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terça-feira, 4 de agosto de 2026

A saúde mental do profissional de alta performance e o dever patronal de prevenção após a nova NR-1

 

Durante muito tempo, o adoecimento psíquico foi tratado como um problema estritamente individual. Ansiedade, depressão e síndrome de burnout eram frequentemente atribuídas à personalidade do trabalhador, à sua capacidade de lidar com pressão ou a fatores exclusivamente pessoais. Essa visão, porém, tornou-se incompatível com as evidências científicas, com a evolução da legislação trabalhista e previdenciária e, mais recentemente, com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a identificação e o gerenciamento dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. 

Os números ajudam a dimensionar a gravidade do problema. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, São Paulo concentrou, em 2025, o maior número absoluto de afastamentos por transtornos mentais no país, com 149.375 benefícios concedidos. Levantamentos baseados em dados do INSS demonstram que os bancários figuram entre as categorias mais atingidas por esse tipo de adoecimento, sendo os gerentes de banco aqueles com o maior percentual de afastamentos reconhecidos como doença ocupacional. 

O fenômeno, entretanto, está longe de se restringir ao sistema financeiro. Estudos sobre a saúde de pilotos e comissários de voo apontam elevada incidência de ansiedade e depressão, associadas à irregularidade das escalas, à privação de sono, às longas jornadas e ao confinamento inerente à atividade aérea. Na área de tecnologia da informação, a lógica da conectividade permanente, a pressão por entregas imediatas e a expectativa de disponibilidade contínua — muitas vezes durante fins de semana, feriados e períodos de férias — também têm contribuído para o crescimento dos transtornos psíquicos. 

Há um traço comum entre esses diferentes setores: a valorização do profissional de alta performance. O desempenho elevado, a disponibilidade integral e a capacidade de suportar pressão constante costumam ser tratados como atributos desejáveis. O problema surge quando tais exigências deixam de representar excelência profissional e passam a configurar uma forma de organização do trabalho incompatível com a preservação da saúde. 

Não por acaso, a Organização Mundial da Saúde passou a reconhecer a síndrome de burnout como um fenômeno ocupacional relacionado ao trabalho. A mensagem é clara: determinadas formas de gestão e organização laboral são capazes de desencadear ou agravar doenças psíquicas. 

O ordenamento jurídico brasileiro acompanha essa evolução. Os artigos 20 e 21 da Lei nº 8.213/91 reconhecem que enfermidades decorrentes ou agravadas pelas condições de trabalho podem ser equiparadas a acidente de trabalho. A proteção jurídica, portanto, não se limita aos acidentes típicos ou às lesões físicas. Ela alcança também o sofrimento psíquico quando demonstrado o nexo entre a atividade profissional e o adoecimento. 

A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho vem consolidando esse entendimento. É evidente que o empregador possui legitimidade para estabelecer metas, fiscalizar resultados e exercer seu poder diretivo. O limite é ultrapassado quando a cobrança se converte em jornadas exaustivas, metas inalcançáveis, sobrecarga permanente, disponibilidade ininterrupta, assédio organizacional ou qualquer outra forma de gestão que exponha o trabalhador a riscos previsíveis de adoecimento. Nessas hipóteses, comprovado o nexo causal, podem surgir deveres de indenizar pelos danos materiais, morais e, conforme o caso, existenciais. 

A atualização da NR-1 representa um dos avanços mais relevantes dessa agenda preventiva. Ao determinar que o Programa de Gerenciamento de Riscos contemple também os fatores psicossociais, a norma altera significativamente a postura esperada das empresas. Questões como pressão excessiva por metas, ausência de pausas, sobrecarga de tarefas, conflitos interpessoais, assédio e deficiência na organização do trabalho deixam de ser tratadas apenas como desafios de recursos humanos e passam a integrar o conjunto de riscos ocupacionais cuja prevenção é obrigação legal do empregador. 

Essa mudança produz efeitos que ultrapassam a esfera administrativa. Em eventual demanda judicial, a inexistência de avaliações de riscos psicossociais, de protocolos preventivos ou de medidas efetivas de controle poderá servir como elemento relevante para demonstrar eventual negligência patronal. A lógica é simples: se a legislação passou a exigir prevenção, sua ausência pode evidenciar o descumprimento do dever de proteção. 

Nesse contexto, ganha especial importância a produção de provas. Registros de jornada, e-mails corporativos, mensagens eletrônicas, avaliações de desempenho, atas de reuniões, gravações realizadas de forma lícita e depoimentos de colegas podem demonstrar que o adoecimento decorreu da forma como o trabalho era organizado, afastando a ideia de que a doença teria origem exclusivamente pessoal. 

Também merece atenção o correto enquadramento previdenciário desses casos. Ainda é frequente que trabalhadores acometidos por transtornos mentais recebam auxílio por incapacidade temporária comum (espécie B31), embora a enfermidade possua relação direta com o ambiente laboral. Quando reconhecido o nexo ocupacional, o benefício adequado passa a ser o auxílio por incapacidade temporária acidentário (espécie B91), produzindo consequências jurídicas relevantes. 

Entre elas estão a manutenção dos depósitos de FGTS durante todo o período de afastamento e a estabilidade provisória de doze meses após o retorno ao trabalho, direitos assegurados pela legislação previdenciária e reiteradamente reconhecidos pela jurisprudência trabalhista. Mais do que uma classificação administrativa, o correto enquadramento influencia diretamente a extensão da proteção social conferida ao trabalhador e pode repercutir em futuras ações de reparação por doença ocupacional. 

É importante desfazer outro equívoco recorrente: remuneração elevada, cargo de confiança ou posição executiva não reduzem a proteção garantida pela legislação. O Direito do Trabalho não distingue trabalhadores pela faixa salarial quando está em jogo a preservação da saúde. O que importa é verificar se a organização do trabalho criou ou agravou condições capazes de comprometer a integridade física ou psíquica do empregado. 

A cultura da alta performance continuará sendo parte importante do ambiente corporativo contemporâneo. O desafio consiste em separar a busca legítima por produtividade da institucionalização de práticas que transformam o adoecimento em custo previsível da atividade empresarial. A atualização da NR-1 sinaliza que essa lógica já não encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro. 

A competitividade pode ser uma exigência do mercado. A negligência com a saúde mental, porém, passou a representar não apenas um problema de gestão, mas também um relevante fator de responsabilidade jurídica. Prevenir riscos psicossociais deixou de ser uma recomendação de boas práticas para tornar-se um dever legal cuja observância interessa, simultaneamente, às empresas, aos trabalhadores e à própria sustentabilidade das relações de trabalho.

 

Janaina Souza Amadeu - advogada do escritório Mauro Menezes & Advogados


Volta ás aulas: 5 motivos para incentivar estudantes a participarem de olimpíadas do conhecimento

Mais do que medalhas, as olimpíadas desenvolvem habilidades, revelam talentos e podem abrir portas para universidades, bolsas de estudo e carreiras científicas  



Neste período de volta às aulas que milhares de estudantes participam de provas, avançam de fase e intensificam a preparação para competições nacionais e internacionais. Mais do que disputas acadêmicas, essas iniciativas vêm se consolidando como importantes ferramentas para desenvolver talentos, estimular o interesse pela ciência e ampliar oportunidades educacionais.

O Brasil, inclusive, ocupa posição de destaque nesse cenário. A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), por exemplo, é considerada uma das maiores competições de matemática do mundo, reunindo cerca de 18,5 milhões de estudantes e alcançando praticamente todos os municípios brasileiros. Além dela, milhares de jovens participam todos os anos de olimpíadas de Astronomia, Física, Química, Biologia, Informática e Robótica.

Para Ralph Reis, vice-presidente do Instituto Fliegen, projeto social sediado em Cotia (SP) que prepara estudantes da rede pública para olimpíadas do conhecimento, o crescimento dessas competições mostra que a educação brasileira tem encontrado novos caminhos para identificar talentos e incentivar o desenvolvimento acadêmico.

"O Brasil é hoje uma referência quando falamos em participação em olimpíadas científicas. Cada vez mais escolas e estudantes enxergam nessas competições uma oportunidade de crescimento acadêmico, desenvolvimento pessoal e construção de novas perspectivas para o futuro", afirma.

Segundo Ralph, as olimpíadas vão muito além das medalhas. Confira cinco motivos para incentivar a participação dos estudantes:


1. Desenvolvem habilidades que acompanham o estudante por toda a vida

Muito além do conteúdo das disciplinas, as competições estimulam competências valorizadas tanto na universidade quanto no mercado de trabalho.

"Durante a preparação, os estudantes desenvolvem raciocínio lógico, pensamento científico, capacidade de pesquisa, resolução de problemas, disciplina, autonomia e persistência. São habilidades que permanecem ao longo da vida e fazem diferença em qualquer carreira", destaca.



2. Mostram que dedicação vale mais do que talento

Embora exista a percepção de que apenas alunos considerados "gênios" conseguem bons resultados, a realidade costuma ser diferente.

"Não existe um perfil único de estudante olímpico. Curiosidade, dedicação e constância fazem muito mais diferença do que uma facilidade inicial em determinada disciplina. No Instituto Fliegen, já vimos todos os nossos alunos conquistarem medalhas em diferentes olimpíadas. Isso demonstra que, quando existe oportunidade e preparação, qualquer estudante pode alcançar excelentes resultados", ressalta.


3. Podem abrir portas para universidades e bolsas de estudo

Participar de olimpíadas acadêmicas também pode representar novas oportunidades para o futuro.

"Diversas universidades já reconhecem o desempenho em olimpíadas em processos seletivos ou oferecem programas de iniciação científica, bolsas de estudo e outras oportunidades para estudantes que se destacam nessas competições", explica.


4. Aproximam os jovens da ciência e da inovação

As olimpíadas despertam o interesse por áreas estratégicas para o desenvolvimento do país, como tecnologia, engenharia, matemática e pesquisa científica.

"Muitas vezes, uma olimpíada desperta no estudante uma curiosidade que vai muito além do conteúdo apresentado em sala de aula. Esse pode ser o primeiro passo para uma trajetória na ciência, na pesquisa ou em outras áreas do conhecimento", reforça.


5. Democratizam oportunidades e transformam realidades

Apesar do crescimento das olimpíadas do conhecimento, ainda existem desafios para ampliar o acesso de estudantes de diferentes regiões e contextos sociais.

"Precisamos reduzir as desigualdades de acesso e combater a ideia de que essas competições são destinadas apenas a alunos considerados gênios. As olimpíadas têm potencial para transformar a trajetória de qualquer estudante que tenha oportunidade de participar", conclui.

Para Ralph, julho também é um momento importante para que escolas e famílias incentivam a participação dos estudantes nas olimpíadas do conhecimento.

"A escola tem papel fundamental ao divulgar as competições, identificar talentos e orientar os alunos durante as inscrições. Já a família contribui oferecendo incentivo, acompanhando a rotina de estudos e mostrando que o aprendizado vale muito mais do que qualquer medalha", finaliza.


Casa é inviolável

 

Constituição Federal estabelece quando a polícia pode entrar em uma residência sem autorização do morador e garante proteção contra invasões ilegais.

 

A inviolabilidade do domicílio é um dos direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal, mas ainda gera muitas dúvidas entre os brasileiros. Afinal, a polícia pode entrar em qualquer residência durante uma investigação? Uma denúncia anônima é suficiente para autorizar o ingresso? Segundo especialistas em Direito Penal, a resposta é não. A legislação brasileira estabelece critérios rigorosos para proteger esse direito e garantir que a atuação das autoridades ocorra dentro dos limites da lei.

O artigo 5º, inciso XI, da Constituição Federal determina que a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém podendo nela penetrar sem o consentimento do morador, salvo em quatro hipóteses: flagrante delito, desastre, prestação de socorro ou, durante o dia, por determinação judicial. Fora dessas situações, a entrada sem autorização configura violação de um direito fundamental.

De acordo com o advogado criminalista Jefferson Nascimento da Silva, esse dispositivo constitucional busca equilibrar a atuação do Estado com a proteção das liberdades individuais. "A Constituição não impede a atuação da polícia. Ela apenas estabelece limites para que o poder público exerça sua função de forma legal, respeitando os direitos fundamentais de todos os cidadãos", explica.

Nos últimos anos, tanto o Supremo Tribunal Federal (STF) quanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidaram o entendimento de que uma denúncia anônima, isoladamente, não autoriza o ingresso forçado em uma residência. Para que a entrada seja considerada legítima, é necessário que existam elementos concretos que indiquem a ocorrência de uma situação de flagrante delito, capazes de justificar a medida naquele momento.

Segundo Jefferson, essa interpretação não dificulta o combate à criminalidade, mas fortalece a qualidade das investigações. "Quando a polícia reúne elementos objetivos antes de ingressar em um imóvel, reduz o risco de ilegalidades, fortalece a produção de provas e evita que todo o trabalho investigativo seja comprometido futuramente", afirma.

Outro aspecto importante envolve a validade das provas obtidas. O Código de Processo Penal prevê que provas produzidas por meios ilícitos podem ser declaradas inadmissíveis pela Justiça. Isso significa que uma entrada ilegal em um domicílio pode comprometer toda a investigação e até levar à nulidade das provas produzidas a partir daquela diligência.

Para o advogado, conhecer esses direitos não representa um obstáculo ao trabalho das forças de segurança, mas uma forma de fortalecer o Estado Democrático de Direito. "Respeitar a Constituição não protege criminosos, protege a sociedade. Quando o Estado atua dentro da legalidade, garante segurança jurídica, fortalece a confiança da população nas instituições e assegura que a Justiça seja construída sobre provas obtidas de forma legítima", conclui Jefferson Nascimento da Silva.

 

Jefferson Nascimento da Silva
Advogado Criminalista, OAB/PR 86.750
@jeeffeh
jeffe.adv@gmail.com
https://advjeffersonsilva.com.br
Rua Conselheiro Laurindo, 600 - sala 1006/1007, Centro, Curitiba/PR.


Turquia ganha destaque no turismo de bem-estar com águas termais e tradição centenária


 

De Pamukkale a Afyonkarahisar, país reúne roteiros que combinam paisagens naturais, patrimônio histórico e experiências de cuidado ao longo do ano todo

 

Na Turquia, o cuidado com o corpo e a mente não é apenas uma pausa na rotina, mas parte de uma tradição que atravessa séculos. De antigos banhos romanos resorts termais contemporâneos, o país é reconhecido por suas águas ricas em minerais e por paisagens que convidam a todos a relaxar. Em diferentes regiões, fontes termais brotam naturalmente do solo e criam cenários únicos para quem deseja renovar corpo e mente em contato com a natureza. 

Atualmente, o país se consolida como um dos destinos mais fascinantes para o turismo de bem-estar, com experiências termais que se combinam a ambientes marcantes, herança histórica milenar e hospitalidade contemporânea, seja como uma pausa durante a viagem, seja como foco principal de um roteiro dedicado ao cuidado pessoal. 


Pamukkale: águas termais e legado arqueológico 

Quando o assunto é turismo termal na Turquia, Pamukkale costuma ser o primeiro destino lembrado. Conhecido como o “Castelo de Algodão”, o local, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, impressiona por seus terraços brancos de travertino, formados ao longo de milhares de anos pelo fluxo contínuo de águas termais ricas em minerais. 

Há séculos, viajantes de diferentes partes do mundo visitam a região para aproveitar suas piscinas naturais e os benefícios tradicionalmente associados às fontes termais. Ao lado dos terraços está a antiga cidade de Hierápolis, onde, ainda no período romano, grandes complexos recebiam visitantes em busca de cuidado e recuperação. Hoje, a experiência reúne banho termal e contato com vestígios arqueológicos de grande relevância, em um encontro singular entre história e tradição. 


Afyonkarahisar: fontes minerais e infraestrutura hoteleira 

Entre os destinos termais mais reconhecidos da Turquia está Afyonkarahisar, frequentemente chamada de “cidade das águas termais”. A região é rica em fontes naturais de altas temperaturas e elevada concentração de minerais, o que ajudou a consolidá-la como um dos principais polos de turismo termal do país. 

Ali, hotéis e resorts especializados oferecem programas completos para os visitantes, com banhos terapêuticos, tratamentos com lama e terapias de spa contemporâneas. Tradicionalmente, as águas de Afyonkarahisar faz da cidade uma opção especialmente atrativa para quem busca descanso com estrutura dedicada ao cuidado pessoal. 


Além dos destinos mais conhecidos 

Para além dos lugares mais famosos, a Turquia também abriga destinos termais menos conhecidos, mas igualmente interessantes. As fontes de Balçova, perto de Esmirna, os centros especializados da região de Bolu e os banhos termais de Kızılcahamam, nas proximidades de Ancara, são alguns exemplos de roteiros ideais para uma escapada mais tranquila. Esses destinos costumam unir instalações modernas de spa a paisagens naturais marcantes. Florestas, montanhas e, em alguns casos, vistas para o mar ajudam a criar o cenário ideal para quem deseja desacelerar e recuperar o equilíbrio de forma mais completa. 

O que torna o turismo termal na Turquia especialmente singular é o encontro entre natureza, cultura e tradição. Das piscinas naturais de Pamukkale às águas termais de Afyonkarahisar e aos históricos banhos de Bursa, o país reúne experiências relaxantes que combinam bem-estar, cenários marcantes e patrimônio histórico. Para os viajantes brasileiros, esses roteiros podem ser explorados por meio das conexões da Turkish Airlines via Istambul, porta de entrada para diferentes regiões do país e para uma viagem que une cuidado, cultura e hospitalidade turca em uma mesma experiência. 



Turkish Airlines
www.turkishairlines.com
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O tarifaço americano e o preço da polarização: quando a conta chega ao cidadão


O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao comércio internacional representa muito mais do que uma decisão econômica. Trata-se de um movimento que reorganiza as relações comerciais globais, aumenta a insegurança dos mercados e impõe novos desafios para países que dependem das exportações para gerar emprego, renda e desenvolvimento. 

Para o Brasil, os impactos podem ser significativos. Por isso, diante deste cenário preocupante, a principal obrigação da União deve ser a de ampliar o diálogo. É hora de fortalecer a Diplomacia, abrir canais de negociação e aproximar os setores produtivos, a fim de se reduzir os prejuízos ao País. 

Porém, este episódio revela outro grave problema: o custo da polarização política. Há anos, defendo que o maior prejuízo desta radicalização não está restrito ao ambiente de intolerância que se cria, mas, sobretudo, ao seu poder de contaminar as relações institucionais, econômicas e diplomáticas, tornando o Brasil mais vulnerável, justamente quando mais precisa construir pontes. 

Vivemos um momento em que praticamente toda discussão termina dividida entre os extremos. A Política, então, deixa de ser instrumento para a superação de desafios e o oferecimento de soluções para o dia a dia dos brasileiros e se transforma numa arena, num campo de batalha, num espaço de constante enfrentamento. 

Enquanto isso, demandas fundamentais continuam esperando por respostas. A produtividade, por exemplo, permanece baixa, a infraestrutura carece de investimentos, a Educação exige avanços urgentes, e a inovação cresce lentamente, enquanto a competitividade da indústria precisa ser fortalecida. Estas, entre tantas outras, deveriam ser prioridade da agenda pública. Infelizmente, quando a polarização domina o debate, estas pautas desaparecem. Sobram discursos, ataques (inclusive, às instituições). Faltam resoluções. 

O mais preocupante é que esta tensão vai além dos partidos e das ideologias e produz, também, reflexos internacionais. O Brasil passou a ocupar espaço em disputas externas, enquanto governos estrangeiros também se manifestam sobre temas internos. Por óbvio, quanto maior a instabilidade política, menor tende a ser nossa capacidade de construir relações sólidas e defender os interesses econômicos do País. 

Quem paga essa conta nunca são apenas os governos. Paga o empresário, que deixa de investir; o produtor, que perde mercado; o trabalhador, que vê as oportunidades diminuírem; e a família, que enfrenta inflação, juros elevados e menor crescimento econômico, perdendo, inclusive, a cada dia, o poder de compra. Em outras palavras, quem sempre paga, e caro, é o cidadão comum. 

Por isso, o momento exige maturidade. Defender o Brasil significa colocar o interesse nacional acima das disputas políticas, compreender que diálogo não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade, e entender que negociar não é abrir mão de princípios, mas, sim, proteger empregos, investimentos e oportunidades. 

O tarifaço americano é alerta importante. O Brasil carece, insisto, de menos polarização e de mais gestão; de menos discursos para alimentar torcidas e de mais políticas públicas voltadas a resultados. O País precisa de menos conflitos permanentes e de mais capacidade de alcançar consensos.

 

Paulo Serra - especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-SP; professor universitário no curso de Direito, também é vice-presidente da Executiva Nacional do PSDB, presidente do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo, e vice-presidente da Federação PSDB-Cidadania paulista; foi prefeito de Santo André-SP, de 2017 a 2024.


Golpes digitais, no mercado imobiliário avançam

Advogado alerta para o crescimento das fraudes imobiliárias pela internet e explica os cuidados que compradores, vendedores e locatários devem adotar antes de fechar um negócio

 

A digitalização do mercado imobiliário trouxe mais praticidade para quem compra, vende ou aluga imóveis. Visitas virtuais, assinaturas eletrônicas, anúncios em plataformas digitais e pagamentos instantâneos reduziram distâncias e agilizaram negociações. Ao mesmo tempo, porém, esse ambiente abriu espaço para um novo tipo de criminalidade. Falsas imobiliárias, corretores inexistentes, anúncios clonados, escrituras falsificadas e golpes envolvendo transferências via PIX estão entre as fraudes que mais preocupam especialistas e autoridades.

O prejuízo pode chegar a centenas de milhares de reais. Em muitos casos, criminosos copiam anúncios verdadeiros, utilizam fotografias reais de imóveis, criam perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens e convencem compradores ou locatários a realizar pagamentos antecipados para garantir um suposto negócio. Quando a vítima percebe a fraude, o dinheiro já foi transferido para contas de terceiros e recuperar os valores torna-se uma tarefa complexa.

Segundo o advogado especialista em Direito Imobiliário Carlos Alberto Zonta Junior, a sofisticação desses golpes exige que consumidores redobrem os cuidados antes de qualquer negociação. "Hoje os criminosos conseguem reproduzir logotipos, contratos, documentos e até identidades visuais de imobiliárias conhecidas. Muitas vezes a fraude parece absolutamente legítima. Por isso, a conferência das informações deixou de ser uma recomendação e passou a ser uma etapa obrigatória de qualquer negociação imobiliária", afirma.

Entre as práticas mais comuns está a atuação do chamado falso corretor. O golpista se apresenta como profissional habilitado, intermedeia a negociação e solicita pagamentos de sinal ou entrada em contas bancárias que não pertencem ao proprietário nem à imobiliária. Outro golpe recorrente envolve a alteração dos dados bancários momentos antes da transferência dos recursos. "É fundamental confirmar os dados da conta por um canal diferente daquele utilizado durante a negociação. Um simples telefonema para a imobiliária ou para o corretor pode evitar prejuízos significativos", orienta Zonta.

O especialista também chama atenção para a necessidade de verificar a documentação do imóvel e a identidade dos envolvidos antes da assinatura de qualquer contrato. Escrituras falsas, procurações fraudulentas e documentos adulterados podem dar aparência de legalidade a operações inexistentes. "Toda compra ou venda deve passar por uma análise documental criteriosa. Certidões atualizadas, matrícula do imóvel e a conferência da regularidade do corretor e das partes envolvidas são medidas que reduzem consideravelmente o risco de fraude", explica.

Outra orientação importante é desconfiar de ofertas muito abaixo do valor de mercado ou de negociações marcadas por excesso de urgência. Segundo o advogado, os golpistas costumam pressionar a vítima para que a decisão seja tomada rapidamente, impedindo que haja tempo para conferências e consultas. "Quando alguém insiste para que o pagamento seja imediato porque existe outro comprador ou porque a oportunidade vai acabar em poucos minutos, esse comportamento deve servir como sinal de alerta. No mercado imobiliário, cautela nunca é excesso", destaca.

Para Carlos Alberto Zonta Junior, o avanço das fraudes digitais exige uma mudança de comportamento dos consumidores. "A tecnologia trouxe inúmeras vantagens para o mercado imobiliário, mas também aumentou a responsabilidade de quem negocia. Verificar documentos, confirmar informações e buscar orientação jurídica antes de movimentar valores elevados são atitudes que podem evitar perdas financeiras e anos de disputas judiciais. No mercado imobiliário, segurança continua sendo o melhor investimento", conclui.

 

Carlos Alberto Zonta Junior
Advogado Imobiliário, OAB/PR 77920
@bzonta
contato@zonta.adv.br
www.zonta.adv.br
Rua Arthur Thomas, 942, Loja 01, Zona 01, Maringá - PR.


Famílias e indústrias buscam energia solar para reduzir custos

A energia solar e o sistema BESS reduzem os custos industriais contra a alta nas tarifas elétricas. A tecnologia garante estabilidade financeira e impulsiona a economia nacional.

 

Uma pesquisa da CNI mostra que o custo da eletricidade afeta a competitividade de 83% das indústrias brasileiras. Além disso, cerca de 67% dos empresários relatam que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção das empresas. Consequentemente, o setor busca soluções eficientes para mitigar o impacto constante dos reajustes tarifários no país.

 

Nesse contexto, mais de 64% das indústrias passaram a adotar medidas estratégicas para reduzir os gastos com eletricidade. Por exemplo, 13% dos gestores investiram diretamente em autogeração e em programas focados em eficiência energética. Dessa forma, as empresas buscam diminuir a dependência das tarifas convencionais e otimizar os seus processos produtivos.

 

Por fim, a adesão às medidas de economia varia de forma expressiva conforme o segmento industrial analisado na pesquisa. Enquanto o setor de equipamentos de informática priorizou ações de eficiência energética, a indústria de produtos de borracha destacou-se nos investimentos em autogeração. Assim, os dados comprovam que a gestão de custos com energia se tornou prioridade absoluta para a indústria nacional.

 

Transição para a geração própria e impacto econômico

 

O constante aumento da tarifa de luz impulsiona o interesse por fontes renováveis no Brasil. Nesse cenário, a energia solar fotovoltaica se consolida como a principal alternativa para conter os custos operacionais. Além disso, o avanço da tecnologia e a queda nos preços das instalações tornam essa escolha ainda mais atraente.

 

A adoção dos painéis solares reduz consideravelmente os gastos mensais de famílias e empresas. Segundo Anderson Oliveira, CEO operacional da EcoPower, o valor economizado com a fatura elétrica impulsiona diretamente a economia nacional. Dessa forma, os consumidores reinvestem esses recursos em ampliações, novas tecnologias e viagens.

 

“A energia solar vai de encontro a uma conscientização que é global: a sustentabilidade. Além dela, a economia que proporciona às famílias, às empresas, indústrias e propriedades rurais em suas contas de energia elétrica impulsiona a economia do país. O valor mensal economizado é investido em diversas áreas como viagens, ampliações das empresas, novas tecnologias etc., de acordo com a sua realidade”, afirmou Anderson.

 

A transição energética oferece maior estabilidade financeira frente aos constantes reajustes das concessionárias. Portanto, os investimentos em sistemas fotovoltaicos garantem previsibilidade orçamentária e rápida rentabilidade. Consequentemente, a geração própria de eletricidade fortalece o orçamento doméstico e a competitividade do setor produtivo. 


“A energia solar funciona como uma aplicação financeira de alta rentabilidade e baixo risco. Quando uma família deixa de pagar valores abusivos na conta de luz, esse capital remanescente é reinjetado diretamente na economia local por meio do consumo de bens e serviços”, apontou Anderson.

 

Adoção do BESS e autonomia nos momentos críticos

 

A manutenção da bandeira amarela pela ANEEL continua encarecendo a conta de luz e pressionando o orçamento dos consumidores brasileiros. Dessa forma, a baixa nos reservatórios das hidrelétricas exige o acionamento de termelétricas e encarece o custo da geração de energia. Além disso, a busca por maior estabilidade financeira e previsibilidade nos gastos mensais impulsiona a adesão à energia solar.


Segundo Anderson, para esse cenário, a integração da tecnologia BESS aos sistemas solares surge como uma solução muito eficiente para otimizar o consumo. Por exemplo, os equipamentos armazenam a energia gerada durante o dia para utilização posterior nos horários de pico ou à noite.

 

“O BESS atua como o cérebro e o reservatório do sistema de energia solar. Durante os períodos do dia em que a irradiação solar é abundante, os painéis fotovoltaicos geram energia. Logo, tanto para suprir o consumo imediato do imóvel quanto para carregar o banco de baterias. Quando a captação solar cessa ou nos momentos em que a tarifa da distribuidora atinge seus valores mais altos, o sistema BESS entra em operação automaticamente. Assim, descarregando a energia armazenada para abastecer a unidade consumidora”, apontou o CEO.

 

Consequentemente, a combinação de baterias e painéis fotovoltaicos reduz a dependência da rede elétrica convencional e diminui significativamente os custos. Assim, essa autonomia energética atrai indústrias, comércios, propriedades rurais e famílias que buscam proteção contra as constantes altas tarifárias.



Golpe da Foto de Visualização Única: Como Criminosos Estão Usando o Medo e a Extorsão para Fazer Vítimas

 

Uma nova modalidade de golpe tem preocupado especialistas em segurança digital e já começa a aparecer com frequência nas redes sociais, aplicativos de mensagens e denúncias recebidas por profissionais da área de cibersegurança. 

Utilizando o recurso de fotos de visualização única, criminosos estão explorando o medo, a vergonha e a desinformação para extorquir vítimas, muitas vezes sem sequer terem qualquer informação real sobre elas. 

O golpe pode assumir diferentes formas, mas todas possuem algo em comum: a tentativa de manipular emocionalmente a vítima para que ela realize pagamentos ou forneça informações pessoais.


Como funciona uma foto de visualização única?

Antes de entender o golpe, é importante compreender a tecnologia utilizada. 

As fotos de visualização única foram criadas para aumentar a privacidade das conversas. Quando uma imagem é enviada nesse formato, ela pode ser visualizada apenas uma vez pelo destinatário. 

Após a abertura, o aplicativo registra a visualização e impede que a foto seja aberta novamente. Além disso, a imagem normalmente não fica armazenada na conversa nem é salva automaticamente na galeria do aparelho. 

Do ponto de vista técnico, o recurso foi desenvolvido para reduzir a permanência da mídia no dispositivo do destinatário, oferecendo mais privacidade ao compartilhamento de informações sensíveis. 

Isso não significa que o conteúdo seja impossível de ser capturado por outros meios, mas sim que a proposta da funcionalidade é evitar o armazenamento permanente da imagem.

 

O golpe da curiosidade 

Uma das versões mais comuns começa com mensagens aparentemente inocentes.

 

A vítima recebe frases como: 

* “É você nessa foto?”

* “Olha o que estão falando de você.”

* “Você precisa ver isso urgente.”

* “Recebi isso e achei que deveria te avisar.”

 

A mensagem vem acompanhada de uma foto de visualização única. 

Ao abrir a imagem, muitas vezes não existe qualquer conteúdo relevante. Em outros casos, a imagem é genérica ou completamente desconectada da vítima.


O objetivo não é a foto em si. 

O objetivo é confirmar que existe uma pessoa ativa do outro lado e iniciar uma conversa que permita aos criminosos aplicar golpes posteriores.

A nova modalidade: falsas acusações e extorsão

Nos últimos meses, uma nova variação tem chamado a atenção dos especialistas.

Nessa modalidade, os criminosos enviam propositalmente imagens contendo conteúdo sexual explícito ou até mesmo material que aparenta envolver conteúdo sexual criminoso. 

Logo após a visualização, a vítima passa a receber mensagens afirmando que foi identificada consumindo aquele tipo de material.

Os golpistas alegam possuir supostos registros de acesso, monitoramento do aparelho, histórico de navegação ou provas digitais que demonstrariam que a vítima procura esse tipo de conteúdo na internet.


Em seguida, iniciam as ameaças. 

As mensagens costumam afirmar que: 

* A vítima cometeu um crime.

* O caso será encaminhado para a polícia.

* Familiares serão informados.

* O empregador será comunicado.

* O conteúdo será divulgado publicamente.

* O nome da pessoa será exposto nas redes sociais.


Para evitar essa suposta denúncia ou exposição, os criminosos exigem pagamentos imediatos.


O que os criminosos realmente possuem?

Na imensa maioria dos casos, absolutamente nada.

Trata-se de uma técnica clássica de engenharia social baseada em intimidação psicológica.

Os golpistas contam com o desconhecimento técnico da vítima para fazê-la acreditar que a simples abertura de uma imagem enviada por terceiros poderia comprovar algum comportamento criminoso.

Na prática, abrir uma foto recebida por um aplicativo de mensagens não significa que a pessoa procurou, armazenou ou consumiu deliberadamente aquele conteúdo.

Além disso, os criminosos normalmente não possuem acesso ao histórico de navegação, aos arquivos do aparelho ou a qualquer evidência real que sustente as acusações apresentadas.

O golpe funciona porque muitas pessoas entram em pânico antes mesmo de analisar racionalmente a situação.

Abrir a foto significa que meu celular foi invadido?

Não.

Do ponto de vista técnico, a simples visualização de uma foto de visualização única dentro de um aplicativo legítimo não significa que houve invasão do aparelho, instalação de malware ou comprometimento dos dados pessoais.


O verdadeiro ataque acontece no campo emocional.

Os criminosos exploram sentimentos como medo, vergonha, culpa e urgência para induzir a vítima a tomar decisões precipitadas.


Como se proteger?

Algumas medidas simples ajudam a reduzir significativamente o risco:

* Desconfie de mensagens que geram urgência ou pânico.

* Evite interagir com números desconhecidos.

* Não forneça informações pessoais.

* Nunca envie documentos ou dados bancários.

* Não realize pagamentos sob pressão.

* Ative a autenticação em duas etapas nos aplicativos.

* Mantenha o sistema operacional e os aplicativos atualizados.


A melhor defesa continua sendo a informação.

O que fazer se começar a ser extorquido?

Caso receba ameaças após abrir uma foto de visualização única:

1. Não faça qualquer pagamento.

2. Não tente negociar com os criminosos.

3. Preserve todas as evidências da conversa.

4. Registre capturas de tela, números, áudios e mensagens.

5. Bloqueie o contato após reunir as provas.

6. Registre um boletim de ocorrência.

7. Procure orientação jurídica, se necessário.

Caso a imagem recebida contenha conteúdo potencialmente criminoso, a recomendação é não compartilhar, encaminhar ou armazenar o material além do estritamente necessário para a comunicação com as autoridades.


A engenharia social continua sendo a principal arma dos criminosos

Embora muitas pessoas associem golpes digitais a invasões sofisticadas e falhas tecnológicas complexas, a realidade é que a maioria das fraudes atuais explora o comportamento humano.

Os criminosos sabem que o medo de uma acusação criminal, de uma exposição pública ou de um constrangimento familiar pode ser mais eficaz do que qualquer técnica avançada de invasão.

Por isso, é fundamental que a população compreenda como esses golpes funcionam.

A simples visualização de uma imagem enviada por terceiros não transforma ninguém em criminoso, não comprova qualquer conduta ilegal e não deve servir como instrumento para que golpistas obtenham vantagem financeira por meio de ameaças.

Quanto maior o conhecimento da sociedade sobre essas práticas, menor será o espaço para que criminosos utilizem o medo e a desinformação como ferramentas de extorsão.

  

Nathalia Carmo - especialista em Cibersegurança, Governança de Identidades e Gestão de Acessos (IAM), COO e Sócia da IAM Brasil, professora e palestrante na área de Segurança da Informação, com mais de 16 anos de experiência em identidade digital, prevenção a fraudes e proteção de ambientes corporativos.


Reforma tributária será crítica para 2 milhões de empresas. Metade é do Simples

Freepik - modificada com IA
Esse é o resultado de um levantamento da Omie realizado para medir o grau de exposição dos negócios às novas regras

 

A reforma tributária do consumo sai definitivamente do papel em 1º de janeiro de 2027 e promete mudar a rotina fiscal das empresas. Os impactos são diversos e generalizados. Dependem do setor, modelo de negócios, posição na cadeia produtiva, regime tributário adotado, margem de lucro, perfil de fornecedores e clientes, volume de despesas que podem gerar créditos de IBS e CBS e uma infinidade de outros fatores.

Um mapeamento realizado pela Omie, o Radar Setorial da Reforma Tributária, com base em fluxos financeiros reais de mais de 30 mil pequenas e médias empresas que atuam em 76 segmentos nos setores da indústria, comércio e serviços, mostra que 26 estão altamente expostos às novas regras da reforma tributária.

São cerca de 2 milhões de empresas, excluindo os MEIs, sendo mais da metade (1,1 milhão) do Simples Nacional. Do universo de empresas que usam o regime simplificado, 70% são prestadores de serviços que atuam no modelo B2B, ou seja, os mais afetados pela reforma por terem a mão de obra como principal despesa, o que limita a apropriação de créditos tributários.

O economista Felipe Beraldi, gerente de indicadores e estudos econômicos da Omie, plataforma de gestão financeira, explica que estar mais exposta não significa que a empresa terá aumento em sua carga de impostos, necessariamente, ou que a reforma será boa ou ruim para o negócio. Mas indica que é preciso se preparar, rever preços de produtos e serviços, fazer simulações de cenários, mapear a cadeia de clientes e fornecedores, por exemplo.

“A reforma tributária vai mudar a forma como as empresas compram, vendem e formam preço, ou seja, a lógica dos negócios. Os próximos anos serão caóticos por causa da coexistência de dois regimes tributários. Quem não se preparar, tiver um conhecimento profundo sobre o seu negócio, estará fora do game”, alerta.


Calendário da transição

Para as empresas do Simples Nacional, conhecer quais são os impactos da reforma com antecedência é particularmente importante porque as novas regras afetam a competitividade do negócio, principalmente para quem vende produtos ou serviços para outros CNPJs. Para quem atua no varejo, reforçou o economista, o grau de exposição é menor, embora também exija a realização de estudos e simulações.

A menos de seis meses para o novo sistema tributário começar a rodar, Beraldi chama a atenção para a importância de os pequenos empresários acompanharem com lupa o calendário de prazos da transição. 

O mês de setembro, por exemplo, na avaliação do economista, será crucial para as empresas do Simples, que deverão decidir se optam ou não pelo modelo híbrido, ou seja, se irão recolher de forma separada da guia do Simples (DAS) a CBS e o IBS.

“É preciso aproveitar os próximos meses para revisar processos, simular cenários mesmo sem conhecer ainda a alíquota da CBS, se aproximar do contador e avaliar como a reforma tributária afetará seus negócios antes do início da cobrança dos novos impostos, em janeiro de 2027”, recomenda. 

Ele também chamou a atenção para a falta de preparação do mercado. Levantamento da Omie mostra que 48% das empresas ainda não iniciaram análises sobre a reforma e 63% dos contadores não haviam mapeado os impactos da carteira de clientes. 


Os mais expostos

Segundo o levantamento da Omie, dos 26 segmentos mais vulneráveis, 14 são da indústria, nove do setor de serviços e três da construção civil e infraestrutura. Integram a lista, por exemplo, os setores de alojamento, transporte terrestre, fabricação de celulose e papel, esgoto e atividades afins, telecomunicações, fabricação, manutenção e reparação de máquinas e equipamentos, fabricação de produtos químicos, fabricação de móveis, seguros e previdência complementar, dentre outros. 



Silvia Pimentel
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/reforma-tributaria-sera-critica-para-2-milhoes-de-empresas-metade-e-do-simples

 

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