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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Pesquisa com médicos aponta que maior oferta de medicamentos GLP-1 amplia acesso e reforça importância da compra em farmácias

Levantamento da Febrafar com mais de mil médicos aponta que 65% dos pacientes interrompem o tratamento por questões financeiras e que redução de preços pode ampliar significativamente a adesão

 

A expectativa de ampliação da oferta de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 no Brasil, impulsionada pela entrada de novas opções terapêuticas e pela tendência de redução dos preços, deve facilitar o acesso de milhares de pacientes aos tratamentos para diabetes tipo 2 e obesidade. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que esse novo cenário exige atenção redobrada para que a compra seja realizada exclusivamente em farmácias regularizadas e mediante prescrição médica. 

Pesquisa nacional realizada pelo Instituto IFEPEC com 1.067 médicos de todo o país mostra que o custo ainda é a principal barreira para o tratamento. Segundo os profissionais entrevistados, atualmente apenas 28% dos pacientes aptos conseguem arcar com o medicamento. Em uma simulação apresentada durante o levantamento, os médicos estimaram que uma redução de 35% nos preços elevaria esse percentual para 45%, ampliando significativamente o acesso. 

O estudo também revela que 65% dos pacientes interrompem ou não conseguem manter o tratamento por questões financeiras, evidenciando uma demanda reprimida que tende a ser atendida à medida que novas alternativas chegarem ao mercado. 

Para o presidente da Febrafar, Edison Tamascia, esse movimento representa uma oportunidade importante para democratizar o acesso aos medicamentos, mas também reforça a necessidade de conscientização da população sobre a compra segura. "A redução dos preços representa um avanço importante para que mais pessoas tenham acesso a tratamentos que vêm demonstrando benefícios relevantes para pacientes com diabetes tipo 2, obesidade e outras condições cardiometabólicas. No entanto, esse avanço precisa ocorrer com responsabilidade, sempre com acompanhamento médico e aquisição em farmácias regularizadas." 

O crescimento da procura pelos GLP-1 já é percebido nos consultórios. A pesquisa aponta que 33% dos pacientes iniciam a consulta perguntando sobre esses medicamentos, enquanto outros 18% já chegam solicitando diretamente a prescrição. Além disso, em média, 7% dos pacientes afirmam já ter utilizado GLP-1 sem orientação médica antes da primeira consulta. 

Segundo Tamascia, esses dados mostram que o interesse crescente da população deve ser acompanhado de informação e cuidados para evitar riscos relacionados ao uso inadequado ou à aquisição em canais informais. "Os medicamentos GLP-1 exigem avaliação clínica individualizada, acompanhamento durante o tratamento e armazenamento adequado. Quando o paciente compra em uma farmácia regular, ele tem a garantia de que o produto percorreu toda a cadeia legal de distribuição, foi armazenado corretamente e atende às exigências da vigilância sanitária. Essa é uma segurança fundamental para qualquer tratamento." 

Outro ponto levantado pela pesquisa é que os médicos demonstram otimismo em relação à chegada de novas opções terapêuticas, desde que essas apresentem qualidade, segurança e eficácia comprovadas. Ao mesmo tempo, boa parte dos entrevistados afirma que a decisão de prescrever dependerá da confiança no fabricante e das evidências clínicas disponíveis. 

Para o presidente da Febrafar, esse cenário reforça ainda mais o papel das farmácias como elo entre indústria, prescritores e pacientes. "A farmácia é muito mais do que um ponto de venda. É o ambiente onde o paciente recebe orientação, tem acesso a medicamentos provenientes de canais oficiais e encontra profissionais capacitados para contribuir com o uso correto da terapia. À medida que esse mercado cresce, esse papel ganha ainda mais relevância." 

A expectativa do setor é que a ampliação da concorrência contribua para reduzir barreiras econômicas e ampliar o acesso aos tratamentos. Entretanto, especialistas ressaltam que essa evolução deve ocorrer sempre aliando inovação, segurança, orientação profissional e aquisição dos medicamentos em estabelecimentos regularizados, garantindo que os benefícios dessa nova fase do mercado sejam efetivamente convertidos em melhores resultados para a saúde da população. 

A pesquisa na íntegra está disponível de forma gratuita no site da Febrafar.

 

Febrafar - Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias


Medicina de precisão reduz sequelas e amplia qualidade de vida no tratamento dos cânceres urológicos

 
Durante o XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D'Or, especialistas apresentaram os avanços que estão redefinindo o cuidado, com destaque para cirurgia robótica, radioterapia de alta precisão e terapias personalizadas

 

Os avanços da medicina de precisão estão transformando o tratamento dos cânceres urológicos (tumores que atingem órgãos como próstata, bexiga, rins, testículos e pênis). Se antes o principal objetivo era controlar a doença e aumentar a sobrevida, hoje a prioridade também é preservar a qualidade de vida dos pacientes durante e após o tratamento, reduzindo impactos e efeitos colaterais, e permitindo que eles mantenham sua autonomia e retomem suas atividades mais rapidamente.

A mudança ocorre em um cenário de alta incidência desses tumores. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 91 mil novos casos de câncer de próstata e de bexiga em 2026.

Cirurgia robótica, radioterapia de alta precisão, terapias-alvo, imunoterapia e métodos diagnósticos cada vez mais sofisticados estão tornando possível oferecer um cuidado mais personalizado e menos invasivo. Esses avanços estiveram entre os principais temas debatidos no XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D'Or, realizado este mês em Brasília.

XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia Oncologia D'Or
realizado em Brasília neste mês 
Divulgação

"Hoje, celebramos a cura com preservação da qualidade de vida. Esse passou a ser um dos objetivos da uro-oncologia moderna", afirma o radio-oncologista Allisson Borges, diretor executivo de Radioterapia da Oncologia D'Or e diretor-geral do Hospital DF Star.

Segundo o especialista, essa mudança é resultado da combinação entre novas tecnologias, tratamentos mais precisos e uma abordagem multidisciplinar.

"A cirurgia robótica nos permite realizar procedimentos menos invasivos, com menores taxas de complicações, como sangramentos, impotência sexual e incontinência urinária, além de excelentes resultados oncológicos. Mas essa transformação vai muito além da cirurgia. Hoje também contamos com imunoterapias, terapias-alvo e outras estratégias sistêmicas capazes de aumentar a eficácia do tratamento e reduzir os efeitos adversos, poupando tecidos saudáveis e proporcionando mais qualidade de vida aos pacientes."

A radioterapia também evoluiu muito no tratamento de cânceres urológicos. Antigamente, a falta de precisão dos aparelhos aumentava o risco de efeitos adversos ao atingir tecidos saudáveis. “Atualmente, os equipamentos possuem tecnologias como a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), a Radioterapia Volumétrica Modulada em Arco (VMAT) e sistemas de monitorização do alvo, como o Clarity, que monitoriza o movimento da próstata, aumentando muito a precisão do tratamento. Hoje, conseguimos distribuir a dose de radiação de maneira mais segura, com menor irradiação nos tecidos sadios, possibilitando a execução de tratamentos chamados de radiocirurgia”, explica.

A personalização do tratamento começa antes mesmo da definição da terapia. Exames de imagem mais sofisticados, biópsias guiadas, análise de marcadores moleculares, testes genéticos e o uso crescente do PET-CT permitem compreender melhor as características de cada tumor e definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.

"O uso de ressonâncias específicas para esses tumores, a evolução das biópsias de próstata, o acesso à anatomia patológica de ponta, com avaliação de marcadores moleculares e da assinatura genética do câncer, além da crescente utilização do PET-CT, têm sido fundamentais para indicar o tratamento certo para o paciente certo, no momento certo", destaca.

Para Allisson Borges, essa evolução representa uma das maiores transformações da uro-oncologia nas últimas décadas. O cuidado deixa de ser centrado apenas no controle da doença e passa a considerar também os impactos do tratamento na vida do paciente, preservando funções importantes, reduzindo complicações e tornando as decisões terapêuticas cada vez mais individualizadas.

Essa mudança de paradigma foi um dos eixos centrais do XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D'Or, da Rede D’Or, que reuniu especialistas brasileiros e internacionais para discutir como a incorporação de novas tecnologias, da medicina personalizada e da atuação multidisciplinar está redefinindo o cuidado aos pacientes com tumores urológicos. O encontro foi coordenado pelos doutores Miguel Srougi, Allisson Borges e Bruno Carvalho Oliveira.


TDAH ou cérebro exausto? Ansiedade, excesso de telas e falta de sono podem provocar sintomas semelhantes

Professora do CEUB explica por que distração, procrastinação e esquecimentos não bastam para diagnosticar o transtorno e alerta sobre avanço do autodiagnóstico


Dificuldade de concentração, procrastinação, esquecimentos, irritabilidade e sensação de mente acelerada são frequentemente associados ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Porém, esses sinais também podem estar relacionados à ansiedade, privação de sono, estresse crônico, burnout e excesso de estímulos digitais. No Dia Mundial de Conscientização sobre o TDAH, 13 de julho, a neuropsicóloga e professora de Psicologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Michelle Andrade, faz um alerta: sintomas isolados não definem o transtorno.

"A principal diferença está na frequência, intensidade, persistência e no impacto que esses comportamentos provocam na vida da pessoa. Todos podem se distrair, esquecer compromissos ou procrastinar em algum momento. No TDAH, porém, esses sinais são persistentes, acompanham o indivíduo há muitos anos e comprometem seu desempenho acadêmico, profissional, social, familiar ou emocional", explica. 

Um dos desafios do diagnóstico é o fato de diferentes condições produzirem manifestações muito parecidas. Ansiedade, depressão, transtornos do sono, burnout, estresse crônico, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e até algumas condições médicas podem comprometer atenção, memória, organização e controle emocional. Por isso, a investigação precisa ir além de listas de sintomas. 

Michelle explica que o histórico do paciente, a idade de início das dificuldades, os diferentes contextos em que elas aparecem e os prejuízos provocados fazem parte da avaliação clínica. "A pergunta não deve ser apenas 'a pessoa se distrai?', mas 'por que ela se distrai, desde quando isso acontece e em quais situações?'. É nesse momento que a avaliação deixa de ser um checklist e passa a ser investigação clínica consistente", afirma.

 

Excesso de telas também altera a atenção

Outro fator é o impacto do ambiente digital sobre o funcionamento do cérebro. Redes sociais, vídeos curtos e jogos oferecem recompensas rápidas e estímulos constantes, enquanto atividades como estudar, ler textos longos ou organizar tarefas exigem atenção sustentada e resultados menos imediatos. "O ambiente digital pode imitar ou potencializar sintomas semelhantes aos do TDAH, principalmente quando se somam à falta de sono, ansiedade ou excesso de estímulos. Nem todo cérebro distraído é um cérebro com TDAH. Muitas vezes, é um cérebro cansado, hiperestimulado ou emocionalmente sobrecarregado", destaca a especialista.
 

Redes sociais ampliam o risco de autodiagnóstico

Embora reconheça o papel das redes sociais na divulgação de informações sobre saúde mental, a neuropsicóloga do CEUB alerta que conteúdos simplificados podem induzir interpretações equivocadas: "O problema não é falar sobre TDAH nas redes. A psicoeducação é importante e ajuda muitas pessoas. O risco está na simplificação excessiva. Informação de qualidade amplia o conhecimento; informação superficial amplia a confusão. E o algoritmo, infelizmente, não faz diagnóstico".
 

Por que muitos adultos só descobrem o transtorno depois de anos?

Apesar de ser um transtorno do neurodesenvolvimento, o TDAH pode permanecer sem diagnóstico até a idade adulta. Isso ocorre, principalmente, entre pessoas com bom desempenho intelectual, ambientes estruturados ou estratégias que compensaram as dificuldades ao longo da vida. Com o aumento das responsabilidades, entretanto, essas estratégias podem deixar de funcionar e os sintomas tornam-se mais evidentes. "Muitas vezes, o adulto chega ao consultório afirmando que consegue cumprir suas responsabilidades, mas às custas de um desgaste muito grande".
 

Diagnóstico correto evita tratamentos inadequados

A avaliação neuropsicológica auxilia na investigação de funções como atenção, memória operacional, planejamento, organização e controle inibitório, além de contribuir para o diagnóstico diferencial e a identificação de possíveis comorbidades. Ainda assim, a professora ressalta que nenhum teste isolado é suficiente para confirmar ou descartar o transtorno. "Um bom diagnóstico não serve para rotular a pessoa. Ele permite compreender a origem das dificuldades, orientar o tratamento adequado, reduzir prejuízos e promover uma melhor qualidade de vida", conclui.


Com 61% de ociosidade em salas cirúrgicas, Brasil deixa de realizar 2 milhões de procedimentos mensais

Freepik
Análise da Planisa detalha o impacto financeiro e clínico dessa problemática

 

No ecossistema da saúde, a sustentabilidade financeira e a excelência clínica travam uma batalha diária por equilíbrio. Dentro da estrutura de um hospital geral, nenhum ambiente materializa esse desafio de forma tão intensa e dramática quanto o Bloco Cirúrgico. Conhecido tradicionalmente como a linha de frente do salvamento de vidas, o Centro Cirúrgico (CC) assume o papel de "coração econômico" da instituição. Sob a perspectiva de volume, as admissões cirúrgicas respondem por 60% das admissões hospitalares; sob a ótica financeira, no entanto, elas consomem ou direcionam mais de 40% de todos os custos com internações. Destes 40%, o centro cirúrgico sozinho responde a aproximadamente 15% de todo o custo hospitalar. 

Esse peso financeiro confere ao setor uma responsabilidade central na saúde financeira do negócio hospitalar: qualquer oscilação em sua produtividade impacta imediatamente na última linha do resultado econômico da instituição. O grande paradoxo reside no fato de que a mesma alta complexidade tecnológica e de recursos humanos que gera margem e prestígio institucional atua como um biombo que esconde "custos invisíveis" e desperdícios crônicos. Em cenários de inflação médica ascendente e transição de modelos de remuneração (do fee-for-service para modelos baseados em valor), a ineficiência no centro cirúrgico deixou de ser um problema puramente administrativo para se tornar uma ameaça à própria viabilidade da assistência ao paciente. 

Ao analisar o desempenho macro dos blocos cirúrgicos no Brasil com suporte nos dados consolidados do Boletim de Indicadores Planisa (1), constata-se uma métrica alarmante: uma taxa média de ociosidade que atinge 61%. Isso significa que, na maior parte do tempo disponível operacional, a estrutura física mais cara do hospital permanece vazia ou subutilizada. 

Para contextualizar a gravidade da situação, a Planisa observou a evolução histórica do indicador de número de cirurgias por sala por dia: em 2019, registravam-se 2,6 procedimentos/sala/dia e, após seis anos, em 2025, permanecem os mesmos 2,6 procedimentos/sala/dia. 

A retração na produtividade registrada no último ano para a média de 2,6 cirurgias diárias por sala acende um sinal de alerta máximo para os executivos da saúde. Este declínio torna-se ainda mais grave quando associado ao fato de que o custo da hora do centro cirúrgico sofreu um incremento superior a 50% no mesmo ciclo histórico (2019-2025). Ou, em termos práticos: manter uma sala cirúrgica aberta está significativamente mais caro, mas estamos realizando o mesmo volume de procedimentos dentro dela. 

“Como preconizava o guru da administração moderna, Peter Drucker: ‘A eficiência não é fazer as coisas mais rápido, mas fazer as coisas certas’. Trazer a filosofia de Drucker para o ambiente perioperatório exige que gestores e lideranças médicas abandonem o empirismo e passem a governar o centro cirúrgico com base em dados de alta acurácia, transformando a variabilidade descontrolada em previsibilidade operacional”, fala o diretor de Serviços da Planisa, Marcelo Carnielo.

 

A tradução monetária do tempo desperdiçado 

Para retirar o conceito de ociosidade do campo abstrato e inseri-lo na realidade orçamentária, a análise da Planisa detalha a estrutura de custos médios de uma única sala de cirurgia em hospitais avaliados: 

  • Custo Fixo Mensal de Operação (por Sala): R$ 202.377 (1)
  • Custo Direto da Ociosidade Mensal (por Sala): R$ 123.652 (1) 

“Quando expandimos essa ótica micro para a escala macroeconômica brasileira — considerando o censo de 25.293 (7) salas cirúrgicas ativas no país em 2024, excluindo salas cirúrgicas de pequenos procedimentos ambulatoriais, o impacto se mostra devastador: o custo acumulado da ociosidade nos blocos operatórios drena R$ 3,1 bilhões anuais do sistema de saúde. Esse montante bilionário se traduz no represamento de cirurgias eletivas, o que agrava o quadro clínico de milhares de pacientes nas filas de espera. Otimizar a atual ociosidade de 61% dessas salas permitiria injetar um potencial de 1,97 milhões por mês de novos procedimentos ao sistema”, explica Carnielo.

 

Custos invisíveis 

A ineficiência de um centro cirúrgico raramente se limita às barreiras físicas de suas salas; ela funciona como um epicentro que reverbera disfunções para os setores que estão antes e depois do ato cirúrgico (efeitos upstream e downstream). Dois exemplos clássicos de desperdício são gerados por comportamento médico defensivo e falha de planejamento que envolvem os leitos de Terapia Intensiva e a reserva de hemoderivados. 

De forma sistemática, as equipes cirúrgicas solicitam vagas de UTI no período pré-operatório como salvaguarda de segurança. No entanto, os indicadores revelam que 25,6% dos leitos de UTI reservados antecipadamente não chegam a ser utilizados pelo paciente, pois este apresenta evolução estável que permite o encaminhamento direto à enfermaria (2). Considerando que o custo de uma única diária de UTI adulto gira em torno de R$ 2.692 (1), manter um quarto de alta complexidade bloqueado sem necessidade real gera um prejuízo financeiro severo e impede a internação de pacientes críticos vindos do pronto-socorro, por exemplo. 

O comportamento preventivo repete-se na solicitação de bolsas de sangue. As equipes cirúrgicas demandam reservas em 5,0% dos casos, mas o uso real e efetivo ocorre em escassos 1,1% do total de procedimentos (2). Embora as bolsas não utilizadas retornem ao banco de sangue se mantidas sob refrigeração adequada, o processo de tipagem, transporte, testes de compatibilidade e bloqueio temporário gera custos invisíveis expressivos. Cada bolsa de sangue processada representa um custo estimado de R$ 431 (1) para a instituição, inflacionando o desperdício de processos.

 

O roteiro estratégico para a mudança cultural 

O diretor de Serviços da Planisa pontua que a jornada para a consolidação de um centro cirúrgico de alta performance exige resiliência das lideranças e a implementação de um ciclo estruturado de melhoria contínua baseado em quatro passos executivos fundamentais: analisar dados atuais; definir metas claras; priorizar iniciativas de alto impacto; monitorar e ajustar rotas. 

“A excelência operacional nasce do ponto de convergência entre a precisão milimétrica dos algoritmos preditivos e a coordenação relacional das equipes assistenciais. A implantação de ferramentas consagradas, como o uso sistemático e obrigatório do checklist de cirurgia segura da Organização Mundial da Saúde (OMS), melhora de forma documentada a consciência situacional da equipe, minimizando erros e mitigando atrasos de fluxo”, fala Carnielo. 

Ele ressalta ainda que, ao estruturar comitês formais de governança perioperatória e implementar políticas como os protocolos ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), os hospitais rompem com a lógica do desperdício oculto. “O resultado desta transformação transcende a otimização de custos e a recuperação de margens financeiras: trata-se da construção de um sistema de saúde mais seguro, sustentável, eficiente e focado em seu propósito maior: salvar vidas com o máximo de dignidade e o menor desperdício de recursos”, conclui.

 

Referências Bibliográficas

 (1) Planisa. Indicadores por classificação – BIP Hospitais Ano 2025. Boletim Indicadores Planisa: Unidades hospitalares – indicadores econômicos e de produtividade. São Paulo: Planisa; 2025. (2) Anestech. Observatório Anestesia de Valor 2024 / 2026. Florianópolis: Anestech; 2026.



TDAH ou cérebro exausto? Ansiedade, excesso de telas e falta de sono podem provocar sintomas semelhantes

Professora do CEUB explica por que distração, procrastinação e esquecimentos não bastam para diagnosticar o transtorno e alerta sobre avanço do autodiagnóstico


Dificuldade de concentração, procrastinação, esquecimentos, irritabilidade e sensação de mente acelerada são frequentemente associados ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Porém, esses sinais também podem estar relacionados à ansiedade, privação de sono, estresse crônico, burnout e excesso de estímulos digitais. No Dia Mundial de Conscientização sobre o TDAH, 13 de julho, a neuropsicóloga e professora de Psicologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Michelle Andrade, faz um alerta: sintomas isolados não definem o transtorno.

"A principal diferença está na frequência, intensidade, persistência e no impacto que esses comportamentos provocam na vida da pessoa. Todos podem se distrair, esquecer compromissos ou procrastinar em algum momento. No TDAH, porém, esses sinais são persistentes, acompanham o indivíduo há muitos anos e comprometem seu desempenho acadêmico, profissional, social, familiar ou emocional", explica. 

Um dos desafios do diagnóstico é o fato de diferentes condições produzirem manifestações muito parecidas. Ansiedade, depressão, transtornos do sono, burnout, estresse crônico, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e até algumas condições médicas podem comprometer atenção, memória, organização e controle emocional. Por isso, a investigação precisa ir além de listas de sintomas. 

Michelle explica que o histórico do paciente, a idade de início das dificuldades, os diferentes contextos em que elas aparecem e os prejuízos provocados fazem parte da avaliação clínica. "A pergunta não deve ser apenas 'a pessoa se distrai?', mas 'por que ela se distrai, desde quando isso acontece e em quais situações?'. É nesse momento que a avaliação deixa de ser um checklist e passa a ser investigação clínica consistente", afirma.

 

Excesso de telas também altera a atenção

Outro fator é o impacto do ambiente digital sobre o funcionamento do cérebro. Redes sociais, vídeos curtos e jogos oferecem recompensas rápidas e estímulos constantes, enquanto atividades como estudar, ler textos longos ou organizar tarefas exigem atenção sustentada e resultados menos imediatos. "O ambiente digital pode imitar ou potencializar sintomas semelhantes aos do TDAH, principalmente quando se somam à falta de sono, ansiedade ou excesso de estímulos. Nem todo cérebro distraído é um cérebro com TDAH. Muitas vezes, é um cérebro cansado, hiperestimulado ou emocionalmente sobrecarregado", destaca a especialista.
 

Redes sociais ampliam o risco de autodiagnóstico

Embora reconheça o papel das redes sociais na divulgação de informações sobre saúde mental, a neuropsicóloga do CEUB alerta que conteúdos simplificados podem induzir interpretações equivocadas: "O problema não é falar sobre TDAH nas redes. A psicoeducação é importante e ajuda muitas pessoas. O risco está na simplificação excessiva. Informação de qualidade amplia o conhecimento; informação superficial amplia a confusão. E o algoritmo, infelizmente, não faz diagnóstico".
 

Por que muitos adultos só descobrem o transtorno depois de anos?

Apesar de ser um transtorno do neurodesenvolvimento, o TDAH pode permanecer sem diagnóstico até a idade adulta. Isso ocorre, principalmente, entre pessoas com bom desempenho intelectual, ambientes estruturados ou estratégias que compensaram as dificuldades ao longo da vida. Com o aumento das responsabilidades, entretanto, essas estratégias podem deixar de funcionar e os sintomas tornam-se mais evidentes. "Muitas vezes, o adulto chega ao consultório afirmando que consegue cumprir suas responsabilidades, mas às custas de um desgaste muito grande".
 

Diagnóstico correto evita tratamentos inadequados

A avaliação neuropsicológica auxilia na investigação de funções como atenção, memória operacional, planejamento, organização e controle inibitório, além de contribuir para o diagnóstico diferencial e a identificação de possíveis comorbidades. Ainda assim, a professora ressalta que nenhum teste isolado é suficiente para confirmar ou descartar o transtorno. "Um bom diagnóstico não serve para rotular a pessoa. Ele permite compreender a origem das dificuldades, orientar o tratamento adequado, reduzir prejuízos e promover uma melhor qualidade de vida", conclui.


Shopping Campo Limpo recebe campanha de vacinação contra o sarampo

Ação acontece de 14 a 16 de julho, das 10h às 16h, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde

 

O Shopping Campo Limpo, localizado na zona sul, recebe entre os dias 14 e 16 de julho, uma importante ação de saúde pública voltada à vacinação contra o sarampo, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde. A campanha acontece das 10h às 16h, no Piso 2, no portão de acesso à Estação do Metrô, com atendimento gratuito e aberto ao público.

A iniciativa busca facilitar o acesso da população à imunização, principal forma de prevenção contra o sarampo. A vacinação é indicada para pessoas a partir de 6 meses de idade até 59 anos. 

O sarampo é uma doença viral aguda, potencialmente grave e de alta transmissão. O contágio ocorre por secreções respiratórias ao tossir, espirrar ou falar, além da dispersão de aerossóis em ambientes fechados. Por isso, a vacinação é considerada a medida mais eficaz para prevenir, controlar e eliminar a circulação da doença.

“Trazer a campanha de vacinação para dentro do shopping é uma forma de facilitar o acesso da população aos serviços básicos de saúde e reforçar a importância da prevenção”, ressalta Natália Ferreira, gerente de marketing do Shopping Campo Limpo.

Para participar, basta comparecer ao ponto de vacinação com um documento de identificação com foto e a carteira de vacinação. Menores de 18 anos devem estar acompanhados por um responsável legal. A vacina é segura, eficaz e fundamental para reduzir o impacto da doença na população.


Serviço

Campanha de Vacinação contra o Sarampo no Shopping Campo Limpo
Data:
14, 15 e 16 de julho
Horário: 10h às 16h
Local: Piso 2, portão de acesso à Estação do Metrô
Participação: gratuita
Documentos: documento com foto e carteira de vacinação
Público: crianças a partir de 6 meses, adolescentes, jovens e adultos até 59 anos; trabalhadores da saúde de qualquer idade
Endereço: Estrada do Campo Limpo, nº 459 – Vila Prel – São Paulo/SP
Site: www.shoppingcampolimpo.com.br

 

Respirar melhor pode ajudar a controlar a ansiedade? Especialistas explicam o impacto da respiração no bem-estar

Da concentração ao controle do estresse, a forma como respiramos influencia diferentes aspectos da saúde física e emocional. Entenda por que a respiração nasal e algumas técnicas simples podem contribuir para mais equilíbrio no dia a dia  

Respiramos cerca de 20 mil vezes por dia sem sequer perceber. Mas o que parece um ato automático tem impacto direto sobre o funcionamento do organismo, a capacidade de concentração, a comunicação e até a forma como lidamos com situações de estresse. 

Cada vez mais estudada por especialistas de diferentes áreas da saúde, a respiração vem ganhando espaço como uma ferramenta complementar para promover bem-estar e auxiliar no gerenciamento da ansiedade. Embora não substitua tratamentos médicos ou psicológicos quando necessários, a adoção de técnicas respiratórias simples pode ajudar a reduzir tensões e favorecer uma sensação maior de equilíbrio físico e emocional. 

Segundo a fonoaudióloga Christiane Nicodemo, mestre em Fonoaudiologia e especialista em comunicação e audição, a respiração exerce influência muito maior do que a maioria das pessoas imagina. "A respiração está diretamente relacionada à produção da voz, à comunicação e ao funcionamento adequado das estruturas da face. Quando ela ocorre de forma inadequada, especialmente pela boca, pode haver fadiga, alterações musculares e ósseas que impactam não apenas a fala, mas também o bem-estar geral", explica.

 

O papel da respiração nasal 

Embora muitas pessoas alternem entre respirar pelo nariz e pela boca sem perceber, especialistas destacam que a respiração nasal deve ser priorizada sempre que possível. Isso porque o nariz exerce funções importantes para a saúde respiratória, atuando como um filtro natural capaz de aquecer, umidificar e purificar o ar antes que ele chegue aos pulmões. 

"A respiração nasal é fundamental porque prepara o ar que será inspirado pelo organismo. Quando esse processo não acontece adequadamente, o corpo pode sofrer uma série de adaptações que afetam desde a qualidade da respiração até a comunicação", afirma Christiane. 

Além dos benefícios físicos, estudos também sugerem que exercícios respiratórios podem contribuir para o relaxamento e para uma maior percepção corporal, fatores que ajudam a lidar melhor com momentos de tensão.

 

Uma ferramenta para desacelerar 

A relação entre respiração e bem-estar não é apenas teórica. O Hospital Paulista desenvolveu um Programa de Respiração e Concentração voltado aos colaboradores da instituição, com o objetivo de oferecer estratégias simples para o enfrentamento do estresse cotidiano. A adoção da técnica junto ao grupo teve como facilitadora da pratica a própria fonoaudióloga Christiane Nicodemo e seu por meio de encontros semanais com foco em exercícios respiratórios e práticas de concentração. 

Segundo os relatos dos participantes, a experiência favoreceu momentos de relaxamento, maior consciência corporal e uma percepção mais positiva diante de situações desafiadoras do dia a dia. "Observamos que muitos participantes passaram a utilizar as técnicas aprendidas em momentos de estresse e ansiedade. Os relatos apontavam para uma sensação de alívio e maior capacidade de lidar com situações difíceis após alguns minutos de prática", destaca a especialista. 

Ela reforça que pequenas mudanças de hábito costumam produzir efeitos significativos quando praticadas de forma regular. "A respiração é uma ferramenta que carregamos conosco o tempo todo. Aprender a utilizá-la de forma consciente pode contribuir para mais equilíbrio, autocuidado e qualidade de vida".

 

O que acontece no organismo? 

Do ponto de vista fisiológico, a respiração está intimamente ligada ao funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por regular funções involuntárias do organismo, como frequência cardíaca, pressão arterial e resposta ao estresse. 

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Lucas Padial, especialista em distúrbios do sono, técnicas respiratórias lentas e controladas podem estimular mecanismos associados ao relaxamento e à redução do estado de alerta excessivo. "A respiração lenta e consciente ajuda a modular a atividade do sistema nervoso autônomo, favorecendo uma resposta fisiológica mais compatível com estados de relaxamento. Por isso, muitas pessoas percebem redução da tensão muscular, desaceleração dos pensamentos e sensação de maior tranquilidade após alguns minutos de prática." 

O especialista ressalta, porém, que os exercícios respiratórios devem ser encarados como ferramentas complementares de promoção da saúde. "Eles não substituem tratamentos médicos ou psicológicos quando existe um transtorno de ansiedade diagnosticado, mas podem contribuir para o controle dos sintomas e para a melhora do bem-estar geral quando incorporados à rotina."

 

Uma técnica simples para o dia a dia 

Entre as práticas mais acessíveis está a chamada respiração consciente. Esta, aliás, foi a técnica utilizada no grupo do Hospital Paulista que teve como facilitadora a fonoaudióloga Christiane Nicodemo. A orientação é simples:

  • sentar-se confortavelmente com a coluna ereta;
  • manter os pés apoiados no chão;
  • respirar pelo nariz de forma lenta e silenciosa;
  • priorizar a expansão do abdômen durante a inspiração;
  • direcionar a atenção para o ar entrando e saindo dos pulmões.

Caso outros pensamentos surjam, a recomendação é apenas retomar o foco na respiração, sem julgamentos.

Inicialmente, poucos minutos por dia já podem ser suficientes para desenvolver maior consciência respiratória.


Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


Qual atividade física protege as artérias? Especialista alerta para os riscos do treino sem orientação

Quase metade dos brasileiros não pratica atividade física suficiente, mas a escolha errada do exercício também preocupa especialistas. Entenda quais atividades protegem a saúde vascular e quais podem agravar varizes e riscos de trombose


O brasileiro já assimilou a ideia de que o exercício físico é sinônimo de saúde. Nas redes sociais e nos consultórios, a recomendação para se movimentar se repete. No entanto, para o sistema vascular, a equação não é tão simples. A execução inadequada de um movimento ou a escolha de uma atividade de alto impacto repetitivo pode transformar o que seria um remédio em um perigo silencioso para veias e artérias.

O problema é que o corpo pede movimento, mas exige orientação. Dados do Ministério da Saúde indicam que 47,5% da população adulta brasileira não se movimenta o suficiente, um índice que cresce entre mulheres e idosos. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), esse comportamento sedentário está diretamente relacionado ao aumento de casos de insuficiência venosa crônica e ao surgimento precoce de varizes.

A saída, segundo a Dra. Haila Almeida, médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins,clínica referência em medicina vascular de alta performance, está em um músculo muitas vezes subestimado: a panturrilha. Conhecida como o “coração periférico”, a região é a responsável por bombear o sangue de volta ao coração, uma tarefa que as veias não conseguem realizar sozinhas. “Cada contração comprime as veias profundas e empurra o fluxo venoso. Fortalecer essa região é uma questão funcional, e não apenas estética”, explica a médica.

 

O que funciona e o que gera risco

Entre as atividades mais indicadas para a saúde vascular estão os exercícios de baixo impacto, como caminhada, natação, hidroginástica e ciclismo leve. A água, em especial, exerce uma pressão hidrostática que funciona como uma drenagem natural que alivia o peso nas pernas. A musculação também entra na lista de aliadas, desde que bem orientada e com respeito aos limites do corpo.

O problema surge com os exageros. “Saltos sucessivos e a musculação com carga excessiva podem fragilizar as paredes venosas, elevar a pressão intra-abdominal e criar um ambiente perigoso para a formação de coágulos. A hidratação inadequada é outro fator crítico. Com a reposição hídrica insuficiente, o sangue se torna mais viscoso, a circulação fica lenta e o risco de trombose aumenta, especialmente em pessoas com predisposição”, afirma a especialista.

 

Sinais de alerta

De acordo com a Dra Haila, dores na panturrilha que surgem durante a corrida e somem no repouso, inchaço persistente em apenas uma perna, sensação de queimação ou o aparecimento súbito de veias dilatadas são alertas que não podem ser ignorados. “Nesses casos, insistir no treino é um risco. A recomendação é que o melhor esporte não é o mais intenso, mas aquele que o praticante consegue manter com prazer, regularidade e, acima de tudo, sem lesões”, finaliza a cirurgiã vascular. 



Dra. Haila Almeida - Médica cirurgiã vascular com atuação focada em tratamentos de vasinhos e varizes por meio da tecnologia a laser. É fundadora e líder do Instituto Alphaveins, clínica reconhecida por seu padrão de excelência em medicina vascular de alta performance. Com sólida formação e vivência prática, alia conhecimento técnico, gestão estratégica e experiência humana para ir além do tratamento, promovendo também o autocuidado, longevidade e autoestima, com foco em resultados reais, segurança e uma experiência verdadeiramente memorável. Empresária e mentora de outros profissionais da área da saúde, conduz uma abordagem inovadora na formação de médicos empreendedores, apoiando o desenvolvimento de carreiras conceituadas, éticas e bem-posicionadas.
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Nomofobia: 60% dos brasileiros ficam ansiosos longe do celular, aponta estudo

Problema caracteriza-se pelo medo irracional ou ansiedade extrema de ficar sem o aparelho; Brasil tem índice de uso excessivo de tela acima de outros países da América Latina

 
Um estudo realizado pela Nomophobia.com, plataforma que explora a relação entre tecnologia e a vida cotidiana, aponta que 60% dos brasileiros relatam sentir ansiedade quando estão longe dos celulares. Esse comportamento está associado à condição chamada de nomofobia, caracterizada pelo medo irracional ou pela ansiedade extrema de ficar sem o aparelho. Ainda segundo o levantamento, 87% se consideram dependentes dos smartphones para atividades diárias.
 
A pesquisa ouviu 3.094 latino-americanos em seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru), sendo 758 brasileiros. De acordo com os resultados, o uso de celulares no Brasil vem aumentando constantemente: 71% dos entrevistados informaram ter um aparelho e 27% disseram possuir dois.
 
Entre os participantes brasileiros, 12% acreditam sofrer de nomofobia, o maior índice entre os países latinos pesquisados. Argentina, Colômbia e México apresentaram percentuais de 6% cada. No Chile, o índice foi de 8%, enquanto, no Peru, ficou em 9%.
 
Além disso, 79% dos brasileiros reconheceram o uso excessivo do telefone. O percentual é superior aos números levantados no México (63%), Argentina (62%) e Peru (57%), por
exemplo. Esse comportamento causou problemas pessoais e/ou profissionais para 35% e perda do emprego para 13%.
 
No País, o uso ocorre até mesmo em situações inusitadas, como durante eventos religiosos (20%), trajetos de bicicleta (11%) e relações sexuais (4%). Outros dados do estudo mostram que 76% olham o telefone logo ao acordar e 80% fazem isso como a última atividade antes de dormir.


 
Consequências psicológicas e físicas
 
Segundo Mariana Soto, psicóloga do Hospital Saúde Premium, especializado em saúde mental, localizado em Capela do Alto (SP), a nomofobia é um transtorno da sociedade virtual e digital contemporânea, causado pelos avanços tecnológicos. A condição é considerada um dos principais novos transtornos do século XXI. Criado em 2008, o termo vem do inglês no-mobile-phone phobia (fobia de ficar sem celular, em tradução livre).
 
A psicóloga informa que o problema não está relacionado apenas à angústia provocada pela desconexão, mas também à urgência em checar e responder mensagens ou garantir que tudo esteja sob controle. Segundo ela, a questão não é o tempo de tela, mas sim o desconforto gerado pela impossibilidade de acessar o aparelho.
 
O principal indício, explica a profissional, aparece quando situações como ficar sem bateria, perder sinal ou esquecer o celular geram desespero fora do normal. Esse sentimento pode vir acompanhado de sofrimento, irritação, ansiedade e dificuldade para cumprir tarefas cotidianas simples. “Aos poucos, o aparelho deixa de ser só uma ferramenta e começa a funcionar como uma espécie de segurança emocional”, destaca.

De acordo com a psicóloga do Hospital Saúde mental, a nomofobia pode causar crises de ansiedade, depressão, isolamento social, insônia, falta de concentração e baixa produtividade. Há, também, consequências físicas, como taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular, desconforto nos olhos, além de dores de cabeça, de estômago, no pulso e no pescoço.



Atendimento especializado é fundamental
 
A profissional recomenda a busca por atendimento especializado logo ao surgirem os primeiros sinais. Conforme ela, a atenção da família, amigos e outras pessoas próximas é fundamental nesses casos, pois esses grupos podem notar sintomas que nem mesmo quem sofre de dependência digital extrema percebe.

Com o auxílio de psicólogo e, quando necessário, de psiquiatra, a pessoa consegue compreender melhor o próprio comportamento, além de construir uma relação mais saudável e equilibrada com a tecnologia. “A ideia não é cortar a tecnologia da vida, mas perceber quando essa relação começa a controlar demais o comportamento e as emoções”, pontua Mariana.


Hospital Saúde Premium 
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Cinco dicas para evitar idas desnecessárias às emergências pediátricas durante o inverno e férias escolares O inverno e as férias escolares trazem um desafio sazonal para a saúde das crianças. Um levantamento do Hospital Vitória Barra, da Rede Américas, no Rio de Janeiro, mostra que, nessa época, há um aumento médio de 20% na procura pelo pronto-socorro pediátrico, impulsionado principalmente por infecções respiratórias e gastroenterites. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforça que, embora o volume de casos assuste, é esperado que crianças na primeira infância enfrentem de 8 a 12 episódios infecciosos por ano. O desafio para os pais é saber diferenciar o quadro comum de uma emergência real. Para auxiliar as famílias a passarem por este período sem idas desnecessárias aos prontos-socorros, especialistas listam cinco orientações fundamentais: 1. Febre não é - necessariamente - motivo de pânico “Devemos evitar a ida desnecessária à emergência. É importante, nesses casos, ficar de olho no estado geral da criança. Se ela se mantém ativa (brinca, aceita bem a alimentação e não apresenta outros sintomas), a orientação médica é observar o quadro antes de buscar uma emergência. Alguns cuidados são fundamentais no período, como oferecer bastante líquido, lavar o nariz com soro fisiológico, repousar, optar por uma alimentação leve conforme a aceitação e contatar o pediatra se surgirem novos sintomas”, detalha Maria da Glória Neiva, médica responsável pela Pediatria do Hospital Vitória Barra. 2. Farmacinha em casa e guia do pediatra Para Christine Tamar, coordenadora médica da Emergência Pediátrica do Complexo Hospitalar de Niterói, também da Rede Américas, não é preciso o sintoma aparecer para buscar socorro. Ela orienta os pais a terem em casa uma “farmacinha” básica prescrita pelo pediatra de confiança. “A prevenção começa antes do sintoma. Ter antitérmicos e analgésicos prescritos pelo pediatra, nas doses exatas para o peso atual da criança, é fundamental. Quando os pais já têm um plano de ação discutido com o médico, a ansiedade diminui e evitam-se idas desnecessárias à emergência. Além disso, é importante verificar regularmente a validade dos medicamentos antes de utilizá-los”, afirma. 3. Consciência coletiva: criança doente fica em casa Tamar também alerta para a necessidade de isolamento domiciliar da criança no caso de suspeita de viroses ou outras doenças contagiosas, como gripes e resfriados. Segundo a médica, ao menor sinal de febre, diarreia ou manchas na pele, a criança deve permanecer em repouso, em casa. Isso garante a recuperação mais rápida dela e protege alunos e coleguinhas de surtos. “O melhor lugar para uma criança com sintomas estar é a casa dela. Ao notar febre, diarreia ou manchas na pele, repouso imediato e isolamento são fundamentais. Além de garantir que o pequeno se recupere com mais rapidez e conforto, essa é uma atitude de carinho e responsabilidade com as outras crianças, já que ajuda a interromper ciclos de transmissão e evita surtos na escola”, afirma Christine. 4. Vacinação e dia é proteção definitiva Para a dra. Luísa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, a atualização da caderneta de vacinação é a medida mais eficaz para prevenir surtos de doenças evitáveis. Ele afirma que pais e responsáveis devem conferir as doses de reforço para sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral), vacinas meningocócicas B, ACWY e pneumocócica, que protege contra pneumonias bacterianas, meningites e otites, além dos imunizantes contra o HPV para adolescentes. Importante também ter as vacinas de influenza e COVID-19 em dia. “A vacinação é a principal barreira contra doenças infecciosas preveníveis. O contato próximo e contínuo entre crianças e adolescentes nas escolas favorece a disseminação de patógenos quando há falhas na imunização. Conferir o cartão de vacinas é indispensável para proteção não apenas individual, mas coletiva, reduzindo drasticamente as chances de surtos. Vale reforçar que a imunização não precisa interferir na rotina da criança, serviços de atendimento domiciliar ajudam na praticidade para prevenção”, detalha a infectologista. 5. Quando realmente buscar a emergência pediátrica? Segundo Maria da Glória Neiva, alguns sinais devem ser observados e requerem ajuda médica imediata. Fique atento a casos de: • Dificuldade para respirar (esforço nas costelas ou batimento da asa do nariz); • Prostração extrema (criança que não interage mesmo sem febre); • Recusa de líquidos com sinais de desidratação (pouco xixi e boca seca); • Febre persistente, febre em lactentes menores de 3 meses.

 

O inverno e as férias escolares trazem um desafio sazonal para a saúde das crianças. Um levantamento do Hospital Vitória Barra, da Rede Américas, no Rio de Janeiro, mostra que, nessa época, há um aumento médio de 20% na procura pelo pronto-socorro pediátrico, impulsionado principalmente por infecções respiratórias e gastroenterites. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforça que, embora o volume de casos assuste, é esperado que crianças na primeira infância enfrentem de 8 a 12 episódios infecciosos por ano. O desafio para os pais é saber diferenciar o quadro comum de uma emergência real. 

Para auxiliar as famílias a passarem por este período sem idas desnecessárias aos prontos-socorros, especialistas listam cinco orientações fundamentais:
 

1. Febre não é - necessariamente - motivo de pânico

“Devemos evitar a ida desnecessária à emergência. É importante, nesses casos, ficar de olho no estado geral da criança. Se ela se mantém ativa (brinca, aceita bem a alimentação e não apresenta outros sintomas), a orientação médica é observar o quadro antes de buscar uma emergência. Alguns cuidados são fundamentais no período, como oferecer bastante líquido, lavar o nariz com soro fisiológico, repousar, optar por uma alimentação leve conforme a aceitação e contatar o pediatra se surgirem novos sintomas”, detalha Maria da Glória Neiva, médica responsável pela Pediatria do Hospital Vitória Barra.
 

2. Farmacinha em casa e guia do pediatra

Para Christine Tamar, coordenadora médica da Emergência Pediátrica do Complexo Hospitalar de Niterói, também da Rede Américas, não é preciso o sintoma aparecer para buscar socorro. Ela orienta os pais a terem em casa uma “farmacinha” básica prescrita pelo pediatra de confiança. 

“A prevenção começa antes do sintoma. Ter antitérmicos e analgésicos prescritos pelo pediatra, nas doses exatas para o peso atual da criança, é fundamental. Quando os pais já têm um plano de ação discutido com o médico, a ansiedade diminui e evitam-se idas desnecessárias à emergência. Além disso, é importante verificar regularmente a validade dos medicamentos antes de utilizá-los”, afirma.
 

3. Consciência coletiva: criança doente fica em casa

Tamar também alerta para a necessidade de isolamento domiciliar da criança no caso de suspeita de viroses ou outras doenças contagiosas, como gripes e resfriados. Segundo a médica, ao menor sinal de febre, diarreia ou manchas na pele, a criança deve permanecer em repouso, em casa. Isso garante a recuperação mais rápida dela e protege alunos e coleguinhas de surtos. 

“O melhor lugar para uma criança com sintomas estar é a casa dela. Ao notar febre, diarreia ou manchas na pele, repouso imediato e isolamento são fundamentais. Além de garantir que o pequeno se recupere com mais rapidez e conforto, essa é uma atitude de carinho e responsabilidade com as outras crianças, já que ajuda a interromper ciclos de transmissão e evita surtos na escola”, afirma Christine.
 

4. Vacinação e dia é proteção definitiva

Para a dra. Luísa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, a atualização da caderneta de vacinação é a medida mais eficaz para prevenir surtos de doenças evitáveis. 

Ele afirma que pais e responsáveis devem conferir as doses de reforço para sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral), vacinas meningocócicas B, ACWY e pneumocócica, que protege contra pneumonias bacterianas, meningites e otites, além dos imunizantes contra o HPV para adolescentes. Importante também ter as vacinas de influenza e COVID-19 em dia. 

“A vacinação é a principal barreira contra doenças infecciosas preveníveis. O contato próximo e contínuo entre crianças e adolescentes nas escolas favorece a disseminação de patógenos quando há falhas na imunização. Conferir o cartão de vacinas é indispensável para proteção não apenas individual, mas coletiva, reduzindo drasticamente as chances de surtos. Vale reforçar que a imunização não precisa interferir na rotina da criança, serviços de atendimento domiciliar ajudam na praticidade para prevenção”, detalha a infectologista.
 

5. Quando realmente buscar a emergência pediátrica?

Segundo Maria da Glória Neiva, alguns sinais devem ser observados e requerem ajuda médica imediata. Fique atento a casos de:

  • Dificuldade para respirar (esforço nas costelas ou batimento da asa do nariz);
  • Prostração extrema (criança que não interage mesmo sem febre);
  • Recusa de líquidos com sinais de desidratação (pouco xixi e boca seca);
  • Febre persistente, febre em lactentes menores de 3 meses.

36 anos do ECA: Defensor Público alerta para a "inclusão performática" na proteção de crianças e adolescentes com deficiência

 

Segundo André Naves, o cumprimento do Estatuto não pode se limitar a indicadores; orçamento, acessibilidade e políticas públicas efetivas são essenciais para garantir a prioridade absoluta prevista na Constituição

 

Neste 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos de vigência. Considerado um dos marcos jurídicos mais avançados do mundo na proteção integral da infância e da adolescência, o Estatuto consolidou no Brasil o princípio da prioridade absoluta. No entanto, mais de três décadas depois, transformar a letra da lei em realidade cotidiana continua sendo um dos maiores desafios do país, especialmente para crianças e adolescentes com deficiência, que ainda convivem com barreiras que revelam uma inclusão muitas vezes apenas formal. 

Os dados oficiais mais recentes do IBGE, divulgados em maio de 2025 com base nos resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022, mostram que o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais de idade. O levantamento também revela profundas desigualdades educacionais: entre as pessoas com deficiência de 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo é de 21,3%, quatro vezes superior à registrada entre a população sem deficiência (5,2%). Esses indicadores evidenciam que as barreiras sociais começam ainda na infância e na trajetória escolar. 

O cenário de vulnerabilidade da infância brasileira agrava ainda mais esse quadro. Levantamentos recentes mostram que a violência contra crianças e adolescentes permanece em níveis elevados, com dezenas de milhares de notificações anuais de violência sexual registradas no país. Paralelamente, os canais oficiais de denúncia continuam recebendo um alto volume de comunicações relacionadas à violação de direitos desse público, evidenciando a necessidade de fortalecer políticas de prevenção, proteção e atendimento. Avanços legislativos, como a Lei Henry Borel e a ampliação da rede de atendimento psicossocial, representam importantes instrumentos de proteção, mas sua efetividade depende da destinação de recursos públicos e da implementação contínua das políticas previstas em lei.

 

Além da planilha: quando a inclusão vira apenas formalidade

Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, a celebração dos 36 anos do ECA deve servir como um momento de reflexão sobre aquilo que ele define como "inclusão performática". 

"Matricular uma criança com deficiência na escola regular apenas para cumprir uma meta ou preencher uma planilha de indicadores, sem garantir professor de apoio, tecnologia assistiva, acessibilidade e um ambiente verdadeiramente acolhedor, não é inclusão. É apenas o cumprimento formal de uma obrigação legal, sem assegurar o direito efetivo ao desenvolvimento pleno previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente." 

Segundo Naves, o capacitismo estrutural e a ausência de prioridade orçamentária continuam comprometendo a efetividade das políticas públicas. 

"Do ponto de vista da economia política, negligenciar a infância representa uma das decisões mais caras que um país pode tomar. Quando o Estado deixa de investir em acessibilidade pedagógica, atendimento especializado e proteção integral hoje, amplia desigualdades, reduz oportunidades e compromete a autonomia dessas crianças na vida adulta. A acessibilidade não é um benefício; é o direito que torna todos os demais direitos possíveis." 

O defensor destaca ainda que estudos nacionais e internacionais demonstram que os investimentos realizados na primeira infância geram elevado retorno social e econômico, reduzindo despesas futuras com saúde, assistência social, violência e exclusão, além de ampliar produtividade, escolaridade e qualidade de vida.

 

Os desafios da proteção na era digital

Além das demandas históricas, André Naves chama atenção para um desafio que ganhou enorme dimensão nas últimas décadas: a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Segundo ele, o crescimento das redes sociais, das plataformas de compartilhamento de conteúdo e dos crimes virtuais exige uma atualização permanente das estratégias de prevenção e garantia de direitos. 

"O futuro do ECA dependerá da capacidade do país de atualizar suas salvaguardas para os desafios do ambiente digital e, ao mesmo tempo, garantir aquilo que nunca deixou de ser essencial: alimentação, moradia, educação acessível, proteção integral e afeto. Prioridade absoluta significa transformar orçamento em políticas públicas concretas, e não apenas produzir indicadores positivos", conclui.

 

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