Pesquisar no Blog

quarta-feira, 13 de março de 2024

Como o tratamento para menopausa pelo SUS pode mudar a vida de milhões de mulheres

Foto: Envato
Brasil tem hoje cerca de 30 milhões de mulheres no climatério e na menopausa, e tratamento pelo SUS pode proporcionar melhor qualidade de vida 

 

Um grande passo foi dado para a saúde da mulher brasileira. A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou um projeto de lei que prevê tratamento para mulheres em climatério e menopausa através do SUS (Sistema Único de Saúde). A iniciativa também institui a Semana Nacional de Conscientização para Mulheres na Menopausa ou em Climatério.

O projeto, agora encaminhado para análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), prevê que o SUS deve oferecer serviços de saúde específicos para mulheres que enfrentam esse período de transição, utilizando sua rede de unidades públicas ou conveniadas. Entre os serviços estão medicamentos hormonais e não hormonais, o SUS vai passar a disponibilizar os principais hormônios aprovados para a terapia de reposição hormonal, além de alternativas para mulheres com contraindicações.

Além disso, também prevê a realização de exames, capacitação dos médicos e acompanhamento psicológico. O projeto garante acesso a acompanhamento psicológico para auxiliar as mulheres a lidar com os efeitos emocionais da menopausa.


Um novo olhar para a saúde da mulher

Alexandra Ongaratto, médica ginecologista especializada em ginecologia endócrina e climatério e Diretora Técnica do primeiro Centro Clínico Ginecológico do Brasil, o Instituto GRIS, celebra a aprovação do projeto como um marco histórico para a saúde da mulher no Brasil. "Até então, não existia nenhum tipo de medicamento fornecido pela rede pública para o tratamento dessas mulheres. A aprovação do projeto representa um novo olhar para a saúde da mulher, que vai além dos exames rotineiros, da anticoncepção e do atendimento obstétrico", afirma a especialista.


Impacto na qualidade de vida

A menopausa, que está presente em aproximadamente um terço da vida das mulheres, pode trazer diversos sintomas que impactam negativamente a qualidade de vida das mulheres, como fogachos, insônia, irritabilidade, perda de memória e até mesmo depressão. A falta de acesso a tratamento adequado pode agravar esses sintomas e prejudicar o desempenho profissional e social das mulheres.

"A menopausa não é uma doença, mas é uma fase da vida de toda mulher que precisa ser acompanhada de perto. As mulheres na menopausa e na perimenopausa podem ter um decréscimo muito grande de qualidade de vida com sintomas que são banalizados. Irritabilidade, ansiedade, mudança de humor frequente, perda de memória, isso vai ter um impacto inclusive na questão laboral", explica Alexandra.


Desigualdades sociais

A especialista também destaca que a aprovação do projeto é fundamental para reduzir as desigualdades sociais no acesso à saúde. "Mulheres que dependem do SUS para tratamento da menopausa enfrentam muitas dificuldades, como a falta de acesso a medicamentos, orientações sobre mudanças de hábitos de vida e acompanhamento psicológico especializado. O projeto vai ajudar a diminuir essa diferença social", afirma a ginecologista.


Capacitação dos profissionais de saúde

Para que o projeto seja eficaz, é fundamental que os profissionais de saúde da rede pública sejam capacitados para oferecer um atendimento especializado às mulheres em climatério e menopausa. "Não basta ter um projeto e medicamentos disponíveis se o médico assistente da rede pública não for preparado para prestar assistência à mulher no climatério", ressalta Alexandra.


Semana Nacional de Conscientização

A Semana Nacional de Conscientização para Mulheres na Menopausa ou em Climatério será realizada anualmente em março. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância da menopausa e dos cuidados necessários durante essa fase da vida.


Próximos passos

O projeto de lei agora será analisado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Se aprovado, seguirá para a Câmara dos Deputados e, posteriormente, para sanção presidencial.

A aprovação do projeto de lei é um passo importante para garantir o direito à saúde das mulheres brasileiras em climatério e menopausa. O acesso a tratamento adequado pode melhorar significativamente a qualidade de vida de milhões de mulheres em todo o país.

 

Instituto GRIS

Uso inadequado de repelentes contra insetos pode causar riscos para a saúde das pessoas

Pixabay

O risco maior é para crianças e idosos, que tem que usar produtos específico
s

 

Ao vivenciar este período de epidemia de dengue, a população busca várias formas de se proteger contra o Aedes aegyptii, mosquito transmissor do vírus responsável por provocar a doença da Dengue. Entre as inúmeras formas de proteção utilizadas pela população está o uso de repelentes, incluindo aqueles elaborados a partir de fórmulas caseiras disseminadas pela internet. Segundo o professor de Farmácia do Centro Universitário São Camilo, André Moura, a divulgação de receitas alternativas nem sempre resolve e pode causar outros problemas de saúde, além de não proteger a pessoa contra o mosquito transmissor da doença. Ele faz um alerta especialmente para os pais, para que não usem produtos inadequados em crianças, sob o risco de promover reações alérgicas ou outra situação mais grave.

“As pessoas encontram na internet a indicação de receitas caseiras de repelentes que não possuem qualquer estudo que indique sua eficácia e segurança. Esse é um momento muito importante para desmistificar essas situações ou produtos popularmente utilizados e descritos como forma de prevenção contra o mosquito da Dengue, mas que por não existirem comprovações cientificas não passam de mito”, alertou.

Para ele, usar apenas o uso de repelentes certificados pela Anvisa ou adotar os cuidados adequados com o ambiente onde o mosquito possa se reproduzir podem ajudar na luta contra o inseto e a doença. O uso de suplementos vitamínicos, como é a crença popular, como as vitaminas do complexo B, além da adoção de vasos de plantas como a Citronela ou a dica do vinagre ou macerações de cereais com álcool, além de não resolverem podem deixar a população mais exposta à doença.

Segundo André Moura, misturar ingredientes naturais em cremes hidratantes também pode causar problemas. “Escutamos histórias sobre macerar, amassar cravo, canela, lavanda ou melaleuca, entre vários outros produtos de origem vegetal, a compostos diversos, como cremes para hidratação de pele. Nesses casos pode ser que a composição final não possua a quantidade adequada de ativo que vai promover o efeito de repelência. Então, o usuário estaria, sem dúvida alguma, desprotegido. E, não sabendo quais são os componentes da formulação, ele corre um grave risco de desenvolver um problema de pele, como uma reação alérgica, entre outras situações mais severas”, explicou o professor.

De acordo com Moura, os repelentes que são liberados pela Anvisa contêm substâncias ativas como, por exemplo, a Icaridina, o DEET e o IR3535 em quantidades adequadas para promover o efeito de repelência e principalmente garantir segurança ao usuário.

Repelentes com IR3535 são os mais indicados e liberados pela Anvisa para uso em crianças de 7 meses até 2 anos de idade, desde que utilizados uma vez ao dia nesses indivíduos. “Os demais não são adequados para crianças menores de dois anos de idade”. Para crianças acima de dois anos, os produtos que contêm DEET podem ser utilizados desde que possuam concentrações inferiores a 10%. Por isso, os pais devem observar os rótulos na hora da compra e verificar se o produto permite ou não o aplicá-lo em crianças e se há alguma restrição quanto à idade.

Da mesma maneira, deve-se tomar cuidado com o uso desses produtos em gestantes. De acordo com a Anvisa, todos os produtos, desde que registrados, são seguros. Porém, ainda assim vale a ressalva sobre as indicações contidas no rótulo.

O professor do Centro Universitário São Camilo também explicou que essas informações aos pais são importantes porque as crianças possuem uma pele mais fina e sensível, além de menor peso e altura, então, se utilizarmos o produto de adulto na criança, ela vai receber uma dose muito elevada”. De acordo com ele, tanto faz o tipo de aplicação, seja ela em forma de cremes, loções e sprays ou soluções. Essas formulações possuem a mesma eficácia, o importante é conferir o percentual dos componentes.

Para os adultos, esses produtos com mais concentração, principalmente com a substância DET, podem chegar entre 20% e 30% de concentração dos ativos.

Em relação à idade, além das crianças, os idosos também podem apresentar necessidades especiais, pois também possuem pele mais sensível e mais pré-disposição a desenvolver reações alérgicas.

Outra dúvida que surge é quanto à forma de utilização dos repelentes. O professor Moura esclarece que o mosquito normalmente está em mais atividade no período da manhã, entre 7 e 10 horas, e depois à tarde, normalmente das 15 às 19 horas, mas que esse comportamento pode mudar de região para região e em lugares fechados ou ambientes abertos. Assim, o repelente deve ser principalmente utilizado nesse período, respeitando o número máximo de até três vezes ao dia para adultos e de duas para crianças acima de 2 anos e uma vez para menores dessa idade. Ainda, as áreas a serem protegidas pelo repelente devem ser aquelas não cobertas pelas

roupas, ou seja, as expostas ao ambiente. Caso o usuário utilize protetor solar e/ou maquiagem, o repelente deve ser o último a ser passado por cima desses anteriores. 

Em relação à questão da repelência de ambiente, existem três principais produtos químicos: repelentes eletrônicos, espiral e inseticidas em forma de spray. Independente do produto utilizado é importante que se mantenha boa ventilação do ambiente para evitar intoxicação ou desenvolvimento de quadros alérgicos. Recomenda-se que os dispositivos eletrônicos sejam mantidos a uma distância mínima de 2 metros dos usuários, e que ao se utilizar os dispositivos spray, que ninguém além de quem aplicará o produto, se mantenha no ambiente no momento ou ao menos 5 minutos após a aplicação. Em caso de acidentes, que não sejam administrados ou ingeridos quaisquer tipos de líquido ou que seja provocado vômito, mas deve-se retirar a pessoa para um local arejado, lavar a pele ou o local afetado com água em abundância e se dirigir a um pronto-socorro ou outro serviço de Saúde mais próximo.


6 fatos sobre congelamento de óvulos para quem quer engravidar depois dos 35

Postergar a decisão pela maternidade por meio do congelamento dos óvulos já é realidade para muitas mulheres. Ginecologistas revelam detalhes do procedimento, indicações e contraindicações 

 

Se você está na faixa dos 40 anos, deve contar nos dedos de uma mão suas amigas e amigos com crianças pequenas, em comparação aos que não têm filhos ou que têm filhos bebês. Isso porque os primogênitos da geração Y (ou Millennials) puxaram a fila do adiamento de relações conjugais mais estruturadas e/ou da decisão de ter filhos. 

"Naturalmente, com a correria e a inserção cada vez maior da mulher no mundo profissional, surgiu uma grande procura e intenção de congelar óvulos, principalmente pelo fato de as mulheres quererem engravidar cada vez mais tarde", explica o Dr. Alfonso Massaguer, Ginecologista Especialista em Reprodução Humana Diretor Clínico da MAE (Medicina de Atendimento Especializado). Exemplos famosos que ilustram a fala do ginecologista são atrizes como Grazi Massafera, Paolla Oliveira e Mariana Ximenes. 

O movimento explica os dados liberados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) recentemente: enquanto o número geral de filhos por mulher no Brasil caiu 13% entre 2018 e 2023, ele subiu 16,8% no grupo de mulheres com mais de 40 anos. Outro dado da DataSus mostra que o número de mães que tiveram filhos entre 35 e 39 anos subiu 46% em 13 anos. 

"Nos últimos anos, o congelamento de óvulos vem possibilitando a preservação da fertilidade e o planejamento da gestação com maior segurança e no momento de vida ideal para as mulheres que desejem ou necessitem adiar a maternidade", analisa a Dra. Paula Beatriz Fettback, Ginecologista especialista em Reprodução Humana pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). 

A considerar este cenário em que o número de nascimentos a partir de mulheres entre 20 e 29 vem caindo ao mesmo tempo em que mulheres de 35 a 39 vêm dando mais à luz, faz-se necessário entender a técnica. A seguir, os ginecologistas revelam detalhes do procedimento.

 

1-Para quem o congelamento de óvulos é indicado? 

"Inicialmente, a técnica foi desenvolvida para pacientes oncológicas, objetivando maior confiança ao futuro reprodutivo de mulheres jovens ou sem filhos antes dos tratamentos de quimioterapia ou radioterapia", contextualiza a Dra. Paula, acrescentando também o grupo de mulheres com risco de falência ovariana precoce. "Hoje, ele envolve toda a questão social e cultural, como a liberdade de escolha, a igualdade de gênero, as mudanças nos padrões de vida e de relacionamentos e o impacto nas relações familiares", define a médica.


2-Há idade limite para o congelamento?
 

Segundo a Dra. Paula, não há limite definido para o congelamento de óvulos e toda mulher que ainda ovula, ou seja, menstrua naturalmente, pode congelar seus óvulos, independentemente da idade, seja ela solteira ou não, se for o desejo da mulher ela tem o direito de realizar o congelamento. "No entanto, o importante é que ela receba as informações adequadas das verdadeiras chances de sucesso de acordo com a idade dela e o número de óvulos congelados, para desta forma tomar sua decisão", enfatiza, ao informar que a literatura especializada diz que as chances de gestação futura estão ligadas com a idade da mulher que teve o óvulo congelado, sendo até 35 anos considerada o ideal.


3-Como é o procedimento?
 

"Atualmente existem muitas técnicas de congelar óvulos, porém a vitrificação é a mais comum, com sobrevivência de 95% no descongelamento", conta o Dr. Alfonso. A seguir, o ginecologista elenca as etapas:

  • Indução de ovulação
  • Coleta
  • Maturação em laboratório
  • Congelamento


4-Tem prazo para fazer o descongelamento? 

Os especialistas informam que os óvulos podem seguir congelados por tempo indeterminado, e que até mesmo uma mulher já em menopausa pode passar pela gestação. "Por outro lado, o Conselho Federal de Medicina recomenda que a fertilização in vitro seja realizada até no máximo 50 anos de idade, para evitar riscos na gravidez", aponta o Dr. Alfonso, ao frisar que "mesmo que a utilização desses óvulos ocorra aos 45 anos, ainda haverá uma taxa de 60% de sucesso".

 

5-Qual o investimento necessário? 

O Dr. Alfonso estima que o processo gire em torno de R 10 mil a R 20 mil hoje em dia, considerando as medicações para a estimulação hormonal, até a coleta e o congelamento de fato. "Agora vale ressaltar que, além dos custos relacionados ao procedimento, em si, há um custo adicional da manutenção do material coletado, que ficam cerca de R 1.200,00 por ano", acrescenta o médico. 

O ginecologista ainda aponta a importância de avaliar os custos dos procedimentos de descongelamento e de fertilização.

 

6-Há efeitos colaterais resultantes do processo? 

De acordo com a Dra. Paula, a estimulação hormonal do início pode causar retenção hídrica, aumentando o peso, eventualmente, de 1 a 2 kg, que são eliminados após a queda no nível hormonal. Fora isso, ela indica que podem ocorrer desconfortos abdominais, dores de cabeça, acne leve e instabilidade emocional, também durante o processo hormonal. "Depois de um ciclo menstrual natural os efeitos tendem a passar", tranquiliza a ginecologista.

  


Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR. Graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020)


Dr. Alfonso Massaguer - CRM 97.335 - Ginecologista especialista em Reprodução Humana. Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ginecologista e Obstetra pelo Hospital das Clínicas. Diretor clínico da MAE (Medicina de Atendimento Especializado) especializada em reprodução assistida. Membro da Federação Brasileira da Associação de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Membro das Sociedades Catalãs de Ginecologia e Obstetrícia e Americana de Reprodução Assistida (ASRM). Diretor técnico da Clínica Engravida

 

Dia Mundial do Rim: Eco Medical Center realiza testes gratuitos para avaliar saúde dos rins

 O Dia Mundial do Rim no Eco Medical Center, em 14 de março,
marca a conscientização pela saúde do sistema renal.
 (Foto: Divulgação / Commonwealth Nephrologist Association)
Avaliações gratuitas serão oferecidos a todas as pessoas que passarem pelo Eco Medical Center no dia 14 de março 

 

Em alusão ao Dia Mundial do Rim, o Eco Medical Center realiza, na quinta-feira (14 de março), avaliações gratuitas aos pacientes, para que possam verificar a saúde dos seus rins. A campanha tem o objetivo de disseminar informações sobre as doenças renais com foco na prevenção, diagnóstico precoce, tratamento adequado e redução do impacto da doença renal em todo o mundo. 

"Todos que passarem pelo Eco Medical Center no dia, tendo consulta/exames marcados ou não, ou apenas acompanhando um paciente, terão direito à avaliação. Caso seja constatada alguma alteração nestas verificações, o paciente receberá orientações e uma guia de exames de sangue e de urina, para avaliar a função renal", explica a Dra. Juliana El Ghoz Leme, nefrologista e coordenadora da ação. 

Serão realizados, de forma gratuita, avaliação médica, aferição da pressão, glicemia capilar e a pesquisa de retinopatia, que é a complicação que afeta a visão de pessoas com diabetes (doença que pode desencadear problema nos rins). As avaliações serão feitas na recepção (térreo) do Eco Medical Center. 

Os pacientes que realizarem as avaliações gratuitas ainda ganharão de presente uma salada de frutas e uma garrafa de água mineral, mimos para estimular a alimentação saudável e a hidratação, fatores de grande importância no trato das questões renais. 

Em seguida, o paciente receberá encaminhamento para exames laboratoriais, como creatinina, urina e microalbuminúria, essenciais para verificar a saúde dos rins. O exame laboratorial é opcional e pode ser realizado na hora no Ecolabs - localizado no térreo do Eco Medical Center - com 50% de desconto ou via plano de saúde. 

A principal comodidade ao paciente que participar da ação é que, realizando exames e consultas no Eco, os médicos nefrologistas que compõem o corpo clínico da Eco Nefrologia - NefroClínicas - já terão acesso aos exames, podendo avaliar de forma ampla a saúde dos rins do paciente. 

As pessoas que apresentarem alterações nos exames serão contatados e orientados a comparecer em consulta com um dos 16 especialistas em nefrologia e nefropediatria do Eco Medical Center, para tratamento e acompanhamento da doença.

 

Doenças do rim 

Conforme dados levantados pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), estima-se que, no Brasil, cerca de 50 mil pessoas por ano com doença renal morrem precocemente antes de ter acesso à diálise ou ao transplante. 

Ainda conforme a Dra. Juliana Leme, da Eco Nefrologia - NefroClínicas - uma em cada 10 pessoas no mundo é acometida pela doença renal crônica. No Brasil, as duas principais causas dos problemas renais são a hipertensão (pressão alta) e a diabetes. Pacientes com doenças do coração ou que utilizam muitos antiinflamatórios também são potenciais doentes renais. E a grande maioria das pessoas, lamenta a médica, só descobre a doença em estágio avançado, quando já perdeu 80 a 90% da função renal. 

Sangue na urina e dor na parte lateral da barriga são sintomas de câncer renal. No entanto, podem ser sintomas quando a doença já está em estágio avançado, talvez até em metástase.

 

“Por isso que é tão importante o diagnóstico precoce, que é feito através de exame simples de sangue e urina, que medem a creatinina. Assim conseguimos tratar para que ele não evolua para a insuficiência renal crônica”, explica a nefrologista. 

Os rins possuem função primordial no organismo. Entre as várias funções, eles promovem a “desintoxicação” do corpo. Ou seja, fazem a depuração sanguínea de impurezas, que são eliminadas pela urina. O acúmulo destas impurezas no sangue pode causar diversas outras doenças. Os rins ainda promovem o equilíbrio fisiológico da pressão arterial. 

A prevenção às doenças renais é através de hábitos de vida saudáveis, que incluem atividades físicas, controle do peso e da pressão arterial, além do consumo diário de água (aconselha-se de 1,5 a 2 litros de água por dia, para um adulto). Não fumar também é primordial para a saúde dos rins.

 

Dia Mundial do Rim no Eco Medical Center

Quando: 14 de março (quinta-feira)

Horário: 9h às 14h

Onde: Eco Medical Center (R. Goiás, 70 - Água Verde, Curitiba)

www܂ecomedicalcenter܂com܂br

Instagram: @ecomedicalcentercwb

Facebook: ecomedicalcuritiba

LinkedIn: ecomedicalcenter


POR QUE SUA COZINHA PODE TE DEIXAR DOENTE?

Pesquisa nos Estados Unidos revela potencial da cozinha como ambiente de contaminação


Segundo pesquisa realizada pela NSF, referência mundial em segurança dos alimentos, a cozinha não é só o cômodo mais usado da casa, mas um dos mais contaminados. Testes realizados pela organização nos EUA, comprovam que a área da cozinha é um espaço favorável ao desenvolvimento de microrganismos que favorecem o surgimento de doenças transmitidas por alimentos (DTA), que podem causar doenças gastrointestinais. Os resultados da pesquisa mostram que são 4 os pontos críticos na cozinha: em 4º lugar estão os abridores de lata, aquele pedaço de metal que fica em contato com o alimento dentro da lata e que muitas vezes esquecemos de higienizar. O 3º colocado é o copo do liquidificador que pode facilmente acumular resíduos de alimentos e microrganismos, nele foram encontrados E. coli, salmonela e mofo. O ideal é a cada uso desmontar o copo tirando a lâmina e a borracha de vedação e lavar cada peça separadamente com água quente e detergente e deixar secar antes de reutilizar.

O 2º item de perigo é o sangue que pode escorrer das carnes dentro da geladeira, com grande potencial de contaminar outros alimentos e o refrigerador.  Agora, em 1º lugar, como mais contaminado da cozinha está a gaveta da geladeira. Ela tem um potencial enorme de contaminação pois armazenamos frutas, verduras e legumes, alimentos cultivados na terra em contato com fertilizantes e adubo. Esses resíduos com matéria orgânica podem vir para dentro da gaveta do refrigerador e se tornar uma fonte de risco.

Outras áreas de atenção na cozinha são aquelas que entram em contato direto com os alimentos crus, como tábuas, facas, pias e esponjas pois também tem risco grande de contaminação. Por isso, é importante lavar bem os utensílios com água e sabão após cada uso e trocar as esponjas frequentemente. Além disso, é preciso separar os alimentos crus dos cozidos para evitar a contaminação cruzada, e guardar os alimentos na geladeira em recipientes fechados e limpos. Atenção! Ovos crus ou malcozidos podem conter a bactéria salmonela.

A pesquisa da NSF também verificou que muitas pessoas não higienizam corretamente as verduras, legumes e frutas que serão consumidos crus, usando apenas água corrente ou vinagre, o que não é suficiente para eliminar os riscos. Usar uma solução clorada lavar alimentos de origem vegetal com um tempo de contato mínimo de 10 minutos, seguido de novo enxágue em água corrente. Também é importante cozinhar os alimentos de origem animal a uma temperatura mínima de 74°C para garantir a inativação dos micro-organismos. Essas medidas simples podem evitar muitos problemas de saúde e garantir uma cozinha mais segura e saudável e aproveitar melhor os benefícios dos alimentos.

A NSF é uma organização independente e global que facilita o desenvolvimento de padrões para minimizar os efeitos adversos à saúde e proteger o meio ambiente. Com operações em 180 países, a NSF testa e certifica produtos para as indústrias de alimentos, água, ciências da saúde e bens de consumo. Fundada em 1944, a NSF está comprometida em proteger a saúde humana em todo o mundo. A NSF é um centro colaborador da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde em Qualidade da Água, Segurança dos Alimentos e Segurança de Dispositivos Médicos.


Mulheres com câncer de mama têm risco de desenvolver formas graves da dengue

 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a baixa imunidade decorrente de quimioterapia e radioterapia pode agravar a infecção pela doença

 

Com cerca de 1 milhão de casos de dengue nos dois primeiros meses do ano, mais da metade do total registrado em 2023, e com a perspectiva de crescimento em março e abril, o Ministério da Saúde estima em 4,2 milhões os diagnósticos da doença em 2024. Diante deste panorama, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alerta para a infecção em mulheres com câncer de mama. “Nestas pacientes, a imunidade tende a ser mais baixa e configura fator de risco para o desenvolvimento das formas mais graves da dengue, principalmente entre as que estão em tratamento oncológico”, afirma o mastologista André Mattar, tesoureiro adjunto e membro do Departamento de Tratamento Sistêmico da SBM.

“Nós temos hoje uma epidemia de dengue no Brasil”, afirma Mattar. “Mas para a SBM, a possibilidade de infecção da doença em mulheres com câncer de mama é motivo de grande preocupação.” Nestas pacientes, o tratamento da dengue, segundo o mastologista, é basicamente direcionado aos sintomas, com melhora da dor, hidratação adequada via oral e mesmo aplicação de soro. “No entanto, há uma atenção redobrada com o grupo que se submete à quimio e à radioterapia”, diz.

Nos dois procedimentos prescritos para o tratamento de câncer de mama, o organismo se ressente com a baixa imunidade. “Nestes casos, o quadro de dengue pode ser mais grave e, eventualmente, temos mesmo que suspender as medidas contra o câncer, algo que não apenas atrasa o tratamento, mas compromete a saúde geral da paciente”, destaca.

Eventualmente, a quimioterapia ataca o fígado da paciente com câncer de mama. “A dengue também tem potencial para afetar as células do órgão e provocar lesões. Os efeitos que advêm da combinação das duas doenças podem ser severos”, alerta o especialista da SBM.

Por conter o vírus vivo atenuado, a vacina da dengue é contra-indicada para pessoas imunossuprimidas. “E aqui nós incluímos as pacientes com câncer de mama”, afirma. “Mesmo para o grupo de mulheres que se submete somente à radioterapia, a vacina não é recomendada”, completa. Segundo Mattar, mulheres que passam por quimio ou radioterapia devem esperar seis meses após o tratamento para se vacinarem.

O vírus da dengue é transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Atualmente, há quatro sorotipos diferentes circulando no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença. No entanto, idosos, pessoas com doenças crônicas e mulheres diagnosticadas com câncer de mama têm maior risco de evolução para casos graves da dengue.

Na chamada dengue clássica, os sintomas mais comuns são febre súbita, entre 39oC e 40oC, dores de cabeça, no corpo, nas articulações e atrás dos olhos. “Estas dores não melhoram e é essencial que a pessoa procure ajuda médica quanto antes”, afirma Mattar.

Nos casos de dengue grave, também conhecida como dengue hemorrágica, há queda acentuada da pressão arterial seguida de insuficiência circulatória severa, que pode levar à falência de múltiplos órgãos e ate à morte.

Como forma de evitar a dengue, o especialista da SBM recomenda a prevenção. Segundo o Ministério da Saúde, 74% das larvas do mosquito Aedes aegypti são encontradas próximas às residências e no entorno das casas. “Como se reproduzem em qualquer reservatório sem proteção com água limpa, desde uma simples tampinha de garrafa a uma piscina sem cloro, é importante manter a limpeza de quintais e terrenos, não se descuidando nem mesmo dos vasos de plantas.”

O uso de repelente, especialmente no final da tarde, quando há maior circulação do mosquito, também é indicado pelo especialista. “Deve-se observar a frequência recomendada para as aplicações e utilizar produtos com pelo menos 20% de icaridina”, diz. Este princípio ativo é eficaz contra mosquitos provenientes de climas úmidos e tropicais.

“Nunca é demais ressaltar que a infecção por dengue entre pessoas saudáveis já é extremamente preocupante. Mas em mulheres com câncer de mama, a doença deve ter a prevenção elevada ao máximo de rigor”, finaliza André Mattar.

 

Governo simplifica processo no SUS para acesso ao antiviral Paxlovid, indicado para o tratamento da COVID-19

 

Formulário especial anteriormente exigido deixa de ser necessário, assim como a apresentação de laudo de exame positivo ou ficha de notificação da doença

 

Em um cenário de aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por COVID-19 no Brasil1, o Ministério da Saúde anunciou que o Formulário de Prescrição – nirmatrelvir/ritonavir, documento até então exigido para a dispensação do antiviral Paxlovid aos pacientes no Sistema Público de Saúde (SUS)2, deixa de ser necessário. Desenvolvido pela Pfizer, o medicamento passa a ter um novo fluxo de prescrição, de acordo com nota técnica publicada em 7 de março no Diário Oficial da União (DOU)3. 

A partir de agora, a dispensação de Paxlovid deverá ser realizada por meio de receituário comum, em duas vias, permanecendo a janela de, no máximo, 5 dias a partir do primeiro sintoma, considerando os mesmos grupos de pacientes contemplados desde que o medicamento passou a ser oferecido na rede pública: imunossuprimidos a partir de 18 anos e idosos com 65 anos ou mais de idade, que apresentem quadros leves a moderados, sem necessidade de suplementação de oxigênio3. 

As atualizações comunicadas pela nota técnica indicam, ainda, que o laudo de exame positivo ou a ficha de notificação do caso de COVID-19 no SUS não deverão ser exigidos pelo farmacêutico3. “As mudanças podem simplificar o processo de prescrição, facilitando e ampliando o acesso da população a uma medicação eficaz e segura contra a COVID-19 em um momento fundamental, em que temos uma circulação importante do SARS-CoV-2 e de suas variantes”, comenta a diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro.

 

O medicamento

Indicado para o tratamento da COVID-19 em adultos que apresentem as formas leve a moderada de COVID-19 e que tenham ao menos um fator de risco de progressão para quadro grave, o antiviral demonstrou em estudos clínicos que, em comparação com o placebo, reduz em até 86% a possibilidade de hospitalização ou morte em pacientes com as condições citadas4. Entre os indivíduos que receberam a medicação durante os estudos clínicos, realizados com mais de 3.500 participantes ao redor do mundo, não houve mortes4. 

Paxlovid é um novo inibidor de protease desenvolvido pela Pfizer especificamente para bloquear a atividade da enzima 3CL, uma das responsáveis pela replicação do coronavírus. O medicamento demonstrou consistente atividade antiviral in vitro contra as principais variantes de preocupação identificadas (Alfa, Beta, Delta, Gama, Lambda, Um, além de Ômicron BA.1, BA.2. e BA.4 )4. 

Disponível à população elegível pelo SUS desde outubro de 2022, Paxlovid também recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por unanimidade, para venda em farmácias e hospitais particulares do País.

  


Pfizer
Site Pfizer Brasil
Twitter: Pfizer e Pfizer News, LinkedIn, YouTubee
Facebook Pfizer e Facebook Pfizer Brasil.




REFERÊNCIAS

1. FIOCRUZ. Infogripe. Acesso em março de 2024. Disponível em: Link

2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia para uso do antiviral nirmatrelvir/ritonavir em pacientes com covid-19, não hospitalizados e de alto risco. Acesso em março de 2024. Disponível em: Link.

3. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Nota técnica conjunta Nº 23/2024. Acesso em março de 2024. Disponível em: Link.

4. PFIZER BRASIL. Bula de Paxlovid para Profissionais da Saúde. Acesso em março de 2024. Disponível em: Link


Vacina da dengue é contraindicada para crianças e adolescentes com câncer

Infectologista do Hospital do GRAACC destaca importância da adoção de medidas preventivas para evitar complicações durante o tratamento oncológico

 

Nas últimas semanas, o Brasil tem enfrentado um aumento expressivo nos casos de dengue. Além do impacto generalizado na população, a doença constitui, particularmente, importante ameaça para os pacientes pediátricos oncológicos. A fragilidade do sistema imunológico em decorrência do tratamento quimioterápico torna esse público suscetível às manifestações graves da doença. O Hospital do GRAACC, referência no tratamento de alta complexidade de câncer infantojuvenil, alerta que a prevenção é mandatória para esses pacientes, uma vez que não devem receber a vacina contra a dengue.  

“Por conter vírus vivos atenuados, a administração dessa vacina em indivíduos imunossuprimidos pode causar um efeito diferente do esperado e levar à manifestação da doença” explica Fabianne Carlesse, infectologista pediátrica do Hospital do GRAACC. “Diante disso, reforçamos a relevância de outras ações preventivas, voltadas para evitar a proliferação do Aedes aegypti, mosquito vetor da dengue, como eliminar focos de água parada e colocar areia nos pratos que ficam embaixo dos vasos de plantas. Orientamos também o uso de repelentes em áreas do corpo expostas e instalação de telas nas janelas e portas”, completa. 

Todas as vacinas com microrganismos vivos não devem ser aplicadas em crianças e adolescentes em tratamento imunossupressor. Isso inclui as imunizações contra sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela, varicela e poliomielite, além da dengue. Nesses casos, recomenda-se a vacinação até 14 dias antes do início ou depois de um período mínimo de três meses após o término da quimioterapia. 

Por outro lado, durante o tratamento quimioterápico, esses pacientes podem receber vacinas com componentes não vivos, como as que protegem contra tétano, difteria, coqueluche, poliomielite, hepatite B, gripe, pneumonia e meningite. “No entanto, a menor resposta imunológica de pacientes em quimioterapia resulta em uma vacinação menos eficaz em comparação com crianças saudáveis”, lembra Carlesse. 

As vacinas atualmente disponíveis contra a Covid-19 empregam diferentes tecnologias. Podem conter em sua composição o vírus inativo (morto), vetor de replicação viral (adenovírus geneticamente modificado para não se replicar em humanos) ou RNA mensageiro sintético. Somente a vacina de RNA mensageiro é recomendada para crianças em tratamento quimioterápico. 

Diante do contexto apresentado, tanto o esquema vacinal quanto as doses correspondentes podem se desviar das recomendações convencionais. Assim, antes de imunizar uma criança com câncer, pais e responsáveis devem consultar o oncologista que a assiste. A orientação sobre vacinação é individualizada e deve ser fruto de uma colaboração entre o médico do paciente e os profissionais do Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (serviço do SUS dedicado à imunização de pessoas que apresentam mais risco de desenvolver formas graves de algumas doenças). 

“Diversos aspectos precisam ser considerados, os quais não estão relacionados apenas à criança. Pessoas que convivem com um paciente imunodeprimido, seja em ambiente domiciliar ou hospitalar, são potenciais fontes de transmissão de doenças. Portanto, sua vacinação é recomendada, desde que cumpram os critérios preconizados pelo Ministério da Saúde. Nos casos de transplante, doadores devem estar com o calendário vacinal em dia”, ressalta a infectologista do Hospital do GRAACC.


O preço da beleza vale o risco? Os perigos do PMMA vão além do que se imaginava e podem acometer os rins

Em uma era onde a busca pela perfeição estética tem levado muitos ao limite, a questão que surge com frequência é: "O preço da beleza vale o risco?" Esta indagação torna-se ainda mais pertinente à luz dos estudos sobre os perigos associados ao uso do polimetilmetacrilato (PMMA), um polímero sintético amplamente utilizado para fins estéticos e preenchimento de tecidos. Os impactos na saúde vão além do que se imaginava, com evidências sugerindo que o PMMA pode acometer órgãos vitais, como os rins, de formas antes não plenamente compreendidas.

Diante desse cenário preocupante, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em colaboração com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), tomou a iniciativa de lançar o Registro Brasileiro de Uso de PMMA e Acometimento Renal. Esta medida pioneira tem como principal objetivo mapear a epidemiologia deste fenômeno alarmante, identificando possíveis fatores de risco, características clínicas e laboratoriais dos pacientes afetados, além de avaliar os desfechos terapêuticos disponíveis.

O cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Dr. Luiz Anízio Wanna, explica que o PMMA, por ser um material barato e de fácil acesso, tornou-se uma opção popular para procedimentos de preenchimento corporal e facial. No entanto, seu uso indiscriminado trouxe à tona uma série de complicações graves de saúde, incluindo alterações significativas na função renal. Os rins, órgãos essenciais para a filtragem e eliminação de toxinas do corpo, podem ser afetados de maneira irreversível por substâncias nocivas, como as que podem ser liberadas pelo PMMA quando utilizado de forma inadequada.

A iniciativa do Registro Brasileiro de Uso de PMMA e Acometimento Renal surge em um momento crítico, visando lançar luz sobre a dimensão real dos riscos associados a este polímero. Ao compreender melhor a epidemiologia e os fatores de risco ligados ao seu uso, profissionais da saúde poderão desenvolver estratégias mais eficazes para prevenir e tratar os problemas renais decorrentes. Além disso, espera-se que este registro contribua para a elaboração de diretrizes mais rigorosas quanto ao uso do PMMA na estética, promovendo práticas mais seguras e informadas.

Como cirurgiões plásticos e especialistas em estética, temos o dever de priorizar a segurança e o bem-estar de nossos pacientes acima de tudo. Este registro é um passo fundamental para nos munirmos de conhecimento científico robusto, permitindo-nos orientar melhor os pacientes sobre os riscos envolvidos em determinados procedimentos estéticos. Além disso, reforça a importância de uma avaliação cuidadosa e de uma abordagem personalizada para cada caso, considerando as alternativas disponíveis que ofereçam resultados satisfatórios com o menor risco possível.


Saúde na busca pela beleza ideal

A questão sobre se o preço da beleza justifica o risco assume uma resposta mais ponderada com a implementação do Registro Brasileiro de Uso de PMMA e Acometimento Renal. Essa iniciativa reflete um compromisso profundo com a saúde e segurança dos pacientes, reiterando que a verdadeira beleza reside no equilíbrio entre a satisfação estética e a preservação da saúde integral. “Para nós, profissionais da cirurgia plástica, a criação desse registro é um lembrete valioso de nossa responsabilidade ética em oferecer não apenas soluções que atendam aos anseios estéticos dos nossos pacientes, mas que também garantam a sua segurança e bem-estar a longo prazo. Assim, diante dos desafios apresentados pelo uso do PMMA, reafirmamos nosso compromisso com a prática médica baseada em evidências, educação continuada e um diálogo aberto e honesto com nossos pacientes.”, finaliza o Dr. Luiz Anízio Wanna.



Dr. Luiz Anízio Wanna - CRM 74.219 - Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, sócio fundador do Instituto Wanna, formado na Faculdade de Medicina de Vassouras (RJ). Possui Curso de Emergência Cirúrgica e de Médico Perito Examinador de Trânsito. Atuação em hospitais como: Stella Maris de Guarulhos (SP), Instituto de Pesquisa Médico Científica de São Bernardo do Campo (SP), Hospital Regional Dr. Vivaldo Martins Simões – Osasco (SP) e outros, além de participar de cursos e simpósios nacionais e internacionais.
Instagram: @drluizaniziowanna


Transtorno gera mudanças no comportamento, chegando a extremos como abusos sexuais inconscientes

 

A sexsônia, ou sexsomnia, é uma parassonia reconhecida pela quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) sob o diagnóstico de "distúrbios da excitação do sono com movimentos oculares não rápidos (durante o sono não-REM, no limiar entre a vigília e o sono”). 

Já a terceira edição da Classificação Internacional de Transtornos do Sono (ICSD-3) cita a sexsônia como "comportamentos sexuais anormais relacionados ao sono". 

De acordo com um estudo publicado no Sleep Medicine, o distúrbio acomete cerca de 7% da população, sendo quase três vezes maior em homens (11%) do que em mulheres (4%). 

“Trata-se de um fenômeno complexo que desencadeia ativações neurais patológicas durante o sono, ou no estado limítrofe entre o despertar incompleto e o adormecimento. A condição envolve comportamentos sexuais involuntários, representando riscos ao paciente e a quem convive com ele”, afirma a terapeuta sexual Claudia Petry, membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana). 

Segundo pesquisa publicada no Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law, envolvendo 1.000 adultos com parassonias na Noruega, a prevalência de atos sexuais durante o sono foi de 7,4%. Comparativamente, 22,4% apresentaram prevalência de sonambulismo durante a vida, 66,8% de conversas durante o sono, 10,4% de terrores durante o sono e 4,5% de alimentação relacionada ao sono. 

Em referência ao Dia Mundial do Sono (15/03), a especialista em Educação para a Sexualidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/SC) e professora no Instituto de Parapsicologia e Ciências Mentais de Joinville (SC); cita fatos importantes para servir de alerta sobre a sexsônia: 


Onde mora o perigo: segundo a sexóloga, os atos realizados durante o sono incluem masturbação, orgasmos espontâneos, vocalizações sexuais, sexo oral, sexo anal, carícias em outra pessoa, tentativa de relação sexual e relação sexual completa. 

Estudos concluíram que 75% dos indivíduos que se envolveram em atividades sexuais durante o sono eram homens, sendo que até 96% não se lembraram do que fizeram após acordar. “O indivíduo que sofre de sexsônia não tem consciência de suas atitudes, e a limitação de suas funções cognitivas resulta na pouca responsividade à intervenção externa”. 

O perigo maior é que, durante o episódio, é comum haver alterações no comportamento sexual, incluindo atitudes agressivas e violentas. “Por isso, a condição gera impactos psicossociais imensuráveis, podendo levar a situações potencialmente perigosas e chegar a extremos como lesões físicas e até mesmo a abusos sexuais inconscientes”, alerta Claudia Petry. 

Em uma análise com 110 pacientes encaminhados para um centro de sono, 52 deles estavam relacionados a alegações de agressão sexual. “Não à toa, o distúrbio já virou caso de tribunal. Entretanto, são eventos desafiadores para litigar, pois é difícil provar se uma agressão aconteceu ou não como resultado da sexsônia”, explica a especialista.

 

Fatores relacionados: conforme a terapeuta sexual, a combinação de fatores genéticos e externos/ambientais, como o estilo de vida, pode ser determinante para o risco de desenvolver o distúrbio. 

“Os principais fatores associados incluem privação de sono, fadiga, estresse, ansiedade, dessincronização circadiana, apneia obstrutiva do sono, bruxismo, síndrome das pernas inquietas, além do uso de álcool, drogas e medicamentos psicotrópicos”.

 

O desafio de buscar ajuda: segundo Claudia Petry, o constrangimento e a dificuldade de reconhecer o problema atrasam a busca por ajuda médica. “Não raro, pessoas com sexônia buscam terapia sexual, pois se sentem mais confortáveis para desabafar, e também por acreditarem que se trata de um distúrbio sexual”. 

A especialista orienta que o paciente fale abertamente com sua parceria e/ou com as pessoas mais próximas. “Ter uma rede de apoio é fundamental tanto para lidar com o aspecto emocional como para o encorajar a dar início ao tratamento”

 

Diagnóstico e tratamento: o diagnóstico de sexsônia começa pela análise do histórico médico, familiar, bem como dos hábitos de vida do paciente, incluindo a rotina de trabalho, sono, alimentação, atividade física e o uso de medicamentos, álcool e substâncias lícitas e ilícitas. 

Também é preciso realizar exames clínicos/laboratoriais e a polissonografia, principal estudo que acompanha todo o ciclo do sono do paciente e avalia seu comportamento sexual noturno. 

“O objetivo é identificar possíveis comorbidades orgânicas, neurológicas e psiquiátricas. Com base nos resultados, o especialista irá elaborar um tratamento adequado às necessidades do paciente”, explica Claudia Petry. 

Quanto ao tratamento, embora não haja diretrizes formais de conduta para esse distúrbio, as estratégias farmacológicas geralmente não costumam ser opção na etapa inicial. 

“Além de haver poucas evidências sobre seus efeitos na parassonia, os medicamentos usualmente prescritos não são totalmente eficazes e têm vários efeitos colaterais. Quando o uso for realmente necessário, o paciente deve ser bem informado sobre as possíveis reações e acompanhado de perto pelo médico”, alerta Claudia Petry. 

Normalmente, o tratamento da sexsônia é voltado para os gatilhos que desencadeiam os episódios, sejam eles orgânicos ou não. “Por exemplo, em casos associados ao consumo de drogas ou álcool, a abordagem será focada no desuso gradual dessas substâncias”. 

Ademais, as estratégias mais eficazes são a terapia cognitivo-comportamental, a hipnose, a higiene do sono e os despertares programados. “A higiene do sono ajuda a estabelecer uma rotina regular para deitar e levantar, enquanto os despertares programados envolvem acordar a pessoa pouco antes do horário em que ela normalmente tem um episódio de sexsônia”.

 Consequentemente, segundo a sexóloga, estas mudanças de hábitos também ajudarão a minimizar a ansiedade e o estresse.

 

Outras medidas não menos importantes: como o tratamento da sexsônia pode não ter respostas tão imediatas, é essencial criar medidas de segurança. Dependendo da situação, isso pode envolver: dormir em um quarto separado, com a porta trancada; ficar longe dos gatilhos; instalar detectores de movimento, especialmente em casos de sonambulismo associado; entre outras adaptações. 

“Vale lembrar que a sexsônia é um distúrbio real e comprovado, com importantes consequências na vida das pessoas acometidas. Portanto, não hesite em buscar ajuda especializada ao menor sinal do transtorno”, finaliza Claudia Petry. 

 

Posts mais acessados