O
inverno e as férias escolares trazem um desafio sazonal para a saúde das
crianças. Um levantamento do Hospital Vitória Barra, da Rede Américas, no Rio
de Janeiro, mostra que, nessa época, há um aumento médio de 20% na procura pelo
pronto-socorro pediátrico, impulsionado principalmente por infecções
respiratórias e gastroenterites.
A
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforça que, embora o volume de casos
assuste, é esperado que crianças na primeira infância enfrentem de 8 a 12
episódios infecciosos por ano. O desafio para os pais é saber diferenciar o
quadro comum de uma emergência real.
Para
auxiliar as famílias a passarem por este período sem idas desnecessárias aos
prontos-socorros, especialistas listam cinco orientações fundamentais:
1. Febre não é - necessariamente - motivo de pânico
“Devemos
evitar a ida desnecessária à emergência. É importante, nesses casos, ficar de
olho no estado geral da criança. Se ela se mantém ativa (brinca, aceita bem a
alimentação e não apresenta outros sintomas), a orientação médica é observar o
quadro antes de buscar uma emergência. Alguns cuidados são fundamentais no
período, como oferecer bastante líquido, lavar o nariz com soro fisiológico,
repousar, optar por uma alimentação leve conforme a aceitação e contatar o
pediatra se surgirem novos sintomas”, detalha Maria da Glória Neiva, médica
responsável pela Pediatria do Hospital Vitória Barra.
2. Farmacinha em casa e guia do pediatra
Para
Christine Tamar, coordenadora médica da Emergência Pediátrica do Complexo
Hospitalar de Niterói, também da Rede Américas, não é preciso o sintoma
aparecer para buscar socorro. Ela orienta os pais a terem em casa uma
“farmacinha” básica prescrita pelo pediatra de confiança.
“A
prevenção começa antes do sintoma. Ter antitérmicos e analgésicos prescritos
pelo pediatra, nas doses exatas para o peso atual da criança, é fundamental.
Quando os pais já têm um plano de ação discutido com o médico, a ansiedade
diminui e evitam-se idas desnecessárias à emergência. Além disso, é importante
verificar regularmente a validade dos medicamentos antes de utilizá-los”,
afirma.
3. Consciência coletiva: criança doente fica em casa
Tamar
também alerta para a necessidade de isolamento domiciliar da criança no caso de
suspeita de viroses ou outras doenças contagiosas, como gripes e resfriados.
Segundo a médica, ao menor sinal de febre, diarreia ou manchas na pele, a
criança deve permanecer em repouso, em casa. Isso garante a recuperação mais
rápida dela e protege alunos e coleguinhas de surtos.
“O
melhor lugar para uma criança com sintomas estar é a casa dela. Ao notar febre,
diarreia ou manchas na pele, repouso imediato e isolamento são fundamentais.
Além de garantir que o pequeno se recupere com mais rapidez e conforto, essa é
uma atitude de carinho e responsabilidade com as outras crianças, já que ajuda
a interromper ciclos de transmissão e evita surtos na escola”, afirma
Christine.
4. Vacinação e dia é proteção definitiva
Para
a dra. Luísa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e
Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, a atualização da caderneta de vacinação
é a medida mais eficaz para prevenir surtos de doenças evitáveis.
Ele
afirma que pais e responsáveis devem conferir as doses de reforço para sarampo,
caxumba e rubéola (tríplice viral), vacinas meningocócicas B, ACWY e
pneumocócica, que protege contra pneumonias bacterianas, meningites e otites,
além dos imunizantes contra o HPV para adolescentes. Importante também ter as
vacinas de influenza e COVID-19 em dia.
“A
vacinação é a principal barreira contra doenças infecciosas preveníveis. O
contato próximo e contínuo entre crianças e adolescentes nas escolas favorece a
disseminação de patógenos quando há falhas na imunização. Conferir o cartão de
vacinas é indispensável para proteção não apenas individual, mas coletiva,
reduzindo drasticamente as chances de surtos. Vale reforçar que a imunização
não precisa interferir na rotina da criança, serviços de atendimento domiciliar
ajudam na praticidade para prevenção”, detalha a infectologista.
5. Quando realmente buscar a emergência pediátrica?
Segundo
Maria da Glória Neiva, alguns sinais devem ser observados e requerem ajuda
médica imediata. Fique atento a casos de:
- Dificuldade para respirar (esforço nas costelas ou batimento da asa
do nariz);
- Prostração extrema (criança que não interage mesmo sem febre);
- Recusa de líquidos com sinais de desidratação (pouco xixi e boca
seca);
- Febre persistente, febre em lactentes menores de 3 meses.
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