Pesquisar no Blog

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Exigência da NFS-e pelo padrão nacional é adiada para 1º de novembro

IMAGEM: DC
Novo prazo consta da Resolução 191, do Comitê Gestor do Simples Nacional, que também regulamentou modelo híbrido e detalhou composição da receita bruta

 



O uso obrigatório do Emissor Nacional da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) pelas microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional foi prorrogado para 1º de novembro, conforme a Resolução 191/2026, do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), publicada em 10/08 no Diário Oficial.

A exigência de emitir documentos fiscais pelo padrão nacional estava prevista para o início de setembro. A nova norma também orienta os gestores municipais a atualizarem seus canais de atendimento e orientação aos contribuintes sobre o novo prazo.


Regime híbrido

O CGSN também publicou a Resolução 190/2026, que regulamenta a entrada do IBS e da CBS na relação de tributos recolhidos pelo regime do Simples Nacional. O texto estabelece a possibilidade de a empresa permanecer no regime simplificado ou optar por apurar os novos tributos da reforma tributária pelo sistema regular, o chamado modelo híbrido. Para valer a partir de janeiro do ano seguinte, a opção ou renúncia deve ocorrer entre 1º e 30 de setembro do ano anterior.


Nova Receita

Um ponto importante da norma é o esclarecimento de que os valores de IBS e CBS apurados e recolhidos pelo regime regular (modelo híbrido) não entram no cálculo da receita bruta das microempesas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional, assim como os rendimentos em aplicações financeiras e as gorjetas integralmente repassadas aos trabalhadores. Já royalties, gorjetas que não são repassadas, aluguéis, juros e multas, acréscimos e encargos integram a receita bruta.

O artigo 9 da Resolução 190/2026 também fixa o já conhecido sublimite de R$ 3,6 milhões para o recolhimento do ICMS e do ISS. Se a receita acumulada ultrapassar esse valor, a empresa fica impedida de recolher os tributos dentro do Simples Nacional. Se o valor excedente for superior a 20% do sublimite, a exclusão do regime ocorre a partir do ano mês seguinte. Caso seja abaixo de 20%, os efeitos começam no ano seguinte.



Silvia Pimentel
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/exigencia-da-nfs-e-pelo-padrao-nacional-e-adiada-para-1o-de-novembro


Dívida empresarial pode acelerar o crescimento ou ampliar o prejuízo

Com 9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, contador explica por que a diferença entre um crédito estratégico é um problema financeiro está na finalidade da dívida empresarial


O número recorde de empresas inadimplentes no Brasil reacendeu o debate sobre a qualidade do endividamento corporativo. Em abril de 2026, 9 milhões de negócios estavam negativados, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Ao mesmo tempo, dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central mostram que o crédito continua sendo um importante instrumento de financiamento da atividade empresarial. Para especialistas, esse contraste reforça que o problema não está na dívida empresarial em si, mas na falta de planejamento e de clareza sobre o que ela efetivamente financia. 

Para Jean Lucas Paiva, contador, diretor comercial da Consult Seven, empresa de contabilidade e consultoria especializada em planejamento tributário, contabilidade consultiva, gestão financeira para médias e grandes empresas, a dívida empresarial pode ser uma ferramenta estratégica quando está vinculada a um objetivo claro e acompanhada por planejamento financeiro.  

"A dívida empresarial não é, por si só, um sinal de má gestão. Muitas empresas cresceram utilizando crédito de forma inteligente. O risco aparece quando o empresário não consegue responder exatamente o que aquela dívida está financiando, qual será o retorno esperado e como ela será paga. Quando essas respostas não existem, o crédito deixa de ser uma ferramenta de crescimento e passa a sustentar um problema financeiro", afirma.


Dívida empresarial precisa ter finalidade

O levantamento da Serasa Experian revela que as empresas inadimplentes acumulavam R$220,9 bilhões em dívidas em abril, maior volume já registrado pela série histórica. O dado demonstra que recorrer ao crédito faz parte da realidade empresarial, mas também evidencia que muitas organizações ainda utilizam empréstimos para compensar desequilíbrios financeiros em vez de apoiar investimentos produtivos.

Segundo o contador, a principal diferença entre uma dívida saudável e um endividamento perigoso está na finalidade do recurso. "Existe uma diferença enorme entre contratar crédito para ampliar capacidade produtiva, investir em tecnologia, aumentar estoque para atender uma demanda prevista ou financiar uma expansão e utilizar empréstimos apenas para pagar contas vencidas. No primeiro caso existe planejamento e expectativa de retorno. No segundo, normalmente apenas se prolonga uma dificuldade financeira que já existia", explica.


Contabilidade consultiva transforma números em decisões

Na avaliação do especialista, muitas empresas acompanham apenas o saldo bancário e deixam de analisar indicadores capazes de mostrar se a operação gera caixa suficiente para sustentar novos financiamentos. "A contabilidade consultiva permite que o empresário compreenda exatamente quanto custa uma operação de crédito, qual impacto ela terá no fluxo de caixa, em quanto tempo esse investimento deverá gerar retorno e se a empresa possui capacidade financeira para assumir esse compromisso. Essa visão reduz riscos e melhora a qualidade das decisões", ressalta.

Ele destaca que esse acompanhamento se torna ainda mais relevante diante das mudanças provocadas pela Reforma Tributária e da necessidade crescente de integração entre gestão financeira, planejamento tributário e controle operacional.


Crédito deve financiar crescimento e não desorganização

Para o contador, empresas que tratam o crédito apenas como solução para problemas imediatos tendem a aumentar sua exposição financeira ao longo do tempo. "O crédito precisa financiar crescimento, ganho de produtividade, expansão ou aumento de competitividade. Quando ele é utilizado apenas para cobrir buracos de caixa, pagar tributos atrasados ou manter uma operação que já perde rentabilidade, o empresário apenas adia um problema que continuará existindo", observa.

Segundo Jean, a principal mudança de mentalidade está em compreender que a dívida empresarial não deve ser analisada isoladamente, mas como parte da estratégia financeira do negócio. "O empresário precisa conhecer seu fluxo de caixa, acompanhar indicadores, entender sua margem de lucro e projetar cenários antes de contratar qualquer operação de crédito. Quando existe clareza sobre esses números, a dívida empresarial deixa de representar um risco e passa a ser uma ferramenta de crescimento sustentável", conclui.

 



Jean Lucas Paiva - contador e sócio-proprietário da Consult Seven, onde atua como Diretor Comercial. Com mais de 15 anos de experiência na área contábil, sua atuação é voltada ao planejamento e à otimização tributária para empresas de médio e grande porte, com foco em operações no regime de Lucro Real. É graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Positivo, pós-graduado em Gestão Tributária pela PUC-PR e possui MBA em Gestão Empresarial pela FGV-PR. Acompanha de perto as mudanças trazidas pela Reforma Tributária e atua na identificação de oportunidades fiscais dentro da legislação vigente. 
Além da atuação na Consult Seven, é palestrante e mentor tributário fixo do Grupo Bom Gourmet e já participou do programa Câmera Brasil como especialista em Reforma Tributária. Recebeu Menção Honrosa pela trajetória no setor contábil brasileiro.
Para mais informações, acesse Instagram e Linkedin.



Consult Seven
Para mais informações, acesse Instagram e Site.


Fontes de pesquisa

Agentes de IA da Meta: expansão da ferramenta exige novas estratégia conversacionais para as empresas

Pontaltech, Business Partner da Meta, oferta consultoria estratégica durante toda a jornada de transformação

 

O lançamento do Meta Business Agent para o WhatsApp e Instagram inaugura uma nova geração de experiências conversacionais nos processos de atendimento, vendas e relacionamento entre empresas e clientes. A solução, lançada pela Meta em julho, atua como uma camada inteligente e integrada aos sistemas das empresas, que executa o atendimento ao cliente de maneira resolutiva e orientada a geração de negócios. Apoiando essa transição, a Pontaltech, empresa de tecnologia especializada em comunicação omnichannel e Business Partner da Meta, está preparada para oferecer uma consultoria estratégica que apoie as organizações durante toda essa jornada. 

Diferentemente dos modelos tradicionais de atendimento automatizado, baseados em fluxos predefinidos com regras rígidas, menus fixos, escalabilidade limitada e experiências fragmentadas, o Meta Business Agent altera essa lógica ao compreender a intenção do cliente e executar tarefas automaticamente, através de suas capacidades de integração com sistemas corporativos como CRM, ERP, plataformas de e-commerce e bancos de dados.    

Isso, na prática, cria uma experiência mais natural para o consumidor, além de uma maior capacidade de automação para as empresas, reduzindo transferências para atendentes humanos e aumentando os índices de resolução na primeira interação. “Mais do que responder perguntas, a IA passa a executar ações dentro da jornada do cliente, compreendendo suas necessidades e executando as resoluções de ponta a ponta, sem transferências”, explica Carlos Feist, Diretor de Growth Platforms da Pontaltech. 

Essas mudanças, segundo Feist, reforçam uma tendência que já vinha sendo observada há tempos: a necessidade de as empresas tratarem cada interação de forma mais estratégica, medindo, cuidadosamente, o retorno gerado por cada jornada conversacional. Isso porque, não se trata apenas de uma inclusão de recursos tecnológicos, mas uma mudança estrutural na forma como as empresas se relacionam com seus clientes.   

No atendimento, por exemplo, haverá uma busca maior por resoluções automáticas mais eficientes, reduzindo contatos desnecessários e aumentando a assertividade dos agentes de IA.  No marketing, as marcas deverão priorizar campanhas mais segmentadas, relevantes e contextualizadas, aproveitando os canais conversacionais para criar experiências personalizadas ao longo de toda a jornada do consumidor. Já em vendas, ganha força o conceito de comércio conversacional (Conversational Commerce), no qual a conversa deixa de ser apenas um canal de suporte e passa a atuar diretamente na geração de receita.   

Ao operar como uma camada de inteligência transversal, capaz de atuar em múltiplos domínios do negócio simultaneamente, os ganhos se tornam ainda mais significativos. Dados do “Meta Conversations”, de 2026, comprovam esses benefícios: as taxas de engajamento e resolução via canal conversacional chegam em torno de 79%, com um índice médio de 80% de satisfação dos consumidores. E é nesse ponto que a atuação da Pontaltech ganha destaque. 

Como Business Partner Select da Meta e especialistas em plataformas conversacionais, atuam como uma consultora estratégica durante toda a jornada de transformação. “Nosso papel não é apenas implementar a tecnologia em si, mas ajudar as empresas a identificarem onde a IA gera valor, quais processos devem ser automatizados, quais integrações são necessárias, os melhores canais para a jornada do cliente, e como estruturar uma operação sustentável e orientada a resultados”, destaca o Diretor. 

Ao combinar conhecimento técnico, experiência em comunicação empresarial e visão de negócios, focam em transformar os canais conversacionais em ativos estratégicos para atendimento, marketing, vendas e relacionamento. Isso, através de uma implementação gradual e estruturada, alinhada ao nível de maturidade digital de cada empresa. Até porque, mais do que incorporar uma nova tecnologia, é fundamental preparar processos, dados, integrações e jornadas de relacionamento para que a IA gere resultados concretos para o negócio. 

Essa abordagem, conforme destaca Feist, reduz riscos, acelera a curva de aprendizado, garante uma maior aderência à realidade de cada empresa e maximiza o retorno sobre o investimento em inteligência artificial conversacional – identificando as oportunidades de ganho de eficiência e definindo um plano de adoção compatível com os objetivos estratégicos da organização. 

Diante desta fase estratégica para que cada vez mais empresas consigam transformar a IA em resultados concretos, as expectativas são altas. “Nosso papel será atuar como um parceiro estratégico de transformação, ajudando clientes a navegar pelas mudanças de precificação, definir prioridades de investimento, estruturar jornadas inteligentes e criar operações conversacionais preparadas para escalar. Estamos preparados para apoiar cada cliente em sua jornada de amadurecimento digital, desde a avaliação do momento atual até a implementação e evolução contínua dessas novas experiências conversacionais, garantindo que cada operação obtenha o máximo valor dessa transformação”, finaliza Feist. 

 

 Pontaltech     

 

Inteligência artificial atua como ‘camaleão ideológico’ e pode aprofundar polarização política, aponta estudo

Enquanto não existem soluções técnicas consolidadas, uma medida
 prática é o próprio usuário solicitar respostas mais equilibradas, diz pesquisador
Shutterstock
Pesquisadores avaliaram 21 modelos de linguagem, como GPT e Gemini, e descobriram que todos alteram seu discurso para concordar com o viés do usuário, podendo funcionar como câmaras de eco

 

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) avaliaram o posicionamento ideológico de grandes modelos de linguagem – sistemas de inteligência artificial treinados para compreender e gerar textos em linguagem humana – e constataram que, quando são informados do posicionamento político do usuário, todos possuem a tendência de reproduzir sua visão política. Segundo eles, esse comportamento pode aprofundar o cenário de polarização política no país.

A influência política dessas ferramentas não precisa se dar diretamente, por meio da sugestão de voto em determinados candidatos. Zanoni Dias, professor titular do Instituto de Computação (IC-Unicamp), destaca que, ao responder sobre assuntos controversos – como segurança pública, bem-estar social, economia e meio ambiente –, os modelos podem adotar enquadramentos alinhados ao posicionamento político do usuário.

Para entender como essas ferramentas se posicionam e como podem influenciar o debate político brasileiro, os cientistas avaliaram 21 modelos de linguagem em três condições: sem informação sobre o posicionamento do usuário, com um usuário alinhado à esquerda e com um usuário alinhado à direita. Entre os sistemas avaliados estavam modelos das famílias GPT, Grok, Llama, Gemini e Gemma. Os resultados mostraram que todos alteraram, em diferentes graus, suas respostas na direção do alinhamento político do usuário.

O estudo foi financiado pela FAPESP e publicado em maio na revista Scientific Reports.


Camaleões ideológicos

No cenário em que não havia informação sobre o posicionamento político do usuário, 20 dos 21 modelos apresentaram, na escala utilizada pelos pesquisadores, uma posição à esquerda do ponto médio, embora alguns estivessem muito próximos dele. A única exceção foi o Grok 4.1, que apresentou posição inicial à direita.

Quando o posicionamento político do usuário é informado, todos os modelos mudam suas respostas para se adequar a ele, comportamento descrito pelos pesquisadores como o de um camaleão. No entanto, alguns modelos variam suas respostas mais do que outros, o que permitiu aos cientistas criar o chameleon index (índice camaleão). O Meta Llama 3.1 8B apresentou o menor índice, ou seja, foi o modelo que menos alterou suas respostas para se adequar à visão do usuário. Já o Gemma 3 27B, da Google, e o GPT-5 nano, da OpenAI, apresentaram os índices mais altos e, portanto, as maiores mudanças de posicionamento. As respostas não são factualmente inverídicas, mas são enviesadas no ponto de vista político, omitindo fatos e opiniões que possam conflitar com aquele ponto de vista de preferência do usuário.

Os pesquisadores temem que esse comportamento mutante crie câmaras de eco que reforcem as crenças prévias dos usuários e reduzam sua exposição a contrapontos que lhes permitam questionar sua visão de mundo. “É um efeito semelhante ao que a gente percebe em redes sociais. Se você está no Facebook ou no Instagram, você só vê mensagens que concordam com você. Quando curte uma postagem de alguém, o algoritmo começa a te mostrar mais daquilo. Você não consegue ver o que o resto das pessoas está dizendo e pode bater no peito e falar: ‘Olha, todo mundo concorda comigo’, porque só é exibido esse tipo de informação. Os modelos de linguagem podem acabar produzindo um efeito semelhante”, compara Dias.

A mudança de postura não ocorreu de maneira homogênea em todos os assuntos avaliados. Em temas como segurança pública e economia, a diferença entre as respostas dadas a usuários de esquerda e de direita foi maior. Já em questões relacionadas a corrupção, justiça e instituições democráticas, as respostas foram mais homogêneas. Segundo os pesquisadores, esse padrão pode estar relacionado às restrições e aos mecanismos de segurança incorporados durante o treinamento e o alinhamento dos modelos, já que as empresas desenvolvedoras costumam impor regras (guardrails) para evitar que a IA dissemine desinformação ou discursos perigosos sobre o sistema democrático.


Bajuladores eletrônicos

A base do comportamento camaleônico dos modelos de linguagem pode estar na sua tendência de bajular. Essa é uma característica conhecida desse tipo de inteligência artificial que a leva a concordar com o usuário em vários outros contextos além dos posicionamentos políticos. O comportamento bajulador, por sua vez, pode estar relacionado à forma como esses sistemas são ajustados. Técnicas como Reinforcement Learning from Human Feedback (Aprendizado por Reforço a partir de Feedback Humano) e Direct Preference Optimization (Otimização Direta de Preferência) utilizam avaliações ou preferências humanas para favorecer respostas consideradas mais adequadas.

“Em termos simplificados, os modelos aprendem com comparações entre respostas consideradas melhores ou piores por avaliadores humanos”, explica Anderson Luis Bento Soares, mestrando no IC-Unicamp. Um possível efeito colateral desse processo é o modelo aprender a priorizar a concordância ou a satisfação do usuário. “É difícil separar o que é agradar e o que é dar uma resposta correta”, explica Dias.

Embora técnicas desse tipo sejam comuns no desenvolvimento de modelos de linguagem, a magnitude do comportamento camaleônico variou consideravelmente entre os sistemas avaliados. A equipe da Unicamp chegou a testar uma hipótese para explicar essa diferença: o tamanho dos modelos. No entanto, os resultados mostraram que esse fator, sozinho, não é capaz de explicar as diferenças observadas. “Acreditamos que sejam resultado de um conjunto de fatores; não há uma única causa que explique por que alguns modelos são mais camaleônicos do que outros”, completa Soares.

Procurados para opinar sobre os resultados do estudo, representantes da xAI, da Meta, do Google e da OpenAI não se manifestaram até a publicação desta reportagem.


Sem solução à vista

Apesar do diagnóstico do problema, os pesquisadores não acreditam que ele vá ser resolvido em um futuro próximo. Uma das razões é o fato de que o foco das empresas que produzem essas ferramentas está na resolução de outros problemas. “Estamos percebendo que a indústria dedica muito mais atenção à factualidade das respostas do que à sua adaptação ao posicionamento do usuário. Essa segunda questão ainda não parece estar entre as principais prioridades, por isso acredito que mudanças significativas podem demorar”, prevê Dias.

Além disso, também existem desafios tecnológicos a serem superados. As técnicas utilizadas para preparar os modelos de linguagem para apresentar respostas factualmente corretas não necessariamente funcionam para reduzir o comportamento bajulador. “Uma forma de diminuir o chameleon index seria fazer o grounding, ou seja, aterrar a resposta em algum dado factual. No entanto, isso é muito sensível nesse caso, dado que nós estamos tratando de assuntos em que não há consenso”, explica Soares.

Enquanto não existem soluções técnicas consolidadas, uma medida prática é o próprio usuário solicitar respostas mais equilibradas. “Ao usar esses modelos, a pessoa pode pedir explicitamente que eles apresentem uma análise neutra, com os argumentos a favor e contra a questão discutida”, recomenda Dias.

O estudo recebeu apoio da FAPESP por meio de dois projetos (24/12936-5 e 23/12865-8).

O artigo LLMs are ideological chameleons: personalized echo chambers in the Brazilian political context pode ser lido em: nature.com/articles/s41598-026-52105-6.

 


Sophia La Banca

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/inteligencia-artificial-atua-como-camaleao-ideologico-e-pode-aprofundar-polarizacao-politica-aponta-estudo/58953


Inteligência artificial impulsiona novos golpes digitais e reforça a importância do seguro cibernético

 

Com a expansão do uso da inteligência artificial e o aumento de fraudes como deepfakes, clonagem de voz e ataques cibernéticos, especialistas alertam para a necessidade de empresas e pessoas investirem em prevenção e proteção financeira contra prejuízos cada vez mais sofisticados. 

O avanço da inteligência artificial (IA) vem transformando a rotina de empresas, consumidores e diversos setores da economia. Ao mesmo tempo em que a tecnologia amplia a produtividade e cria novas oportunidades de negócios, também tem sido utilizada por criminosos para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Casos de clonagem de voz, criação de vídeos falsos (deepfakes), invasões de sistemas e fraudes digitais têm crescido, tornando a segurança cibernética uma preocupação cada vez mais urgente. 

Nesse cenário, o mercado de seguros também evolui para acompanhar as novas ameaças. Os seguros cibernéticos ganharam espaço ao oferecer proteção financeira para empresas que enfrentam ataques virtuais, vazamento de dados, paralisação de operações e custos relacionados à recuperação de sistemas. Em alguns casos, as coberturas também incluem despesas jurídicas, gestão de crises e suporte especializado para minimizar os impactos de incidentes digitais. 

Para o presidente do Sincor-MG, Gustavo Bentes, a evolução da tecnologia exige que a gestão de riscos acompanhe o mesmo ritmo das inovações. 

"A inteligência artificial traz inúmeros benefícios para a sociedade e para os negócios, mas também amplia a capacidade de atuação de criminosos digitais. Empresas de todos os portes precisam entender que os riscos cibernéticos deixaram de ser uma possibilidade distante e passaram a fazer parte da realidade. O seguro surge como um importante aliado para reduzir impactos financeiros e garantir maior segurança diante desse novo cenário", afirma. 

Além das empresas, pessoas físicas também devem redobrar os cuidados. Especialistas recomendam desconfiar de mensagens com pedidos urgentes de transferência de dinheiro, confirmar informações por outros canais antes de realizar pagamentos, utilizar autenticação em dois fatores e manter dispositivos e sistemas sempre atualizados. 

Segundo Gustavo Bentes, a conscientização continua sendo uma das principais ferramentas de proteção. "A tecnologia evolui rapidamente, e a prevenção precisa acompanhar esse movimento. Investir em segurança digital, capacitar colaboradores e contar com o suporte de um corretor de seguros para identificar as coberturas mais adequadas são medidas fundamentais para enfrentar os desafios dessa nova realidade", destaca. 

Com a regulamentação da inteligência artificial em discussão no Brasil e o uso da tecnologia se tornando cada vez mais presente no cotidiano, especialistas avaliam que a tendência é de crescimento tanto das oportunidades quanto dos riscos digitais. Nesse contexto, o seguro cibernético deve assumir um papel cada vez mais estratégico para proteger patrimônios, operações e a continuidade dos negócios.

 

Autonomia financeira também é uma forma de proteção para as mulheres

Agosto Lilás amplia o debate sobre vulnerabilidade, enquanto cresce a busca por soluções que unem planejamento financeiro e proteção


O Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização sobre o enfrentamento à violência contra a mulher, ganha um significado ainda mais simbólico em 2026 ao marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha. Ao longo dessas duas décadas, o debate sobre proteção feminina avançou para além da segurança física e jurídica e passou a incluir um elemento cada vez mais reconhecido como essencial para romper ciclos de vulnerabilidade: a independência financeira.
 

Em um cenário em que as mulheres assumem papel cada vez mais relevante na gestão financeira das famílias, cresce também a importância de mecanismos capazes de preservar sua autonomia diante de imprevistos. Estudos do DataSenado mostram que a violência patrimonial ainda faz parte da realidade de muitas brasileiras, reforçando que planejamento financeiro e instrumentos de proteção podem contribuir para ampliar sua segurança. 

Ter renda própria, planejamento e condições de enfrentar imprevistos sem comprometer a estabilidade financeira são fatores que elevam a capacidade de decisão das mulheres em diferentes momentos da vida. Seja diante de uma doença, de um acidente ou de uma situação inesperada dentro de um relacionamento, preservar a autonomia econômica representa também preservar a liberdade de escolha. 

Essa transformação também se reflete na forma como as brasileiras enxergam sua própria proteção. Estudo divulgado recentemente pela Susep (Superintendência de Seguros Privados) mostra que a participação feminina no mercado de seguros vem crescendo de forma consistente, acompanhando um movimento de maior protagonismo das mulheres nas decisões relacionadas ao planejamento financeiro, à proteção do patrimônio e à gestão dos riscos ao longo da vida. O próprio mercado de seguros de pessoas segue em expansão: segundo a autarquia, esse segmento registrou crescimento de 10,69% nos quatro primeiros meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Os dados indicam que, à medida que as brasileiras assumem maior protagonismo na gestão financeira das famílias, cresce também o potencial de expansão de soluções voltadas à proteção financeira e ao planejamento de longo prazo. Na BB Seguros, esse cenário também já pode ser observado. Atualmente, 43,77% da carteira de segurados da companhia é composta por mulheres, demonstrando uma presença cada vez mais relevante entre os consumidores de soluções de proteção. Entre elas, 44% são solteiras e 53% têm 55 anos ou mais, perfil que reforça a busca por autonomia financeira e planejamento para diferentes fases da vida. 

Essa mudança também impulsiona uma evolução no próprio mercado segurador. Soluções voltadas ao público feminino passaram a incorporar serviços que vão além da proteção financeira tradicional. É o caso do Proteção Pessoal Mulher, da BB Seguros, desenvolvido para oferecer uma rede de apoio mais ampla. Além das coberturas para acidentes pessoais, o produto reúne benefícios como check-up preventivo com exames voltados à saúde feminina, orientação psicológica online, assistência social e apoio especializado para mulheres em situações de vulnerabilidade, ampliando o conceito de proteção para além da indenização financeira. 

Segundo a Superintendente Executiva de Produtos Vida da Brasilseg – uma empresa BB Seguros – Tatiene Rokkaku, a tendência é que esse movimento continue crescendo à medida que as consumidoras passem a buscar soluções cada vez mais alinhadas às suas necessidades ao longo da vida. "As mulheres vêm assumindo um papel cada vez mais ativo na gestão financeira das famílias e isso também transforma a forma como enxergam a proteção. O mercado acompanha essa evolução desenvolvendo produtos que combinam prevenção, assistência e suporte financeiro, contribuindo para que elas tenham mais tranquilidade para enfrentar diferentes desafios ao longo da vida."



BB Seguros
Saiba mais sobre o programa em Link


Pesquisa: 50% de aumento ou voltar ao presencial?

Mulher trabalhando em home office
 Unsplash
Pesquisa da Data Tax revela que flexibilidade pesa mais que salário em São Paulo

 

Uma pesquisa trazida pelo Estadão mostra que oferecer mais dinheiro não é mais argumento suficiente para trazer o profissional paulistano de volta ao escritório em tempo integral, um dado que devia reposicionar qualquer estratégia de retenção de talento construída só em torno de remuneração.

O que a pesquisa revelou

O levantamento da Data Tax colocou 1.565 candidatos ativos, 259 deles no estado de São Paulo, diante de um cenário hipotético direto: escolher entre uma vaga híbrida ou uma vaga 100% presencial com salário 50% maior. O resultado surpreende quem ainda acredita que dinheiro resolve qualquer resistência ao escritório: 84,7% dos candidatos paulistas preferem permanecer no modelo híbrido, e apenas 15,3% aceitariam migrar para o presencial integral em troca do aumento.

Por que São Paulo se comporta diferente do resto do país

O dado mais revelador da pesquisa não é a preferência isolada de São Paulo, é o contraste com o restante do Brasil. No cenário nacional, o resultado se inverte: 58% dos candidatos aceitariam o presencial em troca de 50% mais salário, enquanto 42% preferem manter o híbrido, exatamente o oposto do que se observa entre os paulistas.

Segundo o responsável pelo estudo, essa diferença se explica por exigências diárias específicas da rotina paulistana: trânsito intenso, rodízio veicular, grandes distâncias entre moradia e trabalho e horas perdidas dentro do transporte público ou particular todos os dias. Para esse profissional, o custo de voltar ao presencial não é abstrato, é medido em tempo de vida gasto no deslocamento, algo que nenhum aumento salarial resolve de forma direta.

Números que mostram a força dessa preferência

A magnitude da preferência paulista por flexibilidade fica ainda mais clara quando cruzada com dados de outras pesquisas do setor. Levantamento do Guia Salarial 2026 da Robert Half mostra que, mesmo entre profissionais dispostos a considerar o presencial, a faixa de aumento salarial que motivaria essa mudança gira entre 10% e 20%, bem abaixo dos 50% testados na pesquisa da Data Tax, e ainda assim insuficiente para convencer a maioria dos paulistas.

O perfil geracional também ajuda a entender esse comportamento. O grupo mais disposto a abrir mão de aumento salarial em nome de flexibilidade está na faixa dos 20 anos, a Geração Z, que já entra no mercado de trabalho tratando modelo de trabalho como parte inegociável da proposta de valor de qualquer emprego, e não como benefício adicional a ser negociado depois da vaga fechada.

O que isso exige de quem lidera decisão de modelo de trabalho

Para qualquer empresa com operação relevante em São Paulo, esse dado deveria mudar a lógica de negociação com talento. Tratar flexibilidade como benefício concessível, algo que pode ser retirado em troca de compensação financeira, ignora que, para boa parte da força de trabalho paulista, ela funciona como condição estrutural da relação de trabalho, não como mimo.

Isso também exige clareza sobre para quem a régua de compensação vale. Empresas que ainda desenham política de retorno ao escritório com régua nacional única, sem considerar a realidade específica de deslocamento em São Paulo, correm risco real de perder justamente os talentos mais qualificados para concorrentes dispostos a manter o modelo híbrido como diferencial competitivo de contratação.

O caminho para RH e liderança lerem esse dado com precisão

O erro mais caro que uma liderança pode cometer diante desse tipo de pesquisa é tratá-la como capricho geracional ou resistência a disciplina de trabalho, quando na realidade ela descreve um cálculo racional de custo e benefício que o próprio profissional já fez. Ignorar esse cálculo não faz o problema desaparecer, apenas empurra o talento mais qualificado para a concorrência que já entendeu o recado.

Traduzir esse tipo de dado em política de retenção bem desenhada, que equilibre necessidade de presença com realidade de deslocamento urbano, é exatamente o tipo de decisão estratégica de liderança que o Executive Program, da StartSe, ajuda a desenvolver entre líderes que decidem esse tipo de política dentro da própria empresa.

A pergunta que fica para qualquer C-level com operação em São Paulo não é mais quanto custaria aumentar salário para trazer todo mundo de volta ao escritório. É se a empresa está disposta a perder talento qualificado para quem já entendeu que, em São Paulo, flexibilidade pesa mais do que dinheiro 



Redação StartSe
Redator
https://www.startse.com/artigos/pesquisa-50percent-de-aumento-ou-voltar-ao-presencial/?utm_campaign=Newsletters&utm_medium=email&_hsenc=p2ANqtz-_99VDXNcMLXOmaEfNuq8oJeschc5gfxAHRY6Mgo48fljLXHgTUi2_KM0_QWDeLmWbbsdnwqIeydCIN6_VwYsYW3tYebQBga00SMcZHGyjOqAKzg4E&_hsmi=432720016&utm_content=432720016&utm_source=hs_email


Fim do ICMS-ST pode liberar dinheiro parado em estoques de cosméticos em SP

Mudança no regime tributário abre possibilidade de recuperação de créditos e exige que empresas revisem estoques, sistemas e processos fiscais

 

O fim da substituição tributária do ICMS para os setores de perfumaria, cosméticos e higiene pessoal em São Paulo pode representar uma oportunidade de recuperação de recursos para empresas que ainda possuem estoques adquiridos sob o regime anterior. Além de reduzir a necessidade de antecipação do imposto ao longo da cadeia, a mudança permite a apuração de eventual saldo credor de ICMS-ST sobre as mercadorias em estoque na transição para o novo modelo. 

A alteração foi estabelecida pela Portaria SRE nº 94/2025 e marca uma mudança relevante na dinâmica tributária do setor. Com o encerramento do ICMS-ST, cada empresa passa a apurar e recolher o imposto referente à própria operação, em vez de concentrar antecipadamente o tributo das etapas seguintes da cadeia.

Para Thiago Santana Lira, advogado sócio do Barroso Advogados Associados, especialista em Direito Tributário e Aduaneiro e MBA em Gestão Tributária, o principal ponto de atenção neste momento está nos valores que podem ser recuperados a partir da análise dos estoques. 

“Existe dinheiro que pode estar parado no estoque das empresas e que precisa ser identificado. A transição para o novo regime não significa apenas deixar de antecipar o ICMS. É necessário verificar quanto foi retido anteriormente nas mercadorias que permaneciam em estoque e se existe saldo credor que possa ser apropriado”, afirma. 

Pelas regras aplicáveis à transição, os contribuintes devem apurar eventual saldo de ICMS-ST retido sobre as mercadorias existentes no estoque até a vigência da mudança. Uma vez identificado o crédito, o valor poderá ser apropriado em 12 parcelas mensais, iguais e sucessivas

A possibilidade ganha relevância em um mercado no qual fabricantes, distribuidores e varejistas trabalham com margens cada vez mais pressionadas. A recuperação dos valores pode gerar reforço de caixa justamente em um momento em que empresas buscam reduzir custos financeiros e aumentar a eficiência das operações. 

“O impacto não deve ser analisado apenas pelo departamento tributário. Um crédito recuperado significa potencialmente mais recursos disponíveis para a operação. Por isso, é importante transformar essa revisão fiscal em uma análise financeira, identificando o efeito que o crédito pode produzir no caixa e nos resultados da empresa”, explica Lira.
 

Fim da antecipação muda dinâmica do setor

O regime de substituição tributária foi criado para concentrar o recolhimento do ICMS em uma etapa da cadeia. Em determinados setores, fabricantes, importadores ou outros responsáveis antecipam o imposto que seria devido nas operações seguintes, com base em uma margem de valor agregado definida pela legislação. 

Em São Paulo, os produtos sujeitos ao regime são relacionados pela Portaria CAT nº 68/2019. Para determinados produtos de perfumaria e cosméticos, as margens utilizadas no cálculo do ICMS-ST podem chegar a 70,72%, elevando o valor antecipado na etapa inicial da cadeia. 

Com o fim da substituição tributária, esse mecanismo deixa de existir para os produtos alcançados pela mudança. Cada elo passa a recolher o ICMS relativo à própria operação, dentro da sistemática de não cumulatividade. 

Na avaliação do especialista, a mudança tende a melhorar a gestão financeira das empresas ao retirar a necessidade de antecipação de valores referentes às etapas seguintes. “Quando uma empresa deixa de antecipar um imposto que seria recolhido pelos demais integrantes da cadeia, existe um efeito financeiro importante. O recurso que antes ficava comprometido com a antecipação passa a permanecer no caixa da própria operação, o que pode melhorar o capital de giro e a gestão financeira”, destaca.
 

Sistemas fiscais entram na mira

A mudança, porém, não termina na apuração do crédito. As empresas também precisam revisar seus sistemas e cadastros fiscais para garantir que as operações estejam sendo tributadas corretamente. Entre os pontos que devem passar por revisão estão CFOP, CST/CSOSN, cadastro de produtos, regras de cálculo e emissão de documentos fiscais, além das operações interestaduais. 

“Uma mudança de regime tributário exige uma revisão completa dos parâmetros fiscais. Se o sistema continuar tratando determinado produto como sujeito à substituição tributária, a empresa pode calcular o imposto de forma incorreta, emitir documentos fiscais com informações inadequadas e criar problemas que vão muito além da questão do crédito”, alerta Lira. 

Para o advogado, o momento deve ser encarado pelas empresas como uma oportunidade para fazer uma espécie de “pente-fino” tributário, combinando a recuperação de possíveis créditos com a revisão dos processos internos. 

“O maior risco é tratar a mudança simplesmente como o fim de uma obrigação. Na realidade, existe uma oportunidade de revisar estoques, recuperar valores, corrigir parametrizações e entender como o novo modelo impacta margem e fluxo de caixa. Quem fizer essa análise de forma estruturada pode transformar uma alteração tributária em ganho de eficiência para o negócio”, conclui.

 

Desemprego jovem sobe no mundo enquanto portas de entrada no mercado encolhem

OIT registra 67 milhões de desempregados de 15 a 24 anos; no Brasil, 84% dos jovens ocupados estão em funções generalistas de comércio e serviços

 

No Dia Internacional da Juventude, celebrado nesta quarta-feira, 12 de agosto, um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) coloca em evidência uma mudança importante no início da vida profissional: enquanto o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos chegou a 12,4% no mundo em 2025, atingindo 67 milhões de pessoas, ocupações que tradicionalmente funcionam como porta de entrada no mercado estão encolhendo. 

Divulgado nesta terça-feira, 11 de agosto, o Global Employment Trends for Youth 2026: Back to the future mostra ainda que a proporção de jovens que não trabalham, não estudam nem estão em formação (NEET) subiu para 20%, atingindo mais de 257 milhões de pessoas. Entre 2023 e 2025, as taxas de desemprego juvenil aumentaram em oito das 11 sub-regiões analisadas pela OIT. 

Entre as ocupações que estão encolhendo estão funções administrativas e de escritório, vendas e serviços, atividades relacionadas à manufatura e algumas ocupações técnicas. Segundo a OIT, são funções que tradicionalmente oferecem portas de entrada para trabalhadores jovens. 

Para Virgilio Marques dos Santos, PhD pela Unicamp e sócio-fundador da FM2S, startup de Educação e Consultoria sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, esse é um dos dados mais relevantes do relatório. 

"Durante décadas, essas ocupações funcionaram como o primeiro degrau profissional. O jovem entrava, aprendia como uma organização funciona, desenvolvia repertório e construía experiência. Quando esses postos começam a encolher, a porta de entrada fica mais estreita justamente para quem ainda não tem experiência para disputar funções mais complexas", afirma. 

O cenário é mais grave em algumas regiões. Os Estados Árabes registraram a maior taxa de desemprego juvenil do mundo em 2025, de 26,2%, seguidos pelo norte da África, com 22,6%. Na América do Norte, a taxa subiu de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. Na Europa setentrional, meridional e ocidental, permaneceu em 15%, com 20 dos 29 países da sub-região registrando piora nas oportunidades de trabalho para jovens. 

Para Santos, observar apenas a taxa de desemprego esconde uma mudança mais profunda na composição do mercado. "Ela é importante, mas não conta toda a história. Precisamos perguntar em quais funções os jovens estão entrando. Se as ocupações que tradicionalmente funcionavam como primeiro passo da carreira estão desaparecendo ou mudando, a porta de entrada fica mais estreita e aumenta a exigência para quem está começando. O jovem precisa chegar ao mercado preparado para aprender e assumir tarefas que exigem mais capacidade de análise."

 

No Brasil, jovens estão concentrados justamente nas ocupações em transformação

Os dados brasileiros não fazem parte do relatório da OIT, mas um diagnóstico do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgado em junho e elaborado com dados da PNAD Contínua, da RAIS e do eSocial, mostra que 84% dos 13,9 milhões de jovens de 14 a 24 anos ocupados no primeiro trimestre de 2026 estavam em funções generalistas de comércio e serviços que não exigem formação específica. 

As duas ocupações que mais concentram jovens no país são balconistas e vendedores, com 1,24 milhão de trabalhadores, e escriturários gerais, com 1,07 milhão. 

O recorte brasileiro ajuda a dimensionar o alerta da OIT: vendas e funções administrativas estão entre as ocupações que tradicionalmente funcionam como porta de entrada e que vêm encolhendo no mercado global. 

"Isso merece atenção porque uma parcela importante dos jovens brasileiros está começando justamente em funções que passam por uma transformação tecnológica. Não significa que esses empregos vão desaparecer amanhã, nem permite atribuir essa mudança diretamente à inteligência artificial. Mas significa que o início da carreira está acontecendo em um mercado diferente daquele que recebeu gerações anteriores", afirma Santos.

 

IA transforma ocupações, mas OIT evita atribuir causalidade

A inteligência artificial aparece no relatório da OIT como um dos fatores que estão transformando o trabalho. A organização estima que 6,1% dos empregos ocupados por jovens de 15 a 29 anos estão em ocupações altamente expostas a mudanças relacionadas à IA. Muitas dessas ocupações coincidem com funções administrativas e de escritório que vêm perdendo espaço desde 2023. 

A OIT, entretanto, ressalta que o impacto direto da IA sobre os empregos ainda não está claro. Para Santos, essa cautela é fundamental. 

"Existe uma tentação de colocar a IA como explicação para todo aumento de desemprego ou toda mudança no mercado de trabalho. Os dados da OIT não permitem fazer isso. O que podemos afirmar é que a tecnologia está transformando tarefas e ocupações e que os jovens estão entrando justamente em um mercado no qual essas mudanças já estão acontecendo." 

Ao mesmo tempo, a OIT identifica crescimento da demanda em algumas ocupações técnicas baseadas em conhecimento, especialmente nas áreas de ciência, saúde e engenharia. 

"Esse contraste é importante. Algumas portas de entrada estão diminuindo, enquanto outras oportunidades surgem em funções que exigem conhecimentos mais específicos. A questão para o jovem deixa de ser apenas conseguir qualquer emprego e passa a ser construir, desde o início, competências que permitam avançar quando a função de entrada mudar", afirma Santos.

 

Sobre o relatório

O Global Employment Trends for Youth é publicado pela OIT desde 2004 e reúne indicadores globais e regionais do mercado de trabalho juvenil. A edição 2026 foi divulgada em 11 de agosto, às vésperas do Dia Internacional da Juventude.

 

Virgilio Marques dos Santos - PhD em Engenharia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Master Black Belt em Lean Seis Sigma e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, startup sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp. Trabalha há 15 anos com desenvolvimento de carreiras, futuro do trabalho e transformação organizacional. É autor do livro "Partiu Carreira", TEDx Speaker e palestrante em temas de gestão, inovação e liderança.

 

ABEMD identifica cinco tendências que vão redefinir o marketing orientado por dados em 2026

 

Análise dos 122 cases finalistas do Prêmio ABEMD 2026 mostra que ESG deixa de ser uma categoria para se tornar um novo critério de qualidade das estratégias; associação também aponta avanços em IA, dados e experiência do cliente e faz um alerta sobre a ausência de projetos de acessibilidade

 

O marketing de dados brasileiro vive uma mudança de paradigma. Se nos últimos anos a discussão girava em torno da adoção de inteligência artificial, automação e análise de dados, agora um novo elemento passa a orientar as estratégias das empresas: o ESG. Essa é a principal conclusão da Associação Brasileira de Marketing de Dados (ABEMD) após analisar os 122 cases finalistas do Prêmio ABEMD 2026, que será realizado em setembro.

 

Mais do que indicar quem poderá conquistar os principais troféus da premiação, os projetos inscritos oferecem um retrato da evolução do setor e mostram como tecnologia, criatividade e responsabilidade passaram a caminhar juntas. Para a ABEMD, o conjunto dos cases finalistas funciona como um termômetro do mercado, antecipando os movimentos que devem ganhar força este ano.

 

"O setor entrou em uma nova fase. Os dados continuam sendo o centro das estratégias, mas o diferencial competitivo passa a ser a forma como eles são utilizados para gerar experiências melhores, inteligência para os negócios e impacto positivo para a sociedade. É isso que os cases deste ano mostram", afirma a presidente da ABEMD, Claudia Campos.

 

Cinco movimentos que já estão transformando o marketing de dados

A análise da associação identificou cinco tendências que aparecem entre os projetos finalistas e que ajudam a compreender para onde o mercado está caminhando.

 

1. ESG deixa de ser uma categoria e passa a atravessar todo o marketing de dados

Embora a categoria ESG tenha registrado cinco inscrições neste ano, contra nove em 2025, a ABEMD avalia que o dado representa justamente o amadurecimento do tema. Sustentabilidade, diversidade, governança e impacto social deixaram de aparecer apenas em projetos específicos e passaram a integrar iniciativas de CRM, experiência do cliente, inovação, inteligência artificial e transformação digital. "O ESG amadureceu. Hoje ele não está restrito a uma categoria específica. Ele aparece na maneira como as empresas utilizam dados, treinam inteligência artificial, desenvolvem experiências mais inclusivas e tomam decisões que geram valor para pessoas, negócios e sociedade. O ESG passou a ser um critério de qualidade das estratégias deste mercado", afirma Claudia Campos.

 

2. Dados passam a orientar decisões, não apenas medir resultados

Outra tendência observada pela associação é o crescimento dos projetos voltados ao uso estratégico de dados. A categoria CRM | Data Driven foi a que mais avançou na edição de 2026, passando de 18 inscrições para 29, um crescimento superior a 60%. Para a ABEMD, isso mostra que o mercado deixou de utilizar dados apenas para mensurar campanhas e passou a empregá-los como elemento central da tomada de decisão, da personalização e da construção de relacionamento com consumidores.

 

3. Inteligência artificial acelera a necessidade de governança

Nos projetos analisados, a inteligência artificial deixa de aparecer como uma inovação isolada para impulsionar estratégias de CRM, personalização, automação e experiência do cliente. Para a ABEMD, esse avanço amplia a responsabilidade das empresas sobre a coleta, o tratamento e o uso dos dados, tornando transparência, ética e governança requisitos indispensáveis. Nesse contexto, inteligência artificial e ESG passam a caminhar juntos.

 

4. Inovação deixa de ser laboratório para se tornar estratégia

Os cases também mostram um avanço importante das iniciativas voltadas à inovação. A categoria Innovation cresceu de 13 para 21 projetos, enquanto Digital passou de 19 para 24 inscrições. Segundo a associação, esse movimento demonstra que inovação deixou de ser um departamento isolado para integrar a estratégia de negócios das empresas.

 

"Há muito tempo o setor deixou de falar apenas de CRM. Hoje ele reúne inteligência artificial, criatividade, inovação, experiência do cliente, ESG e transformação digital. A versatilidade da premiação acompanha a versatilidade do próprio mercado", destaca Claudia Campos.

 

5. A ausência de cases de acessibilidade acende um sinal de alerta

Entre todas as tendências observadas, uma delas chamou atenção da entidade justamente pela ausência. Nenhum projeto foi selecionado como finalista na categoria Acessibilidade. Para a ABEMD, o dado levanta uma provocação relevante para toda o setor. "Não acreditamos que as empresas não estejam realizando iniciativas nessa área. A pergunta é outra: por que essas ações ainda não são reconhecidas como projetos estratégicos dentro do setor de marketing de dados? A inclusão precisa deixar de ser exceção para se tornar parte da inovação", reflete.

 

Segundo a entidade, o cenário evidencia que ainda existe espaço para ampliar a compreensão sobre diversidade e acessibilidade dentro das estratégias do setor.

 

Um prêmio que acompanha a transformação do mercado - As mudanças observadas nos cases deste ano também aparecem na evolução do próprio Prêmio ABEMD. A edição de 2026 reúne 122 finalistas, crescimento de aproximadamente 31% em relação ao ano passado, registra o dobro de patrocinadores, quatro apoiadores institucionais e um número recorde de empresas estreando na competição.

 

Na avaliação da ABEMD, esse crescimento é resultado do reposicionamento realizado nos últimos anos, da ampliação das categorias dentro da premiação e da consolidação do prêmio como uma plataforma que acompanha a evolução deste mercado no Brasil. Outro diferencial mantido pela ABEMD é o processo de avaliação. Em um momento em que diferentes premiações adotam formatos híbridos, todos os cases continuam sendo julgados presencialmente por especialistas do mercado, preservando o debate técnico e a troca de experiências entre os jurados.

 

ESG também precisa ser praticado - Para a ABEMD, discutir ESG significa também incorporar esses princípios à organização da premiação. A edição deste ano adotará práticas voltadas à sustentabilidade durante o evento. "Não basta incentivar a transformação do mercado. É preciso praticá-la. O prêmio reflete aquilo que defendemos diariamente: inovação, responsabilidade e impacto positivo precisam caminhar juntos", conclui. 

Mais do que antecipar os vencedores do Prêmio ABEMD, os 122 cases finalistas ajudam a compreender como o marketing de dados brasileiro está evoluindo. Para a ABEMD, o futuro continuará sendo orientado por dados, mas será definido pela capacidade das marcas de combinar inteligência artificial, criatividade, responsabilidade e impacto positivo em estratégias cada vez mais centradas nas pessoas.

 32º Prêmio ABEMD – A edição 2026 de uma das maiores celebrações do marketing de dados no Brasil acontece em setembro. Para mais informações, acesse @abemdmktdados

 

ABEMD – Associação Brasileira de Marketing de Dados informações, abemd.org.br ou @abemdmktdados.

 

Posts mais acessados