domingo, 19 de julho de 2026

Afinal, comer por afeto faz bem? Confira mitos e verdades sobre a relação entre comfort food e emoções

Psicólogo do Centro Universitário Módulo explica por que certos pratos geram sensação de segurança e ensina pergunta-chave para afastar a culpa e as armadilhas da ansiedade

 

Uma sopa quente em um dia frio que lembra a infância na casa da avó, um bolo de milho recém-saído do forno ou um prato específico compartilhado em família. Praticamente todo mundo tem uma comfort food: a chamada comida afetiva, que parece dar um verdadeiro "abraço na alma" logo na primeira garfada. No entanto, em um cotidiano cada vez mais acelerado e ansioso, a linha entre saborear um prato por afeto e cair na armadilha da chamada "fome emocional" pode ser muito tênue. 

De acordo com o psicólogo clínico, neuropsicólogo e coordenador do curso de Psicologia do Centro Universitário Módulo, Caíque dos Santos Sousa, essa sensação imediata de conforto e segurança provocada por determinados alimentos tem raízes biológicas e afetivas. 

"Existe, sim, um componente biológico relacionado aos nutrientes e à liberação de neurotransmissores ligados ao prazer, como a serotonina e a dopamina. Mas grande parte desse acolhimento está associada às nossas experiências de pertencimento e amor. Muitas vezes, a comida funciona como um símbolo de cuidado e proteção. Um prato preparado na infância desperta emoções positivas e memórias que transcendem o valor estritamente nutricional daquele alimento", explica o especialista do Módulo.

 

Comfort food vs. fome emocional: como diferenciar? 

Sousa aponta que o grande desafio contemporâneo é saber diferenciar quando a comida é uma ferramenta de bem-estar consciente ou uma válvula de escape nociva para mascarar emoções difíceis, como ansiedade, estresse ou frustração. 

Enquanto a comida afetiva faz parte de uma experiência de autocuidado equilibrada, consumida com prazer e sem culpa, a fome emocional surge de forma repentina e urgente. "A fome emocional geralmente vem acompanhada de uma necessidade imediata de compensação e, quase sempre, é seguida por sentimentos de arrependimento e culpa", alerta o psicólogo. 

Para evitar esses ciclos de culpa no dia a dia, o especialista ensina uma pergunta-chave muito simples de ser feita antes de abrir a geladeira: "Estou com fome física ou estou tentando aliviar uma emoção?". Segundo ele, desenvolver essa percepção é o primeiro passo para construir uma relação mais consciente e saudável com o próprio corpo.

 

Comer com afeto e sem julgamentos 

Ao contrário do que prega a lógica das dietas restritivas, comer a sua comida afetiva favorita pode, sim, ser uma estratégia saudável de autocuidado para aliviar o estresse, desde que haja consciência e moderação. O psicólogo ressalta que o problema nunca está no alimento em si, mas na função que ele passa a ocupar na vida emocional de cada um. 

"Quando a alimentação é apenas mais uma entre várias outras ferramentas de cuidado, ao lado de uma boa noite de sono, da prática de atividades físicas, do lazer e do convívio social, ela contribui positivamente para o bem-estar psicológico. Precisamos abandonar o julgamento moral dos alimentos. Comer também é um ato cultural, relacional e afetivo. A alimentação saudável inclui nutrientes, mas também deve incluir prazer e acolhimento", pontua o docente. 

Por fim, o neuropsicólogo lembra que as pessoas não precisam escolher entre nutrir o corpo ou nutrir as emoções. "O segredo é buscar o equilíbrio. Quando conseguimos comer de forma consciente, respeitando as necessidades físicas e acolhendo os nossos sentimentos, desenvolvemos uma relação muito mais sustentável, compassiva e saudável com a comida e com nós mesmos", conclui Sousa.



Centro Universitário Módulo
www.modulo.edu.br

 

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