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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Senac MS cria game em realidade virtual que ajuda a combater a dengue

 Desenvolvido com apoio do Senac MS e do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o projeto resultou no primeiro protótipo jogável.

 

Após 12 meses de trabalho, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, o Projeto de Pré-incubação game Agente 360 - Todos Enfrentam a Dengue chegou à sua etapa final com a entrega oficial do game à Federação de Esportes Eletrônicos e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (FESP-MS). A cerimônia foi realizada no dia 19 de fevereiro, no Espaço Conexão do Senac Hub Academy, em Campo Grande, e marcou a consolidação de uma solução educacional inovadora voltada à conscientização, prevenção e combate à dengue por meio da realidade virtual.

 

Desenvolvido com apoio do Senac MS e do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o projeto resultou no primeiro protótipo jogável do Agente 360: Todos Enfrentam a Dengue, um game que utiliza tecnologia imersiva para simular situações do cotidiano relacionadas ao combate ao mosquito Aedes aegypti, estimulando atitudes corretas de prevenção a partir da gamificação.

 

A coordenadora de Inovação na Semadesc, Aline Filiu, explica que a iniciativa integra a agenda estratégica de inovação da secretaria e foi estruturada para transformar conhecimento técnico em solução aplicada a um problema real de saúde pública.

 

“Esse projeto é uma agenda de inovação dentro da própria Semadesc e o Senac sempre atuou com parcerias. Nós entramos com recursos financeiros para estímulo desses alunos para que eles tenham essa consciência de transformação de negócios em soluções para negócios reais, considerando os problemas da comunidade”.

 

O jogo nasceu como Projeto Integrador, reunindo alunos do curso Técnico em Programação de Jogos Digitais do Senac Hub Academy e estudantes da Rede Estadual de Ensino matriculados no 3º ano do curso de Assistente de Produção 3D. Juntos, eles desenvolveram uma experiência interativa que alia programação, design, modelagem 3D e conteúdo educativo alinhado às diretrizes de saúde pública.

 

O consultor de Inovação e Tecnologia do Senac, Mário Márcio Alves Marietti, detalha que a iniciativa começou a partir do Projeto Integrador do curso Assistente de Produção 3D, vinculado ao quinto itinerário da SED/MS (Secretaria de Estado de Educação), e ganhou força ao envolver outras formações técnicas da instituição.

 

“Essa parceria começou dentro do projeto integrador de um curso específico que chama Assistente de Produção 3D, que está muito ligado à computação gráfica. Esse curso é do quinto itinerário da SED/MS, que aconteceu aqui no Senac Hub, em escolas estaduais onde desenvolveram essa solução em conjunto com outros cursos, como o Técnico em Desenvolvimento de Sistemas e o Técnico em Desenvolvimento de Jogos”.

 

Durante a fase de pré-incubação, a equipe aprimorou mecânicas e jogabilidade, implementou sistema de pontuação e ranking online, otimizou cenários e modelagens em 3D e adaptou os controles para óculos de realidade virtual Meta Quest 3. Também foram realizados testes para garantir fluidez, realismo e maior impacto educativo da experiência.

 

A diretora regional do Senac, Jordana Duenha, destaca que o projeto materializa o compromisso institucional com a formação prática e com a inserção dos estudantes em projetos concretos, desenvolvidos no contraturno e com apoio de bolsas vinculadas a convênio com o Governo do Estado.

 

“O Senac sempre tem um compromisso com o desenvolvimento da formação prática dos nossos estudantes. Nesse projeto, alunos de diferentes cursos foram selecionados e passaram a atuar na construção de uma solução real, aplicando o que aprendem em sala de aula em um produto que será utilizado pela sociedade no combate à dengue”.

 

Para a diretora de Inovação, Planejamento e Tecnologia do Senac, Ana Carina Pini de Mello, a parceria com o Governo do Estado fortalece o ecossistema de inovação e amplia as oportunidades de desenvolvimento dos estudantes, que conseguem transformar o conteúdo teórico em prática e construir portfólio com impacto social.

 

“Essa parceria é muito interessante para nós. Desde o início, o Governo do Estado tem trazido um incentivo importante, tanto financeiro quanto junto ao ecossistema de inovação, e o Senac entra com todo o know-how. O que importa é que, ao final, o aluno tenha se desenvolvido, aprendido e conseguido transformar o que vê em sala de aula em prática, levando esse resultado para a sociedade por meio de um projeto tão relevante como o Game Dengue”.

 

O Agente 360 já recebeu reconhecimento institucional. Em novembro do ano passado, o jogo foi homenageado com uma Moção de Congratulação na Câmara Municipal de Campo Grande, em reconhecimento à contribuição para ações educativas de enfrentamento à doença.

 

A entrega oficial do projeto à FESP-MS marcou mais um passo para que o game avance da fase de protótipo para aplicação em ambientes educacionais e comunitários, ampliando o alcance das ações de conscientização e fortalecendo o enfrentamento à dengue no Estado. Segundo Aline Filiu, após um período de validação técnica e pedagógica, o jogo está apto a ser replicado em diferentes territórios.

 

“Ele foi validado ao longo de 10 meses e, após essa apresentação, será replicado tanto nas escolas estaduais quanto nas aldeias indígenas, ampliando o acesso a essa ferramenta de conscientização”.

 

Para os alunos envolvidos, o projeto representou a oportunidade de aplicar competências técnicas em uma iniciativa de impacto social. O estudante Daniel Estêvão, do curso técnico de Assistente de Produção 3D, integrou a equipe de arte responsável pela modelagem e construção dos cenários do jogo, participando do desenvolvimento de um dos três mapas disponíveis na experiência imersiva.

 

“Eu desenvolvi um dos mapas do jogo, trabalhando modelagem, texturização e organização dos objetos. É muito gratificante participar de um projeto com essa escala social, porque além de aplicar o que aprendemos, a gente também aprende e ajuda a conscientizar outras pessoas sobre a prevenção da dengue.” 

O Sistema Comércio MS é composto por Fecomércio MS, Sesc MS, Senac MS, IPF e sindicatos empresariais. A entidade é presidida por Edison Araújo e administrada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.


Vírus do resfriado se ‘esconde’ e se multiplica nas amígdalas e adenoides mesmo em pessoas sem sintomas

O rinovírus consegue infectar linfócitos dos tipos B, produtores de anticorpos
e T CD4, que atuam como maestros da resposta imunológica local
 (
imagem: PDB/Wikimedia Commons)
Estudo conduzido na USP mostra que o patógeno pode persistir por longos períodos nesses tecidos, ser transmitido de forma insuspeita e gerar novos surtos da doença

 

Estudo conduzido na Universidade de São Paulo (USP) revela que tecidos como amígdala e adenoide podem servir como “esconderijo” para o rinovírus, causador do resfriado e responsável pela maior parte das infecções respiratórias do mundo.

Conduzido com amostras de 293 crianças que passaram por cirurgia para a retirada desses tecidos, o trabalho mostrou que o patógeno consegue infectar células de defesa conhecidas como linfócitos e lá permanecer por longos períodos sem provocar sintomas, podendo eventualmente ser transmitido para outras pessoas de forma insuspeita.

“O vírus tem um encontro marcado com a população infantil. Todos os anos, cerca de duas ou três semanas depois que as aulas começam em regiões de clima temperado, ocorre um surto de rinovírus. E as crianças levam para os pais e avós. A gente sempre teve essa dúvida: o que tem a ver o início das aulas? Ora, juntam-se crianças em um espaço fechado, e algumas delas com o vírus na garganta podem semear o surto na escola mesmo estando assintomáticas”, comenta o rinovirologista Eurico de Arruda Neto, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e coordenador da investigação, apoiada pela FAPESP (projetos 13/06380013/163492 e 17/256544).

Como explica o pesquisador, já se sabia que o rinovírus infecta o epitélio do nariz e da garganta (a camada mais superficial da mucosa), sequestra o maquinário celular para se multiplicar e, terminado esse trabalho, provoca o rompimento da célula hospedeira para liberar sua progênie apta a gerar novas infecções. Por esse motivo os cientistas o consideram um vírus lítico (que causa a lise ou ruptura celular). Esse ciclo rápido e destrutivo chama rapidamente a atenção do sistema imune, que, na maioria dos casos, elimina o vírus do organismo em torno de cinco a sete dias.

A grande novidade do trabalho foi mostrar que, além do epitélio, o rinovírus consegue atingir camadas mais profundas dos tecidos das amígdalas e adenoides e infectar linfócitos dos tipos B (produtores de anticorpos) e T CD4 (que atuam como maestros da resposta imunológica local). Essas células têm vida longa e guardam a “memória” do sistema imune. Em vez de matá-las, o rinovírus permanece dentro delas por períodos longos de tempo, em um estado de persistência similar à latência que ocorre com os vírus herpes, HPV e citomegalovírus.

“As amostras que analisamos são de crianças operadas porque sofriam com ronco, apneia do sono ou infecções recorrentes relacionadas com a hipertrofia de amígdalas e adenoides. No momento da cirurgia elas estavam obrigatoriamente sem sintomas. Ainda assim, detectamos o rinovírus em uma quantidade bem grande de participantes”, conta Arruda.

Além das amígdalas e adenoides, também foi analisada a secreção nasal das crianças. Segundo dados divulgados no Journal of Medical Virology, o vírus estava presente em ao menos um dos três locais (amígdala, adenoide ou secreção) em 46% dos voluntários. Também foram observados nesses tecidos a presença de proteínas virais e de outros indícios de que o rinovírus estava se multiplicando e, portanto, apto a infectar outra pessoa.

A investigação contou com a colaboração do virologista Ronaldo Martins, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), e dos professores Wilma Anselmo-Lima, Edwin Tamashiro e Fabiana Valera, da FMRP-USP.


 divulgação

Horta de vírus

Em trabalhos anteriores, a equipe de Arruda já havia detectado em amostras de amígdalas e adenoide, também de crianças operadas, a presenças do adenovírus (outro causador do resfriado), do influenza A (gripe) e do SARS-CoV-2 (COVID-19). Estes dois últimos já são conhecidos por causar, em alguns pacientes, infecções mais prolongadas. Já no caso do rinovírus isso foi uma surpresa.

“Tenho a impressão de que qualquer vírus comum que formos procurar vamos encontrar. E não só nas amígdalas e adenoides, mas em outros tecidos linfoides do organismo, como linfonodos e gânglios. Já temos algumas evidências preliminares de que os tecidos linfoides são uma espécie de ‘horta’ de vírus. E nossa hipótese é que isso é algo do bem. Funciona como um reforço da memória imunológica, o que faz com que anticorpos continuem a ser produzidos mesmo após longos períodos da exposição inicial”, avalia Arruda.

No caso de pessoas que sofrem de asma, contudo, tal fato pode ser um problema. Uma das hipóteses levantadas pelos autores no artigo é que a presença de vírus infeccioso nos linfócitos T CD4 das amígdalas pode induzir a liberação de substâncias inflamatórias capazes de agir nos pulmões e causar uma crise asmática. O que já se sabe é que resfriados e gripes estão entre as causas mais comuns de crises de asma, especialmente em crianças pequenas.

Além disso, um estudo anterior do grupo detectou vírus respiratórios em adenoide normal (sem hipertrofia) – que fica ao lado da tuba auditiva –, podendo ser a razão pela qual algumas crianças sofrem de otites médias recorrentes.

“Esse vírus pode passar da adenoide para o ouvido médio e lá causar uma inflamação. A criança não vai ficar espirrando ou tossindo, mas o ouvido vai inflamar e isso fecha a tuba auditiva, que é muito fina, gerando um acúmulo de líquido no qual a própria flora bacteriana local passa a se proliferar”, explica o pesquisador.


Implicações clínicas

Na avaliação de Arruda, a partir desses achados, os pediatras devem atentar para a possibilidade de confusão diagnóstica em relação às causas das doenças infantis.

“Por exemplo: uma criança com amígdala hipertrófica chega ao pronto-socorro com uma infecção respiratória e sintomas de bronquiolite causada pelo vírus sincicial respiratório, mas o teste do cotonete na garganta detecta o rinovírus que está ali desde uma infecção anterior. Ou seja, pode ser que os testes feitos nas secreções nem sempre reflitam o que de fato está ocorrendo no pulmão”, diz o pesquisador. “Temos evidências de que mesmo em pessoas com amígdalas e adenoides de tamanho normal também pode ocorrer essa persistência viral.”

Outra hipótese a ser investigada, diz o cientista, é se os vírus que persistem nos tecidos linfoides podem se tornar um problema para pacientes imunossuprimidos. “Pacientes que fazem transplante de medula, por exemplo, frequentemente desenvolvem infecção pulmonar e bronquiolite. A culpa costuma recair sobre médicos, enfermeiros e estudantes de medicina, que levariam o vírus para a ala de alto risco. Mas será que o vírus já não estava nas amígdalas e adenoides do próprio paciente, e agora está reativado por causa da baixa imunidade? Não precisa ser uma transmissão de fora para dentro. É isso que começamos a investigar em camundongos”, conta.

O artigo Rhinovirus infects B and CD4 T lymphocytes in hypertrophic tonsils in children pode ser lido em: pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12831225/.

 

Karina Toledo

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/virus-do-resfriado-se-esconde-e-se-multiplica-nas-amigdalas-e-adenoides-mesmo-em-pessoas-sem-sintomas/57226




Mãe solo aos 40: quando a fertilização in vitro (FIV) é o plano B

Não há dúvida que o papel feminino na sociedade vem mudando ao longo dos últimos anos: as mulheres evoluíram e conquistaram novos papeis na sociedade, no mercado de trabalho e em vários outros campos. Neste contexto, a percepção feminina em relação à maternidade também vem mudando em todo o mundo assim como no Brasil. Mulheres jovens na Europa e no Brasil não consideram a maternidade uma prioridade segundo algumas pesquisas. Dados  divulgados recentemente refletem esta nova tendência: o número de mulheres solteiras que engravidam  casa dos 40 anos aumentou 250% nos últimos 30 anos nos Estados Unidos. Aparentemente, estas mulheres prefeririam encarar a maternidade com um parceiro, mas quando este não veio e o relógio biológico não podia esperar mais, optaram pela maternidade solo com o auxílio da fertilização in vitro (FIV) e de um banco de sêmen.

O National Center for Health Statistics (NCHS) americano já havia informado anteriormente que o número de bebês nascidos em mulheres acima de 40 anos de idade foi maior que  o de adolescentes pela primeira vez na história americana. Os partos em mulheres acima de 40 anos aumentaram 193% desde a década de 90 enquanto  o número caiu 7% naquelas entre 20 a 24 anos. No Brasil,  houve um aumento de 56% no numero de partos em mulheres na faixa etária de 35 a 39 anos e de 36% na faixa de 40 a 44 anos nos últimos anos. Não há dados brasileiros sobre maternidade solo e FIV, mas os números da Rede Latino-americana de Reprodução Assistida (REDLARA) que engloba 68 das 186 clínicas brasileiras mostram que em 2022 as mulheres com 40 anos ou mais representavam 35% dos ciclos de FIV enquanto as com menos de 34 apenas 18%.

O adiamento da maternidade é um fenômeno mundial e resulta na queda dos nascimentos mesmo em países nos quais a natalidade é alta como Índia , China e no inclusive no Brasil. Os números publicados recentemente revelam que a taxa de fertilidade vem caindo ao longo dos anos: em 2013 era 2,0 filhos/mulher e em 2023 chegou a 1.5, sendo o valor de 2.1  considerado adequado para a substituição populacional no longo prazo.  Muitas mulheres, entretanto, só se sentem prontas do ponto de vista pessoal e profissional para encarar o desafio da maternidade após os 35 anos de idade.  Além disso, o mercado de trabalho nem sempre acolhe aquelas que escolhem serem mães e a maternidade é um dos fatores que acentua a desigualdade salarial entre homens e mulheres.  Aparentemente, as mulheres da geração Z têm adiado ou desistido da maternidade em prol da carreira e da saúde mental, pois acompanharam os enormes desafios enfrentados pela geração Millenial.

Adiar a gravidez confiando nos avanços da ciência e das técnicas de reprodução assistida como a fertilização in vitro (FIV;“bebê de proveta”) pode ser uma opção, mas é preciso reconhecer que não há garantias e que apesar dos avanços tecnológicos, a idade feminina ainda constitui o principal fator de sucesso que afeta as chances de gravidez. As mulheres nascem com um número fixo não-renovável de óvulos, a chamada “reserva ovariana” e, ao longo do tempo, há redução não só do número assim como da qualidade destes e o consequente  declínio da fertilidade, que se acelera  após os 35 anos. Assim,  aos 41 anos as chances de infertilidade podem chegar a 50% aos 41 anos e 90% aos 45. Um estudo publicado recentemente traz esperança ao mostrar que a suplementação de óvulos com uma proteína essencial reduz os efeitos deletérios da idade, com potencial para melhorar as chances de gravidez na fertilização in vitro (FIV) para mulheres acima de mais velhas. Embora estes resultados sejam promissores, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que este avanço possa ser utilizado.

Os extraordinários avanços no campo da Medicina Reprodutiva deram às mulheres novas perspectivas, permitindo o controle seu ciclo reprodutivo e a possibilidade de escolher ou não a maternidade, o número de filhos e de quando tê-los, eventualmente sem a necessidade de um parceiro. É bem verdade que muitas mulheres conseguem engravidar espontaneamente após os 35 anos. Entretanto, não há até o momento nenhum método capaz de medir com precisão a reserva ovariana muito menos a chance real de engravidar e ter um filho saudável. Assim, é preciso reconhecer os limites biológicos e procurar avaliação médica especializada para o devido aconselhamento e tomada de decisão.



Márcia Mendonça Carneiro - Ginecologista do Biocor Rede D’Or, Professora Titular- Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – Faculdade de Medicina da UFMG



Combate ao vape ganha força com articulação entre Ministério Público e entidades da saúde

Associação Médica do Rio Grande do Sul integra trabalho que busca conscientizar famílias, escolas e sociedade sobre impactos do cigarro eletrônico

 

O aumento acelerado do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre adolescentes e jovens, acendeu um alerta no Rio Grande do Sul. Na manhã desta sexta-feira, dia 20 de fevereiro, representantes do Ministério Público Estadual e de entidades médicas, entre elas a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), reuniram-se no Auditório Marcelo Kuffner, em Porto Alegre, para estruturar uma campanha integrada de combate ao uso de vape. A mobilização pretende alinhar estratégias, ampliar a conscientização e coordenar ações de prevenção e responsabilização diante de um cenário considerado preocupante por especialistas. 

O vape, também conhecido como cigarro eletrônico ou pod, é um dispositivo movido a bateria que aquece um líquido com nicotina e outras substâncias químicas para produzir vapor inalável, prática associada a dependência precoce e possíveis lesões pulmonares. 

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação, Infância e Juventude do Ministério Público Estadual, Cristiane Corrales, destacou que o enfrentamento exige articulação ampla e contínua. 

“A pauta que nos reúne é urgente: o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, inclusive entre adolescentes. Sabemos que não é um desafio simples, pois estamos diante de um comércio ilegal esquematizado, com jovens como público consumidor. Por isso, é fundamental atuarmos de forma integrada, priorizando a conscientização e a prevenção, sem deixar de lado o papel institucional do Ministério Público na responsabilização e repressão, quando necessário”, afirmou. 

A AMRIGS esteve representada no encontro pelo gerente geral, Ronald Greco, que ratificou o apoio da entidade ao movimento. 

"Esse é um tema relevante e por isso colocamos à disposição o Centro de Eventos da AMRIGS, com espaços multifuncionais que podem ser palco de grandes mobilizações e debates qualificados. Estamos juntos para apoiar essa iniciativa e contribuir com o que for necessário". 

A editora da próxima edição da revista científica da AMRIGS, Trends in Health Sciences, a psiquiatra Patrícia Saibro, também participou do evento e alertou para o poder econômico da indústria do tabaco e para as estratégias históricas de reposicionamento de produtos com alto potencial de dependência. 

“Estamos lidando com uma indústria extremamente potente. O cigarro eletrônico foi apresentado como alternativa de redução de danos, entrou como um suposto aliado e acabou se tornando um grande vilão. O vape tem um potencial adictivo extremamente superior. A nicotina sintética gera muito mais dependência e, diferentemente do cigarro tradicional, não provoca desconforto inicial. Isso faz com que a conversão da experimentação para o uso regular aconteça de forma muito rápida”, alertou Dra. Patrícia. 

Segundo ela, dados de levantamento nacional sobre consumo de álcool e outras drogas indicam que 76% das pessoas que experimentam o vape passam a utilizá-lo de forma regular, evidenciando o elevado risco de dependência. 

O coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e da Proteção aos Vulneráveis do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Leonardo Menin, ressaltou que a conscientização deve ser o eixo central da mobilização. 

“Seja na administração pública, nos movimentos sociais ou no Terceiro Setor, todos têm algo a contribuir nessa discussão. Informar, orientar e mobilizar é o nosso papel fundamental a partir deste encontro”. 

A procuradora da República, Ana Paula Medeiros, vinculada ao Núcleo de Cidadania e Saúde, reforçou a importância da atuação conjunta. 

“Quando falamos em saúde pública, sabemos que a prevenção é o caminho mais efetivo. Paralelamente, existe a dimensão da repressão, especialmente diante da importação irregular desses produtos. A atuação integrada é imprescindível”, avaliou. 

O médico urologista e associado da AMRIGS, Luciano Zuffo, chamou atenção para o avanço do consumo também entre jovens adultos e para os impactos futuros no sistema de saúde. 

“Estamos diante de uma epidemia silenciosa, que muitas vezes acontece dentro de casa, sem que os pais percebam. Esse é um problema que terá reflexos na saúde pública e na economia. Precisamos agir de forma coletiva”, declarou Dr. Luciano. 

A reunião contou ainda com a presença das presidentes da Sociedade de Cirurgia Torácica do Rio Grande do Sul (SOCITORS), Dra. Fabíola Perin; da Sociedade de Terapia Intensiva do Rio Grande do Sul (SOTIRGS), Dra. Taiane Vargas; e da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Sul (SPTRS), Dra. Caroline Freiesleben. 

A campanha será estruturada com foco em prevenção, informação qualificada e articulação institucional, envolvendo escolas, famílias, órgãos de segurança e entidades da área da saúde. A orientação é que pais, educadores e profissionais busquem informações em fontes oficiais e acompanhem os canais do Ministério Público Estadual e da AMRIGS para conhecer as próximas etapas da ação.

 

Marcelo Matusiak


A dor não surge do nada: o que sua rotina de higiene revela sobre sua saúde bucal

 

Deixar o fio dental de lado, escovar os dentes com força ou ignorar a língua na higiene são atitudes comuns que, com o tempo, podem causar dor, inflamações e até comprometer implantes 


Você já deixou de comer algo gelado por causa da sensibilidade? Sentiu a gengiva sangrar ao escovar os dentes? Ou percebeu um mau hálito persistente mesmo escovando todos os dias? Muitas dores e desconfortos bucais não aparecem de uma hora para outra, eles são resultado de pequenos hábitos do cotidiano que passam despercebidos e vão se acumulando com o tempo.Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, grande parte dos brasileiros só procura o dentista quando sente dor. O problema é que, quando o incômodo aparece, a situação muitas vezes já está mais avançada.

 “Grande parte das dores bucais está ligada à falta de atenção em pontos simples da rotina, como a gengiva, a língua ou até cuidados específicos com implantes. A prevenção evita dor, tratamentos mais complexos e prejuízos à saúde”, explica o dentista Dr. Paulo Yanase, da Oral Sin, rede de implantes dentários.

Mas afinal, quais hábitos do dia a dia, que muita gente faz sem perceber, podem acabar causando dor, sensibilidade, inflamação na gengiva ou até problemas em implantes dentários? E, mais importante, o que mudar na rotina para evitar dores antes que eles apareçam?

Como cuidar da gengiva e evitar dor e sangramento?
Gengiva que sangra não é normal. Escovar os dentes com força excessiva ou pular o uso do fio dental favorece inflamações, que podem causar dor e retração gengival. O ideal é usar uma escova de cerdas macias, movimentos suaves e fio dental diariamente, sem machucar. Se o sangramento persistir, é sinal de alerta.

Como cuidar da língua e evitar mau hálito e acúmulo de bactérias?
A língua acumula bactérias que causam mau hálito e podem contribuir para inflamações bucais. A limpeza deve ser feita diariamente com raspador ou com a própria escova, de forma delicada, sem força excessiva, sempre após a escovação.

Durante a rotina, como proteger os implantes dentários?
Quem tem implante precisa de atenção redobrada. A falta de higiene adequada ao redor do implante pode causar inflamações e até perda óssea. Além da escovação correta, o uso do fio dental e escovas interdentais ajuda a remover resíduos onde a escova comum não alcança. Consultas regulares são indispensáveis.

Bebidas ácidas podem causar sensibilidade? O canudo pode ajudar?
Sim. Refrigerantes, sucos cítricos e bebidas energéticas são ácidas e podem desgastar o esmalte dos dentes, causando sensibilidade. Um aliado simples é o uso do canudo, que diminui o contato direto da bebida com os dentes. Além disso, evite escovar os dentes logo após consumir bebidas ácidas, o ideal é esperar cerca de 30 minutos.

“Muitas dores bucais não começam no consultório, mas em hábitos simples do dia a dia, que parecem inofensivos. Entender quais atitudes podem causar sensibilidade, inflamação ou desconforto, e como corrigi-las, é o primeiro passo para evitar problemas maiores. Quanto antes o cuidado virar hábito, menores são as chances de dor no futuro”, finaliza.


Oral Sin

Ozempic e Mounjaro podem afetar a saúde bucal e exigem acompanhamento odontológico mais próximo

Efeitos gastrointestinais descritos em bula podem repercutir na cavidade oral e pedem adaptação de protocolos clínicos

 

O crescimento do uso de medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic, e de tirzepatida, como o Mounjaro, ampliou o debate sobre os impactos sistêmicos desses fármacos. Indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e também prescritos para controle de peso, eles têm como reações adversas mais comuns náusea, vômito, diarreia e constipação, conforme descrito nas bulas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 

Embora não sejam medicamentos odontológicos, os efeitos gastrointestinais podem repercutir na saúde bucal.

Sabrina Balkanyi, dentista formada pela USP, empresária à frente de unidades odontológicas próprias e mentora de clínicas em todo o país, afirma que o consultório precisa estar atento a esse novo perfil de paciente. “Os medicamentos não atacam diretamente os dentes, mas os efeitos colaterais descritos em bula, como náusea e refluxo, podem alterar o ambiente bucal. O dentista precisa investigar essas informações na anamnese”, explica.

Segundo diretrizes da American Dental Association, a saliva exerce papel essencial na proteção contra cárie, erosão e doença periodontal. A redução do fluxo salivar, conhecida como xerostomia, está associada ao aumento do risco de lesões cariosas e inflamações gengivais. 

Embora boca seca não seja listada entre os eventos adversos mais frequentes desses medicamentos, pode ocorrer secundariamente à desidratação, à diminuição da ingestão alimentar ou a alterações gastrointestinais persistentes.

Além disso, episódios repetidos de vômito ou refluxo expõem os dentes ao ácido gástrico, favorecendo desgaste do esmalte. “Quando há contato ácido frequente, o esmalte fica mais vulnerável. Se o paciente escova imediatamente após o episódio, pode potencializar a erosão”, alerta.

Ela ressalta que a conduta deve ser preventiva e baseada em evidências. “Não se trata de suspender o medicamento, que tem indicação médica específica, mas de ajustar o cuidado odontológico à condição sistêmica do paciente”, afirma.

A especialista aponta cinco cuidados para proteger a saúde bucal de quem usa Ozempic e Mounjaro

Antes de detalhar as recomendações, a especialista reforça que acompanhamento regular reduz riscos e permite intervenções conservadoras. A adaptação do protocolo clínico é uma medida de segurança, não de alarme.

Entre os principais cuidados e vantagens de um seguimento adequado, ela destaca cinco pontos: 

  • Reforçar a hidratação diária
    A ingestão adequada de água auxilia na manutenção do fluxo salivar e na proteção natural dos dentes.
  • Avaliar sinais de boca seca
    Em caso de xerostomia persistente, o dentista pode indicar estimulantes salivares ou saliva artificial, conforme avaliação individual.
  • Fortalecer o esmalte com flúor
    O uso de dentifrícios fluoretados, conforme recomendado por entidades odontológicas, e aplicações tópicas em consultório ajudam a reduzir o risco de cárie.
  • Evitar escovação imediata após refluxo
    A orientação é aguardar cerca de 30 minutos antes da higiene bucal, permitindo a neutralização do pH oral.
  • Antecipar consultas preventivas
    Intervalos menores entre retornos possibilitam diagnóstico precoce de erosão dental e inflamações gengivais.
     

“Quando o acompanhamento é individualizado, o paciente consegue manter equilíbrio entre o tratamento metabólico e a saúde bucal. O segredo está na integração das informações”, afirma.


Adaptação de protocolos nas clínicas

Para as clínicas, o primeiro passo é revisar fichas de anamnese e incluir perguntas específicas sobre uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida. Em seguida, é fundamental capacitar a equipe para reconhecer sinais de erosão, boca seca e sensibilidade aumentada.

A especialista também recomenda diálogo com o médico assistente quando houver alterações relevantes. “A odontologia faz parte da saúde integral. Quanto mais integrada estiver ao restante da equipe multiprofissional, maior será a segurança do paciente”, diz.

O avanço desses medicamentos representa mudança importante no perfil clínico contemporâneo. “A boca reflete o que acontece no organismo. O dentista que compreende essa conexão atua de forma mais preventiva e responsável”, conclui.

 



Sabrina Balkanyi - dentista formada pela USP, empresária e mentora de dentistas. Há mais de 20 anos dedica-se a construir uma odontologia humana, com foco em transformar vidas por meio de sorrisos. Seu propósito é formar profissionais que, além de excelentes clínicos, também sejam grandes empresários da própria trajetória. Hoje atua 100% na gestão de suas unidades odontológicas, liderando áreas como estratégia, finanças, vendas, captação de pacientes e marketing. Também desenvolve produtos digitais cursos, mentorias, imersões e o Clube do Livro Além da Técnica, voltado a dentistas e profissionais autônomos que desejam fortalecer a gestão de seus negócios.
Para mais informações, visite o site oficial, Linkedin ou o Instagram.



Fontes de pesquisa

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?numeroRegistro=11766003

https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?numeroRegistro=112600205

American Dental Association (ADA)
https://www.ada.org/resources/research/science-and-research-institute/oral-health-topics/xerostomia


Dia Internacional da Mulher - 81% das lesões que acometem mulheres vítimas de violência doméstica são na face

Divulgação
Muito além das estatísticas, a violência doméstica deixa marcas profundas no rosto e na vida de mulheres que lutam para reconstruir sua identidade após a agressão

 

Com a aproximação do Dia Internacional da Mulher (8 de março), um dado médico chama atenção e reforça a gravidade da violência doméstica no Brasil: 81% das mulheres vítimas de agressão física apresentam lesões na face, segundo levantamentos clínicos recentes. 

A alta incidência de traumas faciais faz com que cirurgiões bucomaxilofaciais estejam frequentemente entre os primeiros profissionais de saúde a atender essas vítimas em ambientes hospitalares — muitas vezes identificando sinais graves que vão além das marcas visíveis. 

De acordo com a cirurgiã-dentista e especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Dra. Juliana Búrigo, a face torna-se alvo principal por representar identidade e autoestima da vítima. 

“A agressão na face não é aleatória. Existe um componente simbólico muito forte, porque atingir o rosto significa atingir a identidade, a autoestima e a dignidade da mulher”, explica a Dra. Juliana Búrigo. 

 

Lesões vão além dos hematomas 

Os traumas atingem tanto tecidos moles quanto estruturas ósseas e dentárias. Entre as principais consequências estão:

•hematomas, lacerações e edemas;

•fraturas faciais;

•fraturas dentárias;

•deslocamento ou perda de dentes;

•alterações funcionais na mastigação e fala. 

Estudos apontam que 41% das fraturas ocorrem no terço médio da face, região que inclui maçã do rosto, nariz e maxila. Já 15% atingem o ângulo da mandíbula, podendo comprometer movimentos básicos como falar e se alimentar. 

“Muitas pacientes chegam ao hospital acreditando que sofreram apenas um impacto superficial, mas exames mostram fraturas complexas que podem deixar sequelas permanentes se não forem tratadas rapidamente”, alerta a especialista. 

 

O agressor geralmente é conhecido

Os dados também revelam um padrão preocupante:

•90% dos agressores são companheiros ou parceiros;

•33% das vítimas já haviam sofrido agressões anteriores;

•em 67,9% dos casos, a violência ocorre por meio de socos e tapas. 

Além das fraturas, sintomas como visão dupla, dormência facial, dificuldade para mastigar, tontura e confusão mental podem indicar traumas mais graves, inclusive com risco neurológico. 

 

Atendimento rápido reduz sequelas 

Segundo a Dra. Juliana Búrigo, o tempo entre a agressão e o atendimento médico é determinante para a recuperação. 

“O tratamento precoce é fundamental. Quando a fratura óssea não é reposicionada rapidamente, ela pode cicatrizar de forma incorreta, causando deformidades faciais permanentes e prejuízos funcionais.” 

Nos casos dentários, o atendimento imediato também pode evitar tratamentos mais invasivos, como canal ou perda definitiva do dente. 

A recomendação médica é procurar pronto atendimento hospitalar com equipe especializada em trauma, onde exames de imagem, especialmente tomografia computadorizada, permitem diagnóstico completo. 

 

Violência física e impacto psicológico caminham juntos 

Além das sequelas físicas, especialistas destacam que o trauma facial frequentemente intensifica danos emocionais e psicológicos. 

“Quando a mulher carrega marcas visíveis da violência, o impacto emocional pode ser ainda mais profundo. Por isso, tratar rapidamente as lesões também faz parte do processo de recuperação psicológica”, reforça Dra. Juliana.

 

A especialista também enfatiza a importância da denúncia e do acolhimento. 

“Buscar ajuda médica e denunciar o agressor são passos essenciais para interromper o ciclo da violência e evitar novas agressões.”




📍 Clínica Juliana Búrigo – Rua Coronel Pedro Benedet, 505, sala 610, Edifício Millenium Saúde Center – Criciúma/SC
📞 Atendimento particular
🌐 www.julianaburigo.com.br
📸 Instagram e Facebook: @clinicajulianaburigo

 

Dengue: especialista alerta para cuidados essenciais dentro de casa

Reprodução internet
Com o avanço da doença no mundo, Brasil pode registrar até 1,8 milhão de casos em 2026

 
De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, até o dia 5 de fevereiro, foram registrados mais de 4.640 casos de dengue e um óbito. Somente em 2025, foram confirmados 882.884 casos e 1.124 óbitos no território paulista, o que reforça o alerta para o avanço da doença na região.

O cenário local acompanha uma tendência nacional. Um estudo divulgado pelo projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge), em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas), estima que o país possa registrar 1,8 milhão de casos de dengue em 2026. Desse total, 54% das incidências devem se dar no Estado de São Paulo e 10% em Minas Gerais. A projeção indica uma leve alta em relação a 2025, quando houve 1,7 milhão de casos prováveis da doença, segundo o Ministério da Saúde. 

No panorama global, a dengue também preocupa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 100 e 400 milhões de pessoas podem ser infectadas todos os anos. A dengue é uma das doenças transmitidas por mosquitos mais comuns no mundo e nos últimos anos tem avançado para novas regiões fora das áreas tropicais, incluindo partes da Europa e do Mediterrâneo Oriental. 

Diante desse cenário, para Juliana Damieli, pesquisadora de desenvolvimento de produto e mercado Latam da BASF Soluções para a Agricultura, a expansão da doença está relacionada a uma combinação de fatores, como mudanças climáticas, aumento das temperaturas, chuvas intensas e fragilidade dos sistemas de saúde. “A maior parte dos criadouros do Aedes aegypti está no ambiente domiciliar. Por isso, inspeções frequentes e a eliminação de água acumulada são medidas decisivas”, afirma. 

A especialista detalha que o mosquito passa por quatro fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. “Ovo, larva e pupa ocorrem exclusivamente em água. Já o adulto é o responsável por transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya. Apenas as fêmeas se alimentam do sangue, pois precisam dele para desenvolver os ovos e depois depositá-los”. Por isso, o controle mais eficaz acontece antes da fase adulta.“Eliminar recipientes com água parada é a principal forma de interromper o ciclo e reduzir a transmissão”, reforça. 

Juliana destaca que a transmissão também depende das condições ambientais. Temperaturas mais altas aceleram o desenvolvimento do mosquito; alta umidade favorece a sobrevivência das fêmeas; e períodos chuvosos aumentam a oferta de criadouros. “Além disso, os ovos do Aedes aegypti são resistentes à dessecação e podem permanecer viáveis por meses em ambiente seco, eclodindo quando voltam a ter contato com água. Isso ajuda a explicar a persistência do vetor mesmo fora dos períodos mais chuvosos”. 

A proximidade do mosquito com o ambiente humano (domicílio e peridomicílio) também dificulta o controle baseado apenas em ações externas, já que há abrigo, acesso a hospedeiros e muitos criadouros artificiais. “Urbanização desordenada e manejo inadequado de resíduos aumentam o risco ao criar microambientes favoráveis ao mosquito”, acrescenta. 

Entre os pontos que costumam passar despercebidos dentro de casa, a especialista chama atenção para ralos pouco utilizados, comuns em banheiros externos, lavanderias e áreas de serviço. “A água retida na caixa sifonada pode favorecer o desenvolvimento de larvas. Como medida prática, a aplicação semanal de sal nesses ralos ajuda a reduzir a sobrevivência das larvas e interromper o ciclo do inseto”, orienta. 

Ela também ressalta que plantas como bromélias e bambus podem acumular água, mas tendem a ter menor relevância epidemiológica do que criadouros artificiais. Já plantas aromáticas, como citronela, manjericão e lavanda, podem contribuir como repelentes naturais em ambientes internos e pouco ventilados, mas não eliminam o mosquito nem substituem as medidas de controle.
 

Cuidados práticos em casa 

Juliana esclarece que pequenas atitudes no dia a dia fazem diferença na prevenção da dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Entre as principais recomendações estão:

  • Eliminar qualquer acúmulo de água em recipientes, mesmo pequenos;
  • Manter caixas d’água, tonéis e reservatórios totalmente vedados;
  • Lavar com água e sabão bebedouros de animais, bandejas de refrigeradores e ralos pouco utilizados;
  • Aplicar semanalmente sal nos ralos pouco utilizados;
  • Manter calhas limpas e desobstruídas;
  • Armazenar garrafas vazias com a abertura voltada para baixo;
  • Descartar corretamente materiais que possam acumular água;
  • Manter áreas externas livres de resíduos e objetos sem função;
  • Preencher pratos de plantas com areia até a borda;

E faz o alerta para o risco de resistência do mosquito aos inseticidas, especialmente quando há uso repetido dos mesmos produtos. Segundo ela, o mosquito pode desenvolver resistência rapidamente aos métodos tradicionais de controle quando exposto continuamente aos mesmos princípios ativos. 

“O combate à dengue precisa combinar manejo ambiental, educação da população, vigilância entomológica e melhorias estruturais. A soma dessas ações reduz de forma mais sustentável a densidade do vetor e ajuda a prevenir surtos”, finaliza a pesquisadora da BASF Soluções para a Agricultura.
 

Vacinação contra a dengue 

Como estratégia complementar de prevenção, a vacinação também surge como uma ferramenta importante para reduzir o impacto da doença. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue. 

O imunizante, a Butantan-DV, foi aprovado pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos. Os estudos apontaram eficácia de quase 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações. 

A imunização abrangerá nesse primeiro momento as equipes multiprofissionais de unidades básicas de saúde, incluindo agentes comunitários, enfermeiros, médicos e demais profissionais cadastrados.

BASF na Agricultura. Juntos pelo seu Legado.

 

BASF Soluções para Agricultura
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