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terça-feira, 21 de julho de 2026

Mudanças no estilo de vida podem proteger o cérebro contra o declínio cognitivo, evidencia estudo com participação da FMUSP

Pela primeira vez, cientistas adaptaram e testaram um programa de prevenção voltado para a realidade da América Latina

 

Um ensaio clínico internacional com participação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) comprova que a adoção de um programa estruturado de hábitos saudáveis melhora de forma significativa o desempenho cerebral de idosos latino-americanos que apresentam risco de desenvolver declínio cognitivo. 

Pela primeira vez, pesquisadores adaptaram e testaram com sucesso um programa de prevenção voltado especificamente para a realidade socioeconômica de 11 países da América Latina: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru, República Dominicana e Uruguai.

 

O estudo 

Publicado na revista científica The Lancet, os pesquisadores do programa LatAm-FINGERS acompanharam 1.065 participantes com idades entre 60 e 77 anos ao longo de dois anos. Todos os voluntários apresentavam fatores de risco para demência, como problemas de saúde cardiovascular, e desempenho cognitivo abaixo do esperado para a idade. 

Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos:

  • Intervenção sistemática no estilo de vida (ISEV): Participou de um programa estruturado que incluiu exercícios físicos acompanhados, orientações alimentares focadas na saúde cerebral, exercícios digitais de treino mental e monitoramento constante da saúde cardiovascular.
  • Intervenção flexível no estilo de vida (IFEV): Recebeu recomendações e conselhos gerais de saúde de forma autônoma.


Principais descobertas

  • Melhora cognitiva: Ao final de dois anos, o grupo que seguiu o programa estruturado (ISEV) apresentou uma melhora anual na performance cognitiva global 55% maior do que o grupo que recebeu apenas conselhos gerais.
  • Benefícios amplos: Os ganhos mais expressivos foram registrados na memória episódica (capacidade de lembrar de fatos e eventos recentes), seguida pela função executiva (capacidade de planejamento e organização) e pela velocidade de processamento do cérebro.
  • Segurança: O programa de atividades mostrou-se extremamente seguro, sem registro de efeitos colaterais graves relacionados às intervenções.
  • Fórmula adaptável: O estudo provou que é viável aplicar essa intervenção multidomínio de maneira padronizada em diferentes realidades socioeconômicas e culturais da América Latina.


Programa de hábitos saudáveis

 

O sucesso do método LatAm-FINGERS está na combinação de múltiplos fatores que estimulam a "reserva cognitiva" do cérebro. Os participantes do grupo estruturado realizaram:

  • Exercícios físicos: Atividades aeróbicas, de força, equilíbrio e coordenação de 4 a 5 vezes por semana.
  • Dieta para o cérebro: Aconselhamento nutricional baseado na dieta MIND (rica em vegetais, grãos, peixes e azeite).
  • Estimulação cognitiva: Sessões semanais de treinamento computadorizado de memória e atenção.
  • Controle de saúde: Monitoramento periódico de pressão arterial, açúcar no sangue (glicose) e colesterol.
  • Convivência social: Reuniões frequentes em grupo para fortalecer os laços sociais.


Descoberta histórica 

Até então, a maioria dos grandes testes clínicos sobre a prevenção da demência havia sido realizada em países de alta renda, deixando populações da América Latina sub-representadas na ciência. "Os resultados do LatAm-FINGERS preenchem essa lacuna histórica. Eles oferecem aos governos e sistemas de saúde uma estratégia prática, sem medicamentos e de baixo custo para proteger a saúde cerebral de milhões de idosos em toda a região", destaca a Profa Dra. Claudia Kimie Suemoto, professora associada da disciplina de Geriatria da FMUSP e uma das autoras do estudo. 

Também assinam o estudo os professores Ricardo Nitrini, titular sênior de Neurologia, e Sônia Maria Dozzi Brucki, professora associada do Departamento de Neurologia da FMUSP.

O estudo completo está disponível na na revista científica The Lancet (
clique aqui)*.



Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP


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