Com tecnologias cada vez mais sofisticadas e tratamentos personalizados, doença deixa de ser sentença; desafio é conscientizar a população sobre a gravidade da doença
Durante muito tempo, receber o diagnóstico de insuficiência
cardíaca grave era encarado como um caminho sem volta. Hoje, no entanto, a
realidade é diferente. Impulsionada por novas pesquisas, tecnologias cada vez
mais sofisticadas e tratamentos personalizados, a cardiologia tem conseguido
ampliar significativamente a sobrevida e a qualidade de vida de pacientes que
convivem com formas avançadas da doença.
A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração perde a
capacidade de bombear sangue de forma eficiente para atender às necessidades do
organismo. Em estágios mais avançados, o paciente pode apresentar falta de ar
ao realizar pequenos esforços ou mesmo em repouso, cansaço intenso, inchaço nas
pernas, limitações importantes para atividades do dia a dia e necessidade
frequente de hospitalizações.
Segundo os cardiologistas Dr. José Paulo Novazzi e Dra. Haissa Assad, do Hospital Santa Catarina - Paulista, embora a insuficiência cardíaca avançada continue sendo uma condição grave, os recursos disponíveis atualmente permitem mudar o curso da doença quando o diagnóstico é realizado precocemente e o tratamento é seguido adequadamente. "Existem muitos tratamentos que podem ser realizados para redução de mortalidade e melhora da qualidade de vida desses pacientes", afirma o Dr. Novazzi.
O grupo de maior risco inclui pessoas que já sofreram infarto,
pacientes com hipertensão arterial, diabetes, doença de Chagas, miocardites,
doenças autoimunes e aqueles que receberam o diagnóstico da insuficiência
cardíaca de forma tardia. Nesses casos, o acompanhamento especializado é
fundamental para evitar a progressão do quadro.
Dra. Haissa Assad explica que o diagnóstico precoce permite
ajustes mais rápidos das medicações, monitoramento das complicações e
orientações relacionadas ao estilo de vida, incluindo reabilitação cardíaca e
controle adequado da ingestão de líquidos: “Essa estratégia reduz o risco de
internações e pode retardar significativamente a evolução da doença”, explica.
Nos últimos anos, um dos principais avanços ocorreu justamente na
ampliação das opções terapêuticas. Além das classes tradicionais de medicamentos,
novas drogas passaram a integrar o tratamento, trazendo ganhos importantes em
sobrevida e controle dos sintomas. A tendência atual é cada vez mais
individualizar a terapia conforme as características de cada paciente.
Corações artificiais e novas tecnologias
Outra frente de inovação envolve os dispositivos mecânicos de
assistência ventricular, conhecidos popularmente como "corações
artificiais". Esses equipamentos auxiliam o funcionamento do ventrículo
esquerdo em pacientes com insuficiência cardíaca avançada e podem servir como
ponte para o transplante ou, em alguns casos, como tratamento definitivo.
“Entre os principais avanços estão os dispositivos de assistência
ventricular de longa duração, como o HeartMate 3, que pode ser usado como ponte
para transplante e também como terapia de destino para pacientes que possuem
contraindicação ao transplante cardíaco", destaca o Dr. José Paulo
Novazzi.
Além disso, tecnologias como a terapia de ressincronização
cardíaca vêm transformando o dia a dia de pacientes selecionados, melhorando
sintomas, capacidade funcional e qualidade de vida. O uso crescente de recursos
tecnológicos também tem favorecido diagnósticos mais precoces e acompanhamento
mais eficiente da evolução clínica.
Transplante ainda é referência
Mesmo diante desse cenário de inovação, o transplante cardíaco
ainda é a principal referência para casos de insuficiência cardíaca avançada
que não respondem ao tratamento clínico de forma adequada: "O transplante
é a terapia padrão-ouro para a insuficiência cardíaca avançada, devido à sua
maior sobrevida dentre as terapias atuais", destaca Dr. Novazzi.
Um dos desafios, porém, continua sendo a conscientização da
população sobre a gravidade da doença. Muitas vezes, pacientes não aderem
integralmente ao tratamento por não compreenderem os riscos envolvidos. "A
insuficiência cardíaca sem terapia otimizada mata mais do que o câncer",
alerta o cardiologista do Hospital Santa Catarina - Paulista.
Prevenção é o caminho
Embora a perspectiva seja de esperança, a prevenção não pode ficar
de lado. Mesmo que os avanços da medicina tenham ampliado significativamente as
possibilidades terapêuticas, controlar fatores de risco como hipertensão,
diabetes, colesterol elevado e obesidade continua sendo a melhor estratégia.
“Prevenir é sempre o melhor caminho. A prática regular de
atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico periódico
permanecem fundamentais para proteger a saúde do coração e evitar que a
insuficiência cardíaca avance para estágios mais graves”, conclui a Dra. Haissa
Assad.
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