O câncer de
próstata continua sendo uma doença predominantemente associada ao
envelhecimento, mas um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Oncológica (SBCO), com base no Painel Oncologia do DataSUS, mostra que a doença
também acomete homens mais jovens. Entre os pacientes com menos de 50 anos e
estadiamento conhecido, quase metade já apresentava câncer metastático no
momento do diagnóstico
O diagnóstico de câncer de próstata do influenciador
digital e criador do canal Aviões e Música, Lito Sousa, aos 59 anos, trouxe
novamente o tema para o centro das discussões sobre a saúde do homem. Embora
seja mais incidente após os 60 anos, a doença também acomete homens mais
jovens. Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO),
realizado com base em dados do Painel Oncologia do DataSUS, identificou 9.352
diagnósticos de câncer de próstata em homens com menos de 60 anos registrados
no Sistema Único de Saúde (SUS) nos anos de 2024 e 2025. Desse total, 940
ocorreram antes dos 50 anos, demonstrando que, embora incomum nessa faixa
etária, a doença também pode surgir em adultos mais jovens.
Além da ocorrência antes dos 60 anos, outro aspecto
chamou a atenção dos especialistas. Entre os pacientes com menos de 50 anos,
cujo estádio da doença foi informado no sistema, muitos já receberam o
diagnóstico quando o câncer havia se disseminado para outros órgãos, situação
que reduz as possibilidades de tratamento curativo e exige terapias mais
complexas. Na faixa entre 40 e 44 anos, 30 dos 55 pacientes com
estadiamento conhecido (54,5%) apresentavam doença metastática no momento do
diagnóstico. Entre os homens de 45 e 49 anos, esse cenário foi observado em 114
dos 259 casos com informação disponível sobre o estágio da doença (44%).
Os especialistas ressaltam, entretanto, que esses
percentuais devem ser interpretados com cautela, já que aproximadamente metade
dos registros dessas faixas etárias não continha informação sobre o estadiamento.
Outro dado relevante é que 701 dos 940 diagnósticos antes dos 50 anos (74,6%)
ocorreram entre 45 e 49 anos, indicando que a incidência começa a aumentar de
forma mais acelerada ainda na quinta década de vida.
De acordo com o cirurgião oncológico Paulo Henrique
de Sousa Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica
(SBCO), a idade, embora seja o principal fator de risco para o câncer de
próstata, não deve ser o único parâmetro para definir quem merece
acompanhamento mais atento. "O câncer de próstata é o tumor sólido mais
frequente entre os homens brasileiros, excluindo os cânceres de pele não
melanoma e costuma evoluir de forma silenciosa. A idade continua sendo o
principal fator de risco para o câncer de próstata, mas ela não é o único.
Homens mais jovens também podem desenvolver a doença, especialmente quando
apresentam histórico familiar ou predisposição genética. O grande desafio é que
muitos desses pacientes não imaginam estar sob risco e acabam recebendo o
diagnóstico em fases mais avançadas. Quando o diagnóstico acontece enquanto a
doença ainda está restrita à próstata, as chances de cura são muito maiores”,
afirma.
Rastreamento deve ser
individualizado
Conforme explica Paulo Henrique, homens com maior
risco de desenvolver a doença devem conversar com o médico sobre o momento mais
adequado para iniciar o acompanhamento da próstata. A avaliação pode incluir o
exame de PSA, realizado por meio de uma coleta de sangue, associado ao toque
retal, sempre considerando fatores como idade, histórico familiar, raça e
condições clínicas de cada paciente.
"O objetivo é identificar o tumor antes que
ele provoque sintomas ou se espalhe para outros órgãos. Para os homens com
maior risco, a avaliação individualizada é fundamental. Quando o câncer é
descoberto precocemente, aumentam significativamente as possibilidades de
tratamento curativo e de preservação da qualidade de vida”, reforça.
Os dados do Painel Oncologia mostram que o número
de diagnósticos cresce rapidamente com o avanço da idade. Entre 2024 e 2025,
foram registrados 657 casos entre homens de 45 e 49 anos, 2.361 entre 50 e 54
anos e 6.051 entre 55 e 59 anos. O pico ocorre entre 70 e 74 anos, faixa etária
que concentrou 17.638 diagnósticos feitos exclusivamente no SUS no período.
Tratamento depende do
estadiamento da doença
Quando o câncer permanece restrito à próstata, o
tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia ou, em casos selecionados,
vigilância ativa, estratégia indicada para tumores de baixo risco e crescimento
lento. Já nos casos em que a doença é diagnosticada após atingir outros órgãos,
a estratégia passa a priorizar o controle do tumor e a preservação da qualidade
de vida, utilizando recursos como hormonioterapia, radioterapia, cirurgia em
indicações específicas e outras terapias sistêmicas.
"O tratamento do câncer de próstata deve ser
individualizado e definido por uma equipe multidisciplinar. O cirurgião
oncológico participa desse planejamento para oferecer a estratégia mais segura
e eficaz para cada paciente", destaca Fernandes.
A SBCO lembra ainda que, além da idade, histórico
familiar, obesidade e raça negra aumentam o risco para o desenvolvimento do
câncer de próstata. Homens com pai ou irmão diagnosticados com a doença,
especialmente antes dos 60 anos, apresentam maior probabilidade de desenvolver
o tumor e devem discutir com o médico quando iniciar o acompanhamento.
A entidade também reforça que a prevenção vai além
dos exames. Não fumar, praticar atividade física regularmente, manter o peso
adequado e adotar uma alimentação equilibrada ajudam a reduzir o risco de
diversos tipos de câncer e contribuem para uma melhor saúde ao longo da vida.
Conhecer os fatores de risco, manter acompanhamento médico quando indicado e
procurar avaliação diante de alterações urinárias são medidas que favorecem o
diagnóstico em fases mais iniciais da doença.
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