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segunda-feira, 29 de julho de 2024

Quando as dores no corpo indicam a hora de procurar um médico?

Médica fala sobre sinais de alerta e mudanças de hábitos importantes para ter mais qualidade de vida

 

Dores nas costas, na cabeça e nas pernas podem até ser sintomas comuns da exaustão do corpo diante de uma rotina intensa de trabalho, estudos ou exercícios. Mas quais são os sinais de alerta que indicam o momento de procurar ajuda médica? No Brasil, quase metade da população (45%) ignora sintomas de dores antes de buscar auxílio médico e tem ainda o costume de pesquisar na internet ou consultar amigos antes de profissionais capacitados. Os dados são do levantamento Saúde do Brasileiro - 2023, feito pela Hibou, empresa de pesquisa e insights de mercado e consumo, e apontam para um cenário preocupante quando o assunto é saúde. 

De acordo com Ana Paula Carvalho, profissional da área de Clínica Médica do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, é preciso se atentar ao momento de procurar ajuda médica. “Sentir dores no corpo é uma experiência comum, muitas vezes associada ao cansaço, estresse ou pequenos incidentes do dia a dia. No entanto, nem todas as dores devem ser ignoradas ou tratadas de forma caseira”, ressalta. Segundo Carvalho, alguns sinais indicam que uma dor no corpo pode ser mais do que apenas um desconforto passageiro, como: 

1) Duração prolongada e intensidade elevada: se a dor persistir por mais de alguns dias ou semanas, ou se for muito intensa, a ponto de não melhorar com analgésicos comuns. 

2) Sintomas associados: presença de febre, perda de peso inexplicável, fadiga extrema, fraqueza, dormência, formigamento, área dolorida com inchaço, vermelhidão ou sensação de calor. 

3) Início súbito: dor que surge de repente, sem uma causa aparente. 

4) Interferência nas atividades diárias: quando a dor dificulta a realização de tarefas cotidianas, como caminhar, trabalhar ou dormir. 

5) Histórico de trauma ou lesão: dor que surge após uma queda, acidente ou qualquer tipo de lesão. 

Ainda segundo a médica, a região do corpo em que se sente a dor também pode ser um fator preocupante em relação à gravidade do problema, sendo necessário buscar ajuda médica imediatamente. Entre os locais do corpo que precisam de uma atenção especial, se houver dor, a profissional destaca: 

·         Dor no peito: qualquer dor no peito acompanhada de dificuldade para respirar, sudorese, náusea ou dor que irradia para o braço esquerdo, mandíbula ou costas.

·         Dor abdominal intensa: dor abdominal severa acompanhada de febre, vômitos persistentes, inchaço ou sensibilidade extrema.

·         Dor nas costas: dor nas costas acompanhada de perda de controle da bexiga ou intestino, fraqueza nas pernas ou febre.

·         Dor de cabeça súbita e intensa: qualquer dor de cabeça que seja a pior já experimentada, que aparece subitamente ou é acompanhada de rigidez no pescoço, confusão, perda de consciência ou alterações na visão.

·         Dor nas pernas com inchaço: inchaço, vermelhidão, calor e sensibilidade nas pernas.

·         Dor ao urinar: dor ao urinar deve ser avaliada o quanto antes, principalmente se acompanhada de febre, sangue na urina ou dor nas costas.

·         Dor na coluna que se irradia para a perna ou braço: se houver fraqueza, dormência ou perda de função na extremidade afetada.

 

Como saber quais dores são normais e quais podem indicar um problema mais sério?

O cuidado com a saúde, de forma preventiva, precisa ser diário, mas nem toda dor é sinal de um problema que precisa de intervenção médica. Segundo Carvalho, “distinguir entre dores musculares normais e aquelas que podem indicar um problema médico mais sério envolve observar a natureza, a duração e os sintomas associados à dor”. A seguir, confira a listagem feita pela médica com algumas características das dores musculares consideradas normais:

 

1) Causa identificável: Geralmente, as dores musculares normais seguem um exercício físico, esforço, ou uma atividade extenuante.

 

2) Duração limitada: Essas dores tendem a melhorar em poucos dias a uma semana.

 

3) Melhora com repouso: A dor geralmente diminui com o descanso e pode ser aliviada com analgésicos comuns, como paracetamol ou ibuprofeno.

 

4) Localização específica: Frequentemente confinada a áreas específicas que foram exercitadas ou sobrecarregadas.

 

5) Sintomas leves: Não é acompanhada por sintomas sistêmicos como febre ou perda de peso.

 

Quais mudanças de hábitos podem ser positivas para uma vida mais saudável e sem dores?

Apesar do poder do combo atividade física e alimentação saudável ser bastante conhecido, dados do Ministério da Saúde apontam que somente 40,6% dos brasileiros se exercitam nos níveis estipulados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera exercícios feitos no tempo livre, excluindo o deslocamento para trabalho ou escola e atividades ocupacionais, por exemplo. Veja cinco mudanças práticas indicadas pela médica para incluir no dia a dia em busca de uma boa saúde.

 

1) Atividade física regular: praticar exercícios aeróbicos, como caminhar, nadar ou andar de bicicleta, ajuda a manter as articulações e músculos saudáveis. Fazer alongamentos diários também melhora a flexibilidade e reduz a tensão muscular. A médica destaca que é importante fazer um aquecimento adequado antes das atividades físicas para prevenir lesões e usar calçados que ofereçam suporte adequado.

 

2) Dieta adequada: consumir uma variedade de alimentos ricos em nutrientes, assim como beber bastante água ajuda a manter os tecidos musculares hidratados e reduzir o risco de cãibras e dores. Além disso, uma boa alimentação auxilia na manutenção de um peso saudável, diminuindo a pressão nas articulações, especialmente nos joelhos, quadris e coluna.

 

3) Sono adequado: garantir de sete a nove horas de sono por noite ajuda o corpo a se recuperar e reduz a percepção da dor, porém, a qualidade de sono também é muito importante. 

 

4) Evitar hábitos como tabagismo e consumo de álcool em excesso: o tabagismo pode agravar a dor e interferir na circulação sanguínea, retardando a recuperação, ao passo que consumir álcool em excesso pode afetar a saúde geral e aumentar a dor.

 

5) Check-ups regulares: visitar o médico regularmente para monitorar a saúde geral e tratar problemas antes que se tornem graves.

“Muitas condições de saúde podem não apresentar sintomas iniciais claros. Durante um check-up, exames laboratoriais e avaliações médicas podem detectar irregularidades antes que sintomas óbvios apareçam. Isso permite intervenções mais eficazes e menos invasivas ", reforça Carvalho.





Cartão de TODOS

 

Amamentar pode reduzir risco relativo de câncer de mama em até 50%

As alterações hormonais que ocorrem no período de amamentação e a adesão da mãe a melhores hábitos em prol da saúde do bebê favorecem a prevenção da doença

 

Amamentar oferece diversos benefícios para a saúde materna e infantil, além de contribuir para o desenvolvimento do vínculo afetivo. Entre eles, está o menor risco de ter câncer de mama. A amamentação, durante mais de um ano, pode diminuir o risco relativo de desenvolver um tumor triplo-negativo em cerca de 20% e de mulheres com mutações BRCA1 manifestarem a doença em cerca de 22 a 50%. 

“Somado a isso, estudos apontam que a possibilidade de ter câncer de mama pode reduzir 4,3% a cada 12 meses de amamentação, além de diminuir 7% a cada parto. No entanto, os efeitos protetores da gravidez dependem da idade em que ocorreu o primeiro parto da mulher, quanto mais jovem, maiores as chances de diminuir o risco da doença”, completa o mastologista do Hcor, Dr. Afonso Nazário. 

Ao se tornar mãe antes dos 25 anos, o risco relativo de câncer de mama na pós-menopausa reduz em 35%, em comparação com as mulheres que nunca tiveram filhos. Depois disso, as chances de desenvolver a doença passam a aumentar. De acordo com o último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo de mulheres que se tornaram mães entre 40 e 49 anos foi o único que cresceu no período (2018-2022), registrando um aumento de 16,8%. 

“Embora este aumento do risco de câncer de mama para mães com mais idade seja preocupante, o que estamos realmente observando é uma reversão dos efeitos protetores da gravidez que beneficiam as mais jovens. Mulheres que têm um filho entre 30 e 34 anos têm o mesmo risco que aquelas que nunca tiveram, por exemplo”, esclarece o especialista. As vantagens da gravidez e da amamentação em idade jovem têm sido consistentemente observadas em vários países e grupos étnicos, sugerindo que a proteção resulta de mudanças biológicas na mama e não de fatores ambientais ou socioeconômicos. 

Reforçando este efeito protetor da amamentação, em uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Amazonas em parceria com a UNIFESP, em 2023, demonstrou-se que nas indígenas de Manaus e de populações ribeirinhas, a mortalidade por câncer de mama é praticamente inexistente. Emerge como principal fator protetor a amamentação prolongada neste grupo étnico que, em média, é de cinco a seis anos.

 

Triplo-negativo

Uma meta-análise de 2015 encontrou uma redução de 20% no risco relativo de câncer de mama triplo-negativo associado à amamentação. Esta redução foi observada tanto em estudos de caso-controle quanto em estudos de coorte. Outro estudo mais recente encontrou um aumento de 191% no risco relativo de câncer de mama triplo-negativo em mulheres que tiveram filhos, mas não amamentaram.

 

Mutação no gene BRCA1

Mulheres com mutações no BRCA1 que amamentaram por mais de um ano apresentaram redução no risco relativo de câncer de mama de 22 a 50%, em comparação com aquelas que nunca amamentaram. Esta redução significativa é notável em uma população que já apresenta um risco elevado de câncer de mama. Mulheres com mutações no BRCA1 têm um risco absoluto de 65% de desenvolver câncer de mama até os 70 anos. Em contraste, não há redução no risco associado à amamentação para mulheres com mutações no BRCA2. 

Mulheres de forma geral devem ser especialmente incentivadas a amamentar como forma de reduzir o risco de câncer de mama. E este efeito protetor se aplica também àquelas com histórico familiar de câncer de mama. Muitas desconhecem ter uma mutação no BRCA 1 e seu aumento de risco de câncer.

 

Hcor

 

Prevenção e tratamento de insuficiência venosa

Como as meias compressivas podem ajudar a terceira idade



A atenção à saúde dos idosos se torna ainda mais relevante. Dentre os diversos cuidados necessários para essa faixa etária, a prevenção e o tratamento de problemas vasculares ganham destaque. De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), problemas como a insuficiência venosa são comuns entre os idosos, especialmente após os 70 anos, quando 70% das pessoas apresentam varizes.

A idade avançada, associada à perda de fibras musculares e diminuição da massa muscular, torna os idosos mais suscetíveis a problemas vasculares. "Além disso, condições como obesidade e sedentarismo agravam o risco. No entanto, mudanças de estilo de vida, incluindo exercícios físicos regulares e uma dieta equilibrada, podem ajudar a prevenir o desenvolvimento de insuficiência venosa", diz a enfermeira Claudioneia Dadas.

Um dos tratamentos conservadores mais eficazes para a insuficiência venosa é o uso de meias compressoras. Estas meias, prescritas por um angiologista, são fundamentais para melhorar a circulação sanguínea nas pernas, aliviando sintomas e prevenindo complicações. As meias de compressão são projetadas para exercer pressão graduada, sendo mais apertadas no tornozelo e diminuindo a compressão em direção ao joelho ou coxa, o que facilita o retorno venoso ao coração.

"A escolha da meia compressora envolve vários fatores, incluindo o grau de compressão, a altura da meia e o tipo de tecido. Existem diferentes níveis de compressão, que variam de leve (15-20 mmHg) a alta (30-40 mmHg), sendo cada nível indicado para situações específicas. Por exemplo, compressão de 18-20 mmHg é adequada para a prevenção de trombose e inchaço em pessoas sem problemas circulatórios graves, enquanto compressões mais altas são indicadas para casos de insuficiência venosa avançada ou após procedimentos cirúrgicos", conta Claudioneia.

Além disso, a altura da meia também é um fator crucial. Meias até a panturrilha (3/4) são geralmente suficientes para a maioria dos casos de prevenção e controle de sintomas. No entanto, meias que cobrem até a coxa (7/8) ou que são do tipo meia-calça podem ser necessárias para compressão adicional em trajetos específicos das veias, como após cirurgias ou escleroterapia.

Dadas também comenta que o tecido da meia também influencia seu conforto e eficácia. Tecidos mais elásticos são preferidos para uso diário devido ao maior conforto, enquanto tecidos menos elásticos oferecem maior durabilidade e melhor função compressiva, sendo indicados para tratamentos mais complexos.

Diante do envelhecimento populacional, é crucial promover ações preventivas e tratamentos eficazes para insuficiência venosa, visando melhorar a qualidade de vida dos idosos e reduzir os custos associados ao tratamento médico e cirúrgico. As meias compressoras representam uma ferramenta valiosa nesse contexto, proporcionando alívio e prevenção para milhões de pessoas.




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Febre do Oropouche: saiba os riscos de surto no país

 

Após a confirmação inédita do Ministério de Saúde, ontem (25), de duas mortes por Febre do Oropouche (FO) na Bahia, acendeu um alerta em todo o país sobre o risco de surto da doença em outras regiões. Neste ano, já foram registrados 7.236 casos em 20 estados brasileiros, sendo a maior parte foi no Amazonas e Rondônia. O número representa um aumento de mais de 700% comparado a 2023. 

A doença é transmitida, principalmente, pelo mosquito “maruim” ou “mosquito-pólvora”, contaminado pelo vírus da Febre do Oropouche. Esse inseto é mais típico de áreas de florestas, como a região Amazônica. “Para que haja um surto no país, ele tem que se adaptar a outras regiões. O crescimento de estados com casos registrados são sinais preocupantes nesta direção”, alerta o infectologista do Hcor, Dr. Guilherme Furtado. 

Os sintomas da Febre do Oropouche são parecidos com os da dengue e da chikungunya: dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, náusea e diarreia. “É muito importante buscar ajuda médica para realizar o diagnóstico preciso. Ainda que a FO não tenha tratamento específico, é preciso realizar o diagnóstico precoce para evitar complicações, principalmente óbitos”, ressalta o especialista. 

A prevenção é feita, principalmente, se possível, evitando áreas em que há uma incidência maior do mosquito, usando roupas que cubram a maior parte do corpo, usando repelente nas áreas expostas e removendo possíveis criadores de mosquitos em casa, como água parada e folhas acumuladas.

 

Hcor


Entendendo os desafios do uso medicinal da Cannabis no Brasi

 

freepik

A utilização medicinal da cannabis tem ganhado destaque no tratamento de diversas patologias, oferecendo alternativas terapêuticas eficazes. Porém os principais desafios para o uso medicinal da Cannabis no Brasil incluem o custo elevado e o preconceito, entre outros. 

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) libera apenas o óleo de cannabis rico em canabidiol isolado, e para algumas síndromes que causam epilepsia refratária. A falta de ampla disponibilidade no SUS e o custo elevado dos medicamentos e o fato de muitas vezes não serem cobertos pelos seguros de saúde limitam sua distribuição para muitos pacientes. Além disso, o preconceito associado à Cannabis continua sendo uma barreira significativa, apesar de seu uso medicinal ser documentado há mais de 4 mil anos. 

 

Outros fatores que dificultam a pesquisa e produção de medicamento à base de Cannabis 

A pesquisa e produção desse tipo de medicamento acaba sendo restringida por fatores como a regulamentação e a legislação, que variam muito entre países e até mesmo entre estados ou regiões dentro de um mesmo país; a ilegalidade da Cannabis, que dificulta a pesquisa, produção e prescrição de medicamentos derivados; os padrões de qualidade e consistência, pois a planta de cannabis contém centenas de compostos químicos que podem variar significativamente entre diferentes plantas e produtos — garantir a consistência e a qualidade dos produtos derivados da cannabis é ainda um desafio. 

Por fim, a educação dos profissionais de saúde sobre a cannabis medicinal, consequentemente ainda não é adequada, o que restringe a prescrição correta e a orientação dos pacientes quanto ao uso terapêutico. 

Abordar essas dificuldades requer um esforço coordenado entre governos, comunidade científica, profissionais de saúde e sociedade em geral para promover o uso seguro e eficaz da cannabis medicinal, que ainda é um produto caro e não disponível para todas as classes sociais e econômicas. 

 

Evidências científicas sustentam a aplicação da Cannabis em diversas condições 

O uso da Cannabis em condições como epilepsia refratária, doença de Parkinson, autismo, doenças psiquiátricas (depressão, ansiedade, estresse pós-traumático) e demências vem apresentando resultados positivos cientificamente comprovados. Outras afecções que a aplicação de medicamentos baseados em Cannabis tem mostrado eficácia são: dor crônica, especialmente a dor neuropática e dor da fibromialgia, que é frequentemente resistente a outros tipos de tratamento; esclerose múltipla, aliviando a espasticidade (rigidez muscular) associada; náusea e vômito induzidos por quimioterapia; transtornos de ansiedade e do sono; síndrome de Tourette; glaucoma e doenças inflamatórias intestinais (DII). 

A pesquisa contínua e rigorosa é necessária para confirmar esses benefícios, entender os mecanismos de ação e determinar as indicações dos diferentes canabinoides, as doses e formas de administração mais eficazes e seguras. 

 

Do que são feitos os medicamentos 

Os principais componentes usados na produção desses remédios são os canabinoides, encontrados na flor da planta da Cannabis. Além disso, terpenos e flavonoides, presentes em menor quantidade nas folhas e no caule, também são utilizados. Esses componentes atuam no sistema endocanabinoide humano, ajudando a equilibrar os neurotransmissores e melhorando condições associadas a diversas doenças. 

O sistema endocanabinoide é essencial para a regulação de várias funções corporais e o equilíbrio interno. A pesquisa científica continua a explorar como a modulação desse sistema pode ser usada para tratar diversas condições de saúde, destacando o potencial terapêutico dos canabinoides derivados da planta Cannabis. 

Entre os canabinoides, os mais importantes são o CBD (canabidiol) e o THC (tetraidrocanabinol). Outros componentes incluem canabinoides adicionais, terpenos e flavonoides (óleos de espectro completo) todos utilizados no tratamento de diversas doenças. 

Os principais remédios que utilizam cannabis e suas substâncias derivadas são, predominantemente, os óleos. Esses medicamentos são administrados via oral, de forma sublingual. Além dos óleos, também existem comprimidos, cápsulas, gomas e pomadas, embora o uso de óleo seja mais comum. 

 

Situação Atual dos Medicamentos de Cannabis no Brasil 

No Brasil, a ANVISA autorizou a importação de medicamentos derivados da Cannabis e, em seguida, a comercialização de medicamentos e produtos à base de cannabis em farmácias. Há associações brasileiras que já foram autorizadas a produzir remédios para seus associados.  

 

Diferença entre uso medicinal e o uso recreativo da Cannabis 

Há uma distinção clara entre o uso medicinal da cannabis e o consumo adulto (anteriormente chamado de uso recreativo). O consumo de maconha fumada, que contém maior concentração de THC, é geralmente utilizado para aliviar a ansiedade e melhorar o sono, proporcionando um efeito rápido e intenso, mas de curta duração. Em contraste, os óleos de cannabis, que podem conter THC em doses menores, são administrados oralmente e têm um efeito mais prolongado, sendo mais indicados para o tratamento de doenças crônicas. A vaporização da flor de cannabis é outra forma de administração usada em casos específicos, como crises de ansiedade e epilepsia. 

 

Professora Alejandra Debbo - também é membro da Secretaria da Comissão Técnica de Dor e Fibromialgia da Sociedade Brasileira de Estudos de Cannabis (SBEC).


Frente fria no sul e sudeste do país exige atenção redobrada com a saúde dos olhos, alerta especialista

 

Mudanças climáticas favorecem o surgimento de doenças, como conjuntivite alérgica, olhos irritados e vermelhidão., Oftalmologista orienta quais os cuidados devem ser tomados 

 

De acordo com o MetSul Meteorologia, a última semana de julho promete ser gelada e chuvosa, isso porque uma nova frente fria atingirá o sul e o sudeste do país. “A mudança climática é extremamente prejudicial para a saúde ocular. No frio, algumas doenças tendem a surgir, como a conjuntivite alérgica, olhos irritados e vermelhidão”, explica o Dr. Fernando Ramalho, especialista em cirurgia refrativa no Oftalmos - Hospital de Olhos, em Santa Catarina. 

“Além de favorecer a concentração de poluentes no ar, provocando alergias, essa variação climática pode causar infecção em pessoas que usam lentes de contato, pois a chuva contribui para o aparecimento de alguns microrganismos na água”, diz Ramalho. 

Com isso, alguns cuidados devem ser redobrados nessa variação de tempo. O Dr. Fernando Ramalho explica quais os cuidados devem ser adotados:

  • Para os usuários de lentes de contato, é fundamental adotar medidas específicas para lidar com as variações climáticas, incluindo manter-se bem hidratado, respeitar o tempo de uso e realizar a limpeza adequada das lentes.
  • Ao entrar ou sair de ambientes climatizados, a sugestão é piscar os olhos algumas vezes para melhorar a lubrificação.
  • Agora, mesmo se você não usa lentes de contato, é importante estar atento, pois o olho seco é uma condição que afeta muitas pessoas, especialmente aquelas que passam longas horas diante de telas de dispositivos eletrônicos.
  • Assim como nosso corpo necessita de água para se manter hidratado, nossos olhos têm essa mesma necessidade. A hidratação regular dos olhos é uma forma eficaz de prevenir os sintomas do olho seco, especialmente durante os meses mais secos do ano. Porém, é importante consultar seu oftalmologista para saber qual produto deve ser aplicado.
  • Além disso, vale a pena reduzir o tempo de uso de celulares, tablets e computadores, fazendo intervalos regulares durante o uso dessas tecnologias.
  • Óculos de Sol: Use óculos de sol de qualidade para proteger seus olhos dos raios UV, em dias ensolarados e também nublados.
  • Limpeza Adequada: Lave as mãos e evite coçar os olhos para prevenir infecções.

 

Olimpíadas de Paris 2024: Lições de atletas de alta performance na sala de aula

Como a disciplina e a persistência dos atletas podem inspirar estudantes a alcançar os primeiros lugares


Esta semana, os olhos do mundo se voltam para Paris, para acompanhar as Olimpíadas de 2024. Atletas de alta performance de todas as partes competem por um lugar no pódio, demonstrando dedicação, disciplina e perseverança. Essas mesmas qualidades são essenciais para os estudantes que buscam aprovação em vestibulares concorridos, como os de Medicina, ITA e IME.
 

Inspiração e nunca desistir
 

Os atletas olímpicos dedicam anos de suas vidas ao treinamento rigoroso e à preparação mental. É só pensarmos nos maratonistas, que correm mais de 42 km com uma determinação inabalável. Eles treinam diariamente, muitas vezes enfrentando condições adversas, para alcançar a excelência. Essa rotina exaustiva e disciplinada é o que os leva a se destacar nas competições. 

Desde jovens, muitos deles acordam antes do amanhecer para treinar, equilibrando estudos e esporte, sacrificando momentos de lazer por um objetivo maior. 

"Os atletas nos mostram que o sucesso não vem da noite para o dia. É um processo contínuo de dedicação, superação de limites e resiliência. Essas são as mesmas qualidades que os estudantes precisam cultivar para vencer os desafios dos vestibulares mais concorridos.", destaca Valma Souza, diretora do PB Colégio e Curso: “Buscamos relembrar nossos alunos que a constância gera consistência, que a repetição, disciplina e vontade de vencer, serão essenciais para chegarem ao topo, assim como os atletas”.
 

O caminho para o sucesso

Hugo de Almeida, também diretor do PB Colégio e Curso relembra alguns pontos que os alunos não podem esquecer. “A preparação para os vestibulares é como o treinamento de um atleta. Requer foco, planejamento e uma rotina de estudos bem estruturada. Assim como os atletas seguem uma rotina de treinos, os estudantes devem seguir um plano de estudos consistente para atingir seus objetivos”.
 

Dicas para se inspirar nos atletas olímpicos

Valma de Souza acredita que a chave está na constância e na qualidade do tempo dedicado. Para ajudar os estudantes, os diretores finalizam dividindo algumas dicas inspiradas no treino dos atletas:

  1. Estabeleça metas claras: Assim como os atletas têm objetivos específicos para cada competição, estabeleça metas de estudo claras. Divida suas metas maiores em objetivos menores e alcançáveis, celebrando cada conquista ao longo do caminho.
  2. Crie um cronograma rigoroso: Atletas seguem um cronograma de treinos detalhado. Elabore um plano de estudos diário e semanal, reservando tempo para cada matéria e revisões regulares. A consistência é fundamental.
  3. Treinamento diário, estudo consistente: Os atletas têm horários fixos para treinar, alimentar-se e descansar. Para os estudantes, isso se traduz em ter um cronograma de estudos bem definido, com horários específicos para cada matéria, pausas para descanso e tempo para atividades físicas. Estudos mostram que a prática regular e a consistência são mais eficazes do que sessões intensas de estudo de última hora.
  4. Resiliência: Assim como os atletas enfrentam lesões e derrotas, os estudantes também encontram obstáculos, como notas baixas em simulados ou dificuldades em certas matérias. A resiliência é crucial. “Os atletas não desistem diante dos primeiros obstáculos. Eles aprendem com as falhas e continuam em frente. Os estudantes devem adotar a mesma atitude, buscando ajuda quando necessário e mantendo a motivação”, ressalta Hugo de Almeida.
  5. A Importância do descanso e da saúde mental: Outro ponto importante é o equilíbrio entre estudo e descanso. Atletas de elite sabem que o descanso é parte essencial do treinamento. Da mesma forma, estudantes devem garantir horas adequadas de sono, alimentação saudável e momentos de lazer para evitar o burnout.
  6. Treinamento mental: Muitos atletas usam técnicas de visualização e meditação para melhorar seu desempenho. Estudantes podem se beneficiar dessas práticas para aumentar a concentração e reduzir o estresse. Dedique alguns minutos do dia para exercícios de mindfulness.

Apoio e feedback: Atletas contam com treinadores e equipes de suporte. Estudantes também devem buscar apoio, seja através de professores, tutores ou grupos de estudo. Receber feedback contínuo ajuda a identificar pontos fracos e fortalece o aprendizado.


BOLETIM DAS RODOVIAS

Motoristas encontram pontos de lentidão nas rodovias Bandeirantes, Castello Branco e Tamoios

 

A ARTESP - Agência de Transporte do Estado de São Paulo informa as condições de tráfego nas principais rodovias que dão acesso ao litoral paulista e ao interior do Estado de São Paulo no início da tarde desta segunda-feira (29). 

 

Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI)

Tráfego normal, sem congestionamento.

 

Sistema Anhanguera-Bandeirantes

A Rodovia Anhanguera (SP-330) está com tráfego normal nos dois sentidos. Na Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), sentido interior, o motorista encontra congestionamento do km 58 ao km 62. Já no sentido capital, o tráfego é normal.

 

Sistema Castello Branco-Raposo Tavares

A Rodovia Raposo Tavares (SP-270), em ambos os sentidos, apresenta tráfego normal. Já na Rodovia Castello Branco (SP-280), o sentido capital apresenta lentidão do km 15 ao km 13+700, por conta do excesso de veículos. No sentido interior, não há congestionamento.

 

Rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto

Tráfego normal, sem congestionamento.

 

Rodovia dos Tamoios

A Rodovia dos Tamoios (SP-099) está com tráfego normal no sentido litoral. Já no sentido de São José dos Campos, há interdição do km 82+800 ao km 64+900.


Últimos dias para inscrições: Governo de SP tem 5,5 mil vagas nos cursos gratuitos do Google Cloud com foco em nuvem e IA

Programa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico é voltado a moradores do estado de São Paulo

 

As inscrições para os cursos gratuitos sobre computação em nuvem e inteligência artificial do Qualifica SP - Novo Emprego estão abertas até 5 de agosto para moradores do estado de São Paulo que tenham interesse em ingressar na área de tecnologia da informação. O programa, gerenciado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE),  está com 5,5 mil vagas na iniciativa realizada em parceria com o Google Cloud, braço de computação em nuvem do Google. Interessados devem se cadastrar pelo site: www.qualificasp.sp.gov.br.

 

Ao concluírem as aulas e cumprirem todos os requisitos, os estudantes serão convidados a participar da ‘Job Fair - Feira de Oportunidades’, evento com ofertas de estágio e emprego que acontecerá em novembro.

 

Dados da Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, apontam que, até 2025, serão necessários mais de 500 mil novos profissionais deste segmento no país.

 

Diante dessa demanda, a iniciativa da SDE vai formar profissionais em dois cursos on-line com duração de um mês e meio, realizados em parceria com o Google Cloud e a Fundação Apoio à Tecnologia (FAT). Podem participar residentes do estado de São Paulo maiores de 18 anos. Os candidatos deverão realizar testes classificatórios após efetivarem a inscrição. A convocação ocorrerá por e-mail. Em agosto, está prevista uma nova oferta com mais 2,5 mil vagas. 

 

O primeiro curso é “Fundamentos de Computação em Nuvem - Google Cloud”. Com 3 mil vagas, oferece aos estudantes com pouco ou nenhum conhecimento em computação em nuvem uma visão detalhada dos conceitos que abrangem os fundamentos da nuvem, big data e aprendizado de máquina. São quatro módulos, totalizando 64 horas de curso divididas em 56 horas de conteúdo programático e oito horas de habilidades socioemocionais.

 

O segundo curso é o “Inteligência Artificial – Google Cloud”, com 2,5 mil vagas. Apresenta, em três módulos, um panorama dos conceitos de inteligência artificial generativa, desde os fundamentos de grandes modelos de linguagem até os princípios de responsabilidade. São 50 horas de curso, divididas em 30 horas de conteúdo programático, 12 horas de tutoria e oito horas de habilidades socioemocionais.


 

Job Fair - Feira de Oportunidades 

Ao final de cada módulo dos cursos, será aplicada uma avaliação para obtenção do ‘selo de habilidades’ do Google Cloud, que representa um reconhecimento da empresa de que a pessoa possui conhecimento naquela habilidade específica. Os estudantes que conseguirem os selos necessários e tiverem no mínimo 75% de presença nas aulas poderão participar da Job Fair - Feira de Oportunidades, evento virtual com ofertas de estágio e emprego promovido pelo Google Cloud e empresas parceiras, que acontecerá no mês de novembro.

 

Serviço: 

Inscrições para cursos de TI do Qualifica SP – Novo Emprego

Prazo: até 05/08

Site: www.qualificasp.sp.gov.br


Como limpar o nome: consequências, passo a passo, despesas e alívio

Por vezes, o desemprego ou outras situações resultam na inclusão do nome nos órgãos de proteção ao crédito. As consequências são muitas e há também despesas para sair desse cenário

 

Ter o “nome sujo”, ou negativado em órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, ocorre por diversas razões: inadimplência em pagamentos de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito, contas de serviços como água e luz, processos judiciais com determinação de pagamento não cumprida e dívidas com impostos e taxas etc. Outras ações incluem protesto em cartório por falta de pagamento de títulos, participação em processos de falência, envolvimento em golpes ou fraudes, e falta de planejamento financeiro adequado. 

Segundo o especialista em finanças pessoais, João Victorino, essa é uma condição que tem consequências econômicas e psicológicas. “As consequências de ter o nome sujo são variadas e significativas. A pessoa tem dificuldade em obter crédito, com instituições financeiras. Também pode haver impossibilidade de abrir contas bancárias, comprometimento da reputação profissional e pessoal, acesso a crédito com juros mais altos, negativa de solicitações de cartões de crédito, dificuldade em alugar imóveis e até impedimentos para conquistar certos empregos, já que algumas empresas consultam o nome dos candidatos antes de contratá-los”. 


Impactos psicológicos

O especialista também aponta que há impactos psicológicos, apontados em artigos diversos, como no do psicólogo Stephen E. G. Lea: “A preocupação frequente com as dívidas, o temor de não conseguir pagar as contas e a sensação de incapacidade de sair de uma situação financeira complicada têm um impacto profundo na saúde mental.” Além disso, como apontam Elina Turunen e Heikki Hiilamo, o estresse financeiro pode desencadear: “problemas de sono, irritabilidade, baixa autoestima, insatisfação conjugal, depressão e dificuldades de concentração, complicando ainda mais a situação financeira e dificultando a busca por soluções e a tomada de decisões”.

Para agravar o quadro, levantamento da CNDL - Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas -  e do SPC  - Serviço de Proteção ao Crédito - mostra que mais de 40% da população brasileira economicamente ativa está endividada, o que significa dizer que o país tem mais de 65 milhões de pessoas nessa condição.


O que é preciso fazer para limpar o nome?

Primeiro é necessário identificar as dívidas pendentes em órgãos de proteção ao crédito e entrar em contato com os credores para negociar o pagamento, buscando condições que se ajustem ao seu orçamento. 

Participar de feirões “Limpa Nome” é uma oportunidade para conseguir melhores condições de pagamento, uma vez que são oferecidas possibilidades especiais para a renegociação de dívidas, incluindo descontos significativos sobre juros e multas, parcelamentos facilitados e maior flexibilidade nas negociações. É preciso elaborar um plano de pagamento, possivelmente com a ajuda de um consultor financeiro, para evitar reincidências.


A dívida realmente caduca?
Após cinco anos, o nome não pode mais ser negativado nos serviços de proteção de crédito, como Serasa e SPC. Contudo, a dívida continua existindo e essa informação fica atrelada ao CPF no Banco Central. Isso significa que, se antes de conceder crédito, a instituição realizar apenas uma pesquisa nos birôs de crédito, não verá o nome negativado. No entanto, uma pesquisa no Banco Central revelará que o CPF possui uma dívida.


Gastos para limpar o nome

João Victorino traz que limpar o nome pode envolver diversos gastos, que variam conforme a negociação e a dívida. Os mais comuns são o valor principal da dívida, os juros e as multas pelo atraso, os honorários de advogados em caso de ações judiciais e as taxas administrativas cobradas por algumas empresas. O valor principal da dívida varia dependendo do tipo de débito e do credor. Juros de mora e multas acumuladas pelo atraso no pagamento podem representar uma parte significativa da dívida total. 

 

Despesas com ações judiciais

Em caso de ações judiciais, os honorários advocatícios variam de R$ 500 a R$ 5.000, dependendo da complexidade do caso. Além disso, algumas empresas podem cobrar taxas para administrar a renegociação, que vão de R$ 50 a R$ 300 por transação. Contratar um consultor financeiro custa em média entre R$ 150 a R$ 500 por sessão, conforme o profissional e a região.

 

Despesas adicionais

Além desses custos, há despesas adicionais e burocracia a considerar. O transporte para deslocamentos até órgãos de proteção ao crédito, bancos, cartórios e outras instituições financeiras, que podem somar R$ 200, dependendo da frequência e distância. A emissão de certidões, como a certidão negativa de débitos, pode custar de R$ 20 a R$ 100 cada, dependendo do órgão emissor. 

 

Taxas cartoriais e o valor do seu tempo

As taxas cartoriais para a emissão de documentos oficiais variam de R$ 30 a R$ 150. Serviços bancários, como taxas de administração de contas específicas para renegociação de dívidas, podem custar entre R$ 20 a R$ 50 por mês. Além disso, o tempo gasto em atendimentos telefônicos com empresas credoras, não tem custo financeiro direto, mas representa uma perda de horas que poderiam ser ocupadas em atividades mais prazerosas e produtivas.

Considerando essas despesas, uma pessoa pode gastar de R$ 1.000 a R$ 10.000 ou mais para limpar o nome, dependendo da complexidade e do valor da dívida.


Nova lei facilita negociação de dívidas
Em julho de 2021, entrou em vigor a Lei do Superendividamento, para facilitar a negociação de dívidas e proteger as pessoas contra assédio e constrangimento. A lei busca assegurar ao devedor o direito de quitar suas dívidas sem comprometer seu sustento e de seus dependentes. 

Para ser considerado superendividado, é necessário que as dívidas tenham sido adquiridas de boa-fé, ou seja, com a intenção genuína de honrar os compromissos assumidos. A lei não especifica valores, mas define o superendividamento como: "… a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis e vincendas, sem comprometer seu mínimo existencial, nos termos da regulamentação." (Art. 54-A § 1º).

 

Passo a passo para iniciar o processo de negociação pela Lei do Superendividamento:

  1. Reúna e organize todas as contas em aberto.
  2. Procure órgãos de defesa do consumidor (Procon) ou do poder judiciário (Defensoria Pública e Ministério Público).
  3. Calcule (ou peça ajuda para calcular) o "mínimo existencial" – valor necessário para garantir a sua sobrevivência e a dos seus dependentes.
  4. Com esses dados em mãos, planeje o pagamento, determinando o valor possível a deduzir das dívidas mensalmente (sem prejudicar o mínimo existencial).
  5. Por fim, os credores (empresas ou pessoas) são convidados a conhecer o plano de pagamento nas audiências de conciliação.

 

Um momento difícil em nossas vidas

“Por vezes, atrasamos as contas por uma situação de emergência: perdemos o emprego, o negócio não está bem, algo grave aconteceu e usamos a reserva de emergência. Minha experiência no mercado corporativo me ensinou que não há razão para se envergonhar ao passar por uma situação difícil. Nunca conheci alguém que não tenha passado por dificuldades financeiras em algum momento. Repito: nunca conheci ninguém! Procure a empresa, entre em contato com o departamento especializado e diga a verdade: ‘Estou enfrentando problemas e não consegui pagar a conta na data planejada, por isso estou aqui para renegociar a dívida’".

João aconselha o monitoramento regular da situação financeira e o status do CPF/CNPJ no site do Banco Central (Registrato), em órgãos de proteção ao crédito. 

“Após a quitação de uma dívida, principalmente as atrasadas, a pessoa é invadida por uma sensação de dever cumprido, a autoestima se eleva pela conquista alcançada. O orgulho por alcançar uma meta muito difícil, evidenciada pelo grande número de endividados, reforça a capacidade para encarar novos desafios. A família, quando está junta nesse desafio e vence, se une mais. Torna-se muito mais cúmplice dos objetivos comuns e aumentando a união e a confiança de todos! Vale muito esse esforço, acredite em quem já viveu isso e sobreviveu para criar uma história melhor!!”


João Victorino - administrador de empresas, professor de MBA do Ibmec e especialista em finanças pessoais, formado em Administração de Empresas, tem MBA pela FIA-USP e Especialização em Marketing pela São Paulo Business School. Após vivenciar os percalços e a frustração de falir e se endividar, a experiência lhe trouxe aprendizados fundamentais em lidar com o dinheiro. Hoje, com uma carreira bem-sucedida, João busca contribuir para que pessoas melhorem suas finanças e prosperem em seus projetos ou carreiras. Para isso, idealizou e lidera o canal A Hora do Dinheiro com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.



ESG: como os instrumentos de fomento podem impulsionar a inovação?

Não é de hoje que o mundo corporativo vem se preocupando com medidas mais sustentáveis e sociais. Há anos, líderes internacionais debatem maneiras menos prejudiciais para realização da exploração da atividade econômica em relação ao meio ambiente e que, ao mesmo tempo, tornem as empresas mais resilientes, inovadoras e sustentáveis em suas operações – o que evidenciou o surgimento de estratégias dedicadas a este fim e que precisam ser melhor fomentadas no nosso país, como é o caso do ESG. Um ótimo cenário para as empresas interessadas em realizar esses investimentos é que existem instrumentos de fomento que podem contribuir com essa demanda.

O conceito, criado em 2004 pela ONU em seu relatório “Who Cares Wins”, é resultado de uma iniciativa que propunha diretrizes e recomendações sobre como contemplar questões ambientais, sociais e de governança na gestão de ativos, serviços de corretagem de títulos e pesquisas relacionadas ao tema entre as empresas. Esses pilares forem enviados às principais instituições financeiras globais, na missão de construírem mercados financeiros mais fortes e resilientes por meio do desenvolvimento sustentável.

Desde então, stakeholders e investidores institucionais ao redor do mundo têm demandado, cada vez mais, opções de investimentos mais sustentáveis nos mercados financeiros. A crise da Covid-19 evidenciou ainda mais o papel do ESG na gestão de riscos das organizações, apontando esses pilares como essenciais na nova era pós-pandemia.

Um estudo realizado pela Amcham Brasil mostra que 82% dos executivos brasileiros defendem que os CEOs devem liderar ativamente a agenda ESG no país. Contudo, 48% dos respondentes apontam que a conscientização e capacitação das equipes e lideranças é o maior desafio.

O consumidor também está atento. Segundo dados expostos pela consultoria Walk The Talk by La Maison, 94% dos brasileiros esperam que as empresas façam algo sobre ESG e acreditam que elas têm obrigação de se envolver com essas questões. Porém, apenas 17% acreditam que as corporações efetivamente fazem.

Há uma nítida e imensa lacuna entre a expectativa do consumidor e a realidade presente no mercado perante esses investimentos. Na maioria dos países, não existe ainda uma obrigatoriedade de divulgação de informações em ESG. No Brasil, inclusive, a avaliação do ESG ainda é subjetiva e variável, sem uma padronização clara, o que vem demonstrando, gradativamente, a necessidade de mais pesquisas frente a essas responsabilidades, não apenas visando a conservação do nosso ecossistema, como também a solidificação de pilares fundamentais pautados por essas práticas sociais e de governança, resultando em estratégias capazes de aperfeiçoar as ponderações de risco-retorno a longo prazo.

As que direcionam esforços nessas ações são contempladas com benefícios passíveis de serem obtidos como forma de incentivo do governo a favor do desenvolvimento econômico corporativo – além, obviamente, do intuito de promover práticas mais sustentáveis e responsáveis, como incentivar a adoção de tecnologias limpas e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

O financiamento público para inovação é uma dessas importantes ferramentas do governo para incentivar as empresas a desenvolverem projetos de PD&I, alinhadas as práticas de ESG. Eles podem ser realizados por meio de empréstimos públicos subvencionados, com taxas mais baixas em comparação aos financiamentos em bancos comerciais.

Dentro desse contexto, alguns dos melhores financiamentos e que vêm crescendo gradativamente no mercado nacional incluem a Lei do Bem, a qual regulamenta a concessão de incentivos baseados nos gastos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), promovendo inovação e a agregação de valor social por parte das empresas em torno do ESG; assim como o Programa Mover, o qual estimula investimentos em novas rotas tecnológicas e descarbonização dos veículos brasileiros através dessas pesquisas, além da expansão de investimentos em eficiência energética, reciclagem na fabricação de veículos e compromisso com o desenvolvimento sustentável, em toda a cadeia automotiva.

Ainda, diante de um contexto no qual a inovação tecnológica é frequentemente associada a taxas de crescimento positivas da produtividade e ao desenvolvimento econômico e social, temos também a Lei de TICs Brasil, que promove a concessão de incentivos destinados a empresas que desenvolvam bens de tecnologias da informação e da comunicação, exigindo, como prerrogativa, o investimento em atividades de PD&I.

Por fim, as empresas também podem contar com uma extensa gama de ramificação de linhas de crédito provenientes do BNDES, tais como o BNDES Finem, o qual visa a redução do uso de recursos naturais e materiais, recuperação e conservação de ecossistemas e biodiversidade, planejamento e gestão ambiental; e o BNDES Finame, voltado para a aquisição de máquinas e equipamentos com maiores índices de eficiência energética ou que contribuam para a redução da emissão de gases do efeito estufa.

Embora as práticas ESG sejam importantes para investidores que buscam empresas sustentáveis e com boas práticas, é fundamental destacar que sua adoção deve ser um compromisso dos empreendimentos em relação a sociedade e ao meio ambiente, e não apenas uma estratégia de marketing ou de investimento – devendo, portanto, ser adotadas como parte de toda a cultura organizacional.

Uma marca que, verdadeiramente, incorpora esses pilares, não irá apenas elevar seu valor de mercado, mas principalmente contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

 


Rafael Costa - diretor do FI Group Brasil, consultoria especializada na gestão de incentivos fiscais e financeiros destinados à PD&I.



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