Pesquisa traz ainda disparidade no tratamento e diagnóstico
nos setores público e privado no Brasil
No mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, a MSD Brasil apresenta estudo sobre o perfil dos diagnósticos da doença no país. A pesquisa analisou dados entre 2016 e 2018, com uma amostra de mais de 37 mil pacientes, do SUS e do setor privado (seis clínicas do Grupo Oncoclínicas). Os resultados foram apresentados recentemente na Oral Oncology Reports e trazem informações alarmantes sobre os casos no país.
O câncer de Cabeça e Pescoço de Células Escamosas foi, em 2020, o sétimo mais comum no mundo, responsável por cerca de 890 mil casos, levando à óbito cerca de 450 mil pessoas. De acordo com o INCA, somente para casos de tumor de cavidade oral, são esperados 17.190 mil para cada ano do triênio de 2026 a 2028.
Entre os dados apresentados, destaca-se que em ambos os setores, mais de 70% dos casos são diagnosticados em estágio avançado. Ainda, a proporção metastática registrada no sistema público é de 2,9%, próxima do setor privado, que é de 2,6%.
O estudo também apresenta diferenças na localização dos tumores encontrados na rede privada e pública. No SUS, o principal local é a cavidade oral (37,1%), e fatores relacionados aos determinantes sociais da saúde, como falta de consultas regulares ao dentista e condições inadequadas de higiene bucal, têm sido associados a um maior risco desse tipo de câncer. Por sua vez, no sistema privado, o local mais frequente é a orofaringe (42,5%), com aumento expressivo ao longo dos anos do estudo.
O fator social também tem impacto relevante no perfil dos pacientes. Em média, os pacientes do SUS são mais jovens, com 61 anos, enquanto no sistema privado a idade média é de cerca de 67 anos. O dado está relacionado a importantes fatores de risco: no sistema público, 83,2% tinham histórico de tabagismo, no privado este índice é consideravelmente menor, de 64,2%. Da mesma forma, o histórico de consumo de álcool é maior nos pacientes da rede pública, ficando em 74,6%, enquanto na privada é de 50,3%.
Mais do que um retrato epidemiológico, o estudo reforça a urgência
de fortalecer as políticas públicas voltadas à prevenção e à detecção precoce
do câncer de cabeça e pescoço. São necessárias ações de combate ao tabagismo e
ao consumo excessivo de álcool, além de investimentos estratégicos em educação
em saúde e higiene oral. O objetivo final da pesquisa é fornecer à comunidade
médica um mapa claro para aprimorar a jornada do paciente e reduzir as
disparidades de cuidado em todo o país.
Referências
- Head and neck squamous cell carcinoma epidemiology at
diagnosis: A description of public and private health care systems in
Brazil regarding tumor location, staging and risk factors. Disponível em: Link . Acessado em 17/06/2026
1. INCA. Estimativa. Síntese de
Resultados e Comentários. Disponível em: Link. Acessado em 17/06/2026
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