Em entrevista para
a Agência Sebrae de Notícias, Décio Lima avalia o impacto positivo dos pequenos
negócios na economia e a evolução no empreendedorismo no país
Os pequenos
negócios encerram 2025 em alta, impulsionados por um cenário econômico
favorável. A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil deve
beneficiar até 80% desses negócios. Além disso, o programa Acredita Sebrae
permitiu o acesso, de janeiro a outubro, a quase R$ 10 bilhões em crédito
assistido.
O ambiente
próspero também foi percebido na geração de 1,8 milhão de empregos com carteira
assinada em 2025 – sendo 1,23 milhão gerados por micro e pequenas empresas – e na queda da taxa de desemprego para 5,4%, a
menor em 12 anos.
Para
detalhar os resultados e o papel central dos pequenos negócios para o fortalecimento da economia brasileira,
conversamos com o presidente do Sebrae, Décio Lima. Veja os principais pontos
da entrevista:
Agência Sebrae de Notícias: Como o senhor avalia o apoio do governo
federal para os pequenos negócios em 2025?
Décio Lima: O ano de 2025 foi extremamente profícuo, em
especial porque conseguimos avançar em questões cruciais como a isenção do
Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Esta medida vai beneficiar
extraordinariamente 80% dos pequenos negócios.
Trata-se de
um marco regulatório que iremos sentir a partir do próximo ano. Em 2026, esse
dinheiro extra deve injetar R$ 28 bilhões na nossa economia. Esse alívio no
Imposto de Renda significa mais dinheiro no bolso do nosso povo, que significa
maior poder de compra, que significa aumento do consumo, que faz a roda da
economia girar.
ASN: Qual foi o papel dos pequenos negócios na geração de empregos e na
abertura de novas empresas?
DL: Na geração de empregos, de janeiro a outubro de
2025, o Brasil criou 1,8 milhão de novos empregos com carteira assinada.
Desses, 1.230.000 são oriundos dos pequenos negócios. Ou seja, quase 70% dos
empregos gerados vieram das micro e pequenas empresas. A taxa de desemprego
caiu para 5,4%, a menor em 12 anos. E quando o assunto é a abertura de novos
negócios no país, das 4,5 milhões novas empresas abertas no nosso país, 4,3
milhões são de pequenas empresas.
ASN: Como o senhor avalia o impacto desse bom momento econômico
brasileiro no dia a dia dos pequenos negócios e o ambiente de inclusão?*
DL: Estamos com uma inflação controlada, com a geração
de emprego em alta, o que nos permite afirmar que estamos em pleno emprego,
neste momento, no nosso país. Isso gera mais oportunidades, renda e também o
processo de inclusão. Além disso, há uma compreensão de que estamos vivendo
mudanças estruturantes em diversos setores.
Estamos em
outro momento, em outro Brasil. Desta forma, o impacto também é sentido pelos
pequenos negócios, seja na abertura de novas oportunidades, seja na geração de
empregos.
ASN: A política de acesso a crédito contribuiu para esse cenário mais
positivo?
DL: Com certeza, um fator impulsionador foi viabilizar
a política de crédito. Desde o início do programa Acredita Sebrae, de janeiro a
outubro de 2025, já foi viabilizado o total de quase R$ 10 bilhões em crédito
assistido com o fundo de aval do nosso Sebrae, o Fampe. Até o final de
2025, devemos chegar a R$ 12 bilhões. Ou seja, saímos de um patamar de R$ 1
bilhão por ano para produzirmos uma pulverização de crédito 12 vezes maior,
impulsionando assim a pequena economia em todos os setores e em todo o
território nacional.
ASN: Como foram os resultados do Sebrae em relação ao alcance e aos
serviços mais procurados neste ano?
DL: Apenas para você ter uma ideia, em 2024 realizamos
60 milhões de atendimentos. E em 2025, até outubro, já realizamos 58 milhões de
atendimentos. Ou seja, iremos superar o atendimento com relação ao ano passado.
Os serviços
mais acessados são os cursos virtuais, que registraram quase 3 milhões de
matrículas. O aplicativo do Sebrae superou 4,5 milhões de atendimentos e o
emissor de notas fiscais eletrônicas do Sebrae gerou mais de R$ 48 bilhões em
notas emitidas.
ASN: É possível antecipar como esse apoio do Sebrae impacta diretamente
a vida dos empreendedores?
DL: Apesar de ainda estarmos fechando o balanço de
2025, já é possível antecipar alguns resultados, como, por exemplo, as
iniciativas de acesso a mercados, quando foram gerados mais de R$ 407 milhões
de negócios para as micro e pequenas empresas e microempreendedores
individuais. O Pró-Catadores, por exemplo, já está rodando em 18 estados, nas
cinco regiões brasileiras, e tem como meta atender quase 6 mil catadores e 333
cooperativas que atuam nesta área da economia circular.
Parcerias
como a que fechamos com o Ministério do Desenvolvimento Social mostraram
resultados surpreendentes. O Brasil possui hoje cerca de 16 milhões de
microempreendedores individuais. Desses, 4,6 milhões estão no Cadastro Único e
55% se tornaram microempreendedores individuais após o ingresso no cadastro.
ASN: E qual tem sido o papel do Sebrae no fortalecimento do
empreendedorismo feminino?
DL: O Sebrae tem atuado fortemente para fortalecer o
empreendedorismo feminino, tendo ele como prioridade em todo o alcance daquilo
que cabe a nós como uma instituição que promove o processo de inclusão do
espírito empreendedor.
Nós
possibilitamos 100% de garantias, por exemplo, por meio do Fundo de Aval às
Micro e Pequenas Empresas, para R$ 700 milhões em empréstimos para as
empreendedoras em 2025. Temos um total de 10 milhões de empreendedoras ou
trabalhadoras por conta própria no nosso país. Este número corresponde a 34% do
total de empregadores ou trabalhadores por conta própria. A metade deste total
é de mulheres chefes de família. Por isso, nossas ações são para que essas
mulheres acreditem em seu potencial, consigam empreender com o apoio do Sebrae
e superem as barreiras naturais da sua própria vida.
ASN: Por fim, quais são as suas expectativas no apoio aos pequenos
negócios e ao ambiente empreendedor no Brasil em 2026?
DL: O ano de 2026 será ainda melhor, não tenho a menor
dúvida, com relação ao momento que nós estamos vivendo. A começar pelo alívio
que teremos com a medida de isenção do Imposto de Renda, que começa a ser
sentido a partir de janeiro. Com zero de Imposto de Renda, uma pessoa com
salário de até R$ 4.800, por exemplo, pode fazer uma economia de R$ 4 mil em um
ano. Quase um 14º salário.
Além disso,
em 2026 a Lei Geral das Micros e Pequenas Empresas e o Simples Nacional
completam 20 anos. Só para ter uma ideia, em 2006, quando foi criada a Lei
Geral, o Brasil tinha cerca de 2,5 milhões de pequenos negócios. Quase 20 anos
depois, são cerca de 25 milhões de pequenos negócios.
Para apoiar
esses negócios, iremos continuar forte com a política de crédito, pois estamos
trabalhando para chegar a viabilizar o total de R$ 30 bilhões de créditos em
três anos. Apoiar os pequenos negócios no Brasil é gerar oportunidades, é
permitir que o sonho de 60% dos brasileiros se torne realidade. É gerar
inclusão, emancipação e mais renda.
O Brasil
irá prosperar ainda mais do ponto de vista do ambiente da nossa economia. Mas,
sobretudo, impulsionada pelo seu espírito empreendedor. O país, hoje, é o
primeiro do mundo com o maior número de empresas na modalidade da micro e
pequena empresa.
Iremos, nós
do Sebrae, caminhar juntos com este protagonismo que revela a capacidade
criativa e extraordinária e resiliente de brasileiros e brasileiras que nunca
desistiram.
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