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quinta-feira, 26 de março de 2026

Apneia do sono, subdiagnosticada no Brasil, pode afetar também a visão

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Pesquisa revela que as sucessivas falhas na oxigenação provocadas pelo distúrbio podem levar à falência da córnea.


A Apneia Obstrutiva do Sono, frequentemente associada a doenças cardiovasculares e metabólica também tem efeitos sobre a saúde ocular. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto,  diretor executivo do instituto Penido Burnier há evidências de que o distúrbio  predispõe ao afinamento da retina ao glaucoma. 

Pesquisa recém-publicada pela AAO (Academia Americana de Oftalmologia) conecta a saúde sistêmica à integridade da superfície ocula Freepik r. Realizada com 284 pacientes diagnosticados com apneia obstrutiva do sono (AOS) aponta o impacto do distúrbio sobre o limbo ocular, área em que se concentram células tronco responsáveis pela permanente regeneração da superfície da córnea. No final da pesquisa os participantes com apneia do sono grave apresentaram espessura significativamente menor no limbo do que os que tinha apneia moderada ou leve. 

O oftalmologista ressalta que a disfunção desse sistema pode comprometer a capacidade de recuperação da córnea e agravar sintomas como olho seco persistente, vermelhidão e oscilação visual.

Com prevalência estimada de até 30% da população adulta em diferentes graus, a apneia segue amplamente subdiagnosticada no País. O quadro é caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante o sono, levando a episódios de hipóxia (falta de oxigênio) intermitente — condição associada a inflamação crônica e estresse oxidativo. 

Esse ambiente inflamatório pode afetar a superfície ocular e a estabilidade da córnea. Queiroz Neto esclarece que a córnea desestabilizada cria condições perfeitas para o desenvolvimento do ceratocone.  A doença é progressiva, afina Freepik e altera o formato da córnea, torna a visão distorcida e é a maior causa de transplante de córnea. 

Entre os primeiros sinais de alerta de que algo não vai bem com a córnea elenca:  visão embaçada, ardor, vermelhidão e sensibilidade à luz. Como esses sintomas são comuns, muitos pacientes não procuram por avaliação, mas desconforto nos olhos não é normal, pontua.

O oftalmologista também destaca que outro fator importante é não coçar os olhos, frequentemente associado ao desconforto ocular. Isso porque   fragiliza as fibras de colágeno da córnea, agravar o quadro, e pode levar ao transplante. Além disso, ressalta, o uso de CPAP — principal tratamento para apneia — pode causar ressecamento ocular se não estiver bem ajustado. 

A recomendação é procurar avaliação médica ao perceber sintomas persistentes e investigar tanto a qualidade do sono quanto a saúde dos olhos.

 

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