O planejamento
financeiro é um dos fatores determinantes pra garantir a qualidade de vida das
famílias brasileiras, no presente e no futuro. E a formação de crianças e
adolescentes em educação financeira é fundamental para formar uma base cidadãos
mais conscientes, disciplinados, organizados e com capacidade de traçar o uso
do dinheiro de acordo com o orçamento familiar.
E um passo importante
pra essa transformação foi a inclusão da educação financeira de forma
obrigatório no currículo das escolas, desde a educação infantil até o ensino
médio, previsto na chamada Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Por esse
documento, a educação financeira deve ser abordada de forma transversal pelas
escolas, ou seja, nas aulas e projetos até 2020.
A educação financeira
nas escolas traz resultados, de acordo com a AEF-Brasil. Pesquisa feita em
parceria com Serasa Consumidor e Serasa Experian, mostra que um a cada três
estudantes afirmou ter aprendido a importância de poupar dinheiro depois de
participar de projetos de educação financeira. Outros 24% passaram a conversar
com os pais sobre educação financeira e 21% aprenderam mais sobre como usar
melhor o dinheiro.
Em um país
capitalista, já era tempo da implementação de um projeto sólido, pois a
educação financeira é a base de um indivíduo, de uma família e de um negócio. O
tema é para todas as idades e não somente para os jovens, entretanto quanto
mais cedo a pessoa conseguir lidar com suas finanças, provavelmente terá um
futuro melhor, longe das preocupações que as dívidas trazem.
É crescente a busca
de conhecimentos sobre investimentos pela nova geração de jovens. Estão cada
vez mais ávidos em entender a bolsa de valores, apostando suas mesadas em
compra de ações, sem ao menos ter uma base de entendimento. E ai que mora o
perigo, pois, na maioria das vezes, esse jovem não tem o esclarecimento sobre
coisas básicas que envolvem esse mundo financeiro como, por exemplo, o que é
uma taxa Selic, o impacto da inflação e até mesmo entender seus gastos, a
lição número 1 para se pensar em investir.
A base da educação
financeira é indispensável para quem quer começar a investir, viemos de
gerações em que a educação financeira não era discutida entre a família. Nosso
avós e pais, na maioria dos casos, são “analfabetos” em temas financeiros. E,
hoje em dia, vemos que as antigas gerações “pagam” preços altos por não
entender o básico.
Fruto desse atraso é
a inadimplência, que atinge mais de 60 milhões de brasileiros, um dos maiores
problemas do país. Essa situação de não pagamento dos compromissos financeiros
é ainda mais alarmante nas gerações mais jovens, que já entram no mercado de
consumo com alto grau de endividamento. E apesar da juventude ser o momento
mais propício para se pensar no futuro, muitas vezes não é isso que acontece.
Por esse motivo, promover a educação financeira para jovens é um desafio muitas
vezes subestimado. Infelizmente, estamos tratando de uma geração que não poupa,
que se endivida logo cedo e tem pouca ou nenhuma educação financeira.
E existe um grande
desafio pela frente. É preciso investir formação de professores, a oferta
de material didático adequado e mesmo a garantia de tempo para que os
professores se dediquem ao preparo das aulas. Isso porque as avaliações dos
estudantes brasileiros sobre as noções de educação financeira precisam evoluir.
No Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, o Brasil
ficou em último lugar em um ranking em competência financeira, entre 15 países.
O Pisa oferece avaliação em competência financeira de forma optativa e os
resultados disponíveis mostram que a maioria dos estudantes brasileiros obteve
desempenho abaixo do adequado e não conseguem, por exemplo, tomar decisões em
contextos que são relevantes para eles, reconhecer o valor de uma simples despesa
ou interpretar documentos financeiros cotidianos.
A orientação para a
mudança de comportamento emocional em relação ao dinheiro é essencial. E as
escolas e professores terão um papel fundamental nesse novo ciclo de formação
de alunos-cidadãos, pensantes, críticos e autônomos, e ensinar educação
financeira faz parte disso.
Sheila David Oliveira - planejadora financeira, diretora da GFAI –
Empresa Especializada em Planejamento Financeiro, responsável pelos
treinamentos In Company e pós-graduada em Gestão de Pessoas pela FGV e em
Psicologia Positiva pela PUC-RS
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