A expectativa da associação comercial
para a data é de vendas estáveis em relação a 2025
IMAGEM: Felipe Denuzzo
DC
A Associação Comercial de São
Paulo (ACSP) estima que as vendas de Páscoa devem apresentar estabilidade em
relação ao ano passado. A alta na cotação do cacau e o elevado nível de
endividamento das famílias são elementos que explicam essa estagnação.
“Apesar de o emprego e a renda continuarem
crescendo, os fortes aumentos no preço do chocolate, motivados pela disparada
no preço do cacau, em um contexto de elevado endividamento das famílias e taxas
de juros elevadas, que encarecem o crédito e desestimulam o consumo, devem
manter o volume de vendas praticamente no mesmo nível do ano passado”, explica
Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP.
Ruiz de Gamboa diz ainda que,
“para o varejo em geral, a Páscoa não é uma data tão importante, pois a maior
parte das vendas se concentra em produtos alimentícios, especialmente os ovos
de chocolate. Esse movimento acaba favorecendo, principalmente, supermercados e
hipermercados, além de lojas especializadas em chocolate”.
Impostos
na Páscoa
O preço dos produtos de Páscoa,
sujeitos a uma elevada carga tributária, também limita o consumo. Quem planeja
comprar ou presentear com ovos de chocolate precisa estar ciente de que 38,25%
do valor do produto correspondem a impostos. Essa informação é baseada em dados
do Impostômetro coletados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e
Tributação (IBPT).
Entre os produtos listados pela
ACSP como típicos da Páscoa, o mais tributado, nesta temporada, é o vinho
importado, com uma carga de 64,57%. Isso significa que, por exemplo, ao
adquirir uma garrafa pelo preço de R$ 54,38, o consumidor desembolsa R$ 19,27
pelo produto e mais R$ 35,11 em tributos.
O vinho nacional apresenta uma
carga tributária menor, porém, ainda elevada, com média de 45,56%.
Os ovos de Páscoa caseiros
podem ser uma alternativa para os consumidores e uma oportunidade de renda
extra para os microempreendedores. No entanto, evitar os produtos
industrializados não significa, necessariamente, escapar dos altos impostos.
Para a produção de um ovo simples, que requer chocolate, papel celofane e fita
adesiva para embalagem, são gastos, respectivamente, 38,25%, 39,11% e 40,06% em
impostos.
“Os tributos elevados sobre os
produtos de Páscoa limitam o poder de compra dos consumidores, impedindo que
muitos adquiram itens de melhor qualidade nesse período”, diz João Eloi Olenike,
presidente-executivo do IBPT.
Segundo ele, o sistema
tributário brasileiro, muito focado no consumo, acaba penalizando as pessoas de
renda mais baixa, que pagam, proporcionalmente, mais impostos do que as de
renda mais alta. “Isso dificulta ainda mais o acesso das classes menos
favorecidas aos produtos típicos da data”, completa Olenike.
Redação DC
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/acsp-impostos-alta-do-cacau-e-endividamento-limitam-o-consumo-na-pascoa
Nenhum comentário:
Postar um comentário