Médico urologista alerta para importância de tratamento para garantir a qualidade de vida do paciente; doença não tem nenhuma relação com o câncer de próstata, mas se não for tratada pode evoluir para quadros mais graves
A
Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) é a doença da próstata mais comum na
população masculina e atinge milhões de homens em todo o mundo. Ela se
caracteriza pelo aumento da glândula, o que pode causar uma compressão e
estreitamento da uretra, dificultando assim o ato de urinar e impactando
negativamente a qualidade de vida dos pacientes. De acordo com dados da
Sociedade Brasileira de Urologia, a doença afeta mais 50% dos homens acima de
50 anos e é ainda mais comum com o avanço da idade, chegando a 80% da população
com mais de 90 anos.
Segundo o médico urologista Ruimário Coelho, preceptor da residência médica em urologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná e diretor técnico do Uroville – Urologia Avançada, apesar de ser uma condição bastante comum, muitas pessoas ainda não reconhecem os sintomas. “Geralmente os sinais surgem aos poucos e vão ficando mais frequentes com o passar do tempo, mas por uma questão cultural alguns pacientes acabam naturalizando essa condição, pois acreditam que é normal e que faz parte do envelhecimento”, explica.
Entre os principais sintomas, ele destaca a redução da pressão ou interrupções do jato urinário, dificuldade de iniciar a micção, aumento do número de micções noturnas, dificuldade de esvaziar totalmente a bexiga e a incontinência urinária.
“A qualquer sinal, os homens devem procurar um médico urologista para fazer uma
avaliação e iniciar o tratamento mais adequado para o seu caso. Mesmo não tendo
nenhuma relação com o câncer de próstata, a HBP pode evoluir para quadros mais
graves se não for tratada. Entre as complicações mais comuns, estão a infecção
urinária, a formação de pedras na bexiga, podendo levar até à insuficiência
renal”, alerta Ruimário Coelho.
Novas tecnologias no tratamento da HBP
O tratamento da HBP vai desde o acompanhamento clínico com exames regulares e medicamentos para controlar os sintomas, até procedimentos cirúrgicos, que estão cada vez menos invasivos, graças ao desenvolvimento de novas tecnologias.
Entre as inovações mais recentes está a enucleação endoscópica da próstata com
Holmium Laser (HoLEP), que tem se tornado o ‘padrão-ouro’ do tratamento da HBP.
“Com o auxílio de uma microcâmera, o cirurgião consegue retirar com precisão o
tecido aumentado com a ajuda do laser, tornando a cirurgia muito mais assertiva
e reduzindo o risco de complicações”, explica Ruimário Coelho, um dos expoentes
da técnica no país.
Entre
as vantagens da nova tecnologia está a rápida recuperação no pós-operatório,
com o procedimento feito de forma ambulatorial, sem a necessidade de
internações prolongadas. Assim, os riscos de infecção também diminuem e o
paciente consegue retomar suas atividades cotidianas em menos tempo do que nos
métodos tradicionais. Além da enucleação endoscópica da próstata, no Brasil, as
cirurgias minimamente invasivas mais difundidas são o Rezum, o UroLift e iTind.
Dr Ruimário Coelho - formado em medicina pela Faculdade
de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo, com residência médica em
Cirurgia Geral no Hospital Heliópolis (São Paulo - SP), residência médica em
Urologia pela Universidade Federal do Paraná, Fellowship em Andrologia e
Infertilidade Masculina, pelo Instituto H Ellis/ Projeto ALFA, com certificação
em cirurgia robótica pelo Instituto Falke. É diretor técnico do Uroville -
Urologia Avançada, preceptor da residência médica de Urologia do Hospital de
Clínicas da UFPR, coordenador do curso de Enucleação Endoscópica da Próstata do
Scolla Centro de Treinamento, membro da Endourological Society e membro titular
da Sociedade Brasileira de Urologia, atuando principalmente com foco em Doenças
da Próstata e Endourologia.
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