Levantamento da Febrafar com mais de mil médicos aponta que 65% dos pacientes interrompem o tratamento por questões financeiras e que redução de preços pode ampliar significativamente a adesão
A expectativa de
ampliação da oferta de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 no Brasil,
impulsionada pela entrada de novas opções terapêuticas e pela tendência de
redução dos preços, deve facilitar o acesso de milhares de pacientes aos
tratamentos para diabetes tipo 2 e obesidade. Ao mesmo tempo, especialistas
alertam que esse novo cenário exige atenção redobrada para que a compra seja
realizada exclusivamente em farmácias regularizadas e mediante prescrição
médica.
Pesquisa nacional realizada pelo
Instituto IFEPEC com 1.067 médicos de todo o país mostra que o custo ainda
é a principal barreira para o tratamento. Segundo os profissionais
entrevistados, atualmente apenas 28% dos pacientes aptos conseguem arcar com o
medicamento. Em uma simulação apresentada durante o levantamento, os médicos
estimaram que uma redução de 35% nos preços elevaria esse percentual para 45%,
ampliando significativamente o acesso.
O estudo também
revela que 65% dos pacientes interrompem ou não conseguem manter o tratamento
por questões financeiras, evidenciando uma demanda reprimida que tende a ser
atendida à medida que novas alternativas chegarem ao mercado.
Para o presidente
da Febrafar, Edison Tamascia, esse movimento representa uma oportunidade
importante para democratizar o acesso aos medicamentos, mas também reforça a
necessidade de conscientização da população sobre a compra segura. "A
redução dos preços representa um avanço importante para que mais pessoas tenham
acesso a tratamentos que vêm demonstrando benefícios relevantes para pacientes
com diabetes tipo 2, obesidade e outras condições cardiometabólicas. No entanto,
esse avanço precisa ocorrer com responsabilidade, sempre com acompanhamento
médico e aquisição em farmácias regularizadas."
O crescimento da
procura pelos GLP-1 já é percebido nos consultórios. A pesquisa aponta que 33%
dos pacientes iniciam a consulta perguntando sobre esses medicamentos, enquanto
outros 18% já chegam solicitando diretamente a prescrição. Além disso, em
média, 7% dos pacientes afirmam já ter utilizado GLP-1 sem orientação médica
antes da primeira consulta.
Segundo Tamascia,
esses dados mostram que o interesse crescente da população deve ser acompanhado
de informação e cuidados para evitar riscos relacionados ao uso inadequado ou à
aquisição em canais informais. "Os medicamentos GLP-1 exigem avaliação
clínica individualizada, acompanhamento durante o tratamento e armazenamento
adequado. Quando o paciente compra em uma farmácia regular, ele tem a garantia
de que o produto percorreu toda a cadeia legal de distribuição, foi armazenado
corretamente e atende às exigências da vigilância sanitária. Essa é uma
segurança fundamental para qualquer tratamento."
Outro ponto
levantado pela pesquisa é que os médicos demonstram otimismo em relação à
chegada de novas opções terapêuticas, desde que essas apresentem qualidade,
segurança e eficácia comprovadas. Ao mesmo tempo, boa parte dos entrevistados
afirma que a decisão de prescrever dependerá da confiança no fabricante e das
evidências clínicas disponíveis.
Para o presidente
da Febrafar, esse cenário reforça ainda mais o papel das farmácias como elo
entre indústria, prescritores e pacientes. "A farmácia é muito mais do que
um ponto de venda. É o ambiente onde o paciente recebe orientação, tem acesso a
medicamentos provenientes de canais oficiais e encontra profissionais
capacitados para contribuir com o uso correto da terapia. À medida que esse
mercado cresce, esse papel ganha ainda mais relevância."
A expectativa do
setor é que a ampliação da concorrência contribua para reduzir barreiras
econômicas e ampliar o acesso aos tratamentos. Entretanto, especialistas
ressaltam que essa evolução deve ocorrer sempre aliando inovação, segurança,
orientação profissional e aquisição dos medicamentos em estabelecimentos
regularizados, garantindo que os benefícios dessa nova fase do mercado sejam
efetivamente convertidos em melhores resultados para a saúde da população.
A pesquisa na
íntegra está disponível de forma
gratuita no site da Febrafar.
Febrafar - Federação
Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias
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