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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Medicina de precisão reduz sequelas e amplia qualidade de vida no tratamento dos cânceres urológicos

 
Durante o XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D'Or, especialistas apresentaram os avanços que estão redefinindo o cuidado, com destaque para cirurgia robótica, radioterapia de alta precisão e terapias personalizadas

 

Os avanços da medicina de precisão estão transformando o tratamento dos cânceres urológicos (tumores que atingem órgãos como próstata, bexiga, rins, testículos e pênis). Se antes o principal objetivo era controlar a doença e aumentar a sobrevida, hoje a prioridade também é preservar a qualidade de vida dos pacientes durante e após o tratamento, reduzindo impactos e efeitos colaterais, e permitindo que eles mantenham sua autonomia e retomem suas atividades mais rapidamente.

A mudança ocorre em um cenário de alta incidência desses tumores. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 91 mil novos casos de câncer de próstata e de bexiga em 2026.

Cirurgia robótica, radioterapia de alta precisão, terapias-alvo, imunoterapia e métodos diagnósticos cada vez mais sofisticados estão tornando possível oferecer um cuidado mais personalizado e menos invasivo. Esses avanços estiveram entre os principais temas debatidos no XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D'Or, realizado este mês em Brasília.

XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia Oncologia D'Or
realizado em Brasília neste mês 
Divulgação

"Hoje, celebramos a cura com preservação da qualidade de vida. Esse passou a ser um dos objetivos da uro-oncologia moderna", afirma o radio-oncologista Allisson Borges, diretor executivo de Radioterapia da Oncologia D'Or e diretor-geral do Hospital DF Star.

Segundo o especialista, essa mudança é resultado da combinação entre novas tecnologias, tratamentos mais precisos e uma abordagem multidisciplinar.

"A cirurgia robótica nos permite realizar procedimentos menos invasivos, com menores taxas de complicações, como sangramentos, impotência sexual e incontinência urinária, além de excelentes resultados oncológicos. Mas essa transformação vai muito além da cirurgia. Hoje também contamos com imunoterapias, terapias-alvo e outras estratégias sistêmicas capazes de aumentar a eficácia do tratamento e reduzir os efeitos adversos, poupando tecidos saudáveis e proporcionando mais qualidade de vida aos pacientes."

A radioterapia também evoluiu muito no tratamento de cânceres urológicos. Antigamente, a falta de precisão dos aparelhos aumentava o risco de efeitos adversos ao atingir tecidos saudáveis. “Atualmente, os equipamentos possuem tecnologias como a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), a Radioterapia Volumétrica Modulada em Arco (VMAT) e sistemas de monitorização do alvo, como o Clarity, que monitoriza o movimento da próstata, aumentando muito a precisão do tratamento. Hoje, conseguimos distribuir a dose de radiação de maneira mais segura, com menor irradiação nos tecidos sadios, possibilitando a execução de tratamentos chamados de radiocirurgia”, explica.

A personalização do tratamento começa antes mesmo da definição da terapia. Exames de imagem mais sofisticados, biópsias guiadas, análise de marcadores moleculares, testes genéticos e o uso crescente do PET-CT permitem compreender melhor as características de cada tumor e definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.

"O uso de ressonâncias específicas para esses tumores, a evolução das biópsias de próstata, o acesso à anatomia patológica de ponta, com avaliação de marcadores moleculares e da assinatura genética do câncer, além da crescente utilização do PET-CT, têm sido fundamentais para indicar o tratamento certo para o paciente certo, no momento certo", destaca.

Para Allisson Borges, essa evolução representa uma das maiores transformações da uro-oncologia nas últimas décadas. O cuidado deixa de ser centrado apenas no controle da doença e passa a considerar também os impactos do tratamento na vida do paciente, preservando funções importantes, reduzindo complicações e tornando as decisões terapêuticas cada vez mais individualizadas.

Essa mudança de paradigma foi um dos eixos centrais do XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D'Or, da Rede D’Or, que reuniu especialistas brasileiros e internacionais para discutir como a incorporação de novas tecnologias, da medicina personalizada e da atuação multidisciplinar está redefinindo o cuidado aos pacientes com tumores urológicos. O encontro foi coordenado pelos doutores Miguel Srougi, Allisson Borges e Bruno Carvalho Oliveira.


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