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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Pílula revolucionária dobra tempo de sobrevida no câncer de pâncreas, aponta estudo

Resultados do ensaio clínico RASolute 302, apresentados no maior congresso de oncologia do mundo, são descritos como divisor de águas no tratamento da doença


Um comprimido tomado uma vez ao dia pode dobrar o tempo de vida de pacientes com câncer de pâncreas avançado. É o que mostram os resultados do estudo clínico de fase 3 RASolute 302, apresentados neste domingo (31) durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine. Os dados foram recebidos com entusiasmo pela comunidade médica internacional e com expectativa crescente no Brasil. 

O medicamento em questão é o daraxonrasib, desenvolvido pela empresa americana Revolution Medicines. Trata-se de um inibidor oral seletivo da proteína RAS, classificado como RAS(ON) multi-seletivo, testado em pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático previamente tratado. 

“Esses resultados representam uma virada real na oncologia pancreática. Pela primeira vez temos um medicamento que ataca diretamente o mecanismo molecular que impulsiona esse tumor e os números são impressionantes”, afirma o oncologista Mauro Donadio, especialista em tumores do aparelho digestivo da Oncoclínicas.
 

Por que o câncer de pâncreas é tão difícil de tratar 

O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais letais da oncologia. A taxa de sobrevida em cinco anos para pacientes com doença metastática é de apenas 3%, e cerca de 80% dos pacientes recebem o diagnóstico já em estágio avançado ou metastático. 

Por décadas, cientistas trabalharam para encontrar soluções para uma forma de câncer frequentemente diagnosticada tardiamente — mais da metade dos pacientes só recebem o diagnóstico após a doença já ter se espalhado. 

A escassez de opções terapêuticas eficazes torna qualquer avanço nessa área especialmente significativo. O principal investigador do estudo, Dr. Brian Wolpin, do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, reconheceu que a quimioterapia padrão na segunda linha de tratamento simplesmente não funciona tão bem quanto se desejaria.
 

O mecanismo: atacando o coração do tumor 

O daraxonrasib age sobre uma proteína chamada RAS - mais especificamente sobre sua variante KRAS, que funciona como um acelerador do crescimento tumoral. Os genes RAS podem fazer com que as células cancerígenas continuem recebendo sinais para crescer e se dividir, mesmo quando não deveriam, levando ao crescimento e à disseminação do câncer. Mais de 90% dos pacientes com a forma mais comum de câncer de pâncreas apresentam uma mutação no gene KRAS. 

O daraxonrasib é um novo tipo de inibidor RAS denominado RAS(ON) multi-seletivo. Ele é capaz de desligar a proteína KRAS para interromper o crescimento do câncer, independentemente de haver ou não uma variante específica do gene. 

Para Donadio, isso representa um salto qualitativo em relação ao que existia até agora. “O KRAS sempre foi considerado um alvo praticamente intratável. A chegada de um medicamento oral que bloqueia essa via de sinalização, com resultados dessa magnitude, muda completamente o horizonte de tratamento para esses pacientes.”
 

Os resultados do estudo 

O ensaio RASolute 302 acompanhou 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático que já haviam realizado ao menos uma linha de quimioterapia. Os participantes que tomaram o medicamento viveram em média 13,2 meses, comparados a 6,6 a 6,7 meses dos pacientes que receberam quimioterapia. 

O daraxonrasib reduziu o risco geral de morte em 60% em comparação com os pacientes tratados com quimioterapia convencional. 

O tratamento também deteve ou reverteu a progressão tumoral em quase um terço dos pacientes, contra apenas 10% no grupo de quimioterapia. A taxa de resposta objetiva — ou seja, a proporção de pacientes cujo tumor encolheu ou desapareceu — foi de 33,2% com daraxonrasib versus 11,8% com quimioterapia. 

Donadio, que acompanhou a apresentação do estudo na plenária do congresso, explica os resultados do RASolute 302 são inequívocos. “De forma prática, o estudo avaliou pacientes com câncer de pâncreas que já haviam progredido após a primeira linha de tratamento paliativo. Esses pacientes foram randomizados para receber daraxonrasib, um comprimido de 300mg por dia, ou quimioterapia padrão. Aqueles que receberam a medicação oral dobrou a sobrevida livre de progressão - de 3,5 para 7 meses - e dobrou a sobrevida global - de 6 para 13 meses -, com redução do risco de morte e de progressão em torno de 60% e taxa de resposta três vezes maior, subindo de 11% para 33%. Isso o torna o novo padrão de tratamento de segunda linha para o câncer de pâncreas metastático”. 

Além da sobrevida, os pesquisadores avaliaram a qualidade de vida dos participantes. O tempo até a deterioração, medido com base em dor e qualidade de vida relatada pelos próprios pacientes, foi significativamente maior com daraxonrasib do que com quimioterapia. 

“Sobreviver mais tempo é fundamental, mas sobreviver com qualidade de vida é o que transforma o tratamento de verdade. Ver esses dois desfechos melhorando simultaneamente é o que torna esse estudo tão relevante clinicamente”, destaca o oncologista da Oncoclínicas.
 

Segurança e efeitos adversos 

O principal efeito adverso observado foi o rash cutâneo, presente em 86,3% dos pacientes que usaram o medicamento após o início do tratamento — mas que, segundo os pesquisadores, é em grande parte manejável com antibióticos e corticosteroides tópicos.

Os eventos adversos relacionados ao tratamento que levaram à descontinuação ocorreram em apenas 1,2% dos pacientes no grupo do daraxonrasib, contra 11,2% no grupo de quimioterapia, um indicador importante de tolerabilidade, sobretudo para pacientes já fragilizados por uma doença grave. 

“O perfil de segurança é administrável e, comparado à toxicidade da quimioterapia, representa um ganho real para o paciente. Descontinuação de apenas 1,2% é um dado que fala por si”, avalia Donadio.
 

Reação da comunidade médica e perspectivas para o Brasil 

As reações ao estudo no congresso foram de entusiasmo, considerado um verdadeiro “gol” para o tratamento do câncer de pâncreas. Os especialistas que acompanharam a plenária afirmam que os resultados estabelecem o daraxonrasib como o novo padrão de cuidado para pacientes com tumor metastático previamente tratado. 

Segundo Donadio, o próximo passo é acompanhar a trajetória regulatória do medicamento e sua eventual chegada ao Brasil. A Revolution Medicines já está testando o daraxonrasib em estágios mais precoces da doença e em combinação com outros tratamentos, na esperança de ampliar ainda mais o benefício de sobrevida. 

Em maio, a FDA concedeu acesso expandido ao medicamento e planeja uma revisão acelerada do processo de aprovação. “O Brasil precisa estar atento a esse desenvolvimento. Nossos pacientes merecem ter acesso às inovações que estão mudando o prognóstico dessa doença. O trabalho agora é acompanhar de perto o processo regulatório e garantir que, quando aprovado, esse medicamento chegue também ao sistema de saúde brasileiro”, conclui Mauro Donadio. 

O estudo RASolute 302 foi financiado pela Revolution Medicines. Os resultados foram apresentados neste domingo (31/05) no congresso anual da ASCO e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine.

 

Oncoclínicas&Co

 

Junho Vermelho: Hemepar reforça pedido de doação de sangue dos tipos O+ e O-

A rede estadual de hemoterapia é responsável pelo abastecimento de mais de 380 hospitais paranaenses 


Junho é o mês de conscientização para a doação de sangue e, aproveitando o período, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), reforça o chamado para doações de sangue dos tipos O positivo (O+) e O negativo (O-), diante da redução dos estoques em diferentes regiões do Estado. A rede estadual de hemoterapia é responsável pelo abastecimento de mais de 380 hospitais paranaenses por meio das 23 unidades da Hemorrede distribuídas no Paraná. 

O sangue O- possui papel fundamental em atendimentos de emergência, já que pode ser utilizado em pacientes de qualquer grupo sanguíneo quando não há tempo suficiente para exames de compatibilidade. Já o tipo O+, presente na maior parte da população, é um dos mais requisitados pelos hospitais devido à alta demanda transfusional. 

“O sistema de saúde depende da solidariedade da população para manter os estoques abastecidos. A doação é um ato voluntário que ajuda diretamente pacientes que necessitam de transfusões constantes, em cirurgias, tratamentos e situações de urgência em todo o Paraná. O Junho Vermelho chega, justamente, para ampliar essa conscientização na população, de que a doação de sangue é o passo fundamental para que possamos salvar vidas”, destacou o secretário de Estado da Saúde, César Neves. 

A doação vem crescendo ano após ano no Paraná. Em 2023, foram registradas 187.128 bolsas coletadas. O número passou para 203.925 em 2024 e atingiu 214.377 em 2025, representando aumento próximo de 15% no período. Em 2026, até o momento, já foram contabilizadas 86.130 bolsas, volume 3% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

As bolsas coletadas têm papel essencial na manutenção dos atendimentos hospitalares, especialmente em procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade. Em muitas cirurgias, como transplantes, procedimentos cardíacos, ortopédicos, neurológicos e atendimentos a vítimas de traumas graves. 

Além disso, os hemocomponentes são utilizados para garantir segurança clínica durante o pós-operatório, auxiliando pacientes que apresentam anemia, alterações de coagulação ou necessidade de recuperação mais intensa. O estoque regular dos hemocentros também é indispensável para evitar o adiamento de cirurgias eletivas e assegurar resposta rápida em situações de urgência e emergência. 

Atualmente, a Hemorrede Paranaense atende 96,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado, fornecendo sangue e hemocomponentes para tratamentos oncológicos, transplantes, atendimentos de urgência e outras terapias que dependem diretamente das transfusões. 

Cada coleta reúne aproximadamente entre 450 ml e 470 ml de sangue. Após o processamento, o material pode ser separado em hemocomponentes como hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado, permitindo que uma única doação beneficie até quatro pessoas.

QUEM PODE DOAR – Estão aptas para doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos completos. No caso de menores de idade, é necessária autorização e acompanhamento do responsável legal. Os homens podem realizar até quatro doações anuais, com intervalo mínimo de dois meses. Já as mulheres podem doar até três vezes ao ano, respeitando o intervalo de três meses entre as coletas. 

O voluntário deve pesar mais de 50 quilos, estar alimentado, hidratado e descansado no momento da doação, além de evitar alimentos gordurosos nas horas anteriores. Também é obrigatória a apresentação de documento oficial com foto.
 

DIA DO DOADOR – O Dia Mundial do Doador de Sangue é celebrado em 14 de junho e tem como objetivo reconhecer a importância dos voluntários que ajudam a salvar vidas por meio da doação regular.

 

Cérebro está desaprendendo. Neurocientista alerta para impactos modernos na saúde mental

Consumo acelerado de informação pode afetar memória, concentração, pensamento crítico e capacidade cognitiva ao longo do tempo. Como se proteger.
 

Vídeos de poucos segundos, excesso de estímulos digitais, respostas prontas fornecidas por inteligência artificial e cada vez menos tempo dedicado à leitura profunda. O comportamento moderno está mudando rapidamente a forma como o cérebro humano consome informação — e especialistas começam a levantar um alerta importante: estamos treinando o cérebro para pensar menos?

Segundo o neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP Dr. Fernando Gomes, o cérebro funciona como um sistema de adaptação contínua. Quanto mais determinados circuitos são utilizados, mais fortalecidos eles ficam. O problema é que o padrão atual de hiperestimulação e consumo acelerado de conteúdo pode favorecer justamente o enfraquecimento de habilidades cognitivas importantes.

“O cérebro humano é extremamente plástico. Ele se adapta ao tipo de estímulo que recebe diariamente. Quando uma pessoa passa horas consumindo conteúdos rápidos, fragmentados e superficiais, o cérebro começa a reduzir tolerância para atividades que exigem atenção prolongada, raciocínio profundo e reflexão”, explica.

A preocupação cresce em um momento em que plataformas digitais disputam atenção por meio de vídeos curtos, rolagem infinita e estímulos constantes, enquanto ferramentas de inteligência artificial começam a assumir funções antes realizadas pelo próprio pensamento humano, como escrita, pesquisa, síntese e organização de ideias.

Para o especialista, a questão não é demonizar tecnologia ou inteligência artificial, mas entender como o cérebro responde ao excesso de terceirização cognitiva.

“Quando usamos tecnologia para potencializar aprendizado, produtividade e criatividade, ela pode ser extremamente positiva. O risco aparece quando começamos a substituir processos mentais importantes em vez de estimulá-los. O cérebro precisa ser desafiado para continuar eficiente”, afirma Dr. Fernando Gomes.


Leitura profunda está diminuindo

Entre os hábitos mais impactados pela transformação digital está a leitura prolongada. Segundo o neurocientista, ler exige um trabalho cerebral complexo envolvendo linguagem, memória, interpretação, imaginação, associação de ideias e capacidade de abstração.

“O cérebro da leitura é diferente do cérebro do consumo rápido de estímulos. A leitura profunda exige concentração sustentada, construção de imagens mentais, interpretação e pensamento crítico. Quando reduzimos muito esse hábito, determinadas redes neurais podem ser menos estimuladas”, explica.

Além disso, o excesso de alternância entre aplicativos, notificações e conteúdos rápidos fragmenta continuamente a atenção.

Na prática, o cérebro passa a funcionar em estado constante de busca por novidade.

“O sistema de recompensa cerebral responde muito ao imediatismo digital. Vídeos curtos oferecem estímulos rápidos, mudança constante de informação e sensação frequente de novidade. Isso pode diminuir a tolerância cerebral para atividades mais lentas e cognitivamente exigentes”, alerta.


Concentração e memória podem ser afetadas

Outro ponto de preocupação envolve a capacidade de foco prolongado.

Segundo Dr. Fernando Gomes, o cérebro hiperestimulado tende a apresentar mais dificuldade para sustentar atenção em tarefas longas, estudos, reuniões, leituras extensas ou atividades que exigem aprofundamento intelectual.

Além disso, a dependência crescente de ferramentas digitais também pode impactar processos relacionados à memória.

“O cérebro sempre utilizou ferramentas externas de apoio, como livros, agendas e computadores. Mas hoje existe uma terceirização muito intensa de funções cognitivas básicas. Muitas pessoas já não memorizam informações, não elaboram raciocínios completos e nem exercitam interpretação antes de buscar respostas prontas”, explica.


A inteligência artificial pode mudar a forma de pensar

Com a popularização das inteligências artificiais generativas, especialistas começam a discutir os impactos cognitivos da automatização do pensamento.

“O risco não é a inteligência artificial substituir o ser humano. O risco é o ser humano parar de exercitar habilidades exclusivamente humanas, como reflexão crítica, criatividade, capacidade de dúvida, interpretação emocional e construção profunda do pensamento”, afirma o neurocientista.

Ele ressalta que o cérebro funciona em lógica de uso e desuso.

Ou seja: circuitos frequentemente utilizados tendem a se fortalecer, enquanto funções menos estimuladas podem perder eficiência ao longo do tempo.

“O cérebro não foi feito apenas para consumir respostas. Ele foi feito para construir perguntas, conectar ideias, interpretar contextos e criar significado”, destaca.
 

Como proteger o cérebro

Apesar do cenário, o cérebro possui alta capacidade de adaptação e recuperação quando adequadamente estimulado. Entre os hábitos considerados importantes para preservação cognitiva estão:

• leitura regular;

• redução de hiperestimulação digital;

• períodos sem telas;

• sono adequado;

• atividade física;

• aprendizado contínuo;

• conversas presenciais;

• exercícios de memória e raciocínio;

• consumo menos fragmentado de informação.

“O cérebro precisa de profundidade, não apenas velocidade. O desafio da era digital não é abandonar a tecnologia, mas evitar que ela reduza nossa capacidade de pensar de forma complexa”, conclui Dr. Fernando Gomes.  



Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. - Desde 2012 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados. Coordena um ambulatório relacionado a doenças do envelhecimento no Hospital das Clínicas e desde 2026 está a frente da Unidade de Hidrocefalia de Pressão Normal do Hospital Moriah.
Drfernandoneuro
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Dor de garganta em crianças no inverno exige atenção aos sinais de alerta

Sintoma comum em gripes e resfriados pode também indicar infecção bacteriana e deve ser avaliado quando há febre persistente, dificuldade para engolir, alterações respiratórias ou piora do estado geral 

A dor de garganta é uma das queixas mais frequentes entre crianças durante o inverno, período em que as infecções respiratórias se tornam mais comuns no Rio Grande do Sul. O frio, o ar seco e a maior permanência em ambientes fechados favorecem a irritação das mucosas e a circulação de vírus respiratórios. Em muitas crianças, a dor aparece junto com coriza, tosse, rouquidão, vermelhidão na garganta e febre. Em outros casos, pode haver dificuldade para se alimentar, recusa de líquidos, queda no nível de disposição, sonolência excessiva e queixas progressivas de dor, sinais que merecem atenção dos pais e responsáveis. 

Segundo o 1º vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Silvio Baptista, embora muitas vezes esteja associada a quadros virais, como gripes e resfriados, a dor de garganta também pode indicar infecções bacterianas, especialmente em crianças maiores, quando vem acompanhada de febre, dor importante ao engolir, mal-estar e ausência de sintomas respiratórios, como coriza. 

“A dor de garganta, assim como as demais doenças infantis, preocupa quando atinge significativamente o estado geral da criança, com dificuldade para respirar, diminuição da ingesta alimentar e de líquidos, prostração, sonolência excessiva e queixas progressivas de dor”, explica. 

A avaliação do conjunto de sintomas é essencial para diferenciar quadros leves daqueles que exigem consulta médica. Nos primeiros dois a três anos de vida, as infecções bacterianas de orofaringe, causadas principalmente pelo Streptococcus pyogenes, são menos frequentes, sendo os vírus os principais agentes etiológicos nessa faixa etária. Em crianças maiores, as infecções bacterianas costumam provocar dor, febre e mal-estar, geralmente sem coriza ou outros sinais respiratórios. Ao exame, podem aparecer aumento de volume das tonsilas palatinas, conhecidas como amígdalas, hiperemia, que é a vermelhidão intensa da garganta, além de secreção ou placas. 

“Pode ser difícil diferenciar as causas infecciosas, entre virais e bacterianas. Existem exames com pesquisa direta na orofaringe para identificação de bactérias patogênicas, como Streptococcus sp., que podem ser solicitados para ajudar o médico nessa diferenciação”, destaca o médico. 

Em casa, os responsáveis devem observar o estado geral da criança, manter a hidratação e utilizar apenas medicações já orientadas previamente pelo pediatra, como analgésicos para controle da dor. Medicamentos para febre devem ser usados quando houver mal-estar ou dor associados, sempre conforme orientação profissional. A automedicação deve ser evitada, especialmente com antibióticos, anti-inflamatórios e xaropes sem prescrição. O uso inadequado pode mascarar sintomas, causar efeitos adversos e contribuir para resistência bacteriana. 

“Nem toda dor de garganta precisa de antibiótico. Na maioria das vezes, a causa é viral e o tratamento envolve hidratação, repouso, controle da dor e acompanhamento da evolução. O antibiótico só deve ser usado quando houver confirmação de infecção bacteriana, sempre com prescrição médica”, afirma. 

Entre os cuidados que podem ajudar na prevenção estão manter a criança bem hidratada, estimular a respiração pelo nariz, evitar exposição ao frio intenso, proteger adequadamente o corpo em dias de baixa temperatura e manter os ambientes ventilados. Em locais muito secos, medidas simples para melhorar a umidade do ar podem reduzir o ressecamento das vias respiratórias. Líquidos mornos também podem aliviar o desconforto, desde que adequados à idade da criança e oferecidos com segurança. 

A SPRS orienta que a criança seja levada ao pronto atendimento ou emergência diante de dificuldade para respirar, piora do estado geral, prostração, sonolência excessiva, sinais de desidratação, recusa persistente de líquidos, dor intensa que impeça a alimentação ou febre e dor que persistam apesar das medicações orientadas. Em bebês, crianças pequenas ou pacientes com doenças crônicas, a atenção deve ser ainda maior.

 

Marcelo Matusiak


Por que algumas pessoas têm mais resultado com exercício físico do que outras? Ciência e esporte ajudam a explicar


Quem já treinou com amigos ou frequenta academia de ginástica provavelmente já percebeu: enquanto algumas pessoas evoluem rapidamente e ganham massa muscular, perdem peso ou melhoram o condicionamento físico em poucas semanas, outras parecem avançar em um ritmo bem mais lento, mesmo com treinos semelhantes. A explicação para essa diferença não está apenas na dedicação ou intensidade. A ciência mostra que o desempenho físico é resultado de uma combinação complexa de fatores biológicos, genéticos e metabólicos. 

Estudo do periódico científico Japanese Journal of Physical Fitness and Sports Medicine¹ indica que há uma grande variabilidade individual na resposta ao treino e parte importante dessa diferença está no DNA. Revisões científicas mostram que força, resistência e capacidade aeróbica podem ter herdabilidade média em torno de 50% a 60%, dependendo do fenótipo analisado. Análises mais recentes publicada na Revista Frontiers in Physiology ²corroboram essa visão e apontam que até 66% da variação no desempenho atlético pode estar associada a fatores genéticos², com o restante influenciado por estilo de vida, treino e ambiente. 

“Cada organismo reage de forma única ao exercício. Isso envolve desde a composição muscular até fatores hormonais e metabólicos, que variam bastante entre as pessoas”, explica Luiz Augusto Riani Costa, médico do esporte Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa. Segundo ele, essa variabilidade é natural e não deve ser interpretada como falta de esforço ou disciplina. 

A Dasa é patrocinadora oficial dos exames laboratoriais e diagnósticos dos atletas do Comitê Olímpico do Brasil (COB), reforçando o papel cada vez mais estratégico da medicina e da ciência na preparação de esportistas de alto rendimento. O acompanhamento envolve monitoramento clínico, avaliações fisiológicas e análise individualizada de indicadores de saúde e performance, algo que o cardiologista do exercício Raffael Francisco Pires Fraga, ex-atleta de ginástica olímpica, acompanha de perto tanto na prática médica quanto na rotina da filha, a esgrimista Ana Beatriz Fraga, de 16 anos. 

A jovem que vem ganhando destaque no cenário internacional. Em 2026, conquistou a etapa de Bogotá da Copa do Mundo Cadete, um feito inédito para o Brasil na modalidade, além da medalha de bronze em Boston e um lugar entre as dez melhores atletas em competição realizada na Geórgia. Sua trajetória é acompanhada por uma estrutura multidisciplinar que integra treino técnico, avaliações médicas, fisiológicas e acompanhamento contínuo da evolução física. 

“O esporte de alto rendimento exige monitoramento médico, fisiológico e diagnóstico cada vez mais sofisticado. Ter esse suporte é fundamental não apenas para a performance, mas também para a saúde e longevidade do atleta”, afirma Raffael Fraga. Entender as particularidades de cada organismo permite otimizar desempenho, reduzir riscos e potencializar resultados, seja em atletas de elite, seja em pessoas que buscam qualidade de vida e envelhecimento saudável.

 

Cada corpo responde de um jeito e isso pode ser medido
 

Além da genética, o funcionamento do corpo também influencia diretamente os resultados. "Hormônios como testosterona, cortisol e os hormônios da tireoide desempenham papel importante na forma como o organismo responde ao treino, impactando o ganho de massa muscular, a queima de gordura, a energia e até a recuperação após o exercício. Alterações hormonais podem interferir significativamente no desempenho e na evolução”, reforça Riani. 

Nos últimos anos, analisar o perfil genético de uma pessoa para identificar predisposições relacionadas ao desempenho físico também se tornou uma prática relevante. 

“Duas pessoas podem seguir o mesmo treino e ter resultados completamente diferentes e a genética é uma das principais explicações para isso. Hoje, conseguimos usar essas informações para potencializar performance, reduzir riscos de lesão e tornar os cuidados com o corpo muito mais precisos”, afirma o médico geneticista Gustavo Guida, da Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro. 

Nesse cenário, testes como o Painel Esportivo da Genera vêm ganhando espaço ao oferecerem uma leitura mais aprofundada do funcionamento do corpo. A análise é feita a partir de uma amostra de saliva, coletada de forma simples e não invasiva, que permite mapear variantes genéticas associadas a desempenho, recuperação, metabolismo e risco de lesões. A partir desses dados, o exame indica tendências individuais como maior aptidão para força ou resistência e contribui para a personalização de treinos e estratégias de saúde. 

Além disso, algumas marcas, como o Alta Diagnósticos, oferecem o check-up esportivo, uma avaliação completa que integra exames laboratoriais, cardiológicos, hormonais e de imagem para mapear o estado de saúde e a aptidão física do paciente. O objetivo é identificar possíveis riscos, orientar a prática segura de exercícios e apoiar a construção de um plano mais eficiente e individualizado, tanto para atletas quanto para pessoas que desejam melhorar o desempenho ou iniciar uma rotina de atividade física com acompanhamento médico. 

Apesar de toda essa influência biológica, especialistas reforçam que a genética não determina limites, mas sim pontos de partida diferentes. "todas as pessoas podem evoluir com a prática regular de exercícios e a diferença está no caminho e no tempo necessário para atingir determinados resultados. Quando o treino é alinhado às características individuais, os resultados tendem a ser mais consistentes e sustentáveis”, conclui Guida.
 



Referências:
1. Link
2. Link



Junho Vermelho: campanha do GSH Banco de Sangue convoca população para “entrar em campo pela vida

 


 Banco de Sangue de São Paulo abrirá normalmente no feriado de Corpus Christi, 4 de junho, para receber doadores com conforto e segurança


Em clima de Copa do Mundo, o GSH Banco de Sangue de São Paulo lança sua campanha Junho Vermelho com o mote “Você foi convocado para fazer história!”, convidando a população a transformar a paixão nacional pelo futebol em um gesto de solidariedade capaz de salvar vidas. A iniciativa faz uma analogia entre a força da torcida brasileira e a mobilização necessária para manter os estoques de sangue em equilíbrio em um momento considerado crítico para os bancos de sague pelo país.

Inspirada na união que toma conta do país durante os grandes campeonatos, a campanha reforça que, fora dos gramados, cada pessoa também pode fazer a diferença. Afinal, uma única doação de sangue pode salvar até quatro vidas. A ação já começa a circular nos canais digitais da instituição com a mensagem: “A cada quatro anos, o Brasil veste a mesma camisa e joga junto como uma só torcida. E é na força dessa união, desse passe coletivo, que podemos ir além do estádio e entrar em campo pela vida”.

Com as temperaturas mais frias do outono e os feriados prolongados, as doações registram quedas significativas e os estoques sanguíneos estão, neste momento, em estado crítico, enquanto a demanda hospitalar permanece alta. Por isso, o Junho Vermelho surge como um importante movimento nacional de conscientização sobre a necessidade da doação regular.

“O futebol mostra como o brasileiro é capaz de se unir por um objetivo em comum. E é exatamente esse espírito que queremos despertar no Junho Vermelho. Cada doador é um jogador essencial nessa partida pela vida. Quando a população se mobiliza, conseguimos manter os estoques em níveis seguros e garantir atendimento aos pacientes que dependem dos hemocomponentes diariamente para se restabelecerem”, destaca Janaína Ferreira, líder de captação do GSH Banco de Sangue de São Paulo.

O sangue é um recurso insubstituível e fundamental em diversas situações médicas, como cirurgias, acidentes graves, tratamentos oncológicos e doenças hematológicas. Apesar disso, a adesão regular à doação ainda é baixa no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas cerca de 1,4% da população brasileira doa sangue regularmente, percentual considerado insuficiente para atender de forma estável toda a demanda hospitalar.


Dia Mundial do Doador de Sangue

A escolha do mês não é por acaso, já que em 14 de junho se comemora o Dia Mundial do Doador de Sangue, em homenagem ao nascimento de Karl Landsteiner, imunologista austríaco que descobriu o fator Rh e as diferenças entre os tipos sanguíneos.

A campanha também reforça a importância da renovação constante dos estoques, já que os hemocomponentes possuem prazo de validade limitado. As plaquetas, por exemplo, podem ser armazenadas por apenas cinco dias.


Atendimento no feriado

Para ampliar o acesso e proporcionar mais comodidade aos voluntários, o GSH Banco de Sangue de São Paulo funcionará normalmente no feriado de 4 de junho, nos seguintes endereços:

  • Unidade Paraíso: Rua Tomás Carvalhal, 711, bairro Paraíso – atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • Unidade Bela Vista | Hospital BP, Rua Maestro Cardim 769, Bela Vista (Portaria 2) – atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • Unidade Santo André, Av. Dom Pedro II, 877 (Próximo ao Parque Celso Daniel), atende de segunda a sábado, das 7h às 12h.


Confira a lista completa dos pré-requisitos para doação de sangue:

• Apresentar um documento oficial com foto (RG, CNH etc.) em bom estado de conservação;

• Ter idade entre 16 e 69 anos desde que a primeira doação seja realizada até os 60 anos (menores de idade precisam de autorização e presença do responsável legal no momento da doação);

• Não é permitido realizar doação acompanhado de menores de 12 anos (exceto se o menor estiver acompanhado de dois adultos, sendo necessário o revezamento dos mesmos enquanto acontece a doação);

• Estar em boas condições de saúde, se sentindo bem, sem qualquer sintoma;

• Pesar a partir de 50 kg e ter dormido ao menos 6h na última noite;

• Não ter feito uso de bebida alcoólica nas últimas 12 horas;

• Não é necessário estar em jejum, evitar alimentos gordurosos;

• Se fez tatuagem e/ou piercing, aguardar 12 meses. Exceto para região genital e boca (12 meses após a retirada);

• Em caso de diabetes, deverá estar controlada e não fazer uso de insulina;

• Se passou por endoscopia ou procedimento endoscópico, aguardar 6 meses;

• Não ter tido Doença de Chagas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST);

• Candidatos que apresentaram sintomas de gripe e/ou resfriado devem aguardar 7 dias após cessarem os sintomas e o uso das medicações;

• Aguardar 48h para doar caso tenha tomado a vacina da gripe, desde que não esteja com nenhum sintoma.


Alienação parental: como o conflito afeta a saúde mental de crianças e adolescentes

 No Dia mundial dos pais (01.06), especialistas explicam o fenômeno da Alienação parental e apontam 9 sinais de alerta 

 

A Lei nº 12.318/2010 define a alienação parental como a interferência na formação psicológica de crianças ou adolescentes causada por um dos responsáveis ou por quem detenha sua guarda. Criada para coibir esse tipo de prática, a lei reconhece que conflitos familiares podem afetar diretamente o desenvolvimento emocional dos mais jovens. Por isso, prevê medidas que vão de advertência à inversão da guarda, com o objetivo de garantir o direito à convivência equilibrada e a um ambiente familiar saudável.


Na prática, porém, identificar e enfrentar a alienação parental ainda é um desafio. O processo exige análise cuidadosa das dinâmicas familiares e, muitas vezes, avaliações psicológicas detalhadas. Isso porque, embora não seja um diagnóstico clínico, a alienação parental pode gerar consequências profundas na saúde mental de crianças e adolescentes, afetando autoestima, segurança emocional e capacidade de estabelecer vínculos ao longo da vida. Em meio a disputas e rupturas, o impacto vai além do contexto jurídico e reforça a necessidade de olhar para o tema também como uma questão de saúde pública e bem-estar psicológico.


Para a Dra. Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, a complexidade desses casos exige um olhar amplo e integrado. “Estamos lidando com um fenômeno que envolve dimensões emocionais, cognitivas, jurídicas e relacionais. Por isso, a atuação multiprofissional é fundamental”, explica. Segundo ela, a intervenção precoce é decisiva para reduzir danos e evitar que padrões disfuncionais se consolidem ao longo da vida. 


Dra. Mariana destaca que a criança tende a internalizar comportamentos e discursos dos pais, o que pode afetar diretamente sua autoimagem. “Difamar a imagem de um dos responsáveis não impacta apenas essa pessoa, mas também a construção do autoconceito da criança, o que pode acarretar danos significativos”, afirma. Nesse sentido, equipes formadas por psicólogos, assistentes sociais, profissionais do Direito e educadores contribuem para uma abordagem mais assertiva e centrada no bem-estar do menor.


A terapia, segundo a especialista, funciona como um espaço seguro para que a criança ou adolescente possa expressar sentimentos muitas vezes reprimidos ou distorcidos. “O terapeuta não atua como julgador, mas como mediador da compreensão emocional. Entre os objetivos estão fortalecer a autonomia emocional, trabalhar a regulação de sentimentos como culpa e ansiedade e, quando possível, auxiliar na reconstrução de vínculos familiares”, pontua.


Dr. Rodrigo Eustáquio, médico e professor da pós-graduação em Psiquiatria  da Afya Vitória, reforça que os impactos podem ser profundos e duradouros. Crianças expostas a rupturas forçadas de vínculo têm maior risco de desenvolver transtornos de ansiedade, especialmente ansiedade de separação, além de sintomas depressivos e dificuldades na formação de relações afetivas. “Você tem um prejuízo no desenvolvimento da confiança interpessoal da criança, com colegas, professores e até no contexto familiar”, explica. Segundo ele, esses efeitos podem se estender até a vida adulta, influenciando a construção da identidade e até favorecendo o desenvolvimento de transtornos de personalidade.


Dr. Rodrigo também chama atenção para a necessidade de cautela na análise dos casos, especialmente diante de situações mais graves. “A gente tem que ter prudência no diagnóstico e enxergar as conclusões de forma responsável, com avaliação multidisciplinar e escuta qualificada”, afirma. Ele ressalta que nem toda rejeição a um dos pais é resultado de alienação parental, podendo estar associada a históricos de negligência ou violência.


Apesar da gravidade que alguns casos podem atingir, incluindo níveis extremos de ruptura emocional, os especialistas são unânimes em afirmar que o foco deve estar sempre na proteção da criança. Isso implica promover vínculos saudáveis, reduzir conflitos e garantir que qualquer intervenção seja baseada em evidências e conduzida com responsabilidade.


 

9 sinais de possível alienação parental, segundo especialistas 

  1. Rejeição intensa e sem justificativa clara em relação a um dos responsáveis
  2. Repetição de falas negativas ou acusações com linguagem “adultizada”
  3. Polarização afetiva, com um responsável visto como totalmente bom e o outro como totalmente ruim
  4. Medo, culpa ou ansiedade ao demonstrar afeto por um dos responsáveis
  5. Rompimento abrupto de um vínculo que antes era saudável
  6. Dificuldade em expressar sentimentos próprios sobre o conflito familiar
  7. Irritabilidade ou mudanças de comportamento
  8. Alterações no sono
  9. Queda no rendimento escolar

 

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O caso AJX, o pedido de bloqueio de R$ 50 milhões e o desafio da proteção dos investidores no Brasil

Não se trata apenas de investimentos malsucedidos ou de promessas não cumpridas de rentabilidade. O que está em jogo são economias construídas ao longo de décadas, aposentadorias colocadas em risco, famílias inteiras tentando compreender como recursos acumulados durante uma vida desapareceram em estruturas que aparentavam legitimidade, segurança e profissionalismo.

O caso AJX recoloca no centro do debate uma pergunta que há muito acompanha o mercado financeiro brasileiro: quem está efetivamente protegendo o investidor? 

O Instituto Social de Proteção e Garantia do Equilíbrio nas Relações de Consumo (IPGE) ajuizou ação coletiva com pedido de bloqueio patrimonial de R$ 50 milhões contra a AJX e demais envolvidos, buscando a proteção de consumidores e investidores supostamente lesados em um contexto que, segundo os elementos apresentados ao Judiciário, ultrapassa a esfera privada e assume evidente relevância social. 

Os levantamentos reunidos na atuação coletiva apontam para mais de cem vítimas já identificadas, prejuízos milionários e um fluxo contínuo de pessoas buscando orientação jurídica. Entretanto, talvez o dado mais preocupante esteja na dimensão potencial do caso. Informações citadas em investigações correlatas indicam a possibilidade de mais de dez mil investidores afetados. 

Segundo os fatos narrados na ação, a estrutura investigada teria se apoiado em captação irregular de poupança popular por meio de Cédulas de Crédito Bancário, acompanhada da promessa de rentabilidades extraordinárias e da alegação de existência de lastro vinculado a ações físicas do antigo BESC, ativos cuja consistência econômica vem sendo questionada em documentos e precedentes mencionados na própria investigação. 

Os elementos reunidos na ação civil pública também apontam para uma estratégia baseada em forte presença digital, publicidade intensiva, contato ativo com potenciais investidores e uma narrativa empresarial construída para transmitir segurança e credibilidade ao público. 

O impacto humano desse tipo de engrenagem não pode ser medido apenas em números. Ele se traduz em sofrimento financeiro, insegurança, litígios espalhados por diferentes regiões do país e investidores que acreditavam estar protegendo o patrimônio familiar, e não assumindo riscos incompatíveis com sua realidade econômica. 

É exatamente nesse ponto que a atuação coletiva assume papel relevante. A medida proposta pelo IPGE não pretende apenas discutir eventual responsabilização futura, mas enfrentar uma das maiores dificuldades relacionadas às grandes fraudes financeiras: o desaparecimento patrimonial antes da efetiva resposta judicial. 

Por essa razão, a ação requer medidas urgentes como bloqueio de ativos, rastreamento patrimonial, investigação financeira, bloqueio de criptoativos, quebra de sigilos, suspensão de atividades e comunicação a órgãos como Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários, Receita Federal e Ministério Público. 

O episódio também impõe uma reflexão mais ampla sobre o funcionamento do mercado de investimentos no Brasil. Vivemos um ambiente marcado por operações cada vez mais sofisticadas, linguagem técnica complexa, publicidade digital agressiva e crescente assimetria de informação entre quem oferece produtos financeiros e quem investe. 

Nesse cenário, a prevenção não pode ser substituída por reações tardias. Surge então uma questão inevitável: os mecanismos de fiscalização conseguem acompanhar a velocidade e a complexidade dos riscos contemporâneos? 

Agir apenas depois do colapso revela-se insuficiente, sobretudo quando famílias já perderam reservas financeiras, quando investidores passam anos enfrentando disputas judiciais e quando a reconstrução patrimonial vem acompanhada da difícil tarefa de recuperar confiança. 

Casos dessa magnitude exigem mais do que indignação retrospectiva. Exigem instituições vigilantes, mecanismos efetivos de fiscalização, transparência e respostas jurídicas capazes de equilibrar uma relação frequentemente desigual entre investidores dispersos e estruturas empresariais complexas. 

Patrimônio perdido não representa apenas dinheiro. Representa tempo de vida, trabalho, planejamento e confiança. E nenhuma sociedade economicamente madura deveria naturalizar a perda de algo tão valioso.

 

Mayra Vieira Dias - advogada especialista na defesa de vítimas de fraudes financeiras e sócia do escritório Calazans & Vieira Dias

 

Google inicia piloto de Message Ads no Brasil

Campanha visa transformar buscas em jornadas conversacionais de alta conversão


O Google iniciou, no Brasil, os testes de uma nova tecnologia que pode transformar a forma como empresas geram leads e convertem clientes: o Message Ads, integração entre Google Ads e RCS (Rich Communication Services). Em vez de direcionar o usuário para formulários ou landing pages tradicionais, o anúncio leva diretamente para uma conversa contextualizada e interativa com a marca — reduzindo fricção e acelerando a jornada de conversão. 

Diante dessa novidade, a Pontaltech, um dos principais parceiros do Google para RCS no Brasil e referência no desenvolvimento de jornadas conversacionais voltadas à aquisição, conversão e retenção de clientes, está buscando clientes estratégicos e os apoiando na execução do projeto piloto. 

Carlos Feist, Diretor de Growth Platforms da Pontaltech, explica que o movimento representa uma mudança estrutural nos modelos tradicionais de aquisição digital. “Estamos falando de uma nova camada de performance para marketing digital. Pela primeira vez, a intenção capturada na busca do Google pode ser convertida instantaneamente em uma conversa rica, contextualizada e interativa. Isso reduz etapas, aumenta a qualificação dos leads e melhora indicadores críticos como CPC, taxa de conversão e ROAS”, afirma. 

A proposta do Message Ads é transformar a conversa em parte central da estratégia de aquisição. Ao eliminar etapas intermediárias da jornada — como formulários extensos e páginas de conversão pouco eficientes — o modelo tende a reduzir abandono e aumentar o engajamento já no primeiro contato. 

A interação acontece no momento de maior intenção do consumidor, permitindo qualificação em tempo real, personalização da experiência e aceleração do processo de decisão de compra. 

Para áreas de marketing, growth e aquisição, o impacto potencial vai além da experiência do usuário. A expectativa é aumentar a eficiência de mídia e melhorar métricas associadas à geração de demanda e conversão, tornando a jornada mais fluida e orientada a resultado. 

O Brasil foi escolhido para os testes iniciais por ser um dos mercados mais avançados do mundo em messaging e canais conversacionais, consolidando o protagonismo do país na evolução das experiências digitais de relacionamento entre marcas e consumidores. 

Mais do que habilitar o canal, a Pontaltech atua na construção estratégica das jornadas conversacionais que sustentam essa nova experiência, combinando automação, inteligência conversacional, integração com CRM e desenho de fluxos focados em conversão. 

A empresa é, hoje, uma das principais referências em RCS e messaging no país, acumulando experiência na implementação de experiências conversacionais para grandes marcas em setores como financeiro, educação, varejo, mobilidade e turismo. 

Diversos segmentos com alta demanda de geração de leads tendem a capturar valor imediato desse novo modelo. Mas, segundo Feist, o potencial da tecnologia depende diretamente da capacidade das empresas de desenharem jornadas conversacionais eficientes. “Não basta apenas ativar o canal. O ganho real acontece quando a conversa é desenhada para conversão. Isso envolve estratégia, UX conversacional, integração de dados, automação e otimização contínua da jornada”, complementa. 

Para o diretor, o avanço do Message Ads sinaliza uma transformação mais ampla no mercado digital: a migração de experiências baseadas em clique para experiências baseadas em conversa. “O futuro da aquisição será cada vez mais conversacional. As empresas que entenderem isso primeiro terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos. Estamos orgulhosos de participar desse movimento ao lado do Google e ajudar marcas brasileiras a explorarem todo o potencial dessa nova geração de experiências”, finaliza Feist. 

 

Pontaltech



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