiras que impedem a participação plena desses indivíduos em eventos de grande porte.


O impacto das alterações sensoriais no ambiente esportivo

A festa do futebol gera alta intensidade sonora e visual. O barulho de vuvuzelas e multidões causa euforia em muitos, mas impõe obstáculos para pessoas neurodivergentes. O neurologista explica que o evento demanda acessibilidade para evitar que o prazer de torcer se transforme em sofrimento por alterações sensoriais. “O processamento sobrecarregado resulta em desconforto real e desregulação emocional, o que invalida a experiência festiva para uma parcela significativa da população”, ressalta Dr Matheus.


A Coexistência Neurobiológica e o Conceito de AuTDAH

A medicina reconhece que a coexistência entre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma realidade frequente e cientificamente validada. Estudos indicam que até 70% das pessoas autistas apresentam sintomas clinicamente significativos de TDAH. Essa sobreposição não é meramente uma soma de diagnósticos isolados, mas uma configuração neurológica única que cria demandas contraditórias no processamento de informações e na regulação emocional.

Embora não figurem como nomenclatura diagnóstica oficial nos manuais técnicos, os termos AuDHD (do inglês Autism + ADHD) ou AuTDAH, em português, foram cunhados pela própria comunidade neurodivergente. Essa terminologia surgiu porque a classificação clínica isolada frequentemente não captura a experiência vivida de quem navega simultaneamente pelas características de ambos os transtornos. O uso desses termos reflete a busca por identidade e compreensão de uma realidade neurobiológica que a medicina ainda está aprendendo a nomear adequadamente.

Segundo Dr. Trilico, essa combinação gera conflitos internos severos, especialmente em ambientes de alta estimulação. O traço autista busca rotina, previsibilidade e controle sensorial, enquanto o TDAH demanda novidade, movimento e estimulação constante. Esses dois sistemas neurológicos funcionam em direções opostas. “Durante a Copa do Mundo, o torcedor que vivencia o AuTDAH enfrenta um dilema neurobiológico: a necessidade de foco na partida colide frontalmente com alterações sensoriais bruscas — o estouro de fogos, gritos súbitos da torcida, mudanças abruptas de iluminação. O resultado é uma desregulação severa que pode invalidar completamente a experiência do evento”, explica o médico.


Evidências científicas sobre dificuldades sensoriais

Pesquisas indicam que a maioria das pessoas autistas relata experiências sensoriais atípicas, particularmente hipersensibilidade a ruídos intensos e luzes piscantes. Sons acima de 85 decibéis em estádios e bares causam dor física. O silêncio de um pênalti seguido pelo grito explosivo de um gol gera um choque no sistema nervoso. Luzes piscantes e multidões densas elevam os níveis de cortisol e ansiedade, resultando em prejuízo funcional imediato. O neurologista reforça que esses estímulos funcionam como barreiras físicas para o cérebro neurodivergente.


O custo do masking para a saúde mental do adulto

Adultos neurodivergentes utilizam o masking para simular comportamentos neurotípicos e evitar estigmas sociais. O médico alerta que essa camuflagem esconde o sofrimento, mas cobra um preço alto. O esforço contínuo para parecer sociável durante um jogo resulta em esgotamento autista (burnout), depressão e ansiedade crônica. “Fingir que as alterações sensoriais não existem gera uma exaustão profunda que pode durar dias após o encerramento do evento”, alerta o neurologista.


Estratégias práticas de redução de danos

O Dr. Matheus Trilico recomenda ações concretas para quem deseja frequentar estádios ou eventos públicos com maior segurança e conforto:

  1. Use fones com cancelamento de ruído para filtrar frequências dolorosas sem isolar completamente o ambiente.
  2. Identifique zonas de descompressão, como áreas silenciosas ou menos movimentadas, para pausas rápidas.
  3. Estabeleça sinais combinados com acompanhantes para indicar o limite sensorial e facilitar uma saída estratégica.
  4. Planeje pausas de dez minutos a cada hora para auxiliar na autorregulação antes que a sobrecarga ocorra.

 

Validação de formas alternativas de torcer

A inclusão verdadeira valida formas distintas de engajamento com o esporte. Assistir aos jogos em casa garante controle total sobre volume, iluminação e texturas. O foco analítico em estatísticas e mapas de calor oferece estimulação intelectual prazerosa sem o caos sensorial das multidões. Comunidades digitais permitem a conexão social com a segurança do distanciamento físico. Conforme aponta o neurologista, não existe uma forma única ou correta de ser torcedor.

 

Conclusão e respeito à diversidade neurológica

“A Copa do Mundo de 2026 deve marcar a evolução da empatia coletiva. Respeitar diferentes formas de torcer define uma sociedade civilizada. O cérebro neurodivergente representa uma variação natural da biologia humana, não um defeito a ser corrigido”, enfatiza o neurologista. Trilico reforça ainda que a inclusão começa no reconhecimento dessa diversidade. Para ele, as peças se encaixam quando a pessoa entende como seu cérebro funciona. 



Dr. Matheus Luis Castelan Trilico — CRM 35805/PR | RQE 24818 - Médico formado pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mais conteúdos sobre TEA e TDAH em adultos estão disponíveis no portal do especialista:

Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/



Estudo revela a discriminação da menopausa no local de trabalho

A Astellas Farma compartilha os resultados de estudo internacional que mostra as barreiras que mulheres na menopausa enfrentam para progredir na carreira, mesmo sendo tão capazes quanto antes

Farmacêutica lança licença menopausa e divide suas boas práticas para colaboradoras nessa fase 

 

Mais de uma em cada 20 mulheres acredita ter perdido aumentos salariais ou promoções, enquanto uma proporção semelhante afirma ter tido que abandonar a carreira devido aos sintomas da menopausa1. No mês da menopausa, um levantamento da Astellas Farma revela a realidade que muitas mulheres maduras vivenciam: ainda há muita discriminação em torno da menopausa no local de trabalho.  

Os dados são do Estudo Experiência e Atitudes na Menopausa, encomendado pela farmacêutica, que abrangeu mais de seis países, incluindo o Brasil, e contou com 13.800 entrevistados. Dentre os respondentes brasileiros, o estudo descobriu que: 

  • 9% das brasileiras com experiência vivida da menopausa afirmam ter sofrido discriminação no local de trabalho após entrarem nessa fase.1
  • 6% das mulheres sentem que perderam um aumento salarial ou promoção por causa da menopausa.1
  • 47% delas experimentam algum tipo de impacto negativo no local de trabalho.1
    • Isso varia desde produtividade reduzida (26%), até o medo de contar aos colegas (17%) e conversar com seu gestor direto (9%).
  • 7% das brasileiras tiveram que deixar suas carreiras devido aos sintomas da menopausa.1
  • As pessoas no Brasil acreditam que as mulheres são menos apoiadas no trabalho em comparação com outros países: 8 em cada 10 acham que não são apoiadas.1
  • 49% dos respondentes concordam que as mulheres que passam pela menopausa enfrentam barreiras para progredir na carreira e obter reconhecimento profissional.1  

“O impacto do estigma social e no local de trabalho em torno da menopausa não deve ser ignorado e pode ser prejudicial ao bem-estar das pessoas que vivenciam a menopausa”, diz Ana Borges, People Partner da Astellas. “E isso não é apenas uma questão pessoal; é uma barreira significativa para a produtividade, retenção de talentos e bem-estar geral no local de trabalho. As organizações têm a responsabilidade de mudar a narrativa em torno da menopausa e construir ambientes onde as pessoas se sintam apoiadas e capacitadas para falar sobre suas experiências.”

 

Lançamento Política de Licença Menopausa

Reconhecendo que o climatério e a menopausa são fases naturais na vida de suas colaboradoras, e que seus sintomas podem impactar o bem-estar e o dia a dia, a Astellas Farma Brasil está lançando uma iniciativa pioneira e inclusiva: a Política de Licença Menopausa. O novo benefício visa oferecer um suporte adicional e um ambiente de trabalho ainda mais compreensivo, garantindo que as colaboradoras possam gerenciar seus sintomas com dignidade e privacidade, sem que isso afete negativamente sua performance ou assiduidade. 

A partir de agora, as colaboradoras que comprovem estar no climatério ou na menopausa (por meio de declaração médica) terão direito a até cinco dias de licença remunerada por ano. Esses dias podem ser utilizados de forma contínua ou intermitente, conforme a necessidade e em alinhamento com a gestão. Esta medida reforça o compromisso da Astellas com a saúde integral de suas colaboradoras, promovendo um ambiente de trabalho mais humano, inclusivo e sustentável.

 

Inclusão e boas práticas

Em 2024, a Astellas lançou uma iniciativa global interna, chamada ‘Compromisso para Defender um Local de Trabalho Inclusivo para a Menopausa’, que visa capacitar todos na empresa a quebrar o estigma associado à menopausa e criar uma cultura de compreensão, inclusão e apoio. 

“Este é um processo natural na vida das mulheres, que pode trazer mudanças físicas e emocionais significativas em colaboradoras na menopausa, mas a abordagem deve ser sempre de ouvir, acolher e respeitar as necessidades individuais, buscando informações para oferecer o suporte adequado”, diz Emerson Silva, gerente regional de Vendas da Astellas Farma Brasil. “Acredito que educar as lideranças, principalmente os homens, faz parte do processo para diminuir o estigma e ajudar as mulheres. Com o devido acolhimento, diálogo aberto e adaptações, é possível manter tanto a produtividade quanto o bem-estar da profissional – e a nova política de licença menopausa reflete bem isso, valorizando nossas colaboradoras com empatia e inclusão.” 

A empresa desenvolveu um conjunto abrangente de iniciativas voltadas ao bem-estar de colaboradoras que estão vivenciando a menopausa. Entre as ações, destaca-se a criação de páginas dedicadas na intranet global e local, com recursos educativos como guias de conversa entre gestores e colaboradoras, diário de sintomas, materiais de apoio para consultas médicas e conteúdos de conscientização. A página local foi lançada oficialmente no evento “Café com Menopausa”, em 15 de outubro. Além disso, todos os colaboradores recebem capacitação sobre o tema, e elas têm acesso a descontos de até 70% em medicamentos prescritos. 

"Sinto que a empresa me acolhe de forma genuína”, diz Aline Shirazi, gerente de Treinamentos da Astellas Farma. “Embora eu seja frequentemente considerada 'jovem demais' para estar passando pela menopausa – o que nos leva a refletir sobre a ressignificação da idade no ambiente corporativo – os sintomas são reais e impactam meu dia a dia. As ondas de calor, por exemplo, causam desconforto considerável em reuniões presenciais. Por isso, a notícia da nova política de licença menopausa me trouxe um grande alívio, pois me proporciona a tranquilidade de saber que terei o suporte necessário e poderei utilizar o benefício caso seja uma real necessidade, sem qualquer preocupação." 

A Astellas também conta com o programa global “Embaixadores da Menopausa”, que incentiva colaboradores a promoverem atividades locais, compartilharem insights e contribuírem para a evolução contínua das ações. Localmente, um grupo voluntário formado após pesquisa interna trabalha na implementação de melhorias práticas, como a política de licença, conteúdos de conscientização e adaptação do ambiente de trabalho – incluindo a disponibilização de lenços umedecidos. Outras medidas já existentes incluem horário flexível e o Programa de Assistência ao Colaborador, que oferece apoio emocional, psicológico e aconselhamento para colaboradores e familiares. Essas iniciativas reforçam o compromisso da empresa em criar um espaço de trabalho solidário, saudável e inclusivo para todas.

 

Sobre o Estudo Experiência e Atitudes na Menopausa

O Estudo sobre Experiência e Atitudes na Menopausa é uma iniciativa de pesquisa, desenvolvida em parceria com especialistas externos para examinar e rastrear atitudes sociais, experiências pessoais e o estigma em torno da menopausa e perimenopausa em várias regiões. O estudo abrange seis países: Austrália, Brasil, Canadá, Alemanha, México e EUA. 

Os entrevistados do estudo incluíram 2.000 homens e mulheres, em cada país, e foi reforçado por uma subamostra ampliada de 300 mulheres de 40 a 55 anos para gerar insights sobre a experiência vivida da perimenopausa/menopausa. O estudo inclui um tamanho total de amostra de 13.800 (2.300 entrevistados por país). 

O estudo foi conduzido online pelo provedor de pesquisas Opinium. Os dados foram coletados de dezembro de 2024 a janeiro de 2025.

 


Astellas
www.astellas.com.


Referências:

1 Astellas. Menopause Experience & Attitudes Study. 2025. Disponível em https://newsroom.astellas.com/2025-03-11-Nova-Pesquisa-Revela-Impacto-do-Estigma-da-Menopausa. Último acesso em outubro de 2025.


Junho Violeta alerta para o ceratocone, que pode comprometer a visão de forma progressiva

Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce e da prevenção de uma da doença que pode necessitar de transplante de córnea

 

Mudanças frequentes no grau dos óculos, visão embaçada e sensibilidade à luz podem ser sinais de uma condição ocular que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens. Durante o Junho Violeta, campanha de conscientização sobre o ceratocone, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos que ajudam a prevenir a progressão da doença.

 

O ceratocone é uma alteração progressiva da córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho e responsável por direcionar a luz para a retina. Com o desenvolvimento da doença, a córnea sofre um afinamento gradual e passa a adquirir um formato semelhante ao de um cone, provocando distorções visuais e comprometendo a qualidade da visão. Estima-se que cerca de 150 mil brasileiros sejam afetados pela condição a cada ano, segundo estimativas do Ministério da Saúde e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

 

Segundo o oftalmologista e diretor do Hospital de Olhos Leiria de Andrade, Dr. Germano de Andrade (CRM-CE 4766 | RQE 2999), o ceratocone costuma surgir durante a adolescência e pode evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais.

 

“Em muitos casos, os primeiros sinais são confundidos com alterações comuns de grau. O paciente passa a trocar os óculos com frequência, desenvolve aumento progressivo da miopia ou do astigmatismo e nem sempre percebe que está passando por uma alteração estrutural na córnea. Por isso, a avaliação oftalmológica é fundamental para identificar a doença precocemente”, explica.

 

Além da predisposição genética, fatores comportamentais também estão associados ao desenvolvimento e à progressão do ceratocone. Entre eles, o hábito frequente de coçar ou esfregar os olhos, especialmente em pessoas que apresentam alergias oculares, rinite ou outras condições que causam coceira.

 

“O ato repetitivo de coçar os olhos pode contribuir para o enfraquecimento da córnea e acelerar a evolução da doença. Por isso, é importante investigar e tratar as causas da coceira ocular, além de orientar o paciente a evitar esse hábito”, destaca o especialista.

 

Sintomas e tratamento

 

Entre os sintomas mais comuns estão visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz, distorção das imagens e aumento frequente do grau dos óculos. Como os sinais podem surgir de forma gradual, muitas pessoas convivem com a condição sem diagnóstico.

 

“O diagnóstico é realizado por meio da consulta oftalmológica associada a exames específicos que avaliam a curvatura e a espessura da córnea. Atualmente, dispomos de tecnologias capazes de identificar alterações muito precoces, o que permite acompanhar a evolução da doença e definir a melhor conduta para cada paciente”, afirma o Dr. Germano.

 

O tratamento varia de acordo com o estágio do ceratocone e pode incluir o uso de óculos, lentes de contato especiais e procedimentos destinados a estabilizar a progressão da doença. Em casos mais avançados, pode haver necessidade de transplante de córnea.

 

“Embora não exista cura para o ceratocone, o diagnóstico precoce permite controlar sua evolução e preservar a qualidade visual do paciente. A conscientização promovida pelo Junho Violeta contribui para que mais pessoas reconheçam os sinais da doença e procurem acompanhamento especializado no momento adequado”, conclui.


No Dia Mundial da Doença Falciforme, IA no WhatsApp leva informação, autocuidado e apoio gratuito a pacientes no Brasil

• Ferramenta inédita usa inteligência artificial para apoiar pessoas com doença falciforme, uma condição ainda negligenciada no país

• Projeto reúne associações de pacientes, especialistas e o apoio institucional da Novo Nordisk

 

Dor intensa, fadiga extrema e idas frequentes ao hospital fazem parte da rotina de milhares de brasileiros que convivem com a doença falciforme – a uma condição hereditária, que tem alta prevalência e alto impacto para a saúde pública no país. No Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme (19 de junho), data instituída pela ONU para ampliar a visibilidade da patologia, uma nova ferramenta promete mudar a forma como pacientes e cuidadores acessam informação e suporte no dia a dia.

Lançado oficialmente nesta data, o VidaFalciforme é um navegador de pacientes gratuito, operado via WhatsApp e potencializado por Inteligência Artificial, criado para oferecer informações seguras, orientação prática e ferramentas de autocuidado a quem vive com a doença. O projeto nasce da colaboração entre as associações de pacientes Lua Vermelha e APROFe Associação Pró-Falcêmicos, médicos especialistas da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), e conta com o apoio institucional da Novo Nordisk e com a colaboração estratégica da Amazon Web Services (AWS).

“A dúvida e a dor não têm hora para chegar para quem convive com a doença falciforme. Participar da construção dessa ferramenta foi garantir que a tecnologia falasse a nossa língua e respondesse às nossas necessidades reais”, afirma Sheila Ventura, paciente e representante da APROFe Associação Pró-Falcêmicos. “O VidaFalciforme é um apoio prático na palma da mão. Ele ajuda a entender nossos direitos, reconhecer sintomas e tomar decisões mais informadas sobre o autocuidado.”



Uma urgência de saúde pública ainda invisível

A relevância de iniciativas como o VidaFalciforme se torna ainda mais evidente diante do cenário brasileiro. Segundo dados do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), cerca de 3.500 novos casos da doença são diagnosticados todos os anos1. Por ser uma condição hereditária que afeta majoritariamente pessoas negras que estão historicamente ligadas a classes menos desfavorecidas, a doença falciforme ocupa um papel central no debate sobre equidade em saúde no país.

Apesar dos avanços no diagnóstico precoce, desafios persistem ao longo da vida do paciente. Estima-se que, no Brasil, a expectativa de vida de pessoas com doença falciforme possa ser reduzida em até 37 anos,2 principalmente em função de complicações como crises de dor (crises álgicas), síndrome torácica aguda, infecções recorrentes e acidente vascular cerebral (AVC).



Tecnologia para reduzir a subnotificação de sintomas

Um dos diferenciais do VidaFalciforme é levar suporte contínuo diretamente ao ambiente mais acessível ao paciente: o celular.

“Nosso desafio foi transformar a complexidade da jornada do paciente em uma interface simples e acolhedora. O VidaFalciforme não é apenas um chat; é uma inteligência desenhada para estar onde o paciente está, garantindo que a informação de qualidade chegue de forma ágil e intuitiva”, contextualiza Frederico Andrade, CEO da Indigo.

A arquitetura tecnológica do chat foi desenvolvida com o suporte da AWS, responsável por fornecer a infraestrutura em computação em nuvem e os recursos de inteligência artificial generativa que sustentam o VidaFalciforme. Por meio de sua infraestrutura global e soluções avançadas de nuvem, a AWS contribui para garantir segurança, disponibilidade e capacidade de expansão do projeto, permitindo oferecer uma experiência digital confiável e escalável para pacientes e cuidadores.

“Acreditamos que a tecnologia pode ser uma importante aliada na ampliação do acesso à informação e no enfrentamento de desafios complexos em saúde. Ao apoiar iniciativas como o VidaFalciforme com nossa infraestrutura de nuvem e recursos de inteligência artificial generativa, buscamos contribuir para o desenvolvimento de soluções inovadoras, seguras e escaláveis que gerem impacto positivo para pacientes e comunidades”, complementa Paulo Cunha, líder para o setor público na AWS Brasil.

A ferramenta foi desenhada para apoiar o monitoramento de sintomas que muitas vezes não chegam ao consultório médico ou são subestimados na rotina clínica, como a fadiga intensa, um dos principais fatores de impacto na qualidade de vida e na capacidade dos pacientes de manter atividades de trabalho, estudo e geração de renda.

“Na prática clínica, vemos que a fadiga é frequentemente subnotificada, apesar de ser extremamente limitante”, explica a Dra. Marília Pita, médica hematopediatra. “O VidaFalciforme ajuda o paciente a reconhecer esses sinais, registrar manifestações e acessar orientações seguras, fortalecendo o diálogo com o time de saúde.”
 

Cuidado integral além do tratamento

Ao apoiar o lançamento do VidaFalciforme, a Novo Nordisk reforça seu compromisso com uma abordagem de cuidado integral, que vai além das terapias e incorpora educação em saúde, suporte ao autocuidado e atenção aos determinantes sociais da doença.

“Ser um parceiro genuíno das pessoas com doença falciforme significa olhar para além do tratamento e apoiar soluções que ampliem autonomia, acesso à informação e dignidade”, afirma Priscilla Mattar, Vice Presidente Médica da Novo Nordisk no Brasil. “Ao unir tecnologia e informação confiável, o VidaFalciforme contribui para reduzir a invisibilidade dos sintomas e fortalecer o protagonismo do paciente na gestão da própria saúde.”

O lançamento da ferramenta no Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme reforça o papel da inovação digital como aliada no enfrentamento de doenças crônicas complexas e ainda negligenciadas, abrindo espaço para um debate mais amplo sobre tecnologia, equidade e saúde pública no Brasil.

 

Novo Nordisk
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