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quinta-feira, 26 de março de 2026

ACSP: Impostos, alta do cacau e endividamento limitam o consumo na Páscoa

IMAGEM: Felipe Denuzzo
DC
A expectativa da associação comercial para a data é de vendas estáveis em relação a 2025

 

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) estima que as vendas de Páscoa devem apresentar estabilidade em relação ao ano passado. A alta na cotação do cacau e o elevado nível de endividamento das famílias são elementos que explicam essa estagnação.

“Apesar de o emprego e a renda continuarem crescendo, os fortes aumentos no preço do chocolate, motivados pela disparada no preço do cacau, em um contexto de elevado endividamento das famílias e taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito e desestimulam o consumo, devem manter o volume de vendas praticamente no mesmo nível do ano passado”, explica Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP.

Ruiz de Gamboa diz ainda que, “para o varejo em geral, a Páscoa não é uma data tão importante, pois a maior parte das vendas se concentra em produtos alimentícios, especialmente os ovos de chocolate. Esse movimento acaba favorecendo, principalmente, supermercados e hipermercados, além de lojas especializadas em chocolate”.

 

Impostos na Páscoa

O preço dos produtos de Páscoa, sujeitos a uma elevada carga tributária, também limita o consumo. Quem planeja comprar ou presentear com ovos de chocolate precisa estar ciente de que 38,25% do valor do produto correspondem a impostos. Essa informação é baseada em dados do Impostômetro coletados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Entre os produtos listados pela ACSP como típicos da Páscoa, o mais tributado, nesta temporada, é o vinho importado, com uma carga de 64,57%. Isso significa que, por exemplo, ao adquirir uma garrafa pelo preço de R$ 54,38, o consumidor desembolsa R$ 19,27 pelo produto e mais R$ 35,11 em tributos.

O vinho nacional apresenta uma carga tributária menor, porém, ainda elevada, com média de 45,56%.

Os ovos de Páscoa caseiros podem ser uma alternativa para os consumidores e uma oportunidade de renda extra para os microempreendedores. No entanto, evitar os produtos industrializados não significa, necessariamente, escapar dos altos impostos. Para a produção de um ovo simples, que requer chocolate, papel celofane e fita adesiva para embalagem, são gastos, respectivamente, 38,25%, 39,11% e 40,06% em impostos.

“Os tributos elevados sobre os produtos de Páscoa limitam o poder de compra dos consumidores, impedindo que muitos adquiram itens de melhor qualidade nesse período”, diz João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT.

Segundo ele, o sistema tributário brasileiro, muito focado no consumo, acaba penalizando as pessoas de renda mais baixa, que pagam, proporcionalmente, mais impostos do que as de renda mais alta. “Isso dificulta ainda mais o acesso das classes menos favorecidas aos produtos típicos da data”, completa Olenike.

 

Redação DC
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/acsp-impostos-alta-do-cacau-e-endividamento-limitam-o-consumo-na-pascoa


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