Com manifestações ainda na primeira
infância, as duas doenças, apesar de compartilharem sintomas semelhantes, têm suas origens
completamente distintas
Alterações do tônus muscular, comprometimento
motor e cognitivo, atraso no desenvolvimento infantil e convulsões são alguns
dos sintomas que podem ser percebidos tanto em casos de paralisia cerebral
(PC), quanto na deficiência de descarboxilase de L-aminoácidos aromáticos ou
deficiência de AADC - doença genética rara que afeta a produção dos
neurotransmissores, substâncias essenciais para a comunicação das células do
sistema nervoso.[1],[2] Entretanto, essas condições têm causas
diferentes.
O neurologista infantil e neurofisiologista, Hélio
Van der Linden, explica que a deficiência de AADC é uma doença metabólica, que
ocorre devido a uma mutação no gene DDC. “Dessa forma, o organismo tem uma
limitação na produção da enzima AADC, o que afeta diretamente a produção de
substâncias essenciais, como a serotonina, dopamina, adrenalina e
noradrenalina. Já a paralisia cerebral está diretamente relacionada à extensão
do dano neurológico, o que pode ser causado por algum evento relacionado ao
parto, como a falta de oxigenação no cérebro da criança, ou outras
complicações, como infecções, diabetes, hipertensão (eclampsia), desnutrição e
uso de drogas e álcool pela mãe durante a gestação”, afirma o especialista, que
chama atenção para ações de conscientização tanto para profissionais da saúde
quanto para os pais.
No que diz respeito aos sintomas, Van der Linden diz
que, embora haja semelhanças, algumas distinções podem ser observadas, ajudando
assim no diagnóstico precoce e correto. Na deficiência de AADC é comum
acontecer crises oculogíricas, que são movimentos involuntários dos olhos, nos
quais os olhos rolam para cima. Os episódios podem durar desde alguns segundos
até horas e acontecer várias vezes ao dia e na semana.1,[3] Além disso, sintomas relacionados a funções corporais também
são frequentes, como choro excessivo, sudorese (suor excessivo) e salivação.
“Outro ponto importante sobre a AADC é que as crianças afetadas possuem exames
cerebrais normais ou com achados inespecíficos, que não refletem os sintomas
apresentados. Por isso, é importante a realização de exames adequados para o
diagnóstico correto, sobretudo o exame genético”, finaliza o especialista.
Em relação ao manejo adequado das duas doenças, é
importante que as crianças tenham assistência de uma equipe multidisciplinar
composta por neurologistas, pediatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e
nutricionistas, além de geneticista no caso da deficiência de AADC.1,2
Compreender as diferenças entre as doenças é crucial
para garantir diagnósticos precisos e intervenções terapêuticas eficazes
precocemente – principalmente no caso da deficiência de AADC que é comumente
subdiagnosticada. Com isso, podemos assegurar um atendimento mais preciso e
personalizado para cada paciente, promovendo uma melhor qualidade de vida. Para
conhecer mais sobre essa condição, acesse link.
Referências
[1] Wassenberg T, Molero-Luis M, Jeltsch K, et al. Consensus guideline for the diagnosis and treatment of aromatic l-amino acid decarboxylase (AADC) deficiency. Orphanet J Rare Dis. 2017;12(1):12. doi: 10.1186/s13023-016-0522-z
[2] Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Disponível em: Link
[3] Lee WT. Disorders of monoamine metabolism: inherited disorders frequently misdiagnosed as epilepsy. Epilepsy & Seizure. 2010;3(1):147-153.
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