Para
muitos nichos da indústria, a remuneração variável por performance pode e deve
ser avaliada como uma inteligente decisão estratégica. Mas o fato é que sua
aplicação é praticamente obrigatória em setores onde o ciclo de valor envolve
capital humano intensivo e de diversificada granularidade.
Exemplo
disto são aquelas utilities que mantêm grandes massas de funcionários e
empresas prestadoras externas tercerizadas ou quarteirizadas.
As
distribuidoras de TV a cabo, por exemplo, extraem suas receitas (e boa parte
dos custos) a partir de modelos de marketing e comercial envolvendo equipes
internas, além de empresas grandes, pequenas ou micro - às centenas - sob cuja
tutela estão milhares de empregados ou autônomos que têm sua remuneração
atrelada ao desempenho.
Em
configurações de negócios tão fragmentadas e massivas emerge uma complexidade
maior para o gerenciamento. Entram aí algumas condicionantes estruturais que
são intrínsecas a todas as formas de remuneração variável, que se complicam em
um ambiente competitivo mais dinâmico. Uma dessas condicionantes está na correta
fixação de metas diante de um cenário de mudanças rápidas no ambiente
macroeconômico e nas atitudes pontuais da concorrência.
Este
e outros fatores impõem a capacidade de acompanhamento em tempo hábil das
oscilações e tendências de mercado, sob o risco de que o cumprimento das metas
estabelecidas ontem (e calculadas no dia a dia sem qualquer alteração ao longo
do processo) redunde num grande fiasco na hora do balanço trimestral, diante
das mudanças de cenário.
Outro
fator extremamente crítico - e que também tem relação com o monitoramento de
cenário - é a correta aquisição, conferência e análise dos incontáveis modelos
de relatório gerados nos vários pontos granulares de campo, e que são
essenciais para a correta apuração dos resultados.
Aliás,
não só para a medição de resultados reais, mas também para a dosagem adequada
de incentivos financeiros e não financeiros e o acompanhamento de seus efeitos
na cadeia humana de produção direta e indireta.
Sem
conhecer esta confluência de variáveis em particular, a gestão das compensações
de performance tende a se perpetuar como uma espécie de autópsia, relativa ao
que ocorreu durante um determinado período, com efeito apenas de constatação e
de acerto de contas.
Por
melhor e mais bem arquitetadas que sejam, as políticas de remuneração
lastreadas pelo atingimento ou superação de metas podem se tornar um inibidor
do crescimento se a noção de bom desempenho estiver dissociada da capacidade de
mudanças. A política de compensação envolve desembolsos consideráveis e
precisam ser analisadas do ponto de vista de seu ROI.
São
grandes, porém, os desafios para a implantação de uma gestão dinâmica e
responsiva diante da difícil visibilidade de todos os elementos da cadeia. Sem
falar nos diversos processos com ciclos assíncronos de apontamento e longos
ciclos de cálculo.
A
medição das remunerações variáveis envolve a rastreabilidade de aspectos
multidimensionais de dados nem sempre organizados e que precisam ser
contemplados para se tornarem efetivamente úteis à orquestração dos elementos
da performance.
Por
exemplo: é comum haver no processo aplicações de pagamento que não suportam a
conferência real, campo a campo, de relatórios de desempenho originados em
nível de pessoal interno, de outsourcing e de prestadores independentes com
vínculos contratuais de serviço diretos ou indiretos.
De
um lado, esta falta de rastreabilidade e integração acarreta situações
como a de insatisfação da força produtiva (portanto, o oposto do
incentivo) em função de contestações ou demoras na execução dos
pagamentos.
Sem
falar, é claro, na distribuição não equânime de benefícios, na medida em que
não se pode aferir a relação entre o atingimento de uma meta e o real
investimento humano ou gerencial empenhado pelo parceiro ou colaborador
interno.
Há
muitos casos documentados de grandes organizações usuárias de remuneração
variável que conseguiram aumentar em até 8% as taxas de lucro operacional e
diminuir em 40% os tempos de administração do processo, além de eliminar em até
13% os erros de processamento nos planos de compensação.
Para
atingir tais resultados, foi necessário aplicar inteligência analítica na
criação de modelos de uniformização e gestão do fluxo de dados de produção
envolvendo áreas como marketing, vendas, suporte, treinamento, contabilidade,
RH e financeiro.
A
gestão inteligente integrada inclui a criação de instrumentos de monitoramento
em tempo real da concorrência (e do cenário externo em geral) para o constante
ajustamento das metas e alinhamento das políticas de compensação em função de
modelos competitivos realmente adaptativos.
Uma
vez desenvolvidos os consoles de supervisão de gerenciamento da performance,
torna-se viável também a descoberta de oportunidades de melhoria e ajustes na
força produtiva através de treinamento, coaching e reciclagem de
recursos.
Enfim,
com a visibilidade, valoração e orquestração dos dados e sua conformação a uma
estrutura de gestão dinâmica das remunerações variáveis, o administrador passa
a controlar e medir de forma profunda a sua cadeia de produção interna e
externa, utilizando informações prescritivas e preditivas.
Saímos
assim da era da autópsia e da conformação a metas estanques, que, muitas vezes,
induzem a corporação a uma atitude conformista, podendo funcionar até como um
limitador da força participativa.
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