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terça-feira, 2 de junho de 2026

O Enem virou prova de leitura de mundo. E isso escancara uma desigualdade silenciosa


No primeiro lote de redações que corrigi neste ano, uma aluna de uma cidade pequena do interior escreveu sobre soberania alimentar citando a guerra na Ucrânia, o bloqueio dos portos do Mar Negro, a alta do trigo em 2022 e os efeitos no preço do pão no Brasil. Tirou nota acima de 950. No mesmo lote, um aluno de uma escola pública escreveu sobre fome sem mencionar nenhum conflito internacional, sem nenhum dado, sem nenhuma referência ao mundo dos últimos cinco anos. Ficou na faixa dos 700. As exceções existem e elas confirmam a regra que ninguém quer enunciar em voz alta: o Enem deixou de ser prova de conteúdo. Virou prova de repertório de mundo. E repertório, diferente de conteúdo, não está distribuído de forma igualitária. 

A última década de provas explicita essa virada. Em ciências humanas, atualidades como Oriente Médio, transição energética e crise migratória apareceram em todas as edições recentes. Os temas de redação migraram de questões sociais amplas para recortes cada vez mais específicos e conjunturais — invisibilidade do trabalho de cuidado, herança africana, valorização de povos tradicionais — que recompensam quem acompanha o debate público com regularidade. Mesmo o Enem 2025, criticado por reduzir a presença direta da geopolítica e ignorar a COP-30 que acontecia em Belém durante a aplicação da prova, manteve o exame organizado em torno de leitura de mundo: do clima à democracia, das migrações ao espaço urbano. Em 2026, com a escalada Israel-Irã, o terceiro ano da guerra na Ucrânia e a recomposição da política externa americana redesenhando alianças, é improvável que a tendência mude. 

O problema é o que essa virada exige do estudante antes da prova começar. Acompanhar o mundo de forma que ele vire repertório utilizável em redação não é assistir ao noticiário. É ter mediação adulta que explique contexto. É ter tempo livre para ler uma análise longa. É ter acesso a fontes confiáveis e a alguém que diga qual fonte é confiável. É ter conversado sobre Israel e Palestina, sobre eleição americana — no jantar, antes do tema cair na prova. Tudo isso é capital cultural — e capital cultural, sociólogos sabem há cinquenta anos, se herda. O aluno cuja família lê jornal chega na sala de aula com um repertório que a escola, sozinha, não constrói em três anos de ensino médio. 

Os números do último ENEM (2024) deixam claro que essa desigualdade não é pontual, é estrutural. Uma análise inédita feita pela Descomplica a partir dos microdados do Inep, considerando 1,19 milhão de concluintes com escola identificada, mostra que a rede privada supera a pública em 85,5 pontos na média das provas objetivas — vantagem de 17,5%. 

O abismo cresce justamente onde o repertório pesa mais: são 175 pontos a mais em Redação (+29,4%) e 120 em Matemática (+24,3%). Em Linguagens e Códigos, área que ainda se sustenta no que se aprende dentro da sala, o gap cai para 59 pontos (+11,6%). No topo, a desigualdade explode: 86,5% do 1% melhor colocado do país vem da rede privada — que responde por apenas 20,5% do universo de candidatos. 

As escolas federais aparecem acima das estaduais em todas as áreas, mas seguem abaixo da privada. A geografia do gap também tem um padrão claro: Tocantins, Piauí, Ceará e Amazonas registram diferenças acima de 97 pontos entre as redes; Rondônia, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio Grande do Norte ficam abaixo de 70. Não é uma diferença de inteligência. É uma diferença de quanto mundo entrou na casa do estudante antes dele sentar para fazer a prova. 

Essa é uma conta que ainda aparece pouco de forma explícita na política educacional, mas que cursinhos, escolas, professores e plataformas de ensino precisam encarar de frente. Se o exame mais democrático do país — porque é o passaporte para a universidade pública — passou a medir justamente o que mais correlaciona com origem social, então a função de quem ensina mudou: não basta mais cobrir o conteúdo curricular, é preciso entregar o mundo. 

Quem corrige redação em escala vê esse padrão se repetir todos os dias. Os alunos que pontuam alto não são, na média, os que sabem mais matérias, e sim os que sabem mais do mundo. E, nas regiões e classes onde o mundo não chega via família, ele precisa chegar via ensino. Essa é a única forma de impedir que o Enem, criado para abrir portas, acabe funcionando como um filtro silencioso de origem. 

A distância existe, está aumentando e é, sim, transponível. Mas só se pararmos de fingir que o Enem está medindo apenas conteúdo escolar e começarmos a ensinar leitura de mundo como o que ela é hoje no exame: matéria obrigatória.




Rafael Cunha -professor de redação da Descomplica e um dos nomes mais reconhecidos da educação digital no Brasil, com mais de 25 anos de experiência em ensino e tecnologia educacional. Formado em Direito pela UERJ, também atuou como Chief Learning Officer da edtech e liderou iniciativas de inovação em educação pública e privada. Em 2021, ganhou destaque nacional ao se tornar o primeiro participante a chegar à pergunta final do quadro “Quem Quer Ser um Milionário”, no Domingão com Huck.


Cláudio Hansen - professor e gerente pedagógico da Descomplica, com atuação voltada ao desenvolvimento de metodologias de ensino e estratégias de aprendizagem para vestibulares e Enem. Com experiência em educação e gestão acadêmica, trabalha diretamente na construção de conteúdos e no acompanhamento pedagógico de alunos em todo o Brasil. Ao longo da trajetória na edtech, consolidou-se como uma das vozes da Descomplica em temas ligados à educação, preparação para provas e comportamento dos estudantes.

 

Corpus Christi: 7 destinos brasileiros para quem quer aproveitar o feriado em clima quente

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 Nordeste e Norte mantêm temperaturas elevadas mesmo durante o outono e oferecem alternativas para quem deseja fugir do frio no feriado prolongado


Com a aproximação do feriado de Corpus Christi, celebrado em 4 de junho neste ano, muitos brasileiros começam a planejar viagens curtas para aproveitar os dias de descanso. Enquanto regiões do Sul e Sudeste já registram queda nas temperaturas nesta época do ano, destinos do Norte e Nordeste seguem com clima quente e ensolarado, ideais para quem prefere praia e calor mesmo durante o outono. 

Dados meteorológicos mostram que a proximidade com a Linha do Equador garante às regiões um comportamento climático diferente do restante do país. Capitais nordestinas, por exemplo, costumam registrar médias entre 26°C e 30°C nesta época, cenário favorável para atividades ao ar livre, turismo e passeios em praias. 

As temperaturas elevadas transformam o feriado prolongado em uma oportunidade para viagens rápidas em busca de descanso e lazer.  O período também costuma estimular a preparação antecipada para os passeios, momento em que muita gente aproveita para comprar comprar saída de praia, biquinis, maiôs e outras peças adequadas ao clima tropical das praias.

Atento a isso, o mercado de moda praia nacional se mantém aquecido mesmo no outono e inverno. Dessa forma, os consumidores encontram produtos e novidades também nessa época do ano, como informa a Livre e Leve.


1. Alter do Chão

O distrito de Santarém registra temperaturas superiores a 30°C e desenvolve formações de praias fluviais com areias claras durante o período de vazante dos rios. O destino amazônico, conhecido nacionalmente como o “Caribe do Norte”, tem uma redução na frequência de precipitações durante os meses de inverno.


2. Fernando de Noronha

Já Fernando de Noronha sustenta a reputação de destino requisitado independentemente da estação: a Baía do Sancho obteve a classificação de melhor praia mundial em 2023, baseada em avaliações de visitantes na plataforma TripAdvisor. O arquipélago pernambucano, certificado pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural, mantém 70% da ilha principal sob proteção do Parque Nacional Marinho.


3. Fortaleza

No Ceará, Fortaleza registra temperatura média de 26°C e funciona como ponto estratégico para exploração de praias adjacentes. O portal Kayak identifica a capital como centro de passeios diversificados e vida noturna movimentada, além de proporcionar acesso facilitado ao parque aquático Beach Park para grupos familiares. A praia Canoa Quebrada, distante 120 quilômetros da capital, sustenta temperaturas entre 27°C e 29°C ao longo do ano.


4. Costa do Dendê

A Barra Grande, na Península de Maraú, é a estrela da Costa do Dendê. Lá, as temperaturas são próximas aos 24°C durante este período, com períodos chuvosos mais breves nessa época do ano. As condições climáticas motivam turistas a procurar as tendências da moda praia, como biquíni feminino cintura alta e maiô com recorte assimétrico, antes de explorar a Praia de Taipu de Fora, reconhecida pelas formações de piscinas naturais e extensão considerável de faixa arenosa.

 

5. Maceió

Maceió registra temperaturas médias de 26°C nessa época do ano, porém exige cuidado: a capital alagoana pode ter grandes chances de chuva até julho. Nos demais meses da estação,  assim como na temporada de verão, a cidade é reconhecida por suas águas cristalinas, formações de piscinas naturais e infraestrutura hoteleira com preços acessíveis, fatores que explicam o crescimento de 94% nas buscas por Maceió em 2025, segundo dados do Booking.

A região de São Miguel dos Milagres, também em Alagoas, é uma alternativa para viajantes que priorizam a tranquilidade. Situada a duas horas da capital, a localidade exibe múltiplas tonalidades marinhas, areias claras, formações coralinas e paisagens emolduradas por coqueirais. Não raro, o turista caminha por quilômetros e não se depara com multidões.


6. Porto Seguro

Porto Seguro oferece uma experiência turística única para quem busca tranquilidade sem abrir mão do clima tropical. A cidade baiana mantém temperaturas agradáveis entre 21°C e 25°C, raramente descendo abaixo de 18°C, permitindo banhos de mar e atividades de praia com conforto.

É também na região de Porto Seguro que está localizado o distrito de Trancoso, que segue como uma opção clássica não só para o mês de junho, mas todas as épocas do ano – o local mantém condições ensolaradas durante todas as estações. Trancoso oferece várias alternativas, abrangendo desde a Praia do Espelho até atividades como quadriciclo e navegação.

 

Cursos gratuitos da FGV capacitam profissionais para os desafios do ESG e das mudanças climáticas

 Conteúdos abrangem governança, finanças sustentáveis

e marcos regulatórios do direito ambiental


Alinhada às urgências globais, a Fundação Getulio Vargas oferece gratuitamente cursos online voltados para a sustentabilidade corporativa e a gestão ambiental. As formações preparam gestores e interessados para integrar métricas de ESG (Ambiental, Social e Governança) às estratégias de negócio. 

Os cursos "Pilares do ESG" e "Finanças Corporativas Sustentáveis" são destaques nesta categoria, oferecendo conhecimentos práticos sobre como lidar com as questões climáticas nas organizações.

A trilha de aprendizagem contempla temas como:

Pilares do ESG: Entendendo Métricas de Avaliação nas Organizações – Detalha como medir e reportar o desempenho sustentável das empresas.

ESG: Conceitos Básicos – Oferece uma introdução abrangente sobre a importância da sustentabilidade para os negócios modernos.

Introdução às Finanças Corporativas Sustentáveis – Discute como alinhar investimentos e gestão financeira a critérios ambientais e sociais.

Direito das Mudanças Climáticas na Prática Judiciária – Analisa o papel da justiça na aplicação de leis ligadas ao clima.


Introdução às Questões Climáticas – Aborda os fundamentos científicos e sociais do aquecimento global e suas consequências.

Mudanças Climáticas e Gestão Organizacional: Conceitos Básicos – Ensina as empresas a se adaptarem e mitigarem riscos climáticos.

Introdução à Gestão Sustentável da Cadeia de Suprimentos – Foca na ética e sustentabilidade no relacionamento com fornecedores.

Princípios do Direito Ambiental – Apresenta os pilares jurídicos que regem a proteção do meio ambiente no Brasil.

Origem e Evolução Histórica do Compliance – Trata da conformidade ética e legal nas estruturas organizacionais.

Introdução à Ética e à Inovação Responsável com Dados – Discute o uso responsável da informação dentro da agenda de governança.

Estes cursos da FGV Educação Executiva são autoinstrucionais, com linguagem simples e foco na prática profissional. A iniciativa busca transformar a educação em uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento sustentável do país.
 

Certificado

Os participantes recebem declaração de conclusão emitida pela FGV em conjunto com a OEG – Open Education Global. Desde 2008, a FGV lidera no Brasil a oferta de conteúdos educacionais gratuitos e de alta satisfação.


Itens mais buscados para assistir jogos da Copa estão mais favoráveis do que no Mundial de 2022, diz FecomercioSP

 Cesta de churrasco cresceu 3,1%; cenário menos inflacionado é mais propício a reunir amigos e familiares para celebrar os jogos em comparação com a última edição do torneio, realizada no Qatar 

 

Aqueles que pretendem reunir amigos e familiares para acompanhar os jogos em casa perceberão que o cenário de preços está mais favorável, em comparação com as vésperas da Copa do Qatar, em 2022. Segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), elaborado com base em itens selecionados do IPCA, do IBGE, a alta média da cesta de produtos de churrasco, nos últimos 12 meses, é de 3,1% até abril, enquanto na última edição era de 12,54% [tabela 1].

 

[TABELA 1]

Inflação Cesta Copa do Mundo

Acumulado em 12 meses até abril

Fonte: IBGE/FecomercioSP

 


De acordo com a FecomercioSP, o quadro é considerado positivo para os consumidores, sem pressões estruturais e generalizadas sobre o preço. Isso permite que os brasileiros possam aproveitar a Copa do Mundo de 2026 com mais tranquilidade, seja para reunir pessoas próximas para um churrasco, seja para investir em equipamentos para acompanhar os jogos com mais conforto.

 

Aumento nos itens mais consumidos

 

Dentre os itens da cesta do churrasco, os que apontaram os maiores aumentos foram a cebola (14,19%), o tempero misto (9,6%) e as carnes (7,45%). Além disso, as bebidas mais consumidas durante os jogos também registraram alta, como a cerveja (5,1%), o refrigerante e a água mineral (5,59%). 

 

Por outro lado, alguns produtos importantes para o churrasco sofreram queda nos preços, o que ajudou a conter a inflação média da cesta. Os principais foram o alho (-26,31%), o tomate (-7,83%), as aves e os ovos (-5,46%).

 

Na comparação com as vésperas da Copa de 2022, é possível observar uma situação menos pressionada, já que os produtos como a cebola acumulavam inflação de 151,76%, enquanto a maionese subia 30,64% e os panificados avançavam 20,55%.

 

No segmento de eletroeletrônicos, os televisores acumulam queda média de 2,93%, nos preços nos últimos 12 meses até abril, enquanto os aparelhos de som recuaram 0,46%. Contudo, o custo médio de conserto de televisores apresentou alta de 7,87%, indicando que os consumidores podem optar pela manutenção de aparelhos antigos em vez da compra de um modelo novo.

 

Orientação da FecomercioSP


Mesmo com os preços mais favoráveis, a Federação recomenda que a compra de eletrônicos seja feita com antecedência, especialmente pelo estoque, pelo prazo de entrega, pela instalação e pelos testes dos equipamentos. A orientação vale tanto para residências quanto para bares e restaurantes, que tradicionalmente ampliam a estrutura para a transmissão dos jogos.

 

A Entidade também ressalta que os preços representam médias apuradas pelo IBGE e podem variar conforme região, estabelecimento, marca e promoções. Por isso, é importante que o consumidor pesquise preços e, principalmente, antecipe as compras, já que a tendência é de aumento na procura nos dias anteriores aos jogos da Seleção Brasileira, o que pode gerar filas, dificuldade para encontrar determinados produtos e até falta pontual de estoque de carnes, bebidas e itens específicos para churrasco.

 



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Confira 5 benefícios das olimpíadas científicas para o desenvolvimento dos estudantes

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Competições de conhecimento representam mais do que medalhas, mas estimulam o interesse pelos estudos, desenvolvem habilidades interpessoais e podem abrir portas para universidades  

 

 

Muito além das medalhas e certificados, as olimpíadas científicas têm se consolidado como ferramentas importantes para o desenvolvimento acadêmico, emocional e social dos estudantes. Ao aproximar os alunos de temas atuais e estimular habilidades como disciplina, trabalho em equipe e autoconfiança, essas competições também podem abrir portas para universidades renomadas.  


De acordo com a professora de História e autora da Rede Pitágoras, Bárbara Tostes, os alunos que se envolvem nestes desafios passam a estudar com mais profundidade, aprendem a organizar seus horários e a se comprometer com uma rotina de preparação que vai além das aulas regulares.  


Já segundo o diretor do Colégio Fibonacci e autor do Fibonacci Sistema de Ensino, André Ricardo de Castro, a experiência vivenciada por estudantes nessas competições vai muito além do desempenho em provas. “O principal benefício que as olimpíadas trazem para os alunos participantes é eles aprenderem a relação da ciência básica não só com uma pesquisa em desenvolvimento de coisas, mas com uma aplicação prática no dia a dia. Gera engajamento, mais interesse e desperta no aluno a vontade de conhecer mais sobre esses temas”, afirma. 

 

Papel da escola é fundamental 

 

Para o especialista do Fibonacci, o incentivo das escolas é essencial para ampliar a participação dos estudantes nessas competições. “A escola deve divulgar, organizar, incentivar os alunos a participarem e facilitar essa participação”, afirma.  

 

Ele também destaca que o ambiente escolar tem papel importante para equilibrar a rotina dos estudantes. “A escola e o aluno ganham com isso e a família também fica satisfeita. Não há lado ruim em participar de olimpíadas, é sempre positivo”, indica. 

 

Principais benefícios 

 

Confira cinco benefícios da participação em olimpíadas científicas, segundo os especialistas: 

 

1. Geram interesse e engajamento pelos estudos 

 

As olimpíadas costumam trabalhar conteúdos de química, física, matemática e biologia a partir de temas presentes no cotidiano, como meio ambiente, saúde e vacinas. Isso ajuda os estudantes a perceberem como a ciência está presente na vida prática. 

 

De acordo com André Ricardo de Castro, esse contato desperta mais curiosidade e aproxima os alunos do conhecimento científico. “As olimpíadas científicas costumam trabalhar conceitos das ciências básicas em situações aplicadas. Então é bom para o aluno ver a presença da ciência básica nos acontecimentos do cotidiano, e isso aumenta o engajamento e o interesse dele por aprender ciência”, explica. 

 

Segundo Bárbara, da Rede Pitágoras, o estudante aprende a estudar por objetivos, a enfrentar conteúdos complexos com coragem e a persistir mesmo diante das dificuldades. Ou seja, a preparação para olimpíadas científicas ensina o estudante a estudar de verdade — com propósito, método e profundidade.    

 

2. Auxiliam a melhorar o desempenho em sala de aula 

 

O interesse despertado pelas olimpíadas científicas também impacta diretamente o rendimento escolar. Isso porque os estudantes passam a compreender melhor a importância dos conteúdos trabalhados em aula. “Quando o aluno desenvolve esse interesse e engajamento, acaba precisando mais das ferramentas trabalhadas em aula para entender melhor aqueles processos”, destaca o diretor do Fibonacci. 

 

A especialista da Rede Pitágoras, por sua vez, também afirma que os reflexos da participação em olimpíadas científicas no desempenho escolar são muito positivos. Para ela, alunos que se envolvem nessas competições costumam apresentar maior segurança em avaliações. “Isso acontece porque a preparação para uma olimpíada exige habilidades transferidas diretamente para a rotina escolar, como raciocínio lógico, leitura interpretativa, resolução de problemas e escrita argumentativa”, destaca.   

 

3. Estimulam o desenvolvimento de habilidades interpessoais 

 

Além do conhecimento acadêmico, muitas olimpíadas estimulam competências socioemocionais importantes, especialmente aquelas realizadas em grupo, como a Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). “Os trabalhos são em grupo e não são simplesmente questionários ou testes. Muitas vezes a olimpíada pede produção de texto, vídeo e outras tarefas. Como são atividades avaliadas em grupo, existe a necessidade de relacionamento interpessoal e de gerenciamento dessa produção de conteúdo”, afirma André Ricardo de Castro. Com isso, os estudantes desenvolvem habilidades como comunicação, colaboração, organização e trabalho em equipe. 

 

Além disso, para Bárbara, os alunos engajados passam a enxergar que o estudo deixa de ser uma obrigação e se transforma em uma jornada estimulante, na qual cada conceito compreendido representa um passo a mais rumo a uma superação pessoal. 

 

4. Criam mais confiança e motivação para os vestibulares 

 

Participar de competições em nível nacional também fortalece a autoconfiança dos estudantes, já que eles conseguem comparar seu desempenho com alunos de todo o país.  “Quando ele consegue um desempenho muito bom, recebe reconhecimento por parte da olimpíada, é premiado e entende que está entre os melhores do Brasil naquela área”, comenta o especialista. 

 

Segundo ele, essa percepção contribui para que o estudante se sinta mais preparado para processos seletivos importantes. “Esse aluno se sente muito mais confiante para concorrer a qualquer vaga de vestibular, porque sabe que tem um desempenho superior ao de boa parte dos estudantes do país inteiro”, ressalta. 

 

Mesmo para aqueles que não conquistam medalhas, a experiência continua sendo positiva. “A olimpíada dá um feedback de quais são os pontos de melhoria que ele precisa desenvolver ao longo da educação básica”, explica. 

 

Além disso, o estudante que participa de olimpíadas ganha confiança em sua própria capacidade de aprender, o que amplia seu envolvimento com os estudos de forma geral.  

 

5. Dão oportunidade de ingresso em universidades renomadas 

 

Atualmente, universidades públicas como USP, Unicamp e Unesp possuem editais específicos para estudantes medalhistas em olimpíadas científicas. “As universidades estaduais de São Paulo têm os maiores programas de ingresso por desempenho em olimpíadas científicas. Elas destinam parte das vagas para alunos que desempenharam bem nessas competições”, explica André Ricardo de Castro. 


Segundo ele, as vagas costumam ser destinadas a cursos relacionados às áreas das olimpíadas. “Qualquer aluno que seja medalhista em fase nacional de olimpíadas do conhecimento ao longo do Ensino Médio tem uma boa oportunidade de ingressar nessas universidades”, afirma.

 

IA multiagente na saúde amplia eficiência e desafia governança médica

A evolução da inteligência artificial na medicina, impulsionada pela transição dos tradicionais modelos de linguagem única (LLMs) para sistemas multiagentes, vem ampliando o potencial de eficiência e precisão nas análises clínicas. Contudo, o avanço tecnológico traz novos desafios relacionados à governança, responsabilidade e segurança no uso dessas ferramentas no setor de saúde.

Os chamados sistemas multiagentes funcionam como um ecossistema de inteligências artificiais especializadas que interagem entre si para executar tarefas complexas. Em um ambiente hospitalar, por exemplo, uma IA pode analisar o prontuário do paciente, enquanto outra interpreta exames de imagem e uma terceira cruza possíveis interações medicamentosas para auxiliar na definição de um tratamento.

Segundo Ernani Teixeira Ribeiro Jr., sócio do Atra Advogados e especialista em negócios digitais e gestão legal de riscos em IA, o modelo representa uma espécie de “junta médica digital”. “Não estamos mais diante de uma única IA operando de forma isolada, mas de vários agentes autônomos especializados colaborando entre si para apoiar a tomada de decisão médica”, afirma.

O especialista ressalta que os ganhos em escala, redução de custos e aumento da precisão diagnóstica são evidentes, mas alerta que o uso dessas tecnologias sem uma estrutura robusta de conformidade pode gerar riscos operacionais e jurídicos relevantes. “Objetivos como eficiência e produtividade, sem acompanhamento adequado sobre governança, ética e segurança, podem levar tanto à perda de investimentos quanto ao uso inadequado da tecnologia”, diz.

A discussão ganha ainda mais relevância com a entrada em vigor da Resolução CFM nº 2.454/2026, que estabelece prazo de 180 dias para que instituições de saúde implementem mecanismos de governança no uso de soluções de inteligência artificial. A norma prevê temas como transparência, rastreabilidade, contestabilidade e mapeamento do uso de IA em hospitais e clínicas.

Embora a resolução determine que a inteligência artificial deve atuar apenas como ferramenta de apoio, mantendo a decisão final sob responsabilidade do médico, Ernani avalia que os sistemas multiagentes tornam o cenário mais complexo. “Como um profissional poderá supervisionar integralmente uma decisão construída por diferentes IAs conversando entre si em linguagem de máquina? Esse é um dos grandes desafios regulatórios e operacionais que surgem nesse novo contexto”, explica.

Para o advogado, práticas como mapeamento de dados pessoais, implementação de modelos de Privacy by Default, gestão estruturada de riscos em IA e controle da entrada e saída de dados deixam de ser conceitos teóricos e passam a integrar requisitos essenciais para o funcionamento seguro dessas soluções.

Ele defende ainda que projetos de IA na saúde sejam desenvolvidos de forma multidisciplinar, integrando áreas jurídicas, segurança da informação, tecnologia e gestão de riscos desde a fase inicial. “Não se trata de frear a inovação, mas de estruturá-la. Instituições de saúde precisam adotar metodologias de avaliação prévia que considerem impacto em direitos fundamentais, viabilidade técnica e aspectos éticos antes da implementação dessas ferramentas”, afirma.

A criação de Comissões de IA e Telemedicina, prevista nas novas exigências regulatórias, além da revisão de contratos com fornecedores de tecnologia e do treinamento contínuo do corpo clínico, também passa a ser vista como parte da estratégia de governança das instituições. 

“Na era dos sistemas multiagentes, a governança estruturada será o elemento capaz de garantir que toda essa conexão entre inteligências artificiais seja auditável, segura e, acima de tudo, centrada no paciente e no respeito à relação médico-paciente”, conclui Ernani Teixeira Ribeiro Jr.

 

Atenção resgatada


A promulgação da lei que proibiu o uso de telefones celulares nas escolas brasileiras, no início de 2025, marcou uma mudança expressiva na rotina e na dinâmica de convivência dentro das salas de aula do país. A medida, afinal, interveio diretamente no microcosmo do cotidiano escolar e nos hábitos das famílias, disposta a enfrentar o desafio da dispersão digital. 

Em um debate tensionado por paixões ideológicas e relatos anedóticos, oscilando não raro entre o alarmismo tecnofóbico e o deslumbramento digital, o recurso a dados e estudos robustos surge como um esteio indispensável para qualificar a gestão pública nesse campo. 

É sob essa ótica que ganham relevância as pesquisas coordenadas pela Universidade Stanford, por meio do Centro Lemann e da iniciativa Equidade.info. Ao cruzar a percepção direta da comunidade escolar com uma avaliação do impacto causal nos resultados acadêmicos, os estudos revelam que o veto aos aparelhos não se apoia em mero moralismo, mas em uma política com efeitos mensuráveis na qualidade do ensino. 

O primeiro estudo consistiu em um amplo diagnóstico nacional realizado entre fevereiro e julho de 2025. Baseado em entrevistas presenciais com mais de 3 mil estudantes, professores e diretores das redes pública e privada, o levantamento mostrou que 83% dos alunos notaram uma melhora direta na própria capacidade de atenção durante as aulas. O dado demonstra que, na visão dos próprios jovens, o smartphone funcionava como um elemento de distração constante, cuja remoção liberou um espaço cognitivo vital para o aprendizado. 

A estratificação dos dados revela que os desafios crescem à medida que os alunos avançam nos ciclos escolares. Enquanto nos primeiros anos do Ensino Fundamental o ganho de concentração atingiu impressionantes 88%, no Ensino Médio o índice recua para 70%. Essa clivagem se acentua quando se observa o cumprimento da norma: apenas 2% das crianças menores admitiram burlar o veto, em contraste com 55% dos adolescentes que confessaram manter o uso velado do aparelho. 

O diagnóstico é claro: quanto mais consolidado o hábito digital e maior a autonomia do estudante, mais porosa se torna a eficácia da norma jurídica, o que exige das direções estratégias pedagógicas de convencimento que ultrapassem a mera punição burocrática. 

A retirada abrupta dos smartphones expôs a vulnerabilidade psicológica da juventude diante do ecossistema digital. Durante os intervalos, 44% dos estudantes manifestaram um tédio acentuado, enquanto metade dos professores (49%) notou uma alta visível na ansiedade dos alunos. Ao confiscar a distração, o veto deixou exposto um vazio comportamental. Como observa o pesquisador brasileiro Guilherme Lichand, coordenador da pesquisa de Stanford, o cenário exige que a escola reinvente o recreio com propostas culturais e esportivas que devolvam sentido à convivência presencial. 

Fora do campo das percepções subjetivas, a segunda e mais recente pesquisa do grupo traz o veredito das evidências causais. 

Analisando o caso pioneiro do Rio de Janeiro –que restringiu o uso dos aparelhos gradualmente a partir de 2023–, os pesquisadores cruzaram o histórico de testes padronizados de alunos do Ensino Fundamental II. Eles contrastaram o desempenho dos colégios que já barravam os celulares por iniciativa própria com o daquelas instituições que mantinham diretrizes tolerantes. O objetivo era isolar o impacto real da lei, medindo se o salto de rendimento seria mais expressivo nas unidades submetidas ao choque mais drástico de mudança. 

O resultado foi inequívoco: o grupo que se adaptou sob a força da nova regra deu um verdadeiro salto de rendimento. As notas avançaram 13,4% em língua portuguesa e impressionantes 25,7% em matemática em relação ao grupo de controle. Ao isolar as variáveis externas, o estudo provou que o distanciamento das telas impulsiona diretamente o aprendizado. 

Em última análise, a grande lição desses indicadores é que o veto ao celular no ambiente escolar não encerra uma crise, mas inaugura uma profunda reestruturação pedagógica. Trata-se de um desafio comunitário que exige estreitar os laços no convívio analógico e apoiar o bem-estar psíquico dos estudantes. Respaldado por evidências empíricas sólidas, o debate sobre educação e tecnologia ganha a maturidade necessária para entender que blindar a sala de aula é, fundamentalmente, salvaguardar o futuro. 

 

Dimas Ramalho - vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.


Novo modelo físico explica rotação retrógrada de Vênus como resultado natural da evolução planetária

Visão hemisférica de Vênus, produzida a partir de observações de radar, incluindo  imagens da
 espaçonave Magellan, da Nasa, que imageou mais de 98%  da superfície do planeta
 (imagem:
Nasa/JPL-Caltech/USGS)

Estudo mostra que uma interação de fatores gravitacionais e atmosféricos é capaz de inverter o sentido de rotação do planeta, sem necessidade de colisões com corpos externos. Fenômeno pode ser comum em exoplanetas na zona habitável

 

Cientistas brasileiros podem ter desvendado, enfim, a razão pela qual Vênus gira no sentido contrário ao da Terra – fenômeno chamado de rotação retrógrada. O motivo pode ser uma combinação de fatores gravitacionais e atmosféricos inerentes ao próprio planeta, sem a necessidade de colisões entre corpos celestes ou outros eventos catastróficos externos, segundo um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).

A maioria dos planetas do sistema solar – incluindo a Terra – gira em torno do próprio eixo de oeste para leste, à exceção de Vênus e Urano, que giram de leste para oeste; mas a origem dessa rotação retrógrada nunca foi satisfatoriamente explicada. No caso de Vênus, que é um planeta rochoso, o estudo do IAG-USP mostra que a inversão do sentido de rotação pode emergir naturalmente da interação entre marés gravitacionais e efeitos térmicos na atmosfera.

“Foi uma descoberta fortuita. Eu não estava trabalhando nesse assunto. Meu foco é o efeito de maré em exoplanetas. Mas, ao estudar o problema, motivado por questões em minha área de interesse, percebi que havia um ponto essencial que tinha passado despercebido em relação à dinâmica de Vênus”, afirma Sylvio Ferraz Mello, professor do IAG-USP e autor principal do trabalho, publicado no periódico The Astronomical Journal e apoiado pela FAPESP.

A rotação de Vênus foi determinada no início dos anos 1960, quando observações de radar conseguiram atravessar sua espessa cobertura de nuvens. Medições mais recentes indicam um período de aproximadamente 243 dias, em sentido retrógrado. Desde então, sabe-se que esse estado resulta do equilíbrio entre dois mecanismos físicos antagônicos. De um lado, atuam as marés gravitacionais, geradas principalmente pela atração do Sol, que tendem a desacelerar a rotação do planeta e levá-lo a um estado de sincronização com o movimento orbital. De outro, a atmosfera extremamente densa de Vênus – cerca de 90 vezes mais massiva que a da Terra – sofre aquecimento desigual pela radiação solar, produzindo deformações térmicas que geram um torque atmosférico capaz de acelerar a rotação em sentido oposto ao das marés. “A atração do Sol sobre a parte sólida do planeta e sobre a atmosfera atua em sentidos opostos. Uma tende a frear a rotação, a outra a acelerá-la no sentido contrário – e a atmosfera acaba vencendo”, conta o Ferraz Mello.

Essa competição entre os dois mecanismos explica por que Vênus gira para trás hoje. Mas não responde a uma questão fundamental: como o planeta chegou a esse estado?

O estudo mostra que a atmosfera não apenas mantém a rotação retrógrada, mas é essencial para sua própria existência. Simulações indicam que, se Vênus fosse privado de sua atmosfera, a ação isolada das marés gravitacionais faria o planeta retornar a uma rotação direta em menos de 1 milhão de anos. Nesse cenário, ela tenderia a se sincronizar com o período orbital (o tempo que um corpo celeste leva para completar uma volta inteira ao redor de outro objeto no espaço), como ocorre com a Lua em relação à Terra. “Se a inversão tivesse sido causada por um evento súbito, como uma colisão, o planeta voltaria depois a girar no sentido correto. Portanto, não pode ser um efeito instantâneo, tem de ser um processo contínuo”, argumenta Ferraz Mello. Isso significa que a rotação retrógrada não é um estado robusto por si só: ela depende continuamente da presença e das propriedades da atmosfera.

Para entender a origem desse comportamento, o estudo analisa as equações que descrevem a evolução da rotação sob a ação conjunta dos dois torques. O resultado revela uma estrutura típica de sistemas dinâmicos: uma bifurcação em forquilha (pitchfork bifurcation). Sem atmosfera significativa, o sistema possui um único estado estável – a rotação síncrona (quando o tempo que um corpo celeste leva para dar uma volta em torno de si mesmo é exatamente igual ao tempo que leva para completar uma órbita ao redor de outro corpo). Com o aumento da influência atmosférica, ele perde estabilidade e se desdobra em dois novos estados estáveis, ambos assíncronos: um com rotação mais lenta que a órbita (subsíncrona) e outro com rotação mais rápida (supersíncrona). Um desses estados pode evoluir para rotação retrógrada. “Existe um ponto em que o sistema bifurca: ou o planeta passa a girar mais rápido ou mais devagar. As duas possibilidades se apresentam. No caso de Vênus, ele seguiu o caminho mais lento até inverter o sentido”, resume o pesquisador.

O modelo permite reconstruir um possível cenário evolutivo para Vênus. Inicialmente, o planeta, ainda com atmosfera pouco desenvolvida, estaria sujeito principalmente às marés gravitacionais, evoluindo em direção à sincronização. “No início, Vênus deve ter girado como a Terra, com o Sol nascendo a leste e se pondo a oeste. As marés foram freando essa rotação até atingir o estado síncrono”, explica Ferraz Mello. Com o tempo, o degaseamento do interior do planeta – o processo pelo qual gases são liberados para a superfície – levou à formação de uma atmosfera densa. Isso aumentou progressivamente o torque atmosférico, até que o sistema atingiu o ponto de bifurcação. A partir desse ponto, a rotação poderia evoluir para um dos dois estados possíveis, com probabilidades comparáveis. Em função das condições no momento da transição, o planeta seguiu para um regime que se tornou retrógrado. “É um processo simples do ponto de vista físico. A teoria não exige condições excepcionais – é uma consequência natural da evolução planetária”, comenta o pesquisador.

O estudo também mostra que o estado atual de Vênus pode estar próximo de um limite de estabilidade. Pequenas variações em parâmetros como temperatura superficial ou propriedades atmosféricas tenderiam a alterar o equilíbrio entre os torques. E, em certas condições, o sistema perderia estados estacionários estáveis, com uma evolução contínua da rotação. As observações disponíveis ainda não são suficientemente precisas para descartar mudanças lentas no período de rotação, que, eventualmente, estariam ocorrendo.

Do cenário catastrófico ao previsível

Um dos resultados mais relevantes do trabalho é sua possível generalização para outros sistemas planetários. O modelo indica que a inversão do sentido de rotação não é um fenômeno raro ou excepcional. Planetas rochosos situados na zona habitável de estrelas semelhantes ao Sol – região onde a temperatura permite a existência de água líquida – podem desenvolver atmosferas suficientemente densas para produzir torques comparáveis aos de Vênus. Nesses casos, a mesma dinâmica pode levar à rotação retrógrada. “Não é um fenômeno raro. Esse tipo de evolução pode ter ocorrido muitas vezes nos exoplanetas que conhecemos”, pondera Ferraz Mello. Exoplanetas são planetas que orbitam outras estrelas, fora do sistema solar.

Ao substituir cenários catastróficos por um mecanismo contínuo e previsível, o estudo oferece uma nova perspectiva sobre a evolução da rotação planetária. Mais do que explicar um caso particular, ele aponta para um comportamento possivelmente comum no Universo e amplia o quadro teórico necessário para interpretar a diversidade de planetas já observados.

O estudo recebeu apoio da FAPESP por meio do projeto “O Brasil no espaço: Astrofísica e Engenharia”, coordenado por Eduardo Janot Pacheco, que tem Ferraz Mello como um dos pesquisadores principais.

O artigo Exoplanet synchronization in the habitable zone: learning from Venus’ retrograde rotation pode ser lido em: iopscience.iop.org/article/10.3847/1538-3881/ae43e4.

 

José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/novo-modelo-fisico-explica-rotacao-retrograda-de-venus-como-resultado-natural-da-evolucao-planetaria/58105

 

Bancos não terão atendimento presencial ao público no Corpus Christi

As compensações bancárias não serão efetivadas, incluindo a TED.

O PIX, que funciona 24 horas todos os dias, inclusive feriados, pode ser feito normalmente

 


As agências bancárias não estarão abertas para atendimento presencial ao público no dia 04/06, quinta-feira, dedicado ao Corpus Christi. As compensações bancárias não serão efetivadas neste dia, incluindo a TED. 

O PIX, que funciona 24 horas todos os dias e feriados, poderá ser feito normalmente. 

Em algumas localidades, as salas de autoatendimento estarão disponíveis aos clientes, a critério da instituição.

Na sexta-feira, 05/06, o atendimento ao público segue normalmente nas localidades onde não há feriado estadual ou municipal ou há ponto facultativo. 

Boletos de cobrança e contas de consumo (água, energia, telefone, entre outros) com vencimento em 04/06 poderão ser pagos, sem acréscimo, no dia útil seguinte (05/06), nas localidades onde não há feriado ou ponto facultativo. O sábado não é considerado dia útil e, por essa razão, não há liquidação financeira. 

Já no caso dos tributos e impostos, caso vençam nos dias em que não há compensação bancária, é necessário que o pagamento seja antecipado, para evitar a incidência de juros e multa. 

“A suspensão do atendimento presencial não impede o acesso dos clientes aos serviços bancários, que seguem disponíveis com segurança por meio dos canais digitais e das áreas de autoatendimento oferecidas pelas instituições”, afirma o diretor adjunto de Serviços e Segurança da Febraban, Raphael Mielle. 

Boletos bancários de clientes cadastrados como sacados eletrônicos podem ser pagos via DDA (Débito Direto Autorizado).


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