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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Dedos pálidos, azulados ou dormentes no frio podem ser sinal do Fenômeno de Raynaud

 

Condição provoca contração exagerada dos vasos sanguíneos nas extremidades e pode exigir avaliação vascular quando os sintomas são frequentes, dolorosos ou associados a feridas

 

Com a queda das temperaturas, algumas pessoas percebem que a ponta dos dedos fica pálida, azulada, fria, dormente ou dolorida após contato com o frio. Embora o desconforto possa parecer apenas sensibilidade à baixa temperatura, esses sintomas podem estar relacionados ao Fenômeno de Raynaud, condição em que pequenos vasos sanguíneos sofrem uma constrição exagerada, reduzindo temporariamente o fluxo de sangue para as extremidades. 

O fenômeno costuma afetar principalmente dedos das mãos e dos pés, mas também pode ocorrer em regiões como nariz e orelhas. Em uma crise típica, a pele pode ficar esbranquiçada pela redução da circulação, depois arroxeada ou azulada, e, ao reaquecer, avermelhada, com sensação de formigamento, dor ou pulsação. 

De acordo com o Dr. Márcio Steinbruch, especialista em cirurgia vascular formado pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o frio é um dos principais gatilhos, mas não é o único. 

“No fenômeno de Raynaud, os vasos das extremidades reagem de forma exagerada a estímulos como frio ou estresse. Essa contração reduz a passagem de sangue e pode causar mudança de cor, dormência, dor e formigamento nos dedos. Em muitos casos, o quadro é benigno, mas precisa ser avaliado quando é frequente, intenso ou assimétrico”, explica. 

O especialista destaca que há formas primárias e secundárias da condição. A forma primária costuma ser mais comum e menos grave. Já a secundária pode estar associada a doenças reumatológicas, autoimunes, alterações vasculares, uso de determinados medicamentos ou exposição ocupacional a vibração, por exemplo. 

“A avaliação médica é importante para diferenciar um Raynaud primário, que geralmente tem evolução mais tranquila, de um quadro secundário a outras doenças. Quando há feridas nos dedos, dor intensa, alteração persistente da cor, piora progressiva ou sintomas em apenas uma mão, o paciente deve procurar atendimento”, alerta Steinbruch. 

Entre os cuidados que ajudam a prevenir crises estão proteger mãos e pés do frio, usar luvas, evitar mudanças bruscas de temperatura, manter o corpo aquecido, não fumar e observar se os episódios estão se tornando mais frequentes ou duradouros. Em alguns casos, além das medidas de proteção, pode ser necessário tratamento medicamentoso e investigação complementar. 

“Não se deve banalizar a ponta do dedo que fica branca, roxa ou dormente repetidamente. O sintoma mostra que a circulação naquela região está sendo temporariamente reduzida. Quando isso acontece com frequência, o ideal é investigar para evitar complicações e identificar se existe alguma doença associada”, conclui.

  


Fonte:
Dr. Márcio Steinbruch - Médico com especialização em cirurgia vascular pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, além disso, é membro titular e possui título de especialista pela SBAVC - Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pode participar de pautas sobre varizes, tromboses, problemas derivados destas doenças, cirurgias e problemas vasculares no geral.
Dr. Márcio Steinbruch | Cirurgião vascular (@livredevarizes) • Instagram


O que um exame metabolômico pode revelar sobre a saúde?

Sabe o que é? Especialista explica o que um exame metabolômico pode revelar sobre a saúde

De acordo com Dra. Annete Marum, especialista da Ciera Genomics, a tecnologia ajuda a entender como o organismo funciona e apoia decisões mais precisas em saúde, nutrição e prevenção

 

Por que será que duas pessoas que têm hábitos parecidos não têm o mesmo resultado, por exemplo, em um processo de emagrecimento ou ganho de massa muscular? Ou ainda, por que, muitas vezes, exames convencionais parecem normais e a pessoa continua reportando que algo não vai bem? A resposta pode estar nas informações que podem ser obtidas a partir do metabolismo de cada indivíduo e que hoje já podem ser analisadas por meio de um exame chamado metabolômico.

Segundo Raphael Pelegrino, fundador e CEO da Ciera Genomics, biotech brasileira especializada em ciências ômicas aplicadas à medicina e à nutrição de precisão, a tecnologia permite observar sinais biológicos que ajudam a compreender como o corpo está funcionando naquele momento. "Costumamos dizer que a metabolômica funciona como uma fotografia detalhada do organismo. Ela mostra como o metabolismo está respondendo à alimentação, à rotina, ao estresse e a diversos outros fatores que influenciam a saúde", explica Dra. Annete Marum, nutricionista e diretora científica da Ciera Genomics.


AFINAL, O QUE É UM EXAME METABOLÔMICO?

De forma simples, o exame analisa centenas de moléculas produzidas naturalmente pelo corpo durante metabolismo, que é o conjunto de todas as reações químicas que ocorrem no corpo, por exemplo a transformação dos nutrientes dos alimentos em energia para funções vitais (como respirar, pensar e bombear sangue) e para construir e reparar tecidos, como músculos e osso.

Um exame metabolômico fornece informações relacionadas ao funcionamento do metabolismo, como deficiências nutricionais, processos inflamatórios, resposta do organismo a alimentação, fatores associados à dificuldade de emagrecimento, alterações metabólicas relacionadas a condições como obesidade e diabetes. O exame ainda aponta tendências ou predisposição ao desenvolvimento de doenças que podem ser acompanhadas antes mesmo do surgimento de sintomas. "Nem sempre o objetivo é identificar uma doença. Muitas vezes buscamos compreender desequilíbrios e oportunidades de intervenção que podem contribuir para uma melhor qualidade de vida", afirma Dra. Annete.


MESMA DIETA, RESPOSTAS DIFERENTES DO CORPO. POR QUE ISSO ACONTECE?

Essa é uma das perguntas que a metabolômica ajuda a responder! Embora duas pessoas possam seguir hábitos semelhantes, o organismo de cada uma reage de maneira diferente. Questões genéticas, ambientais, nutricionais e metabólicas influenciam diretamente essa resposta. “Ao compreender essas diferenças, profissionais de saúde conseguem desenvolver estratégias mais personalizadas”, comenta a doutora.

Ainda segundo a profissional, ao entender melhor o funcionamento do próprio organismo, é possível ter objetivos de saúde mais palpáveis, longe de frustrações. Isso porque a metabolômica faz parte do universo da medicina de precisão, abordagem que busca compreender as características individuais de cada pessoa para direcionar decisões mais assertivas. Os dados de exames metabolômicos podem ser integrados a outras análises, como genômica e de microbioma, ampliando a compreensão sobre fatores que impactam a saúde.

"As diferentes camadas de informação permitem uma visão mais completa e individualizada do paciente. Isso contribui para estratégias de prevenção e acompanhamento cada vez mais precisas."


COMO ESSES EXAMES FUNCIONAM NA PRÁTICA?

Muitos dos exames utilizados na medicina de precisão são realizados por meio de amostras biológicas como sangue, urina, saliva e fezes. E com base nessas coletas, são analisados diferentes aspectos do organismo, desde o metabolismo, alimentação até fatores genéticos e características do microbioma.

As informações ajudam profissionais de saúde a entenderem melhor o funcionamento do corpo de forma individualizada, o que permite identificar fatores que podem influenciar a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida do paciente. Em alguns casos, essas análises também auxiliam no acompanhamento de condições já existentes, como diabetes, e na definição de estratégias mais personalizadas de cuidado.

Segundo Dra. Annete, o avanço dessas tecnologias ajuda no acesso a informações que antes estavam restritas ao ambiente de pesquisa. Hoje, parte desses exames já pode ser solicitada por médicos e nutricionistas, e alguns também estão disponíveis diretamente ao consumidor. No entanto, a especialista destaca que a interpretação dos resultados deve ser feita com acompanhamento profissional para que as informações sejam avaliadas dentro do contexto e das necessidades de cada pessoa.

 

Ciera Genomics


Onda de calor extremo vira grande desafio na reta final da Copa do Mundo


Catherine Ivill
AMA
Getty via CNN Newsource

Com sensação térmica que pode superar os 43°C nos Estados Unidos, cientistas cobram a FIFA e médicos alertam para os riscos à saúde de atletas e torcedores

 

A reta final da Copa do Mundo de 2026 será disputada sob uma intensa onda de calor nos Estados Unidos, reacendendo o debate sobre os impactos das temperaturas extremas na saúde de atletas e torcedores. De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, algumas cidades-sede podem registrar temperaturas próximas de 38°C, com sensação térmica superior a 43°C. Especialistas alertam que a combinação entre calor intenso e esforço físico pode aumentar significativamente o risco de desidratação, exaustão pelo calor e até golpe de calor, condição considerada uma emergência médica. 

O tema também mobiliza pesquisadores internacionais. Em carta aberta enviada à FIFA antes do torneio, um grupo de cientistas afirmou que as medidas de proteção contra o calor eram insuficientes diante das condições climáticas previstas. Entre as recomendações estavam pausas mais longas para resfriamento e critérios mais rigorosos para o adiamento de partidas em situações de calor extremo. 

Segundo o clínico geral, que atua como médico do esporte com foco em desidratação e prevenção de lesões decorrentes dela, Diego Reis, o calor intenso representa um desafio importante para o organismo, especialmente durante atividades físicas prolongadas. "Quando a temperatura ambiente está muito elevada, o organismo precisa trabalhar mais para manter sua temperatura corporal ideal. Isso aumenta a perda de líquidos e sobrecarrega o sistema cardiovascular, favorecendo quadros de desidratação, queda da pressão arterial, tontura, cãibras e, nos casos mais graves, o golpe de calor." 

O médico explica que atletas de alto rendimento contam com equipes preparadas para monitorar hidratação, reposição de eletrólitos e sinais de fadiga, mas ressalta que os torcedores também precisam adotar medidas preventivas. "Quem acompanha uma partida ao ar livre permanece por várias horas exposto ao sol e ao calor. É fundamental manter uma boa hidratação, utilizar roupas leves, aplicar protetor solar, procurar áreas de sombra sempre que possível e ficar atento a sintomas como dor de cabeça intensa, confusão mental, náuseas e fraqueza, que podem indicar um quadro de estresse térmico." 

Diego Reis, que também é professor do curso de Medicina da Afya Jaboatão, destaca ainda que crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais exigem cuidados redobrados. "Esses grupos apresentam menor capacidade de adaptação às altas temperaturas e podem evoluir mais rapidamente para complicações. A prevenção continua sendo a melhor estratégia para que o calor não transforme um momento de lazer em um problema de saúde." 

Com a previsão de temperaturas elevadas durante os próximos jogos, especialistas reforçam que o sucesso de grandes eventos esportivos também depende da adoção de medidas capazes de proteger atletas, profissionais envolvidos na competição e milhares de torcedores que acompanham as partidas presencialmente. 



Afya
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Aumento global de alergias alimentares acende alerta para a importância da leitura dos rótulos e inclusão na indústria

Segundo dados da OMS, a tendência de crescimento dos casos já afeta até 10% da população infantil; informação clara e tecnologia de acessibilidade em embalagens tornam-se essenciais para a segurança e autonomia dos consumidores

 

Diante de uma tendência global de aumento nos diagnósticos de alergias, o acesso à informação clara nas embalagens consolidou-se como um tema prioritário de saúde pública e um fator decisivo para garantir a segurança e a qualidade de vida da população. O cenário ganha relevância no contexto do Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, data que joga luz sobre a urgência de transformar a rotulagem de produtos em uma ferramenta prática de proteção e conscientização diária. 

“Os rótulos são uma fonte de informação fundamental para que os consumidores façam escolhas seguras e adequadas às suas necessidades. Para pessoas com alergias alimentares, esse cuidado é ainda mais importante, pois a identificação correta dos ingredientes e dos alergênicos declarados contribui para uma rotina alimentar com mais segurança e autonomia”, afirma Gisele Pavin, head de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé.

Além de identificar ingredientes, é importante que consumidores mantenham o hábito de verificar os rótulos sempre que comprarem um produto, mesmo os já conhecidos, já que as formulações podem mudar. Também é essencial observar informações sobre a presença de alergênicos e possíveis traços decorrentes do processo produtivo.


Rotulagem como ferramenta de inclusão e tecnologia

Mais do que identificar ingredientes e possíveis traços decorrentes do processo produtivo, a evolução da comunicação nas embalagens atua diretamente para tornar a alimentação mais inclusiva. Ao oferecer dados acessíveis, a indústria apoia consumidores, familiares e cuidadores a lidarem com restrições de forma mais tranquila, reduzindo incertezas. 

Um exemplo prático dessa evolução é a iniciativa Rótulos que Falam, da Nestlé, que utiliza tecnologia de acessibilidade para permitir que pessoas com deficiência visual tenham acesso completo às informações dos produtos por meio de leitura digital. A ação visa ampliar o acesso à informação e promover a inclusão, permitindo decisões conscientes para diferentes perfis de consumidores. 

“A informação é uma aliada do consumidor e faz parte de uma jornada de cuidado. Nosso compromisso é contribuir para que as pessoas tenham acesso a informações claras e possam tomar decisões conscientes sobre os alimentos que fazem parte da sua rotina”, comenta Gisele.


Dicas para uma leitura mais segura dos rótulos

  • Confira sempre a lista de ingredientes na íntegra antes do consumo.
  • Identifique de forma clara a presença de alergênicos declarados na embalagem.
  • Crie o hábito de reler os rótulos de produtos já conhecidos, pois os ingredientes e formulações podem mudar.
  • Consulte especialistas: Em caso de alergia diagnosticada, siga sempre as orientações do profissional de saúde responsável pelo acompanhamento. 

Dia Mundial de Conscientização do TDAH: Conhecimento é chave para diagnóstico correto e acolhimento de pacientes

Apesar da crescente popularidade do tema nas redes sociais, ainda há muitos aspectos pouco conhecidos sobre o transtorno

 

Celebrado em 13 de julho, o Dia Mundial de Conscientização do TDAH traz um alerta importante sobre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que é um dos temas mais comentados atualmente quando se fala em saúde mental. De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), entre 5% e 8% da população mundial tem TDAH. 

Além disso, estima-se que 70% das crianças com o transtorno apresentam outra condição associada, como ansiedade e dificuldades de aprendizagem, e pelo menos 10% convivem com três ou mais dessas comorbidades1. 

O aumento das discussões sobre o tema na internet ajudou a ampliar a visibilidade do transtorno nos últimos anos. O TDAH tem sido destaque em milhares de vídeos curtos nas redes sociais, como Instagram e TikTok, que detalham sintomas e situações cotidianas que podem estar relacionadas à condição2. 

“Hoje, há uma maior visibilidade para o transtorno, mas, quando consideramos que muitos dos sintomas podem ser causados por outros motivos, como ansiedade, insônia e stress, esse destaque pode trazer mais preocupações do que respostas, especialmente em crianças e adolescentes”, explicou o psiquiatra Rogério Onofre, médico consultor da Libbs. 

O crescente interesse pelo TDAH também fez com que queixas e suspeitas aumentassem dentro dos consultórios3. Mas o psiquiatra ressalta que isso não significa que os casos estejam aumentando, e sim que o diagnóstico está sendo feito com mais frequência e precisão. “Estamos avançando na desconstrução de rótulos que antes impediam muitas pessoas com TDAH de receber diagnóstico e tratamento adequado. Hoje, esse público encontra mais acolhimento e visibilidade tanto nos serviços de saúde quanto nos ambientes educacionais.” 

Apesar da popularidade, ainda há muitos aspectos pouco conhecidos sobre o transtorno. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento1, o que significa que está ligado a alterações no funcionamento e na maturação do cérebro. Essas alterações interferem na capacidade de atenção, no controle dos impulsos e na regulação emocional, podendo impactar a vida escolar, social e familiar4. 

“Muitos pais chegam ao consultório atentos à ideia de que o TDAH é sinônimo de inquietação e impulsividade, mas o transtorno é muito mais complexo que isso. Existem aspectos menos comentados, como fatores biológicos, genéticos e até ambientais que interferem na forma como ele se manifesta. Conhecer essas nuances ajuda a identificar o problema com mais precisão e evita rótulos equivocados”, afirma o especialista. 

O primeiro desafio para o diagnóstico do TDAH é a identificação dos sintomas, que se dividem de acordo com os três tipos de manifestação do transtorno: predominantemente desatento (exemplo: falta de atenção a detalhes, cometer erros por descuido e não terminar tarefas), predominantemente hiperativo-impulsivo (exemplo: agitar pés e mãos, remexer-se constantemente e não conseguir esperar sua vez), e combinado, quando há sintomas simultâneos de desatenção e hiperatividade-impulsividade4. 

No entanto, para chegar ao diagnóstico, os sintomas precisam estar presentes por tempo prolongado e em mais de um ambiente, como em casa e no trabalho ou na escola4. “Todo mundo pode se distrair ou ficar agitado em situações de estresse. O que preocupa é quando a desatenção, a hiperatividade ou a impulsividade são intensas, persistentes e trazem prejuízo nas atividades diárias”, acrescenta Onofre. 

Por isso, entender o TDAH em suas diferentes dimensões, explica o psiquiatra, é essencial para oferecer o suporte adequado a quem convive com o transtorno: “O cuidado com o TDAH não é sobre corrigir comportamentos, mas sobre criar um ambiente acolhedor e estruturado, que favoreça o bem-estar do paciente”.

 

Referências

 1. Ministério da Saúde. Entre 5% e 8% da população mundial apresenta Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade [Internet]. 2022. [acesso em 27 nov 2025]. Disponível em: Link 

2. Yeung A, Ng E, Abi-Jaoude E. TikTok and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: A Cross-Sectional Study of Social Media Content Quality. Can J Psychiatry. 2022;67(12):899-906.

3. Abdelnour E, Jansen MO, Gold JA. ADHD Diagnostic Trends: Increased Recognition or Overdiagnosis? Mo Med. 2022;119(5):467-473.

4. Magnus W, Anilkumar AC, Shaban K. Attention Deficit Hyperactivity Disorder. In: StatPearls [Internet]. 2023. [acesso em 27 nov 2025]. Disponível em: Link 


Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado
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Aumento de acidentes nas férias reforça a necessidade de noções de primeiros socorros

divulgação

O período de férias escolares altera a rotina das famílias, que passam a frequentar mais ambientes como praias, piscinas e parques, além de manter as crianças por mais tempo dentro de casa. Essa mudança no cotidiano coincide com o aumento nos atendimentos de urgência e emergência decorrentes de acidentes domésticos, afogamentos e engasgos. Diante desse cenário, o conhecimento em primeiros socorros por parte de pais e responsáveis atua como fator determinante para evitar complicações graves até a chegada do atendimento médico especializado.

De acordo com o médico pediatra da Rede Oto, Dr. François Ponte, os acidentes mais comuns nesta época do ano variam conforme o ambiente. No ambiente doméstico, predominam as quedas, queimaduras na cozinha e a ingestão de objetos pequenos ou produtos de limpeza. Já em áreas de lazer com água, o risco principal é o afogamento, que pode ocorrer em poucos centímetros de água e de forma silenciosa.

O especialista esclarece que a primeira ação em qualquer situação de emergência é garantir a segurança do local para evitar novas vítimas e, em seguida, acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pelo número 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. Enquanto a equipe profissional se desloca, procedimentos básicos iniciados imediatamente mudam o desfecho do caso. Em episódios de engasgo, por exemplo, a manobra de desengasgo adequada para a idade da vítima desobstrui as vias aéreas. Em caso de parada cardiorrespiratória, a execução de compressões torácicas mantém a oxigenação dos órgãos vitais.

Para além do socorro imediato, o médico também destaca a importância de ensinar as crianças a nadar. A Rede Oto orienta que a prevenção continua sendo o método mais seguro para proteger as crianças. Medidas como a instalação de grades em escadas, o uso de telas de proteção em janelas, o armazenamento de produtos químicos em locais altos e trancados, além da supervisão constante e sem distrações de um adulto nas proximidades de qualquer corpo de água reduzem os índices de acidentes durante o recesso escolar. 


O impacto invisível da adenoide aumentada no ganho de peso e no desenvolvimento infantil

Saiba como a obstrução nasal crônica altera o gasto energético noturno das crianças e descubra como as cirurgias modernas oferecem pós-operatórios muito mais confortáveis e com rápido retorno alimentar.

 

Muitas famílias associam o ronco infantil a um sono pesado ou passageiro, sem imaginar que a dificuldade para respirar esconde um problema bem mais complexo. A adenoide aumentada, popularmente conhecida como carne esponjosa, provoca uma obstrução nasal crônica que obriga a criança a fazer um esforço físico enorme apenas para puxar o ar enquanto dorme. O impacto desse quadro vai muito além das noites em claro, afetando diretamente o desenvolvimento físico e o ganho de peso na infância.

De acordo com a Dra. Loyane Bronzon, otorrinolaringologista especialista em ronco, apneia e saúde infantil, a energia que deveria ser usada para o crescimento acaba sendo consumida pelo cansaço de respirar mal. "Uma criança com obstrução grave passa a noite inteira fazendo um esforço equivalente a uma caminhada ou atividade física moderada. O gasto energético para vencer a barreira da adenoide é tão alto que o corpo queima calorias em excesso, o que muitas vezes impede o ganho de peso saudável", explica.

Além da balança, a respiração bucal crônica sabota a qualidade do sono profundo, justamente a fase em que o hormônio do crescimento (GH) é liberado em maior quantidade. Sem o descanso ideal, os pequenos acordam cansados, ficam irritados e com déficit de atenção na escola. São sintomas que, facilmente, os pais ou professores confundem com problemas de comportamento, mas que têm uma origem puramente física e respiratória.

Quando os remédios e tratamentos clínicos não resolvem, a indicação de cirurgia costuma assustar as famílias. No entanto, a realidade dentro dos hospitais hoje em dia mudou completamente e não lembra em nada os procedimentos de antigamente. Os avanços na remoção da adenoide e das amígdalas transformaram a experiência dos pacientes pediátricos, tornando o processo seguro e previsível.

"Hoje, as técnicas cirúrgicas são muito mais gentis com o corpinho da criança. Conseguimos uma redução drástica no sangramento, o que resulta em um pós-operatório confortável, com pouca dor e um retorno alimentar quase imediato, permitindo que o filho volte a comer de tudo muito mais rápido", pontua Loyane.

O diagnóstico precoce continua sendo o melhor caminho para evitar alterações definitivas no desenvolvimento do rosto e na arcada dentária. Ao notar sinais como boca aberta constantemente, roncos frequentes ou dificuldades para mastigar e respirar ao mesmo tempo, vale a pena buscar uma avaliação com o especialista para devolver à criança o direito de dormir bem e crescer com saúde. 



Fonte: Dra. Loyane Bronzon — Médica Otorrinolaringologista | Especialista em ronco, apneia do sono e otorrinolaringologia infantil
https://acesse.one/wkibdmw


Estudo com participação do Einstein avalia estratégia sem implante de stent para artérias coronárias calcificadas

Técnica combinando litotripsia intravascular e balão farmacológico mostrou resultados promissores em pacientes com vasos coronários de pequeno calibre e calcificação severa

 

Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita desenvolveram um estudo internacional inédito, junto à Universidade de Verona, na Itália, que investigou uma alternativa ao uso permanente de stents em pacientes com artérias coronárias de pequeno calibre e severamente calcificadas – um dos cenários mais desafiadores da cardiologia intervencionista. Os resultados foram apresentados no EuroPCR 2026, um dos principais congressos mundiais da área cardiovascular. 

A pesquisa avaliou a combinação entre litotripsia intravascular (IVL, na sigla em inglês) e balão farmacológico (DCB) em 50 pacientes tratados na Itália e no Brasil. A estratégia busca restaurar o fluxo sanguíneo nas coronárias sem deixar implantes metálicos permanentes no vaso, como ocorre nos procedimentos convencionais com stents. 

A litotripsia intravascular é uma técnica que utiliza ondas de choque para fragmentar o cálcio acumulado na parede das artérias, facilitando o preparo adequado da placa aterosclerótica antes do uso de balões ou stents. No estudo apresentado, após esse preparo com litotripsia, foi utilizado um balão revestido com paclitaxel — medicamento que ajuda a reduzir o risco de nova obstrução do vaso — sem a necessidade de implante de stent. 

Segundo os pesquisadores Pedro Alves Lemos, diretor de Cardiologia do Einstein Hospital Israelita, e Guy Fernando de Almeida Prado Junior, cardiologista intervencionista do Einstein Hospital Israelita, a proposta pode representar uma mudança importante em casos complexos. Isso porque, embora os stents tenham revolucionado o tratamento da doença coronariana, eles continuam permanentemente na artéria e podem estar associados, ao longo do tempo, a novas obstruções, inflamação local e necessidade de reintervenções. 

“O conceito deste estudo é particularmente interessante porque tenta tratar lesões coronárias calcificadas sem deixar uma estrutura metálica definitiva dentro da artéria. Em pacientes selecionados, isso pode favorecer uma resposta vascular mais fisiológica ao longo do tempo”, explica o Dr. Pedro Lemos. 

“Os resultados iniciais demonstraram um perfil bastante favorável de segurança e eficácia, sem ocorrência de morte cardíaca, infarto ou necessidade de nova revascularização relacionada à lesão tratada no primeiro mês após o procedimento”, afirma o Dr. Guy Prado. 

As análises angiográficas também apontaram sinais de remodelamento positivo dos vasos tratados – fenômeno em que a artéria mantém ou até amplia seu calibre após o procedimento, diferentemente do que costuma ocorrer em vasos tratados com stents metálicos. 

“O estudo traz evidências iniciais de que a combinação entre litotripsia intravascular e balão farmacológico pode ser uma alternativa viável em casos de calcificação coronária severa, especialmente em vasos pequenos, onde o implante de múltiplos stents tende a ser menos favorável”, diz Lemos. 

Os pesquisadores ressaltam que os resultados ainda são preliminares e que estudos maiores, comparativos e com acompanhamento de longo prazo serão necessários para confirmar a segurança e a eficácia da estratégia.

 

O uso sem orientação médica da caneta emagrecedora pode causar riscos à saúde

Magnific
Médico alerta para pancreatite aguda, desidratação e efeito rebote associados à automedicação com semaglutida e tirzepatida

 

A caneta emagrecedora tem ganhado espaço importante no tratamento da obesidade crônica nos últimos anos. Com essa popularização, cresceram também os relatos de complicações ligadas ao uso sem acompanhamento médico e à compra de produtos sem procedência segura. 

Originalmente desenvolvidos com semaglutida ou tirzepatida para tratar pacientes com diabetes tipo 2, esses fármacos tiveram posteriormente seu potencial para o emagrecimento amplamente divulgado nas redes sociais, impulsionando a procura sem prescrição. 

"O que vemos hoje é gente comprando a caneta como quem compra um suplemento, sem passar por avaliação médica nenhuma. Cada organismo reage de um jeito diferente, e ignorar isso abre espaço para efeitos colaterais que vão além de um mal-estar passageiro, como pancreatite aguda, desidratação grave e outros quadros gastrointestinais", explica o cirurgião plástico Dr. Rafael De Fina, da Clínica De Fina.
 

Consequências da caneta emagrecedora sem acompanhamento

Um estudo de 2025, liderado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), e publicado na revista científica Obesity mostra que o medicamento é indicado para pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades. Fora desse contexto, o uso pode provocar náuseas, vômitos e diarreia, podendo evoluir para desidratação. Sem planejamento nutricional e prática de exercícios, o emagrecimento acelerado também favorece a perda de massa muscular, comprometendo o metabolismo. Em fevereiro de 2026, a Anvisa emitiu um alerta e abriu investigação sobre o aumento de casos de pancreatite aguda relacionados ao uso por conta própria. 

Paralelamente, o mercado informal agrava esse cenário: produtos sem procedência conhecida, muitas vezes armazenados fora das condições ideais, ampliam o risco de complicações. Já houve, inclusive, casos de formulações adulteradas com metformina associadas a internações por acidose láctica. 

"Há relatos de pacientes que chegaram com sintomas graves depois de usar uma caneta comprada por fora, sem nenhum controle de origem ou de conservação. Além do risco da substância fora de contexto, ainda existe a incerteza sobre o que realmente está sendo aplicado no corpo da pessoa", ressalta o Dr. Rafael De Fina.
 

Emagrecimento ético com estratégias consistentes

Sem acompanhamento clínico desde o início, identificar e tratar complicações se torna difícil. O auxílio de um especialista é o que faz o processo mais adequado a cada organismo. 

"Defendemos um emagrecimento que faça sentido para a vida inteira do paciente, não só para o próximo mês. Isso passa por avaliação individual, ajuste de rotina, acompanhamento nutricional e, quando indicado, uso responsável da medicação, sempre com prescrição e monitoramento. Sem esse conjunto, o resultado tende a ser passageiro e o risco, desnecessário", afirma o Dr. Rafael De Fina.
 

Clínica De Fina


Como montar uma "farmácia de viagem", farmacêutico ensina

Junto com as férias de inverno também aparece um aumento das queixas comuns dessa época do ano: nariz entupido, garganta irritada, indisposição, alterações no sono e sintomas respiratórios. Antes de pegar a estrada ou embarcar em uma viagem, muitas famílias montam uma pequena farmácia dentro da mala. Mas será que colocar vários medicamentos “para garantir” é realmente a melhor escolha?

Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, o ideal é pensar em uma “farmacinha consciente”: organizada, segura e adaptada às necessidades de cada pessoa.

“O erro é transformar a mala de viagem em uma coleção de medicamentos sem critério. Levar tudo porque um dia alguém pode precisar aumenta o risco de uso inadequado. Natural não significa sem risco e medicamento conhecido não significa que pode ser usado de qualquer forma”, explica.
 

O que levar na mala de férias?

De acordo com o farmacêutico, alguns itens básicos podem ajudar a família a lidar com situações simples durante a viagem.

Entre eles:

• Termômetro;

• Soro fisiológico para higiene nasal;

• Medicamentos de uso contínuo: Leve quantidade suficiente para toda a viagem e, se possível, alguns dias extras, para evitar problemas caso ocorram atrasos ou imprevistos;

• Prescrições médicas quando necessário;

• Itens de cuidado diário específicos para crianças e idosos.

Transporte: “Sempre transporte os medicamentos em suas embalagens originais, principalmente durante viagens aéreas, pois isso facilita a identificação do produto e evita erros”, alerta Jamar que complementa: “Durante viagens, os medicamentos devem ser transportados preferencialmente na bagagem de mão, protegidos da luz e do calor. Medicamentos que necessitam refrigeração devem ser mantidos em bolsas térmicas apropriadas com elementos refrigerantes, evitando contato direto com o gelo e respeitando a temperatura indicada pelo fabricante”, ensina.

Armazenamento: Medicamentos não devem ficar expostos ao calor dentro do carro, diretamente no sol ou em locais com grande variação de temperatura, pois isso pode comprometer sua conservação. “Um medicamento mal armazenado pode perder qualidade. É preciso olhar validade, embalagem original e seguir as recomendações do fabricante”, orienta.
 

A farmácia do inverno: os erros mais comuns nos dias frios

Com a queda das temperaturas e o aumento de sintomas respiratórios, muita gente tenta resolver qualquer desconforto por conta própria.

Para Jamar, esse é um dos grandes problemas da temporada.

Entre os erros mais comuns estão:

• Uso excessivo de descongestionantes nasais;

• Automedicação para sintomas de gripe e resfriado;

• Uso inadequado de antibióticos;

• Mistura de medicamentos sem orientação;

• Repetir tratamentos antigos sem avaliação.

“Nem todo nariz entupido, tosse ou mal-estar tem a mesma causa. Usar algo que funcionou uma vez ou que funcionou para outra pessoa pode não ser adequado naquele momento”, explica.
 

O perigo do “toma esse que funcionou comigo”

Nas viagens em família, é comum alguém oferecer um medicamento que resolveu um sintoma parecido.

Mas crianças, adultos e idosos podem ter necessidades completamente diferentes.

Peso, idade, doenças existentes, outros medicamentos em uso e histórico de saúde interferem na escolha e na segurança de qualquer tratamento.

“Compartilhar medicamento parece uma atitude de cuidado, mas pode trazer riscos. A mesma substância pode ter efeitos diferentes dependendo da pessoa”, afirma.
 

Chá, mel e receitas da avó: tradição também precisa de orientação

Os dias frios também trazem de volta receitas familiares: chás, bebidas quentes e cuidados passados entre gerações.

Esses hábitos podem trazer sensação de conforto, ajudar na hidratação e fazer parte de momentos de autocuidado.

“O calor de uma bebida, o cheiro de um chá e o ritual de parar alguns minutos têm um componente emocional importante. Mas é preciso lembrar que cuidados caseiros também têm limites e não substituem avaliação quando existe um problema de saúde”, reforça Jamar.

 

Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. Tejard

 

Frio piora a endometriose? Não. Mas pode intensificar a percepção da dor e agravar os sintomas

O cirurgião ginecológico Dr. Igor Chiminacio explica por que as baixas temperaturas aumentam a sensibilidade dolorosa em mulheres com endometriose e alerta que dor incapacitante nunca deve ser considerada normal

 

Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, é comum que pessoas com doenças crônicas relatem uma piora nos sintomas. Entre as mulheres que convivem com a endometriose, a percepção de mais dor durante os dias frios costuma gerar uma dúvida recorrente: afinal, o frio faz a doença avançar? A resposta é não. O frio não acelera a progressão da endometriose nem provoca novas lesões. O que acontece é um aumento da sensibilidade do organismo à dor, tornando os sintomas mais intensos para quem já convive com a doença.

Segundo o cirurgião ginecológico Dr. Igor Chiminacio, habilitado em Endoscopia Ginecológica pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), essa diferença é importante para evitar interpretações equivocadas sobre a evolução da doença.

"O frio não faz a endometriose crescer nem cria novas lesões. O que acontece é um aumento da sensibilidade à dor. O organismo fica mais suscetível aos estímulos dolorosos, e isso faz com que muitas pacientes sintam os sintomas de forma mais intensa durante o inverno", explica Dr. Igor Chiminacio. 

A endometriose é uma condição inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Esse processo pode provocar dor pélvica intensa, alterações intestinais e urinárias, infertilidade e comprometimento da qualidade de vida. Mas a intensidade da dor nem sempre está diretamente relacionada ao tamanho ou à extensão das lesões.

Segundo Dr. Igor, fatores que aumentam a sensibilidade do sistema nervoso, como frio, estresse, ansiedade e depressão, podem amplificar significativamente a percepção dolorosa. "Quem apresenta ansiedade ou depressão costuma desenvolver um limiar de dor menor. A doença permanece a mesma, mas o cérebro interpreta os estímulos dolorosos de forma mais intensa. O frio funciona de maneira semelhante: ele não modifica a endometriose, mas aumenta a sensibilidade do organismo à dor."

Esse fenômeno ajuda a explicar por que muitas pacientes relatam piora dos sintomas durante o inverno, mesmo sem qualquer progressão da doença.


O que acontece no organismo feminino durante o frio?

As baixas temperaturas favorecem a contração muscular, reduzem a circulação periférica e aumentam a tensão corporal. Em pessoas que já convivem com dores crônicas, esse conjunto de fatores pode potencializar desconfortos existentes. No caso da endometriose, em que já há um processo inflamatório e frequentemente fibrose e aderências em diferentes regiões da pelve, qualquer aumento da sensibilidade dolorosa pode ser percebido de forma significativa.

Por isso, embora o frio não interfira na evolução da doença, ele pode tornar o período mais desafiador para quem convive com a condição. Alguns cuidados cotidianos podem contribuir para reduzir o desconforto durante os meses mais frios. Entre eles estão:

  • manter o corpo aquecido, especialmente as extremidades;
  • evitar exposição prolongada ao frio;
  • aquecer os ambientes sempre que possível;
  • realizar alongamentos ou exercícios leves antes de sair de casa;
  • manter uma rotina regular de atividade física de acordo com a indicação do seu médico;
  • utilizar bolsas de água quente ou bolsas térmicas sobre a região dolorosa, quando orientado pelo médico.

"A atividade física regular ajuda muito no controle da dor crônica. Mesmo um treino funcional leve ou alguns minutos de alongamento logo pela manhã já podem fazer diferença para muitas pacientes", afirma Dr. Igor. 


Dor intensa não deve ser normalizada

Embora a cólica menstrual ainda seja frequentemente tratada como um desconforto esperado, especialistas alertam que dores incapacitantes não fazem parte de um ciclo menstrual saudável. Quando a dor impede atividades diárias, compromete o trabalho, os estudos, a vida social ou exige uso frequente de medicamentos, é fundamental procurar avaliação médica.

"O principal alerta é que a dor incapacitante nunca deve ser considerada normal. Quanto mais cedo a paciente recebe um diagnóstico adequado, maiores são as possibilidades de controlar os sintomas e preservar sua qualidade de vida”, resume Dr. Igor. 

Nas últimas décadas, a compreensão científica da endometriose evoluiu significativamente. Atualmente, estudos mostram que a doença vai muito além da antiga teoria da menstruação retrógrada e possui características complexas relacionadas ao desenvolvimento embrionário e à resposta inflamatória do organismo.

Dr. Igor Chiminacio, com 18 anos de experiência em cirurgia ginecológica e membro da AAGL desde 2018, desenvolveu uma abordagem cirúrgica baseada na remoção da doença em bloco, respeitando os territórios anatômicos onde a endometriose costuma se desenvolver: "O objetivo é compreender toda a extensão da doença e não apenas remover lesões isoladas. Esse entendimento permite um tratamento mais completo, preservando órgãos e funções sempre que possível."

Apesar dos avanços científicos, o maior desafio continua sendo o diagnóstico precoce. Reconhecer que dores intensas não são normais e buscar avaliação especializada ainda representa um dos passos mais importantes para reduzir o impacto da doença na vida das mulheres. É importante procurar avaliação médica quando houver cólicas incapacitantes, dor durante as relações sexuais, dor especialmente no período menstrual, dor pélvica contínua ou dificuldade para engravidar. O diagnóstico é fundamental para controlar a progressão da doença, aliviar os sintomas e preservar a qualidade de vida e a fertilidade da mulher.


O que acontece com seu corpo durante um voo longo? Especialistas explicam como evitar os principais desconfortos

 

Pressão da cabine, ar seco, trombose e jet lag estão entre os efeitos mais comuns das viagens aéreas; medidas simples ajudam a reduzir os riscos

 

Dor de ouvido durante a aterrissagem, pernas inchadas, dificuldade para dormir e sensação de cansaço mesmo após horas sentado são situações frequentes para quem enfrenta voos longos. Embora façam parte da experiência de muitos passageiros, esses desconfortos têm explicações fisiológicas e, em alguns casos, podem representar riscos à saúde. 

Durante a viagem, o organismo precisa se adaptar a mudanças de pressão, baixa umidade do ar, longos períodos de imobilidade e, em casos de rotas internacionais, à alteração dos fusos horários. Segundo especialistas, pequenas medidas adotadas antes e durante o voo podem minimizar os impactos. 

Uma das queixas mais comuns envolve os ouvidos e os seios da face. Mesmo com a cabine pressurizada, as variações de pressão durante a decolagem e, principalmente, na aterrissagem exigem que o organismo execute um processo de compensação. Quando há congestão nasal provocada por gripes, alergias, rinite ou sinusite, essa adaptação pode ser mais difícil. 

"É importante viajar com as vias nasais desobstruídas para facilitar a equalização da pressão", explica Oswaldo Lércio Cruz, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês. 

Para evitar o desconforto, medicamentos antialérgicos ou descongestionantes podem ser indicados por médicos. Durante o voo, mascar chiclete, bocejar ou engolir saliva ajudam na equalização da pressão. Outra estratégia é tomar um gole de água, tampar o nariz e engolir repetidamente.

 

O perigo silencioso das pernas paradas 

Outro ponto de atenção é a circulação sanguínea. Permanecer muitas horas na mesma posição aumenta o risco de trombose venosa profunda, especialmente em voos com mais de quatro horas de duração. A condição ocorre quando um coágulo se forma nas veias profundas das pernas e, em casos mais graves, pode se deslocar para os pulmões, causando uma embolia pulmonar. 

O problema exige atenção especial de idosos, gestantes e pessoas com histórico de trombose ou varizes. 

"Para reduzir o risco, é importante manter uma boa hidratação, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, movimentar as pernas com exercícios de flexão e extensão dos tornozelos e das panturrilhas e, sempre que possível, levantar e caminhar a cada uma ou duas horas. Em alguns casos, o uso de meias de compressão também pode ser indicado", afirma André Echaime Vallentsits Estenssoro, cirurgião vascular do Hospital Sírio-Libanês. 

Já o uso de anticoagulantes para prevenção da trombose não é indicado para todos e deve ser recomendado apenas após avaliação médica.

 

Ar seco afeta mucosas e aumenta desconfortos 

A umidade dentro dos aviões costuma ser muito inferior à encontrada em ambientes terrestres. Como consequência, pele, olhos e mucosas ficam mais ressecados durante voos prolongados. 

Para o pneumologista Elie Fiss, do Hospital Sírio-Libanês, a redução da umidade compromete parte dos mecanismos naturais de proteção do sistema respiratório. "Quando as mucosas ficam ressecadas, elas perdem eficiência na defesa contra vírus e bactérias", explica. 

Para minimizar os efeitos, a principal recomendação é aumentar a ingestão de água antes, durante e após a viagem. Colírios lubrificantes podem aliviar o desconforto ocular, enquanto a higiene frequente das mãos ajuda a reduzir o risco de infecções. 

O especialista também reforça a importância dos cuidados com a saúde pulmonar, principalmente para pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Segundo ele, esses passageiros devem manter o uso regular das medicações prescritas, já que a menor concentração de oxigênio na cabine pode favorecer o agravamento dos sintomas. 

Além disso, caminhar pelo corredor da aeronave em intervalos regulares ajuda não apenas a estimular a circulação sanguínea, mas também a reduzir o risco de embolia pulmonar e outras complicações relacionadas à formação de coágulos durante voos longos.

 

Sono e alimentação também sofrem impactos 

Nos voos internacionais, especialmente aqueles que cruzam vários fusos horários, outro desafio é o jet lag. O distúrbio ocorre porque o relógio biológico permanece sincronizado com o horário de origem, enquanto o ambiente externo já segue um novo ciclo. 

“Quando a gente muda bruscamente de fuso horário, o nosso relógio interno fica dessincronizado com o horário local", explica o neurologista e especialista em sono Lucio Huebra, do Hospital Sírio-Libanês. Entre os sintomas mais comuns estão fadiga, insônia, sonolência diurna, alterações de humor e mudanças no apetite. 

A recomendação, segundo o médico, é ajustar gradualmente os horários de sono nos dias anteriores ao embarque e buscar exposição à luz natural ao chegar ao destino.

 

A digestão também sente os efeitos da altitude 

A alimentação também merece atenção. A combinação entre a pressurização da cabine e a permanência prolongada na posição sentada tende a tornar a digestão mais lenta e favorecer desconfortos gastrointestinais. 

"Refeições leves costumam ser melhor toleradas durante os voos", afirma a nutricionista Daniela Castanho, do Hospital Sírio-Libanês. A orientação é priorizar frutas, carnes magras e preparações menos gordurosas, além de reduzir o consumo de alimentos que favorecem a formação de gases. 



Hospital Sírio-Libanês
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