Sintomas costumam ser tratados como efeito da rotina, mas podem aparecer antes do diagnóstico; casos de diabetes cresceram 135% nas capitais brasileiras em 18 anos
Cansaço
constante, dificuldade de concentração, fome fora de hora, sonolência depois
das refeições e irritabilidade costumam ser atribuídos à correria do dia a dia.
Em muitos casos, são reflexo de noites ruins, excesso de trabalho e estresse
acumulado. Mas nem sempre. Quando esses sinais se repetem, persistem e passam a
fazer parte da rotina, também podem indicar alterações metabólicas que merecem
investigação.
Dados
do Ministério da Saúde mostram que, entre 2006 e 2024, a prevalência de
diagnóstico médico de diabetes entre adultos das capitais dos 26 estados e do
Distrito Federal passou de 5,5% para 12,9%, alta de 135%. No mesmo período, o
excesso de peso passou de 42,6% para 62,6%, e a obesidade, de 11,8% para 25,7%.
Para
a nutricionista Bela
Clerot (@bela_nutricao no Instagram), um dos erros mais comuns
é esperar apenas um sintoma mais evidente ou um exame muito alterado para
procurar ajuda. “Muita gente
não percebe que o problema começa bem antes do diagnóstico. O corpo vai dando
pistas, como fome frequente, energia instável, sono ruim, dificuldade de
concentração, vontade constante de beliscar. Só que, como isso foi sendo
normalizado, a pessoa chama tudo de estresse, idade ou rotina corrida”,
afirma.
De
acordo com a especialista, a piora metabólica costuma acontecer aos poucos. A
resistência à insulina pode surgir primeiro, o pré-diabetes aparece como um
sinal de alerta nos exames e o diabetes tipo 2 corresponde ao quadro já
estabelecido. Na prática, segundo Bela, a investigação muitas vezes só começa
quando o incômodo aumenta ou quando o resultado laboratorial sai fora do
esperado.
Veja
4 sinais que merecem atenção
1.
Cansaço fora do padrão
Se a
fadiga vira rotina e não melhora nem com descanso, vale investigar. Quando
persiste, a queda de energia merece atenção, especialmente se vier acompanhada
de outros sinais ou fatores de risco.
2.
Fome exagerada ou vontade constante de beliscar
Quando
a fome aparece fora de hora e a saciedade parece não durar, o organismo pode já
estar lidando mal com glicose e insulina.
3.
Sonolência depois das refeições
Aquela
moleza frequente depois de comer é um sinal inespecífico, mas merece atenção
quando passa a se repetir no dia a dia.
4.
Aumento da barriga e dificuldade para perder peso
O
acúmulo de gordura abdominal é um marcador de piora metabólica e aumento de
risco e costuma aparecer cedo.
Quando
vale investigar
Segundo
a nutricionista, a atenção deve aumentar quando os sintomas deixam de ser
pontuais e passam a se repetir por dias ou semanas, quando dois ou mais sinais
aparecem juntos, ou quando há fatores de risco como histórico familiar de diabetes,
sobrepeso, gordura abdominal, sedentarismo ou antecedente de diabetes
gestacional.
Entre
os exames mais usados nesta investigação estão a glicemia de jejum, a
hemoglobina glicada, insulina basal – que poucos médicos se importam em
solicitar, e muitas vezes não sabem analisar da forma devida – e, quando há
indicação clínica, o teste oral de tolerância à glicose.
“O
mais perigoso é que esses sinais parecem comuns demais. E justamente por
parecerem comuns, deixam de ser investigados com a seriedade que merecem”, diz Bela.
Em muitos casos, o corpo não avisa com um susto. Ele começa por
sinais pequenos, repetidos e facilmente banalizados. Por isso, de acordo com a
especialista, quando o cansaço foge do padrão, a fome exagerada vira rotina, o
peso se torna difícil de controlar, ou a energia oscila ao longo do dia,
investigar mais cedo pode ajudar a identificar alterações metabólicas antes da
progressão do quadro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário