Insônia, dores musculares,
gastrite e cansaço constante nem sempre começam no corpo, mas em uma mente
sobrecarregada
Insônia
persistente, tensão muscular, gastrite sem causa orgânica, fadiga constante,
dores de cabeça frequentes e sensação de viver no "piloto automático"
podem ser manifestações físicas de uma vida emocionalmente fragmentada — quando
trabalho, família, responsabilidades e expectativas ocupam tanto espaço que a
pessoa deixa de perceber as próprias necessidades.
Segundo
a psicóloga e neuropsicóloga Tattiana Aserra, o cérebro e o
corpo funcionam como um sistema único. "O corpo costuma falar quando a
pessoa já não consegue escutar o que sente. Muitas vezes, ela acredita que está
apenas cansada, quando, na verdade, vive há meses desconectada das próprias
emoções, necessidades e limites."
A
especialista explica que o organismo permanece em estado constante de alerta
quando o cérebro interpreta que não há espaço para descanso ou recuperação. Com
isso, hormônios ligados ao estresse permanecem elevados por longos períodos,
favorecendo alterações no sono, na digestão, na imunidade e até na percepção da
dor.
O corpo não é o problema — ele é o mensageiro
Para
Tattiana, um dos maiores erros é tentar tratar apenas os sintomas físicos sem
investigar o contexto de vida da pessoa.
"Nem
toda insônia começa no colchão. Nem toda gastrite nasce da alimentação. Nem
toda dor muscular vem de esforço físico. Muitas vezes, esses sintomas são
formas que o cérebro encontra de sinalizar que algo precisa ser
reorganizado."
Ela
ressalta que o cérebro foi desenvolvido para alternar momentos de esforço e
recuperação. Quando essa alternância desaparece, todo o organismo sente as
consequências.
Os sinais físicos que merecem atenção
Entre
os principais alertas estão:
- dificuldade para dormir ou acordar cansado;
- tensão constante nos ombros, pescoço ou mandíbula;
- gastrite ou desconfortos intestinais que pioram em períodos de
estresse;
- dores de cabeça frequentes;
- fadiga que não melhora nem após o descanso;
- sensação permanente de estar acelerado.
Segundo
a neuropsicóloga, esses sintomas não significam necessariamente um transtorno
mental, mas indicam que vale a pena olhar para a forma como a vida está sendo
conduzida.
"O
cérebro precisa de coerência entre aquilo que fazemos e aquilo que sentimos.
Quando vivemos apenas para cumprir tarefas, sem espaço para descanso, vínculos,
prazer e autocuidado, o corpo começa a assumir a função de pedir essa
pausa."
Cuidar do cérebro é cuidar da vida inteira
No
Dia Mundial do Cérebro, Tattiana defende que saúde cerebral não deve ser
entendida apenas como ausência de doenças, mas como capacidade de viver de
forma integrada.
"O
cérebro saudável não é apenas aquele que memoriza ou resolve problemas. É
aquele que consegue regular emoções, construir relações, descansar, adaptar-se
às mudanças e encontrar sentido na própria rotina."
Para a especialista, ouvir os sinais do corpo antes que eles se transformem em doença é uma das formas mais importantes de prevenção. "Quando o corpo começa a gritar, geralmente o cérebro já vem sussurrando há muito tempo”, finaliza. Parte superior do formulário.
Tattiana ASerra, neuropsicóloga, autora e comunicadora - Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de uma década de experiência trabalhando com indivíduos e famílias, é também autora de dois livros, um dos quais é um best-seller.
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