Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 60% da população masculina está acima do peso; urologista com atuação em Nutrologia explica como o ganho de gordura abdominal e picos de cortisol sabotam a saúde hormonal e derrubam a libido.
A queda da testosterona costuma ser associada ao
envelhecimento masculino, mas um número crescente de homens tem apresentado
sintomas relacionados à deficiência hormonal ainda antes dos 40 anos. Baixa
libido, cansaço constante, dificuldade para ganhar massa muscular, alterações
de humor e perda de disposição estão cada vez mais presentes nos consultórios
e, em muitos casos, têm relação direta com fatores modificáveis, como
obesidade, sedentarismo, privação de sono e estresse crônico.
O cenário acompanha o avanço do excesso de peso no país.
Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas
(Vigitel), do Ministério da Saúde, mostram que mais de 60% dos homens
brasileiros estão com sobrepeso ou obesidade, condição fortemente associada à
redução da testosterona e ao aumento do risco de doenças metabólicas e
cardiovasculares.
Segundo o urologista com atuação em Nutrologia, Dr.
Maxmillan Dutra, a gordura abdominal exerce um papel importante nesse processo.
"O tecido adiposo favorece a conversão da testosterona em estrogênio por
meio da enzima aromatase. Quanto maior o acúmulo de gordura, principalmente na
região abdominal, maior tende a ser essa conversão e menor a disponibilidade de
testosterona no organismo", explica.
Além do excesso de peso, o estresse crônico também interfere
diretamente na produção hormonal. O aumento persistente do cortisol, hormônio
liberado em situações de tensão, compete com a produção de testosterona e
altera mecanismos importantes do eixo hormonal masculino. "Vivemos em um
estado permanente de alerta. Pressão no trabalho, noites mal dormidas, excesso
de telas e falta de tempo para descansar mantêm o organismo sob estresse
constante, e isso tem impacto direto na saúde hormonal", afirma o
especialista.
O médico ressalta que a queda da testosterona nem sempre
está relacionada apenas ao desejo sexual. Muitos pacientes procuram atendimento
por falta de energia, dificuldade de concentração, perda de desempenho físico
ou sensação de desânimo sem imaginar que esses sintomas possam estar ligados ao
funcionamento hormonal.
Paralelamente, outro ponto de atenção é a automedicação.
Influenciados pelas redes sociais e pela busca por desempenho estético, muitos
homens recorrem ao uso de testosterona e anabolizantes sem indicação médica.
Segundo Dr. Maxmillan, além de mascarar o problema, essa prática pode
comprometer a produção natural do hormônio e trazer consequências importantes
para a fertilidade. "Existe uma diferença muito grande entre reposição
hormonal indicada para quem realmente necessita e o uso indiscriminado de
hormônios para fins estéticos. O tratamento deve ser individualizado e baseado
em critérios clínicos e laboratoriais."
Ele explica que o tratamento da deficiência de testosterona
vai muito além da reposição hormonal. Em muitos casos, mudanças no estilo de
vida já são capazes de melhorar significativamente os níveis do hormônio. Perda
de peso, alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do
estresse e melhora da qualidade do sono fazem parte da estratégia terapêutica e
contribuem para recuperar a saúde de forma mais duradoura.
"A testosterona é um marcador importante da saúde
masculina, mas ela não deve ser analisada isoladamente. O objetivo é entender o
que está levando aquele organismo a funcionar pior e tratar a causa do
problema, não apenas os sintomas", destaca o médico.
Para o especialista, o principal desafio continua sendo
fazer com que os homens procurem atendimento antes que os sintomas se agravem.
"Muitos ainda acreditam que sentir cansaço, perda da libido ou queda no
rendimento faz parte da idade, quando, na verdade, esses sinais podem indicar
alterações que têm tratamento. Quanto mais cedo o homem busca avaliação,
maiores são as chances de recuperar qualidade de vida e prevenir problemas
futuros", conclui.
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