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segunda-feira, 9 de março de 2020

Ter escapes de urina é normal?


Para conscientizar a população, a Sociedade Brasileira de Urologia, com apoio da seccional São Paulo (SBU-SP) realiza em março, mês mundial da incontinência urinária, a campanha “Urinar assim é normal?”


No Brasil, 45% das mulheres e 15% dos homens, acima de 40 anos, apresentam incontinência urinária*. A perda involuntária de urina gera ansiedade, depressão, redução na produtividade no trabalho e afastamento do convívio social e da intimidade com o parceiro. Para conscientizar a população sobre a incontinência urinária a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), com o apoio da Astellas, realiza durante o mês de março a campanha "Urinar assim é normal?". No dia 14 de março é celebrado o Dia Mundial da Incontinência Urinária.

“Muitas pessoas têm medo de discutir o problema até mesmo com um profissional de saúde. Há a percepção errada de que a incontinência urinária é inevitável com o envelhecimento e de que não há tratamentos efetivos para tratá-la”, observa o urologista e chefe do Departamento de Disfunções Miccionais da Sociedade Brasileira de Urologia, Dr. Cristiano Gomes.

A campanha conta com uma websérie com especialistas que respondem rapidamente as perguntas mais comuns feitas pelos pacientes. “Escapar urina durante um espirro ou correr para ir ao banheiro e não conseguir conter a urina no caminho são sintomas de incontinência urinária. Há cura para a maior parte dos casos, mas é preciso procurar ajuda médica", explica o urologista.

A iniciativa conta com material elucidativo nos sites (www.urinarassim.com.br e www.portaldaurologia.org.br) e conteúdo de esclarecimento nas redes sociais (@portaldaurologia e @urinarassim). Também será realizada uma ação de orientação da população em locais públicos.


Fatores de risco

Estima-se que a chance de apresentar incontinência urinária após os 70 anos seja 4 a 5 vezes maior do que na faixa etária de 20 a 40 anos. Ter muitos filhos, antecedente de cirurgias ginecológicas, diabetes, obesidade e a presença de doenças neurológicas são outros fatores que predispõem à doença. Nos homens, além da idade, cirurgias na próstata – principalmente para tratamento do câncer – são o principal fator de risco.

 “Nas mulheres, a diminuição de estrógeno que ocorre na menopausa parece também ter alguma importância. Nos homens, cerca de 10% persistem com incontinência mesmo depois de meses da cirurgia da próstata”, afirma o chefe do Departamento de Disfunções Miccionais da SBU.


 Principais tipos de incontinência urinária

Incontinência urinária aos esforços: é a queixa de perda urinária ao fazer esforços, como tossir, espirrar, carregar pesos ou levantar-se. É causada pelo enfraquecimento do esfíncter urinário e das estruturas (ligamentos e músculos) que sustentam a uretra e a bexiga. Fatores que possam enfraquecer essas estruturas, tais como ter muitos filhos ou cirurgias ginecológicas, podem aumentar o risco de desenvolver incontinência urinária. Em mulheres, a incontinência aos esforços corresponde a cerca de 40 a 70% dos casos de incontinência. Em homens é rara e tem como principal causa as cirurgias prostáticas, que podem enfraquecer o esfíncter urinário.

Incontinência urinária de urgência: é a queixa de perda de urina acompanhada ou precedida pela sensação de urgência para urinar. A pessoa sente uma vontade repentina e incontrolável de urinar e não consegue chegar a tempo ao banheiro. Geralmente, a pessoa urina com grande frequência durante o dia e mesmo durante a noite, o que pode comprometer o sono. Também recebe o nome de bexiga hiperativa. Na maior parte das vezes, não há uma causa aparente. Doenças neurológicas aumentam o risco desse tipo de problema, incluindo lesão medular, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral, Parkinson e outras. Homens com hiperplasia benigna da próstata também podem apresentar esse problema. “A avaliação deve sempre afastar a existência de outros problemas na bexiga, tais como infecção urinária, pedra ou tumores”, diz o médico. A prevalência da bexiga hiperativa é de cerca de 5% dos homens e mulheres com menos de 40 anos e até 35% da população acima de 70 anos.


Tratamento

O tratamento para a incontinência urinária inclui mudanças comportamentais e de estilo de vida, como evitar excesso de líquidos, realizar micções periódicas, tratar constipação e outros problemas clínicos como diabetes e obesidade. Também pode incluir a fisioterapia para o assoalho pélvico e bexiga. Existem, ainda, medicamentos eficazes e com baixa chance de efeitos colaterais, notadamente para casos de incontinência de urgência e para homens com problemas prostáticos.

Em casos mais complexos ou que não tiveram boa resposta ao tratamento conservador, há vários tipos de procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, isto é, de baixo risco e rápida recuperação. Destacam-se os tratamentos atuais da incontinência urinária em mulheres por meio da colocação de fina faixa sob a uretra (chamada cirurgia de sling), a aplicação da toxina botulínica na bexiga para casos de incontinência de urgência e o implante de um marca-passo da bexiga (neuromodulador). Nos homens com incontinência urinária de esforço (na maioria das vezes após cirurgia de próstata), as cirurgias de sling ou implante de esfíncter artificial.




Fonte: The prevalence of lower urinary tract symptoms (LUTS) in Brazil: Results from the epidemiology of LUTS (Brazil LUTS) study (Soler R, Gomes CM, Averbeck MA, Koyama M. Neurourol Urodyn. 2018;37(4):1356-64)

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