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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Consumidor brasileiro adota o “modo gestão” e passa a administrar cada etapa da compra

Pesquisa nacional da Aerah House mostra que o brasileiro passou a administrar cada etapa do consumo, ajustando não apenas o quanto compra, mas também onde, quando, como e de quem compra 

 

Durante décadas, a capacidade de consumo do brasileiro esteve diretamente associada ao poder de compra. Em períodos de maior renda, o consumo aumentava; em momentos de restrição financeira, diminuía. Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto de Pesquisa Aerah House, no entanto, indica que essa lógica já não explica sozinha o comportamento do consumidor.

 

O levantamento O Brasil de Agora, realizado com 2.000 brasileiros de todas as regiões do país, identificou um novo padrão de consumo, batizado de "Consumo em Modo Gestão". O conceito descreve um consumidor que, mais do que simplesmente reduzir gastos, passou a reorganizar continuamente a forma de consumir, avaliando fatores como promoções, canais de compra, marcas, quantidade de produtos, momento da aquisição e formas de pagamento antes de tomar uma decisão.

 

Segundo a pesquisa, apenas 9% dos brasileiros afirmam ter segurança financeira suficiente para planejar a vida com tranquilidade. Outros 25% conseguem manter as contas em dia e fazer algum planejamento, enquanto 32% mantêm o orçamento sob controle, mas convivem com preocupação constante. Já 20% enfrentam dificuldades frequentes para pagar as despesas e 12% conseguem apenas cobrir os gastos básicos, sem margem para qualquer planejamento.

 

Esse cenário se reflete diretamente nas escolhas de consumo. Nos últimos três meses, 41% dos entrevistados reduziram a quantidade ou a frequência das compras, 33% passaram a aproveitar mais promoções, 26% adiaram aquisições de maior valor, 21% trocaram marcas por opções mais econômicas e 8% mudaram de loja, canal ou forma de pagamento para economizar.

 

Os dados mostram que o consumidor brasileiro passou a administrar diferentes dimensões da compra. O ajuste deixou de acontecer apenas na quantidade consumida e passou a envolver uma análise mais ampla sobre como, onde e quando consumir.

 

Para Fernanda Faria, sócia-fundadora do Instituto de Pesquisa Aerah House, a principal transformação observada não está na redução do consumo em si, mas na mudança da lógica por trás das decisões.

 

"Consumir passou a exigir uma gestão muito mais ativa. Hoje uma compra envolve comparar canais, esperar uma promoção, ajustar quantidades, avaliar marcas e decidir se aquele é realmente o melhor momento para comprar. O consumidor continua comprando, mas a lógica da decisão mudou. Comprar deixou de ser um ato quase automático para se tornar uma sequência de escolhas."

 


Prioridades passaram a disputar espaço no orçamento


O estudo também aponta uma mudança importante para empresas e marcas. Se antes a concorrência acontecia principalmente entre produtos semelhantes, agora cada compra disputa espaço dentro do orçamento e das prioridades do consumidor.

 

Na prática, uma categoria de produtos pode ser mantida, reduzida, adiada ou substituída dependendo do contexto financeiro e das necessidades daquele momento. Isso faz com que as empresas precisem demonstrar de forma mais clara o valor que oferecem ao consumidor.

 

"Durante muito tempo, entender o consumidor era entender sua renda. Hoje é entender como ele estabelece prioridades. O consumo entrou em modo gestão, e isso muda a forma como as marcas precisam construir valor, comunicar ofertas e disputar relevância", afirma Fernanda.

 

Na avaliação da pesquisadora, trata-se de uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que tende a permanecer mesmo diante de cenários econômicos mais favoráveis. Mais do que uma resposta momentânea às restrições financeiras, o levantamento aponta que os brasileiros incorporaram uma postura mais estratégica diante das compras, transformando o consumo em um processo contínuo de gestão e priorização.


 

Sobre a pesquisa


A pesquisa “O Brasil de Agora - A Vida Sob Novas Condições” foi realizada pela Aerah House com 2.000 brasileiros acima de 18 anos em todas as regiões do país.

 

Com mais de 25 perguntas de diversas frentes, a coleta foi realizada em abril de 2026, com amostra representativa da população brasileira por região, sexo, faixa etária e classe social. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.



Super El Niño: mudanças climáticas exigem planos de contingência municipais e atenção redobrada contra aumento das arboviroses

Com base em projeções da Fiocruz, governo estima que o número de casos de dengue deve chegar a 1,7 milhão nos próximos meses a partir do fenômeno, que este ano deve ser ainda mais intenso

 

As mudanças climáticas extremas e os reflexos do fenômeno El Niño, que altera os padrões de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país, trazem novos desafios para a saúde pública brasileira. De acordo com dados baseados em projeções da Fiocruz, o governo estima que o número de casos de dengue deve chegar a 1,7 milhão nos próximos meses, a partir das previsões do Super El Niño, que deverá ser ainda mais intenso este ano. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um alerta para o risco de alta de arboviroses com o avanço do fenômeno climático. 

De acordo com o Dr. Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn (uma das principais indústrias brasileiras de saúde e bem-estar), a instabilidade climática tem potencial para desencadear impactos diretos na saúde da população, indo desde desastres relacionados a enchentes e inundações até o aumento na incidência de doenças transmissíveis. Dr. Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn “Embora o comportamento das chuvas passe por variações conforme a região, aumentando em algumas e diminuindo em outras, o alerta principal recai sobre a combinação de umidade e calor, cenário propício para a proliferação de vetores de zoonoses, especialmente as arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, como a dengue, zika e chikungunya”, destaca o especialista. 

Historicamente, o período de pico das arboviroses no Brasil ocorre entre a segunda quinzena de dezembro e os meses de abril e maio, diminuindo no segundo semestre com a queda das temperaturas e das chuvas. No entanto, sob a influência de alterações climáticas atípicas, os municípios devem se manter em alerta para um possível aumento no número de casos fora de época, ainda que uma epidemia em larga escala seja menos provável neste período. 

Nesse contexto, o diagnóstico precoce e a testagem rápida ganham papel estratégico. “Como os sintomas iniciais de zika, chikungunya e dengue são muito parecidos, a identificação rápida da doença por meio de testes rápidos amplamente disponíveis para a população em farmácias e clínicas de todo o país não é importante apenas para o diagnóstico e tratamento individual correto, mas também fundamenta as ações das secretarias de saúde no bloqueio e contenção do mosquito na região afetada, além de garantir a notificação oficial dos casos, essencial para frear a cadeia de transmissão”, diz, Chieppe. 

Embora qualquer pessoa suscetível ao vírus possa adoecer, a atenção deve ser redobrada para grupos específicos, como as gestantes, que exigem cuidado rigoroso devido ao risco de complicações associadas ao Zika vírus, que possui potencial para causar malformações fetais, como a microcefalia, e as crianças, por terem menor histórico de contato prévio com os vírus e apresentarem maior suscetibilidade.
 

Serviços de saúde e população devem estar atentos com o aumento dos casos de arboviroses diante do Super El Niño 

Para conter o aumento do número de infectados pelo vírus e evitar o agravamento dos casos, é importante orientar a população sobre os sinais de gravidade, ensinar a identificá-los e procurar imediatamente o serviço de saúde. Dr. Chieppe alerta que nenhum sistema consegue absorver uma explosão de casos sem planejamento prévio. Por essa razão, a recomendação central é a elaboração imediata de planos de contingência por parte dos gestores públicos e privados. 

“O planejamento prévio deve contemplar uma reorganização dos serviços para fluxo ágil de atendimento, a estruturação de polos de hidratação, uma medida primordial no manejo da dengue para reduzir o risco de complicações severas, e a capacitação das equipes médicas, para o manejo clínico adequado de cada arbovirose, diferenciando os sintomas, como as dores intensas da chikungunya e as particularidades de hidratação da dengue”, explica o especialista. 

Já para a população, manter a imunização em dia é fundamental para a prevenção primária. “A vacinação deve ser estimulada. Além disso, o combate ao vírus com a eliminação de focos de água parada continua sendo indispensável”, conclui o especialista.
   

 MedLevensohn

Como unir Itália e Espanha na mesma viagem gastando pouco

Foto: Kavalenkava Magnific


Visitar Itália e Espanha no mesmo roteiro é possível com a logística certa; descubra como economizar em voos, deslocamentos e hospedagem em Roma e Barcelona

 

Combinar Itália e Espanha em um mesmo roteiro virou uma das melhores alternativas para quem planeja cruzar o Atlântico e otimizar tempo e dinheiro. A proximidade entre os dois países facilita a viagem, mas o custo final depende diretamente das escolhas feitas antes mesmo do embarque.

Na fase de planejamento, entender a dinâmica da capital italiana e conhecer os melhores lugares para se hospedar em Roma ajuda a evitar que o orçamento seja comprometido logo nos primeiros dias de viagem. Ao mesmo tempo, organizar a transição para a etapa espanhola também exige atenção à infraestrutura urbana.

Ao cruzar a fronteira, saber quais são os melhores bairros para se hospedar em Barcelona permite economizar nos deslocamentos e facilita o acesso às principais atrações locais. A chave para aproveitar o roteiro sem ultrapassar o orçamento é enxergar a viagem como um percurso integrado, combinando transporte eficiente e hospedagens bem localizadas.


O dilema entre viagens de trem e voos low-cost

Conectar a Itália e a Espanha levanta uma dúvida recorrente entre viajantes: vale a pena fazer esse percurso de trem? Para quem prioriza economia de tempo e de dinheiro, a resposta prática é não.

Embora o transporte ferroviário funcione com eficiência dentro de cada país, cruzar a fronteira entre Itália e Espanha sobre trilhos exige conexões demoradas. Com isso, o tempo médio de travessia pode superar 25 horas, enquanto as tarifas frequentemente superam o custo de uma passagem aérea.

A alternativa mais viável para esse trajeto continua sendo o transporte aéreo pelas companhias de baixo custo, as chamadas low-cost. Empresas como Ryanair, Vueling e EasyJet mantêm voos diários ligando os aeroportos de Roma a Barcelona e Madri. Em buscas realizadas com até dois meses de antecedência, é possível encontrar passagens por valores inferiores ao de uma refeição simples.

A principal limitação desse modelo está na política de bagagem. As tarifas promocionais costumam incluir apenas um item pessoal, como uma mochila que caiba embaixo do assento. A inclusão de uma mala de cabine ou o despacho de bagagem pode dobrar o valor final da passagem. Viajar leve é o que torna essa estratégia realmente econômica.


A parada romana: perfil de viagem e localização estratégica

Após definir a logística do deslocamento principal, escolher onde ficar em Roma passa a ser uma das etapas mais importantes do planejamento. Na capital italiana, o principal desafio é equilibrar a proximidade dos monumentos históricos com os preços mais elevados praticados no centro da cidade.

A região ideal depende do perfil de cada viajante. Para quem busca praticidade e economia, o entorno da estação Termini costuma reunir as diárias mais acessíveis, além de oferecer conexão direta com as linhas de metrô e fácil acesso aos aeroportos.

Já os turistas que desejam vivenciar uma atmosfera mais autêntica encontram em Trastevere um dos bairros mais tradicionais da cidade. Conhecido pelas cantinas, ruas de paralelepípedo e intensa vida noturna, o local proporciona uma experiência tipicamente romana, embora exija mais caminhadas ou deslocamentos de bonde até as principais atrações.

Outra alternativa é o bairro de Prati, próximo ao Vaticano. Com avenidas amplas, perfil predominantemente residencial e boa estrutura de comércio e serviços, a região costuma ser uma das preferidas por famílias e por quem procura uma estadia mais tranquila.

A economia durante a permanência em Roma também passa pela alimentação. Em vez de optar pelos restaurantes voltados ao turismo, uma alternativa é recorrer aos tradicionais forni, padarias locais onde a pizza al taglio é vendida por peso. Além de representar uma experiência gastronômica típica, essa opção permite fazer refeições rápidas e com custo mais baixo.


A transição para a Catalunha: mapeando a chegada a Barcelona

A segunda etapa do roteiro leva o viajante à Catalunha. Diferentemente de Roma, Barcelona apresenta bairros com características bastante distintas, tanto em relação ao estilo quanto aos preços da hospedagem, tornando essa escolha ainda mais estratégica.

Quem deseja permanecer próximo ao centro histórico costuma optar pelo Bairro Gótico ou por El Born. As duas regiões concentram construções medievais, ficam a poucos minutos das principais atrações e oferecem fácil acesso ao litoral. Em contrapartida, a intensa movimentação noturna e o tamanho reduzido de muitos hotéis e apartamentos podem não agradar a todos os perfis.

Para os visitantes interessados em arquitetura e em uma atmosfera mais organizada, o distrito de Eixample surge como uma das melhores alternativas. O bairro abriga algumas das principais obras de Gaudí, possui avenidas planejadas e oferece um ambiente mais tranquilo, sem abrir mão da boa conexão com o transporte público.

Nos últimos anos, Poblenou também ganhou espaço entre os turistas. Antigo distrito industrial, o bairro passou por um processo de revitalização e hoje reúne praias, áreas modernas e uma forte presença de moradores locais, tornando-se uma opção interessante para quem busca uma experiência menos turística.

Na hora de se locomover pela cidade, utilizar táxis ou carros de aplicativo nem sempre representa a escolha mais econômica. A rede integrada de metrô e ônibus permite percorrer Barcelona com facilidade, e o bilhete de 10 viagens costuma oferecer melhor custo-benefício do que a compra de passagens avulsas. Outro diferencial é que esse bilhete pode ser compartilhado entre pessoas que viajam juntas.

Combinar Itália e Espanha em uma única viagem é um projeto perfeitamente viável do ponto de vista financeiro. O sucesso do roteiro, no entanto, depende de um planejamento cuidadoso, que inclua conexões aéreas eficientes, bagagem compacta e escolhas conscientes de hospedagem em cada destino.


A habilidade que a IA não tem e que o líder brasileiro também não domina

Informar e garantir compreensão são coisas diferentes, e a maioria das lideranças ainda não percebeu isso


A Inteligência Artificial escreve o e-mail, resume a reunião e monta a apresentação, mas o que ela não faz é garantir que o time entendeu o que precisa ser feito com clareza. Essa função ainda faz parte do trabalho do líder, que nem sempre consegue se fazer entender.

O problema não é novo, mas ficou mais visível com o avanço das ferramentas. Segundo o relatório State of Organizations 2026 da McKinsey, 72% dos líderes dizem que suas organizações não conseguem executar os planos que aprovaram. A dificuldade, portanto, não está apenas na estratégia e, sim, na forma como ela é compreendida dentro das empresas. Para a fonoaudióloga Juliana Algodoal, especialista em comunicação corporativa e linguagem no trabalho, o principal desafio aqui não é tecnológico, mas humano. “As ferramentas de comunicação evoluíram muito rápido e a compreensão, não. Hoje, a maior falha dentro das empresas não é formular estratégia, é fazer o time entender o que precisa ser feito”, afirma.

Apesar da percepção comum de que existe “informação demais”, Juliana faz uma distinção importante: o problema não está apenas no volume, mas na forma desorganizada como as mensagens chegam. “Com a chegada da IA nas rotinas corporativas, esse problema ficou mais evidente. Quando a mesma informação vem por vários canais, como e-mail, WhatsApp, Teams, Google Meet,etc., isso aumenta a pressão e fragmenta a atenção. O que mais sobrecarrega hoje não é a informação em si, mas as interrupções constantes e o excesso de trabalho”, explica.

Ela aponta ainda que práticas comuns, como incluir múltiplas pessoas em cópia sem necessidade de ação, reforçam a sensação de desorganização e dificultam a priorização. “A falha não é de intenção, mas, sim, de linguagem e no centro do problema está uma confusão recorrente nas lideranças de acreditar que comunicar equivale a garantir entendimento. Ser entendido é diferente, exige perceber que há alguém específico do outro lado, com especificidades que precisam ser respeitadas", explica.

Na prática, de acordo com a especialista, o erro mais comum entre líderes de todos os níveis hierárquicos é falar da mesma forma com todas as pessoas, áreas e funções dentro de uma empresa. "Líderes planejam a fala como se fosse para eles mesmos, sem ajustar para quem vai ouvir. Falam economês para não economistas. São prolixos justamente porque tentam se fazer entender, mas produzem o efeito contrário", diz.

O custo desse gap é mensurável. Pesquisa da Grammarly com o The Harris Poll estimou em até US$ 1,2 trilhão por ano as perdas das empresas americanas causadas por comunicação ineficiente, o equivalente a US$ 12.506 por funcionário, anualmente. No Brasil, a lacuna é ainda mais evidente. Levantamento de 2025 da Ação Integrada com 2.200 gestores aponta que 70% dos líderes acreditam ser o principal canal de comunicação com seus times. Do lado das áreas de comunicação interna, apenas 17% confirmam essa percepção.

Para Juliana, a solução passa por um conjunto de práticas concretas: planejar o que vai ser dito com antecedência, calibrar a linguagem para o interlocutor, usar a voz para transmitir intenção e verificar o entendimento com perguntas ao final. "O cérebro gosta de economizar energia. Quanto mais fácil for entender, mais rápido o time age. Clareza não é virtude de comunicação, é estratégia de gestão", afirma.

 


Juliana Algodoal - Considerada uma das maiores especialistas em Comunicação Corporativa do país, Juliana Algodoal é PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho – Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e fonoaudióloga pela PUC/SP e fundadora da empresa Linguagem Direta. Ao longo de 37 anos de carreira, Juliana já apoiou quase 11 mil profissionais tendo como foco nos últimos seis anos a alta liderança. Com o desenvolvimento de projetos que buscam aprimorar a interlocução no ambiente empresarial, já atuou para a BASF, Porto Seguro, Novartis, Pfizer, Aché, Itaú, Citibank, Unimed Nacional, Samsung, dentre outras. É coautora do livro Thought Leadership: muito além da influência e membro do conselho de administração da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, que também já presidiu.



IA cabe no bolso

 Inteligência artificial permite que micro e pequenos empreendedores criem soluções tecnológicas antes restritas às grandes empresas


Durante muitos anos, desenvolver um aplicativo, automatizar processos ou criar sistemas personalizados era um investimento acessível apenas para grandes empresas. Hoje, esse cenário mudou. Com o avanço da inteligência artificial e das plataformas de desenvolvimento de baixo código (low-code e no-code), micro e pequenos empreendedores já conseguem automatizar tarefas, criar aplicativos internos e melhorar a gestão dos negócios com investimentos significativamente menores e em prazos muito mais curtos.

Essa transformação acontece em um momento importante para o empreendedorismo brasileiro. Dados do Sebrae apontam que os pequenos negócios representam cerca de 99% das empresas do país e são responsáveis por mais da metade dos empregos formais. Ao mesmo tempo, a digitalização deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade competitiva. Quem consegue produzir mais, atender melhor e tomar decisões mais rápidas ganha espaço no mercado.

Segundo Bruno Castro, especialista em inteligência artificial e transformação digital da B.Castro Consultoria, a democratização da tecnologia abriu uma oportunidade inédita para pequenos empresários. "Hoje, um profissional liberal ou um microempreendedor pode utilizar inteligência artificial para resolver problemas do dia a dia sem precisar investir milhões em tecnologia. A IA deixou de ser uma ferramenta exclusiva das grandes corporações e passou a fazer parte da rotina de quem deseja crescer com eficiência", afirma.

Na prática, a tecnologia pode ser utilizada para automatizar atendimento ao cliente, organizar documentos, gerar propostas comerciais, controlar processos internos, criar aplicativos personalizados, acompanhar indicadores, emitir alertas e integrar diferentes sistemas. Em vez de substituir pessoas, essas soluções eliminam tarefas repetitivas e permitem que o empreendedor dedique mais tempo ao relacionamento com clientes e ao planejamento estratégico do negócio.

Outro avanço importante é a popularização das plataformas que permitem desenvolver soluções praticamente sem programação. Com apoio técnico especializado, empresas conseguem construir aplicativos para controle de vendas, gestão de equipes, acompanhamento de serviços e comunicação com clientes de forma muito mais rápida do que há poucos anos. O resultado é aumento de produtividade, redução de erros operacionais e maior capacidade de escalar o negócio.

"O empresário não precisa mais adaptar seu negócio às limitações das planilhas ou dos sistemas prontos. Hoje é possível criar soluções sob medida para a realidade de cada empresa, automatizando exatamente aquilo que gera desperdício de tempo e recursos. A tecnologia deixou de ser um luxo para se tornar uma ferramenta estratégica de crescimento", destaca Bruno Castro.

Para o especialista, a inteligência artificial representa uma oportunidade especialmente importante para quem empreende com equipes reduzidas. "Quando pequenas empresas utilizam tecnologia para automatizar processos, elas passam a competir em outro nível. A IA aumenta a capacidade técnica, melhora a qualidade das entregas, reduz custos operacionais e ajuda o empreendedor a tomar decisões com muito mais precisão. O futuro da competitividade não está apenas nas grandes empresas, mas também na capacidade dos pequenos negócios de utilizar a tecnologia a seu favor", conclui.

 


B.Castro Consultoria

Bruno Castro - Consultor em Processos, Tecnologia e Mentalidade
@bcastro.consultoria
comercial@bcastroconsultoria.com
https://www.bcastroconsultoria.com

 

Conexão entre fragmentos florestais importa mais que tamanho na restauração da Mata Atlântica


Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de Janeiro: existem poucas áreas
de Mata Atlântica contínua como esta unidade de conservação
 (
foto: William Zaca)

Pesquisa em 52 áreas do bioma mostra que a dispersão natural de novas plantas é impulsionada pela quantidade de floresta no entorno e pelo regime de chuvas

 

A dispersão de sementes por meio do vento, da água ou de animais é um processo crucial para a renovação de florestas e a preservação da biodiversidade. No caso da Mata Atlântica, um novo estudo mostrou que a quantidade de floresta na paisagem ao redor de uma área e o volume de chuvas são os principais fatores para garantir a riqueza e a diversidade dessas sementes. Na prática, a pesquisa revelou que um pequeno pedaço de mata que possui outras áreas verdes na vizinhança tem mais capacidade de se regenerar do que um fragmento enorme, porém totalmente isolado no meio do desmatamento.

Os autores avaliaram esse processo de dispersão – conhecido como “chuva de sementes” – em 52 fragmentos de Mata Atlântica distribuídos por toda a extensão do bioma, do Nordeste ao Sul do Brasil. Os resultados foram publicados em maio no Journal of Ecology.

Os fragmentos incluíam desde áreas pequenas, com cerca de 4 hectares, até outras bastante extensas, com milhares de hectares contínuos (um hectare tem 10 mil metros quadrados; aproximadamente a área de um campo de futebol). O número de espécies de sementes – ou seja, a riqueza – aumentou conforme cresciam a cobertura florestal e a precipitação, independentemente do tamanho dos fragmentos.

“A cobertura florestal se mostrou uma métrica-chave para avaliar a composição da paisagem, ou seja, a quantidade de hábitat. É ela que mais influencia os parâmetros da chuva de sementes em florestas tropicais”, explica Luís Felipe Daibes, primeiro autor do estudo. A investigação foi realizada com apoio da FAPESP durante seu pós-doutorado no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro.

Segundo o pesquisador, ao compreender os padrões da chuva de sementes na paisagem, é possível direcionar melhor as estratégias de conservação, priorizando ecossistemas mais conectados. Além disso, os resultados permitem melhorar a capacidade de prever como as comunidades de espécies podem funcionar diante de cenários como a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas.


Áreas remanescentes

Atualmente, restam entre 23% e 24% da cobertura original da Mata Atlântica, a maior parte dela distribuída em fragmentos florestais pequenos e isolados entre si. O trabalho conseguiu mostrar que a contribuição desses fragmentos para a biodiversidade é maior à medida que aumenta a cobertura florestal em torno deles e a precipitação, não necessariamente o tamanho do fragmento.

“O curioso é que áreas muito fragmentadas podem até produzir uma quantidade maior de sementes. No entanto, essas paisagens tendem a ser dominadas por algumas poucas espécies generalistas [altamente adaptáveis e pouco exigentes] com muitas sementes pequenas”, conta Daibes, que realizou parte do trabalho durante estágio com bolsa FAPESP na universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, e atualmente é pesquisador do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O estudo contou também com apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático. A Fundação concedeu ainda uma série de auxílios a partir dos anos 2000 que permitiram a realização dos trabalhos que produziram os dados necessários para o estudo.

As informações foram extraídas de diversos trabalhos acadêmicos realizados entre 1987 e 2021, em diversos pontos do bioma, numa colaboração que contou com mais de 60 autores de diferentes instituições.

O estudo compilou e analisou um banco de dados de 1.905 recipientes coletores de sementes em 52 fragmentos de Mata Atlântica. No total, foram amostrados 1,3 milhão de sementes, com 1.029 grupos de plantas identificados pelo menos quanto à família botânica a que pertencem.

Os coletores são como peneiras ou redes de malha suspensas no chão da floresta ou amarradas em galhos, com diâmetro entre 20 centímetros e um metro, que acumulam folhas, frutos e sementes. Eles permitem verificar a quantidade e a diversidade de espécies de sementes que são dispersadas num determinado local.

Pesquisa compilou dados de coletores de sementes de 52 fragmentos de Mata Atlântica pelo Brasil
(
foto: Luis Felipe Daibes/Jardim Botânico do Rio de Janeiro)

Por conta das dificuldades logísticas, estudos desse tipo são geralmente realizados em apenas um local, normalmente por um ano. Coletores de sementes são postos no chamado sub-bosque, abaixo da copa das árvores, e a cada mês os pesquisadores coletam essas sementes e as identificam.

“Nunca havia sido feito um trabalho tomando toda a dimensão do bioma, do Nordeste ao Sul do país. Isso dá bastante robustez aos nossos resultados”, afirma o pesquisador.


Dispersão por animais

As sementes podem ser dispersadas por animais (zoocóricas), pelo vento, rios ou simplesmente caindo no chão. Os pesquisadores confirmaram que áreas com maior pluviosidade possuem mais sementes zoocóricas. Estas são provenientes de árvores que produzem frutos suculentos que atraem aves e mamíferos, que por sua vez podem dispersá-las longe da árvore-mãe, inclusive para outros fragmentos de floresta.

Uma das consequências do desmatamento é justamente a perda de espécies com sementes grandes, uma vez que animais de grande porte que comem frutos são os primeiros a serem extintos localmente pela perda de hábitat (leia mais em: agencia.fapesp.br/58565).

 

No estudo, verificou-se pela chuva de sementes que fragmentos com baixa cobertura florestal, principalmente em locais mais secos, tendem a ter a dominância de um conjunto limitado de espécies pioneiras.

“As espécies pioneiras, de crescimento rápido e que não necessariamente dependem da fauna para se dispersar, são importantes na regeneração da floresta, dando sombra para espécies de crescimento lento. No entanto, apenas com elas não se constrói um ecossistema funcional”, destaca Daibes.

Em muitas áreas, o histórico de desmatamento e fragmentação alterou o padrão da chuva de sementes. Fragmentos dominados por poucas espécies generalistas e cercados de monocultura, como a cana-de-açúcar, são comuns. Esses trechos isolados não recebem sementes de outros fragmentos nem podem fornecê-las, uma vez que não há para onde dispersá-las além da própria área.

“Se só for possível conservar um fragmento numa área agrícola, é importante que a região tenha alguma cobertura florestal no entorno. Se houver vários outros fragmentos num raio de cinco quilômetros com mais de 60% de cobertura florestal, há mais chances de haver sementes trocadas entre eles, mantendo a diversidade”, exemplifica o pesquisador.

Nesse contexto, completa, a escolha de áreas de reserva legal nas propriedades rurais e áreas públicas de conservação poderia priorizar trechos com maior cobertura florestal e que tenham áreas adjacentes que possam se conectar entre si.

O artigo Landscape features predict broad-scale seed rain patterns across fragments of the Brazilian Atlantic Forest pode ser lido em: https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2745.70328.

 


André Julião

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/conexao-entre-fragmentos-florestais-importa-mais-que-tamanho-na-restauracao-da-mata-atlantica/58839



ENEL SP AMPLIA ATENDIMENTO EM SHOPPINGS COM TOTENS DIGITAIS DISPONÍVEIS APÓS O EXPEDIENTE DAS LOJAS

Nova loja inaugurada em Osasco estreia o modelo, que será expandido para novas unidades em Diadema e Santo Amaro.

 

A Enel Distribuição São Paulo amplia as opções de atendimento aos clientes com a implantação de totens digitais de autoatendimento em lojas localizadas em shopping centers. A novidade permite que os consumidores acessem diversos serviços da distribuidora mesmo após o encerramento do atendimento presencial, durante todo o horário de funcionamento dos shoppings. 

O novo modelo estreia nesta terça-feira (4), com a inauguração da nova loja da companhia no Osasco Plaza Shopping. A unidade substitui o antigo endereço da Rua Euclides da Cunha, 150, no Centro, e passa a funcionar em um espaço mais moderno, acessível e confortável, reunindo atendimento presencial, tablets e totens digitais de autoatendimento.

Nos equipamentos, os clientes podem realizar serviços como emissão de segunda via da conta, consulta de débitos, atualização cadastral, emissão de código de barras para pagamento, consulta de histórico de consumo e outros serviços sem a necessidade de atendimento presencial. Já na loja, também é possível negociar débitos, solicitar religação de energia, realizar transferência de titularidade, cadastrar-se na Tarifa Social de Energia Elétrica e esclarecer dúvidas sobre o fornecimento de energia. 

A iniciativa faz parte da estratégia da Enel de modernizar seus canais de relacionamento e oferecer mais conveniência aos consumidores, integrando atendimento presencial e soluções digitais. Após Osasco, o modelo será expandido para novas lojas da distribuidora em shopping centers, com inaugurações previstas em Diadema e Santo Amaro.

 

Rede de atendimento

Além das lojas e postos presenciais, a Enel Distribuição São Paulo disponibiliza diversos canais digitais para atendimento aos clientes, como o site da distribuidora, o aplicativo Enel (disponível para iOS e Android), a assistente virtual Elena, pelo WhatsApp ((21) 99601-9608), e a Central de Relacionamento, pelo telefone 0800 72 72 120.  

A nova loja da Enel em Osasco está localizada no Osasco Plaza Shopping (Lojas 237/238), na Rua Tenente Avelar Pires de Azevedo, nº 81, Centro, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h30. Os totens digitais permanecem disponíveis durante todo o horário de funcionamento do shopping, mesmo após o encerramento do atendimento presencial da loja.


Programa Autonomia e Renda Petrobras abre edital com 460 vagas para cursos gratuitos no setor de óleo e gás

 

O Programa Autonomia e Renda Petrobras lança edital que oferece cursos de qualificação profissional gratuitos no setor de óleo e gás. As vagas são para os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. O Programa é uma iniciativa da Petrobras, em parceria com a Firjan SENAI SESI e os SENAI dos estados participantes.

O edital é destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica e busca ampliar o acesso à formação profissional em áreas com demanda crescente por mão de obra qualificada na indústria brasileira. Entre os títulos oferecidos estão: Montador de Andaime, Sinaleiro Amarrador, Pedreiro Refratarista, Operador de Hidrojato e Pintor Industrial.

As inscrições estarão abertas entre 3 e 24 de agosto. Para participar, os candidatos devem atender aos critérios estabelecidos em edital, incluindo residência nas regiões de abrangência do Programa. Grupos minorizados, como mulheres, pessoas trans, indígenas, quilombolas, pretos e pardos, migrantes, refugiados e pessoas com deficiência (PCDs), têm prioridade.

Como forma de incentivar a permanência e ampliar o acesso à qualificação profissional, o Programa concede auxílio-alimentação e bolsa-auxílio mensal de R$ 660 a todos os participantes. Para mulheres com filhos de até 11 anos completos, a bolsa é de R$ 858 por mês.

Além da formação técnica oferecida pelo SENAI, os alunos do Programa terão um Acompanhamento para o Desenvolvimento Humano, uma metodologia desenvolvida pela Firjan SESI. Por meio de oficinas, os participantes terão a oportunidade de obter uma formação integral, com o fortalecimento das competências socioemocionais e o aumento o seu potencial de empregabilidade.

As vagas, cursos disponíveis, carga horária, critérios de participação e localidades de oferta em cada estado estão disponíveis no edital, que pode ser acessado no site autonomiaerenda.com.br/editais. O Programa disponibiliza, ainda, uma versão em linguagem simples do documento, que facilita a compreensão das informações e torna o conteúdo mais acessível para diferentes públicos.

Após o período de inscrições, o sorteio das vagas será realizado ao vivo no dia 25 de agosto, pelo canal oficial da Firjan no YouTube.

Confira o número de vagas e cursos oferecidos em cada estado:
 

* Para São Paulo, são destinadas 120 vagas para os cursos de Sinaleiro Amarrador, Pedreiro Refratarista e Montador de Andaime. As aulas serão ministradas no SENAI São José dos Campos, nos turnos manhã e noite.


** Para Minas Gerais, são destinadas 80 vagas para os cursos de Sinaleiro Amarrador, Pedreiro Refratarista e Montador de Andaime. As aulas serão ministradas no SENAI Betim, no turno da noite.


*** Para o Rio Grande do Sul, são destinadas 160 vagas para os cursos de Sinaleiro Amarrador, Montador de Andaime, Pintor Industrial e Operador de Hidrojato. As aulas serão ministradas nos SENAI Esteio e Porto Alegre, nos turnos manhã e noite.


**** Para o Paraná, são destinadas 100 vagas para os cursos de Sinaleiro Amarrador, Pedreiro Refratarista e Operador de Hidrojato. As aulas serão ministradas nos SENAI Campus da Indústria e Boqueirão, nos turnos manhã, tarde e noite.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Tratamento com PRP, eficaz para aliviar a dor da artrose, passa a ser regulamentado no Brasil

Com a aprovação do Conselho Federal de Medicina, o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) passa a integrar a prática médica; no Imot, a técnica já era utilizada na Medicina Regenerativa de acordo com as normas então vigentes para pacientes com doenças articulares


Pacientes com artrose, condropatias e outras doenças degenerativas das articulações poderão ter acesso ampliado ao tratamento com Plasma Rico em Plaquetas (PRP), técnica que utiliza o sangue do próprio paciente para concentrar plaquetas capazes de auxiliar no controle da inflamação, da dor e na melhora da função articular. 

O procedimento, que já vinha integrando os protocolos de Medicina Regenerativa do Imot, em Mogi das Cruzes, de acordo com as normas vigentes até então, foi aprovado em resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) e passa a ser regulamentado na prática médica, ampliando as possibilidades de indicação da terapia. A técnica também tem sido empregada na medicina esportiva. Recentemente, os jogadores Neymar e Gabigol foram submetidos a tratamentos com PRP.

De acordo com o médico ortopedista e um dos responsáveis pela Medicina Regenerativa no Imot, Marcos Nali, a regulamentação representa um avanço para pacientes e médicos:

"O Brasil estava atrasado na liberação desse tratamento. Em diversos países, essa terapia já faz parte da rotina de tratamento da artrose e de outras doenças articulares, sempre com indicação médica e critérios bem definidos".

O especialista explica que o tratamento é indicado principalmente para pacientes com doenças degenerativas articulares e tem como objetivo reduzir a inflamação, aliviar a dor e melhorar o funcionamento das articulações. O procedimento não promove a regeneração da cartilagem, mas pode retardar a necessidade de uma cirurgia de substituição articular, como a colocação de prótese. No Imot, o PRP pode ser associado ao ácido hialurônico, estratégia utilizada para potencializar o controle dos sintomas.

"O paciente precisa compreender que este procedimento não regenera a cartilagem perdida. O tratamento atua na melhora do equilíbrio da articulação, reduz a inflamação, controla a dor e pode aumentar o tempo de qualidade de vida antes que uma prótese seja necessária", afirma o especialista.


Imot
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Insuficiência cardíaca grave deixa de ser sentença e ganha novas perspectivas com avanços da cardiologia

De medicamentos inovadores a dispositivos de assistência ventricular e transplante,


especialistas destacam como a medicina tem ampliado a qualidade de vida dos pacientes
 

Durante muito tempo, receber o diagnóstico de insuficiência cardíaca grave era encarado como um caminho sem volta. Hoje, no entanto, a realidade é diferente. Impulsionada por novas pesquisas, tecnologias cada vez mais sofisticadas e tratamentos personalizados, a cardiologia tem conseguido ampliar significativamente a sobrevida e a qualidade de vida de pacientes que convivem com formas avançadas da doença. 

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente para atender às necessidades do organismo. Em estágios mais avançados, o paciente pode apresentar falta de ar ao realizar pequenos esforços ou mesmo em repouso, cansaço intenso, inchaço nas pernas, limitações importantes para atividades do dia a dia e necessidade frequente de hospitalizações. 

Segundo os cardiologistas Dr. José Paulo Novazzi e Dra. Haissa Assad, do Hospital Santa Catarina - Paulista, embora a insuficiência cardíaca avançada continue sendo uma condição grave, os recursos disponíveis atualmente permitem mudar o curso da doença quando o diagnóstico é realizado precocemente e o tratamento é seguido adequadamente. "Existem muitos tratamentos que podem ser realizados para redução de mortalidade e melhora da qualidade de vida desses pacientes", afirma o Dr. Novazzi. 

O grupo de maior risco inclui pessoas que já sofreram infarto, pacientes com hipertensão arterial, diabetes, doença de Chagas, miocardites, doenças autoimunes e aqueles que receberam o diagnóstico da insuficiência cardíaca de forma tardia. Nesses casos, o acompanhamento especializado é fundamental para evitar a progressão do quadro. 

Dra. Haissa Assad explica que o diagnóstico precoce permite ajustes mais rápidos das medicações, monitoramento das complicações e orientações relacionadas ao estilo de vida, incluindo reabilitação cardíaca e controle adequado da ingestão de líquidos: “Essa estratégia reduz o risco de internações e pode retardar significativamente a evolução da doença”, explica. 

Nos últimos anos, um dos principais avanços ocorreu justamente na ampliação das opções terapêuticas. Além das classes tradicionais de medicamentos, novas drogas passaram a integrar o tratamento, trazendo ganhos importantes em sobrevida e controle dos sintomas. A tendência atual é cada vez mais individualizar a terapia conforme as características de cada paciente.
 

Corações artificiais e novas tecnologias

Outra frente de inovação envolve os dispositivos mecânicos de assistência ventricular, conhecidos popularmente como "corações artificiais". Esses equipamentos auxiliam o funcionamento do ventrículo esquerdo em pacientes com insuficiência cardíaca avançada e podem servir como ponte para o transplante ou, em alguns casos, como tratamento definitivo. 

“Entre os principais avanços estão os dispositivos de assistência ventricular de longa duração, como o HeartMate 3, que pode ser usado como ponte para transplante e também como terapia de destino para pacientes que possuem contraindicação ao transplante cardíaco", destaca o Dr. José Paulo Novazzi. 

Além disso, tecnologias como a terapia de ressincronização cardíaca vêm transformando o dia a dia de pacientes selecionados, melhorando sintomas, capacidade funcional e qualidade de vida. O uso crescente de recursos tecnológicos também tem favorecido diagnósticos mais precoces e acompanhamento mais eficiente da evolução clínica.
 

Transplante ainda é referência

Mesmo diante desse cenário de inovação, o transplante cardíaco ainda é a principal referência para casos de insuficiência cardíaca avançada que não respondem ao tratamento clínico de forma adequada: "O transplante é a terapia padrão-ouro para a insuficiência cardíaca avançada, devido à sua maior sobrevida dentre as terapias atuais", destaca Dr. Novazzi. 

Um dos desafios, porém, continua sendo a conscientização da população sobre a gravidade da doença. Muitas vezes, pacientes não aderem integralmente ao tratamento por não compreenderem os riscos envolvidos. "A insuficiência cardíaca sem terapia otimizada mata mais do que o câncer", alerta o cardiologista do Hospital Santa Catarina - Paulista.


Prevenção é o caminho

Embora a perspectiva seja de esperança, a prevenção não pode ficar de lado. Mesmo que os avanços da medicina tenham ampliado significativamente as possibilidades terapêuticas, controlar fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e obesidade continua sendo a melhor estratégia. 

“Prevenir é sempre o melhor caminho. A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico periódico permanecem fundamentais para proteger a saúde do coração e evitar que a insuficiência cardíaca avance para estágios mais graves”, conclui a Dra. Haissa Assad.

 

Alimentação equilibrada e exercícios nem sempre são suficientes: entenda o risco das doenças cardiometabólicas

 

Ainda assim, algumas pessoas desenvolvem colesterol alto, diabetes ou obesidade mesmo seguindo todas as recomendações. Segundo especialistas, isso acontece porque nem sempre essas condições estão relacionadas apenas ao estilo de vida. Em muitos casos, fatores genéticos podem influenciar o metabolismo, o controle da glicose, o peso corporal e os níveis de colesterol.

Essa visão foi reforçada recentemente pela nova diretriz sobre a Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica (CKM), publicada pela American Heart Association (AHA) e pelo American College of Cardiology (ACC)¹. O documento destaca que doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e alterações renais compartilham mecanismos biológicos e fatores de risco comuns, exigindo uma abordagem mais integrada para prevenção e tratamento.

"Durante muito tempo, colesterol alto, obesidade e diabetes foram vistos principalmente como consequência dos hábitos de vida. Hoje sabemos que pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter causas completamente diferentes para a doença, incluindo fatores genéticos importantes", explica Marcelo Bittencourt, cardiologista da Dasa Genômica.

Quando desconfiar da genética? 

Histórico familiar de infarto precoce, colesterol elevado em diferentes gerações, diabetes diagnosticado ainda na juventude ou obesidade grave desde a infância são alguns sinais que merecem atenção. "Nesses casos, entender a origem da doença pode fazer diferença não apenas para o paciente, mas também para familiares que compartilham o mesmo risco.

A genética nos ajuda a enxergar além dos sintomas e compreender os mecanismos biológicos envolvidos no desenvolvimento dessas condições", afirma. Um dos exemplos mais conhecidos é a hipercolesterolemia familiar, condição hereditária associada a níveis muito elevados de colesterol LDL e maior risco cardiovascular. Estudo divulgado pela Mayo Clinic² mostrou que a maioria das pessoas afetadas ainda não recebe diagnóstico adequado, apesar do risco aumentado de infarto e outras complicações cardiovasculares.

 Além do colesterol: o que os genes podem revelar Os avanços da medicina de precisão têm permitido investigar formas hereditárias de diferentes doenças cardiometabólicas, ajudando médicos a compreender melhor a origem de quadros que muitas vezes não são explicados apenas pelos hábitos de vida. "No diabetes, por exemplo, existem formas monogênicas que podem se parecer com os tipos mais comuns da doença. Hoje contamos com exames capazes de identificar alterações genéticas associadas a esses casos, permitindo um diagnóstico mais preciso, uma definição terapêutica mais adequada e até a avaliação de familiares que podem compartilhar o mesmo risco. Esse tipo de investigação é especialmente importante em pacientes com suspeita de diabetes de origem hereditária ou lipodistrofias", explica Bittencourt.

A obesidade também pode ter uma forte influência genética, especialmente quando surge precocemente ou apresenta características incomuns. "Já existem testes que investigam variantes genéticas relacionadas ao controle da fome, da saciedade e do gasto energético. Em pacientes com obesidade grave de início precoce ou suspeita de síndromes associadas ao ganho de peso, essa análise pode ajudar a esclarecer a causa da doença e apoiar um acompanhamento mais individualizado", afirma.

As alterações do colesterol também podem ter origem hereditária "Nem todo colesterol alto é consequência da alimentação. Existem formas genéticas conhecidas como dislipidemias familiares, incluindo a hipercolesterolemia familiar, em que alterações hereditárias dificultam a remoção do colesterol da circulação. Identificar essas condições permite orientar melhor o tratamento e investigar familiares que podem estar expostos ao mesmo risco cardiovascular", destaca o cardiologista.

Outra aplicação crescente da genética está na investigação de doenças hepáticas sem causa aparente. "Pacientes com alterações persistentes do fígado, episódios recorrentes de colestase ou histórico familiar de doença hepática podem se beneficiar de uma avaliação genética. Em muitos casos, conseguimos identificar condições hereditárias que explicam o quadro clínico e auxiliam no acompanhamento familiar", acrescenta.

 Uma visão mais completa do risco cardiometabólico A incorporação da genética à prática clínica tem ampliado a capacidade dos médicos de compreender a complexidade dessas doenças. Hoje, a análise integrada de biomarcadores, informações genéticas e dados clínicos permite avaliar diferentes mecanismos envolvidos no desenvolvimento de condições cardiometabólicas.

"Quando combinamos informações genéticas com exames laboratoriais e dados clínicos, conseguimos uma avaliação mais ampla do risco individual. Isso ajuda na estratificação de risco, apoia diagnósticos mais precisos, aumenta a assertividade das decisões clínicas e permite acompanhar a evolução da doença e a resposta ao tratamento de forma mais personalizada", explica Marcelo. Apesar da influência hereditária, os genes não determinam sozinhos o futuro de uma pessoa.

"A genética não é uma sentença. Ela funciona como uma ferramenta para identificar riscos e permitir intervenções mais precoces. Quanto mais conhecemos as características biológicas de cada paciente, maiores são as oportunidades de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado personalizado", conclui Marcelo Bittencourt.



Referência

1 American Heart Association (2026 Guideline for Cardiovascular-Kidney-Metabolic Syndrome)

2 Mayo Clinic: "Most people with a genetic condition that causes significantly high cholesterol go undiagnosed" (2025)
 

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