As cerca de 3
bilhões de prescrições emitidas anualmente podem ser assinadas digitalmente com
garantia de autoria, integridade, autenticidade do documento e criptografia do
seu conteúdo, evitando alterações e possíveis fraudes
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
se manifestou favorável à utilização de assinatura digital nos receituários
médicos desde que no padrão da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira –
ICP-Brasil. O posicionamento
da Anvisa foi encaminhado via Ofício ao Conselho Federal de Farmácia – CFF,
entidade com a qual o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI
trabalha em parceria no Grupo Interinstitucional de Trabalho da Farmácia
Digital. Segundo a Anvisa, poderão ser assinados digitalmente receituários de
medicamentos que contenham substâncias da Lista C1 e C5 e dos adendos das
Listas A1, A2 e B1 da Portaria
SVS/MS n° 344/98, bem como as prescrições de medicamentos antimicrobianos.
Assim, sair de uma consulta médica com a prescrição
do medicamento a ser utilizado durante o tratamento direto no celular, sem uma
via em papel, passa a ser realidade. O diretor-presidente do ITI, Marcelo Buz,
ressalta que a posição dos agentes reguladores permite a racionalização do
processo desde a emissão da prescrição até a dispensação do medicamento nas
farmácias com segurança superior ao receituário de papel. “Infelizmente há
muitas fraudes no setor por causa do suporte do documento em papel, já que não
é possível realizar um acompanhamento tão preciso ao longo do processo”,
declarou.
Com a assinatura digital garantem-se autoria,
integridade, autenticidade do documento, já que a tecnologia da ICP-Brasil
criptografa o seu conteúdo no momento da assinatura, evitando alterações. E
caso alguma ocorra, o documento mostra uma mensagem de erro ao ser aberto. Um
documento com assinatura digital ainda permite verificar sua autoria, já que o
certificado digital identifica com segurança o autor, sem que o mesmo possa repudiar
o ato assinado.
Para o CFF, a aceitação das receitas eletrônicas,
inclusive de alguns medicamentos controlados pelas farmácias brasileiras, é um
marco para todo o setor de saúde, que emite cerca de 3 bilhões de
prescrições por ano. "A partir de agora, receitas legíveis e acessáveis
contribuirão para aumentar a segurança ao processo de
prescrição/dispensação", disse o presidente do Conselho, Walter
da Silva Jorge João.
Verificação
Segundo o assessor especial do ITI Ruy Ramos, a
definição pela assinatura digital nos receituários médicos permitirá também que
as atuais plataformas de geração e acompanhamento de prescrições em formato
digital possam ser disciplinadas “de modo a garantir que o documento assinado
pelo profissional de saúde possa ser conferido com segurança no ato da
dispensação pelo farmacêutico”.
Na prática, o farmacêutico, de posse da receita,
fará a verificação da assinatura digital. Atualmente, há disponibilizados
gratuitamente pelo ITI, verificadores oficiais como o plugin
PadES e o verificador de conformidade no site do Instituto, a partir do
qual basta fazer o upload do documento e clicar no botão para conferência. O
ITI ainda disponibiliza gratuitamente o código
fonte diretamente ao interessado para que possa ser integrado às
ferramentas de prescrição ou aos sistemas das entidades reguladoras.
“Importante ressaltar que a receita digital, por
ser um documento autônomo, criado preferencialmente no formato PDF, deve conter
os elementos para viabilizar a conferência da autenticidade da assinatura
digital sem dependência direta do sistema que o gerou”, acrescentou Ramos.
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