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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Inscrições para curso gratuito da FESPSP de História Contemporânea para estudantes e interessados terminam neste domingo (7)

 Serão oito aulas presenciais ministradas por professores da FESPSP, combinando explicações teóricas com atividades práticas para fixação do conteúdo.


As inscrições ainda estão abertas!


A FESPSP (Escola de Sociologia e Política de São Paulo) oferece, em junho, o curso gratuito “História do Contemporâneo: Revoluções e Permanências”. Serão oito encontros presenciais em dias alternados, de 8 a 19 de junho, das 14h30 às 17h30. Durante as aulas, os professores da FESPSP conduzirão os alunos pelos principais temas dos séculos XIX e XX — das revoluções seculares à atualidade —, ajudando-os a compreender como surgem conceitos, conflitos e transformações. Esses elementos são fundamentais para decifrar a complexidade do mundo em que vivemos e, por isso, figuram nas provas do Ensino Médio e vestibular, além de pautarem debates na imprensa, nas mídias sociais e em grupos de amigos.“O curso busca ampliar o repertório crítico dos estudantes e aprofundar a reflexão sobre a história em nosso tempo presente, dentro de um ambiente de troca, formação e construção coletiva do conhecimento”, explica a cientista política Tathiana Chicarino, uma das coordenadoras da iniciativa.
 

Extensão para a comunidade

Além de integrar as ações de extensão de serviços para a sociedade, o curso “História do Contemporâneo: Revoluções e Permanências” faz parte do programa de nivelamento oferecido pela FESPSP aos seus alunos e à comunidade. A iniciativa busca apoiar a formação acadêmica e fortalecer conhecimentos essenciais para o percurso estudantil e para o debate social. Fazem parte desse programa cursos de Português e de Matemática, entre outros.


SERVIÇO

  • Curso presencial: História do Contemporâneo: Revoluções e Permanências
  • Datas: 8 a 19 de junho
  • Horário: 14h30 às 17h30
  • Local: Campus da FESPSP – Rua General Jardim, 522, Vila Buarque, São Paulo/SP
  • Inscrições: aqui
  • Prazo final: 8 de junho de 2026 ou até terminarem as vagas

PROGRAMA DO CURSO


AULA 01 – Como pensar historicamente?

  • 08 de junho, segunda-feira
  • 14h30 às 17h30
    Nesta aula, você vai compreender o que é a História como campo de conhecimento e como ela se conecta com outras áreas. Serão exploradas as formas de analisar o tempo, as mudanças e as interpretações sobre a sociedade a partir de diferentes fontes.

AULA 02 – Do feudalismo ao capitalismo

  • 09 de junho, terça-feira
  • 14h30 às 17h30
    Entenda as transformações que levaram ao fim do feudalismo e à formação do mundo capitalista. O foco será nas mudanças econômicas, políticas e sociais que reorganizam a vida em sociedade a partir das revoluções e da industrialização.

AULA 03 – Imperialismo, guerras e revoluções

  • 10 de junho, quarta-feira
  • 14h30 às 17h30
    Explore como se deu a expansão das potências europeias e seus impactos pelo mundo. Serão abordados os conflitos e revoluções que redefiniram fronteiras, relações de poder e a dinâmica global no período.

AULA 04 – O breve século XX

  • 11 de junho, quinta-feira
  • 14h30 às 17h30
    Ao longo desta aula, você entrará em contato com os principais acontecimentos políticos do século XX, como guerras, regimes e disputas ideológicas. Para além das guerras mundiais, destacam-se os processos de descolonização e as mudanças que moldaram o mundo contemporâneo.

AULA 05 – Ciclos econômicos e industriais brasileiros

  • 15 de junho, segunda-feira
  • 14h30 às 17h30
    Acompanhe os principais ciclos econômicos do Brasil, do período colonial à industrialização, e seus efeitos na organização da sociedade. Será examinado como economia, poder e cultura se articulam na construção do nosso país.

AULA 06 – Formação do povo brasileiro

  • 16 de junho, terça-feira
  • 14h30 às 17h30
    A aula discutirá diversidade cultural, miscigenação e os fatores históricos que ajudam a explicar desigualdades e identidades no Brasil. Saiba como a interação entre povos indígenas, africanos e europeus deu origem à sociedade brasileira.

AULA 07 – Lutas populares que moldam a história

  • 17 de junho, quarta-feira
  • 14h30 às 17h30
    Conheça o papel das lutas populares na construção da história do Brasil, a partir de diferentes movimentos sociais e formas de resistência. Serão exploradas as mobilizações que impulsionaram mudanças e ajudaram a construir direitos e identidades coletivas no país.

AULA 08 – Da queda do muro à história presente

  • 19 de junho, sexta-feira
  • 14h30 às 17h30
    A aula propõe uma reflexão sobre como interpretar o presente, considerando mudanças políticas, tecnológicas e sociais ainda em curso. Acompanhe as transformações recentes do mundo, da queda do Muro de Berlim aos desafios do século XXI.

Plan International Brasil lança campanha de crowdfunding para ampliar proteção contra abuso e exploração sexual infantil

Organização busca arrecadar R$ 150.000 para financiar oficinas socioeducativas em comunidades do Maranhão e do Piauí. Doações podem ser feitas pela plataforma Benfeitoria

 

A Plan International Brasil lançou uma campanha de financiamento coletivo para fortalecer suas ações de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A ação, disponível na plataforma Benfeitoria, teve seu início no Dia Nacional do Enfrentamento do Abuso e da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em 18 de maio, e tem como objetivo angariar recursos para a realização de projetos e de oficinas socioeducativas em territórios vulneráveis do Maranhão e do Piauí para crianças de 03 a 11 anos e suas famílias. 

Os dados nacionais evidenciam a urgência da causa. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o Brasil registrou em 2024 o maior número de estupros e estupros de vulnerável de sua história: 87.545 vítimas, mais do que o dobro do registrado em 2011. Desse total, 77,6% das vítimas são crianças e adolescentes menores de 18 anos, e 87,7% são meninas e mulheres. A faixa etária mais afetada é a de 10 a 13 anos, que concentra 32,8% dos casos. Em 65,7% dos casos, o crime ocorre dentro da própria residência, e o agressor é, na maioria das vezes, um familiar: em 59,5% dos casos com vítimas menores de 14 anos, o autor é um membro da família 

A campanha está estruturada em três metas progressivas, que variam de R$ 50.000 a R$ 150.000. Com os recursos arrecadados, a organização poderá realizar mais de 600 oficinas socioeducativas nas quais crianças aprendem a reconhecer e se proteger de situações de abuso e violência, além de saber a quem recorrer. As atividades beneficiam diretamente crianças de Codó, São Luís e Teresina.

As doações para a campanha de crowdfunding podem ser realizadas pelo link, a partir de R$ 39 e cada pessoa doadora recebe brindes especiais da Plan Brasil: benfeitoria.com/projeto/criancalivredeviolenciasplanbrasil

Para saber mais sobra a Plan Brasil, acesse www.plan.org.br.


Caminhos para a Saúde: Estação Vila das Belezas oferece testagem gratuita de doenças sexualmente transmissíveis e orientações em saúde no dia 3 de junho

Foto: ação do Caminhos para a Saúde
em estação da Linha 5-Lilás
 
Ação da ViaMobilidade facilita o acesso ao diagnóstico, à prevenção e à informação durante o deslocamento dos clientes  

 

Cuidar da saúde pode ser mais simples quando o serviço está no caminho. Com o objetivo de aproximar a prevenção da rotina dos clientes da ViaMobilidade, concessionária da plataforma de Trilhos da Motiva, promove, nesta quarta-feira (3), uma ação gratuita de testagem e aconselhamento sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) na estação Vila das Belezas, da Linha 5-Lilás.  

Realizada em parceria com a Secretaria de Saúde de São Paulo e apoio do Instituto Motiva, por meio do Programa Caminhos para a Saúde, a iniciativa oferece aos clientes a oportunidade de acessar serviços de saúde de forma prática e gratuita durante o trajeto diário, sem a necessidade de agendamento ou deslocamentos adicionais.  

Das 8h às 12h, equipes da Secretaria de Saúde estarão na estação realizando testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C, com atendimento sigiloso e em conformidade com os protocolos do Ministério da Saúde. Além dos exames, os participantes receberão orientações sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, contribuindo para ampliar o acesso à informação e incentivar o cuidado contínuo com a saúde. 

A ação também contará com a distribuição gratuita de preservativo. O público poderá ainda receber informações sobre a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), importantes estratégias de prevenção ao HIV.  

Ao levar serviços de saúde para dentro das estações, a ViaMobilidade reforça seu compromisso de transformar os espaços de mobilidade em ambientes de cuidado, cidadania e bem-estar. A iniciativa contribui para que os clientes encontrem, no próprio percurso diário, oportunidades de prevenção e acesso a serviços que muitas vezes acabam sendo adiados pela falta de tempo na rotina.  

Além dos benefícios individuais, o diagnóstico precoce e o acesso à informação são fundamentais para a prevenção das ISTs e para a promoção da saúde pública, ajudando a reduzir a transmissão de doenças e ampliando o acesso ao tratamento adequado. 
 

Serviço 

Testagem e aconselhamento sobre ISTs 

Local: Estação Vila das Belezas – Linha 5-Lilás

Data: 3 de junho de 2026

Horário: das 8h às 12h 


Corpus Christi deve registrar o maior movimento nas rodovias paulistas em 2026

Os motoristas poderão consultar as condições de tráfego em tempo
 real na página do Centro de Controle Multimodal da Agência
(Foto: Divulgação/Artesp)

Mais de 20,2 milhões de veículos são esperados na malha concedida; operação especial reforça atendimento após feriado de Tiradentes registrar queda de 53% nos acidentes.

 

As rodovias concedidas do Estado de São Paulo devem receber mais de 20 milhões de veículos durante o feriado prolongado de Corpus Christi, entre os dias 3 e 8 de junho. A estimativa representa um dos maiores volumes de tráfego previstos para os feriados de 2026 e reforça a expectativa de intenso movimento nos principais corredores rodoviários que ligam a capital ao litoral e ao interior paulista.

As cinco concessionárias com maior previsão de tráfego são a AutoBAn (3,17 milhões), Sorocabana (1,89 milhão), Novo Litoral (1,53 milhão), Rodoanel Oeste (1,48 milhão) e Ecovias Leste Paulista (1,39 milhão). Os corredores de acesso ao litoral devem concentrar parte significativa da movimentação, reforçando a expectativa de praias cheias durante o feriado prolongado.

Para atender ao aumento da demanda, as concessionárias vão operar com capacidade máxima ao longo de todo o feriado. O monitoramento será realizado 24 horas por dia pelos Centros de Controle Operacional (CCOs), em conjunto com o Policiamento Rodoviário, utilizando câmeras, sensores, painéis eletrônicos e demais sistemas de monitoramento distribuídos pela malha rodoviária.

A operação especial inclui reforço das equipes de atendimento ao usuário, ampliação da frota de guinchos e ambulâncias, posicionamento estratégico de viaturas e aumento da capacidade operacional nas praças de pedágio. Também poderá haver adoção de operações especiais de tráfego em trechos de maior demanda, especialmente nos acessos ao litoral.

No Sistema Anchieta-Imigrantes, por exemplo, operações de reversão de pistas poderão ser implementadas conforme o comportamento do tráfego, priorizando os fluxos de descida e subida da serra de acordo com a demanda observada ao longo do feriado.

O planejamento é realizado após resultados positivos observados no feriado de Tiradentes, quando as rodovias concedidas registraram queda superior a 50% no número de acidentes em comparação com o mesmo período do ano anterior.
 

Orientação aos motoristas

A recomendação é que os motoristas programem a viagem com antecedência, acompanhem as condições de tráfego pelos canais oficiais das concessionárias e respeitem os limites de velocidade. As condições de tráfego serão atualizadas em tempo real na página do Centro de Controle Multimodal – CCM - da Artesp (Link). Durante todo o período, mensagens de orientação e segurança viária serão exibidas nos painéis eletrônicos instalados ao longo das rodovias.

Quem for viajar neste feriado poderá contar com uma operação reforçada em toda a malha concedida paulista. ARTESP, concessionárias e equipes de atendimento atuarão de forma integrada, 24 horas por dia, para garantir mais segurança, fluidez e suporte aos usuários durante todo o período. 



Agência Reguladora de Transportes de São Paulo - A ARTESP


terça-feira, 2 de junho de 2026

SOMP: por que a antiga SOP mudou de nome e o que isso revela sobre uma síndrome que sempre foi mal compreendida

A antiga síndrome dos ovários policísticos agora passa a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina. A mudança não é apenas semântica: ela corrige um erro histórico e amplia o olhar sobre uma condição que vai muito além do ovário.

Em maio de 2026, esse descompasso entre nome e realidade clínica foi oficialmente reconhecido em um consenso internacional publicado no The Lancet: a SOP passou a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, ou SOMP. Em inglês, a sigla adotada foi PMOS - Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. 

Para o Dr. Arthur Victor de Carvalho, a mudança era necessária há muito tempo. “O nome antigo reduzia uma síndrome extremamente complexa a uma imagem de ultrassom. E isso sempre foi um problema, porque levava muitas mulheres a acreditarem que, se não tinham ‘ovários policísticos’, então não poderiam ter a condição.” 

A atualização da nomenclatura foi construída justamente para corrigir esse tipo de distorção. O nome anterior era considerado inadequado porque colocava o foco em um achado que nem sempre está presente e deixava em segundo plano o que realmente define a síndrome: uma desregulação sistêmica com impacto sobre ovulação, metabolismo, composição corporal, resistência à insulina, pele, cabelos e risco cardiometabólico. O próprio artigo do The Lancet afirma que a antiga terminologia contribuía para confusão diagnóstica, reforçava estigma e dificultava a compreensão da síndrome tanto entre pacientes quanto entre profissionais. 

No novo nome, cada termo cumpre uma função. “Ovariana” permanece porque a condição continua envolvendo alterações ovulatórias e reprodutivas. “Metabólica” reconhece a associação frequente com resistência à insulina, disfunção glicêmica, ganho de peso e maior risco cardiovascular. Já “poliendócrina” deixa claro que não se trata de um problema restrito a um único órgão, mas de uma desordem que atravessa múltiplos eixos hormonais. Essa reformulação aproxima o diagnóstico daquilo que ele sempre foi na prática, mas nem sempre foi nomeado com clareza. 

A mudança não surgiu de uma decisão isolada. Segundo a Endocrine Society, o processo envolveu anos de discussão e mais de 22 mil respostas de pacientes e profissionais de saúde, além da participação de dezenas de sociedades médicas ao redor do mundo. O consenso buscou justamente refletir melhor a experiência real de quem vive com a síndrome e de quem a diagnostica. 

Esse ponto importa porque a condição continua sendo uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva. As entidades envolvidas no consenso estimam que ela afete cerca de 1 em cada 8 mulheres, somando mais de 170 milhões de pessoas no mundo. Ainda assim, a síndrome segue frequentemente subdiagnosticada, mal explicada e, muitas vezes, tratada de forma estreita demais. 

Muitas mulheres passaram anos ouvindo que “não tinham SOP” por não apresentarem “cistos”, ou recebiam explicações focadas apenas no ciclo menstrual e na dificuldade para engravidar, quando o corpo já dava outros sinais importantes: acne persistente, crescimento excessivo de pelos, queda capilar, ganho de peso, dificuldade para emagrecer, irregularidade menstrual, fadiga e sinais de resistência à insulina. 

Para o Dr. Arthur, esse reposicionamento pode ter efeito direto na qualidade do cuidado. “Quando passamos a chamar de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, a medicina finalmente reconhece algo que a prática clínica já mostrava há muito tempo, não se trata apenas do ovário, mas de uma desregulação hormonal e metabólica muito mais ampla.” 

Essa mudança é importante porque a síndrome não impacta só fertilidade ou ciclo menstrual, ela também se relaciona com risco metabólico aumentado, alterações na composição corporal, saúde cardiovascular e bem-estar geral.  

É importante deixar claro que o novo nome não altera os critérios diagnósticos básicos nem invalida o que já se sabe sobre o tratamento. Continuam valendo estratégias individualizadas que podem incluir mudança de estilo de vida, ajuste alimentar, atividade física, sono, medicações como metformina, contraceptivos hormonais e terapias dirigidas a sintomas específicos, dependendo do caso. O que a SOMP altera é o enquadramento da síndrome e isso, na medicina, nunca é um detalhe pequeno. Um nome mais preciso tende a produzir uma escuta mais precisa, uma investigação mais ampla e um tratamento menos superficial. 

Também há um efeito simbólico importante. O termo antigo carregava uma simplificação que, para muitas pacientes, não explicava o que estavam vivendo. Ao reposicionar a síndrome como ovariana, metabólica e poliendócrina, a nova nomenclatura abandona a ideia de que a condição se resume a uma imagem ultrassonográfica ou a uma questão estética e reprodutiva. Ela se aproxima mais da realidade de quem convive com um quadro hormonal crônico e multifatorial. 

“A nova nomenclatura não muda só a forma de falar. Ela muda a forma de pensar. E quando a medicina muda a forma de pensar, muda também a qualidade do cuidado. A sigla mudou. Mas, mais do que isso, mudou o foco. E talvez seja exatamente daí que comece um diagnóstico melhor”, conclui o Dr. Arthur Victor de Carvalho. 

 

Dr. Arthur Victor de Carvalho - médico especialista em menopausa, lipedema e modulação hormonal. Atua com foco na saúde da mulher moderna, unindo ciência, escuta e individualização para devolver às pacientes o que a medicina tradicional muitas vezes ignorou: vitalidade, bem-estar e liberdade para envelhecer com potência.



Entenda por que a cadeira do dentista se tornou uma das linhas de defesa contra doenças crônicas

Freepik
Estudo revela que inflamações na gengiva elevam em 26% o risco de diabetes e em 18% o de problemas cardíacos, reforçando a importância do acompanhamento preventivo. 

 

No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes e problemas cardiovasculares, foram responsáveis por 41,8% das mortes prematuras em 2019, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com estudo realizado pela Universidade de Birmingham e NIHR Birmingham Biomedical Research Centre, pacientes com histórico de doença periodontal têm 26% mais probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 e 18% mais chances de apresentar doenças cardiovasculares. 

Daniela Lopes do Vale, coordenadora Técnico Comercial da Care Plus Clinic, explica que existe uma relação de mão dupla entre a saúde bucal e as DCNTs. “Da mesma forma que algumas patologias apresentam sinais odontológicos, infecções bucais podem agir como foco inflamatório e agravar doenças sistêmicas”, afirma. 

Segundo ela, alterações na boca, muitas vezes vistas como problemas isolados, podem sinalizar desequilíbrios e processos inflamatórios em curso no organismo. Nesse contexto, o acompanhamento odontológico torna-se essencial também para monitorar a saúde e atuar de forma preventiva e personalizada, funcionando como até mesmo um pilar da atenção primária. 

A prevenção de doenças crônicas está diretamente ligada aos hábitos adotados no dia a dia. Cultivar práticas saudáveis no cuidado bucal se torna uma verdadeira blindagem para o corpo como um todo. 

A especialista desmistifica algumas percepções do senso comum para auxiliar na identificação de sinais que merecem atenção:

 

“Gengiva sangrando é apenas sinal de que escovei com muita força” - embora a força possa machucar, o sangramento frequente é o corpo avisando que há uma inflamação ativa. Segundo Daniela, o sangramento indica que a barreira de defesa da boca está "rompida", permitindo que bactérias entrem na corrente sanguínea e iniciem processos inflamatórios que impactam todo o organismo.

 

“Se eu não sinto dor, é porque meus dentes e gengiva estão saudáveis” - muitas doenças periodontais graves são silenciosas e não causam dor em estágios iniciais. “Elas mantêm o organismo em um estado de inflamação constante que pode sabotar o controle da glicose em diabéticos ou elevar marcadores inflamatórios no sistema cardiovascular sem que o paciente sinta nada”, explica a especialista.

 

“Estou com mau hálito porque não escovei os dentes direito” - embora a higiene seja fundamental, o mau hálito persistente é um sinal de alerta que vai muito além da escovação. De acordo com Daniela, ele pode indicar desde infecções gengivais ocultas até problemas digestivos, renais ou metabólicos. “Ignorar o hálito é ignorar um aviso de que o equilíbrio do corpo está comprometido”, afirma ela.

 

“Diabetes se controla apenas com dieta e insulina” - é exatamente o contrário. Daniela explica que infecções na gengiva aumentam a resistência à insulina, dificultando o controle do açúcar no sangue. Na prática, manter a saúde bucal ajuda o organismo a responder melhor aos medicamentos, tornando o tratamento médico muito mais eficaz.

 

“Perder dentes é uma consequência natural do envelhecimento” - a perda dentária é causada por doenças acumuladas e não tratadas - como a periodontite -, e não pela idade avançada. “Manter o acompanhamento preventivo preserva a função mastigatória e evita que a falta de dentes gere novos problemas de saúde, como deficiências nutricionais e anemia”, explica a especialista.

 

 Care Plus

 


Canadá classifica a miopia como doença, mas isso não impede o optometrista de atuar

Reclassificação amplia a necessidade do optometrista na prevenção da saúde visual, em especial no Brasil, onde não houve qualquer mudança

 

A notícia de que o Canadá passou a classificar a miopia como doença, e não erro refratário, deixou algumas dúvidas entre os optometristas. “A miopia, um problema global, precisa de prevenção e acompanhamento contínuo, mas não necessariamente de um médico, já que seu tratamento é a prescrição de óculos ou lentes, o que o optmetrista faz”, alerta Paulo Henrique Oliveira de Lima, da Comissão Técnico Cientifico do CROOSP (Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo). 

O advogado Filipe Menino, que atende o Croosp, explica que esse é o momento oportuno para “desfazer uma confusão retórica que grupos corporativos tentam plantar no debate brasileiro: a de que, se miopia é doença, então prescrever óculos seria, agora, ato privativo de médico”. Isso não é verdade, segundo ele. Menino lembra que, em 2021, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os embargos de declaração na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 131, fixou que os Decretos nº 20.931/1932 e nº 24.492/1934 não se aplicam aos optometristas de nível superior. Ou seja: esses profissionais podem realizar a prescrição de óculos e lentes de contato, podem estabelecer local de trabalho, podem atuar em equipes multidisciplinares. A decisão tem efeito vinculante e eficácia contra todos. Nenhuma classificação feita por sociedade científica — nacional ou internacional — reforma decisão do Supremo. 

Em São Paulo, esse entendimento foi consolidado pela Portaria CVS 06/2025, da Vigilância Sanitária Estadual, que disciplina o licenciamento sanitário dos estabelecimentos em que o optometrista de nível superior atua — consultórios isolados, clínicas multidisciplinares ou gabinetes no interior de estabelecimentos ópticos. É Estado reconhecendo profissão, não complacência ou tolerância. 

Prescrever óculos, explica o Croosp, consiste em medir o erro refrativo do paciente e indicar a lente compensatória adequada. “Não há administração de fármaco. Não há procedimento invasivo. Não há manipulação do globo ocular. É um ato técnico-óptico, cuja natureza não muda se a condição subjacente é classificada como erro refrativo, ametropia ou doença de saúde pública”, afirma o advogado. 

Já o tratamento clínico da alta miopia — o uso de atropina em baixa dose, a cirurgia refrativa, o manejo de maculopatia miópica, descolamento de retina ou glaucoma associado — é ato médico. Por isso, “o optometrista brasileiro, ao identificar sinais sugestivos de patologia, encaminha o paciente ao oftalmologista”, explica Menino. “É essa a lógica que opera um sistema de saúde estruturado e eficiente. Complementaridade, não substituição.” 

No Canadá, onde houve a mudança, o optometrista é o profissional de primeira linha da saúde visual. É ele quem realiza a maior parte dos exames de rotina, prescreve as correções ópticas e acompanha a progressão dos erros refrativos, encaminhando ao oftalmologista apenas os casos que exigem intervenção médica. O mesmo vale para Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Portugal, Espanha. 

No Brasil, onde há 5.570 municípios, a distribuição de oftalmologistas é desigual. Cidades inteiras do interior do país não contam com um único médico oftalmologista. Levantamento recente feito pelo Conselho Regional de Óptica e Optometria de São Paulo (Croosp) mostrou que mais de 40% das pessoas tinham feito o último exame de vista há mais de dois anos. E 25% nunca haviam feito um exame de vista na vida. 

“Assim, defender que a prescrição de óculos seja ato privativo de médico é defender o gargalo. É legitimar, institucionalmente, a cegueira evitável. É, na prática, escolher um modelo corporativo em detrimento do modelo de saúde pública”, alerta o advogado. 


Por que o teste do pezinho é decisivo para a saúde do recém-nascido

Magnific
Pediatra do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista reforça que o exame permite iniciar o tratamento antes do avanço das doenças 


Principal exame de triagem neonatal, o Teste do Pezinho ajuda a detectar, nos primeiros dias de vida, doenças que podem evoluir sem sintomas aparentes e causar complicações graves ao recém-nascido. Neste mês, a questão é reforçada no Dia Nacional do Teste do Pezinho, em 6 de junho, data instituída pela Lei nº 11.605/2007, cujo objetivo é chamar a atenção da sociedade para a importância da realização do exame em todos os recém-nascidos. 

Quando realizado no prazo recomendado, o exame permite antecipar cuidados, iniciar o tratamento adequado e reduzir riscos de sequelas e mortalidade. A cobertura do Programa Nacional de Triagem Neonatal no Brasil foi de 82,69%, segundo o Ministério da Saúde. 

“O Teste do Pezinho é um exame simples, rápido e de grande impacto para a saúde do recém-nascido. Muitas doenças identificadas por ele não apresentam sinais logo após o nascimento, mas podem comprometer o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança se não forem tratadas precocemente”, explica a pediatra do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dra. Amanda Sereno. 

O exame rastreia doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita. 

Essas condições exigem atenção porque podem causar complicações graves quando não diagnosticadas cedo. A fenilcetonúria, por exemplo, pode afetar o desenvolvimento neurológico se não houver controle alimentar adequado. O hipotireoidismo congênito pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento do bebê. A doença falciforme pode provocar anemia grave, crises de dor e infecções. Já a fibrose cística afeta principalmente os pulmões e o sistema digestivo. 

Outras doenças também podem evoluir rapidamente. A hiperplasia adrenal congênita pode causar desidratação intensa e alterações hormonais importantes. A deficiência de biotinidase pode levar a convulsões, alterações de pele e prejuízos neurológicos. A toxoplasmose congênita pode comprometer a visão e o sistema nervoso central. 

“Quando uma alteração é identificada logo no início da vida, conseguimos agir antes que a doença provoque danos mais graves. Esse é o grande valor do Teste do Pezinho: antecipar o cuidado”, afirma a Dra. Amanda.

A coleta é feita com uma pequena amostra de sangue retirada do calcanhar do bebê. O material é enviado para análise em laboratório. A recomendação é que o exame seja realizado a partir de 48 horas após o nascimento até o 5º dia de vida. 

“O prazo é muito importante porque algumas doenças podem evoluir rapidamente. Por isso, a orientação é que os responsáveis realizem o exame dentro do período indicado”, destaca a médica.
 

Testes ampliados também estão disponíveis na Santa Casa 

O Teste do Pezinho pode ser realizado gratuitamente por meio do SUS, conforme o Programa Nacional de Triagem Neonatal. 

Além da versão oferecida pelo sistema público, o laboratório do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista disponibiliza, de forma particular, versões ampliadas do exame, com diferentes níveis de abrangência. Entre as opções estão o teste básico, que rastreia 12 doenças; o novo ampliado, com 59 doenças; o novo expandido, com 94 doenças; e o perfil Nova Era, que rastreia mais de 300 condições. 

As versões pagas permitem que os responsáveis escolham, com orientação médica, uma triagem mais ampla, de acordo com as necessidades da família e a avaliação de risco para o recém-nascido. 

A pediatra reforça que um resultado alterado no Teste do Pezinho não significa, necessariamente, diagnóstico confirmado. Nesses casos, o bebê deve passar por exames complementares e acompanhamento especializado. 

“A triagem neonatal é uma ferramenta simples, acessível e extremamente eficaz. Quanto mais cedo uma condição é detectada, maiores são as chances de tratamento e de qualidade de vida para o bebê”, conclui a Dra. Sereno.

 

Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista

 

Programa de exercícios ou materiais de educação em saúde? O que tem maior custo-efetividade no tratamento do câncer colorretal? Estudo da Asco 2026 responde à questão

 

Pesquisa revisitou trabalho que mostrou os bons resultados da atividade física para pessoas com esse tipo de tumor, que é o segundo mais frequentes entre homens e mulheres no Brasil.

 

Na edição passada do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, em inglês), o estudo fase 3 CHALLENGE mostrou como um programa de exercícios pode reduzir a recorrência e aumentar a sobrevida de pacientes com câncer colorretal que passaram por cirurgia, seguida de quimioterapia. Nesta segunda-feira (01), foi apresentado na Asco 2026 um trabalho que comparou o custo-efetividade do programa de atividade física com a produção e entrega de materiais de educação em saúde para indivíduos com essa condição. Os resultados apontaram que o programa superou em eficácia e economia os materiais educativos. O congresso termina amanhã (02) em Chicago, nos Estados Unidos. 

“Essa análise de custo-efetividade é muito interessante”, explica a médica especializada em câncer do trato gastro-intestinal Maria Ignez Braghiroli, da Oncologia D’Or. “Ela mostrou que, embora no início o programa de exercícios tenha sido mais custoso, ele apresentou melhor custo-efetividade ao longo do tempo”, completou.

O câncer colorretal é o segundo tumor mais comum em homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. Na última década, sua incidência cresceu 35% no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em 2016, eram 34.280 casos. Em 2026, deverão ser 53.810 mil.

 

Avaliação apontou que o programa de exercícios físicos é mais barato e
 eficaz do que a produção e distribuição de materiais de saúde

Estudo

O estudo fase 3 CHALLENGE envolveu 889 pacientes com câncer colorretal que passaram por cirurgia, seguida de quimioterapia. Metade participou de um programa de atividade física de três anos, sob a supervisão de profissionais. O outro grupo recebeu apenas a recomendação de praticar atividade física, sem supervisão ou metas. No final do estudo, os pesquisadores verificaram que 90,3% dos que aderiram aos treinos estavam vivos, ante 83,2% do segundo grupo. A redução de risco de óbito no primeiro grupo foi de 37%. 

Para realizar uma avaliação econômica dessa experiência, os pesquisadores utilizaram os dados coletado e adotaram a perspectiva do sistema público de saúde canadense, que incluiu custos diretos com saúde em cinco anos. 

Os resultados revelaram que o programa estruturado de exercícios é mais eficaz e menos dispendioso do que a produção e distribuição de materiais de saúde. Embora represente um custo de US$ 4.327 para sua realização, foi US$ 179 mais barato do que a distribuição de materiais e aumentou a expectativa de vida dos pacientes. Num cenário de dez anos, o programa se consolidou como tendo maior custo-efetividade, porque foi US$ 2.528 mais econômico do que a outra opção e prolongou a vida dos pacientes.

 

Oncologia D'Or

 

Festa junina na gestação: do milho à canjica, gestantes podem aproveitar a festa junina com equilíbrio

 

Especialista do Hospital e Maternidade Santa Maria orienta como aproveitar os pratos típicos com segurança durante a gravidez 

 

O mês de junho chega com cheiro de milho cozido, canjica, pamonha, bolo de fubá, pipoca, maçã do amor e aquele clima de arraial que atravessa gerações. Para muitas gestantes, porém, surge uma dúvida comum: é possível aproveitar as comidas típicas sem riscos para a saúde? 

A resposta é sim, mas com alguns cuidados. Segundo o Dr. Rodrigo Nogueira, ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Maria, do Grupo Santa Joana, a festa junina não precisa virar uma lista de proibições. A chave está na moderação, na higiene e na atenção às condições individuais da gestante, como diabetes gestacional, hipertensão, refluxo e ganho de peso excessivo. 

“A comida de festa junina faz parte da memória afetiva de muita gente. A gestante não precisa se excluir desse momento, mas deve fazer escolhas conscientes e observar o preparo dos alimentos”, explica o médico. 

Durante a gravidez, o organismo passa por mudanças imunológicas e gastrointestinais que podem deixar a mulher mais suscetível a infecções alimentares. Por isso, alimentos crus, mal armazenados ou feitos com leite não pasteurizado devem ser evitados. 

No Brasil, o Ministério da Saúde orienta priorizar alimentos naturais e preparações caseiras, além de reduzir ultraprocessados. No contexto das festas juninas, o médico reforça que o risco está mais no excesso de açúcar e gordura do que nos ingredientes típicos em si. 

Entre os pratos tradicionais, o milho cozido é uma das opções mais adequadas, desde que bem cozido e com pouco sal. A pipoca também está liberada, quando preparada com pouco óleo. Já pamonha, canjica e curau merecem atenção por concentrarem açúcar e leite. Isso vale para doces como pé de moleque, paçoca, cocada, arroz-doce e maçã do amor. Apesar de pequenos, são altamente açucarados e podem piorar sintomas como náuseas e refluxo. 

“Uma dica simples é escolher o que realmente dá vontade de comer, evitando experimentar tudo ao mesmo tempo. Festa junina não precisa virar uma maratona gastronômica”, comenta o especialista. 

Outro ponto de alerta são as bebidas. Quentão e vinho quente, mesmo em pequenas quantidades, devem ser evitados. Não existe quantidade segura de álcool na gestação. Alternativas sem álcool, chás suaves liberados pelo obstetra e bebidas quentes com frutas podem substituir as versões tradicionais. 

Atenção também aos alimentos vendidos em barraquinhas. É importante verificar higiene, armazenamento e temperatura adequada. Preparações com leite, creme, queijo, carnes ou ovos exigem cuidado redobrado. 

“Se a comida ficou muito tempo exposta ou não há refrigeração adequada, é melhor evitar. Na gestação, a prevenção é sempre o melhor caminho”, reforça o Dr. Rodrigo.

 


Hospital e Maternidade Santa Maria
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Junho Laranja: 5 hábitos saudáveis que ajudam a preservar a fertilidade

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Uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta dificuldade para engravidar, segundo a OMS. Entenda como o estilo de vida impacta a saúde reprodutiva, bem como a importância de buscar ajuda especializada 


Ter dificuldade para engravidar é uma realidade mais comum do que se imagina. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), problemas relacionados à fertilidade atingem cerca de 17,5% da população adulta — aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo. O cenário reforça a relevância do Dia Mundial de Conscientização da Infertilidade, celebrado em 4 de junho, e da campanha Junho Laranja, marcada por iniciativas globais voltadas à ampliação dos debates sobre o tema.

Quando o assunto é saúde reprodutiva, um aspecto importante a ser considerado é o estilo de vida, pois ele tem impacto importante sobre a qualidade das células reprodutivas tanto femininas, os óvulos, quanto masculinas, os espermatozoides. “Apesar de não serem os únicos responsáveis pela infertilidade, fatores como tabagismo, privação de sono, estresse crônico, obesidade e consumo excessivo de ultraprocessados podem reduzir as chances de gravidez. Por outro lado, hábitos saudáveis ajudam a reduzir a inflamação do organismo, melhorar níveis de hormônios e diminuir os danos oxidativos às células que acontecem naturalmente ao longo do tempo”, explica Dra. Marília Bonow, especialista em reprodução humana da Clínica Embryo/Fertgroup. 

O cuidado com a fertilidade envolve a prática de hábitos saudáveis durante toda a vida, e não somente quando há a decisão de ter filhos. “As mulheres já nascem com a quantidade de óvulos que terão ao longo da vida, denominada reserva ovariana. Ou seja, diferentemente de outras células do corpo humano, os óvulos não são repostos com o passar dos anos. Por isso, precisamos cuidar bem deles desde sempre. Com o tempo, a quantidade e a qualidade desses óvulos diminui, e maus hábitos podem acelerar esse desgaste”, alerta Dra. Marília. “Embora, ao contrário dos óvulos, os espermatozoides sejam produzidos continuamente, eles também sofrem impacto do estilo de vida, que pode comprometer quantidade, mobilidade e qualidade genética”, completa a médica. 

Para preservar a saúde reprodutiva, é importante:
 

1 - Manter uma boa rotina de sono

Dormir bem ajuda na produção adequada de melatonina, hormônio responsável por regular o sono que tem ação antioxidante, o que ajuda na proteção das células reprodutivas. A privação de sono por períodos prolongados, por sua vez, pode desregular hormônios importantes para a fertilidade, como estrogênio e progesterona, ligados à ovulação feminina, e testosterona, relacionada à produção de espermatozoides nos homens.

2 - Evitar cigarro e excesso de álcool

O tabagismo e o consumo de álcool em demasia aumentam o estresse oxidativo - desequilíbrio causado pelo excesso de moléculas que danificam células e DNA, o que pode provocar alterações nos óvulos e nos espermatozoides, além de acelerar a perda da reserva ovariana. O abuso de álcool pelas mulheres pode prejudicar a ovulação e, pelos homens, reduzir os níveis de testosterona e afetar a produção e a mobilidade dos espermatozoides.

3 - Reduzir o estresse

Quando o corpo permanece por muito tempo em estado de alerta, há aumento na liberação de cortisol, hormônio relacionado ao estresse que pode provocar alterações no ciclo menstrual e na ovulação em mulheres. Nos homens, o estresse prolongado pode impactar a produção de testosterona e prejudicar a qualidade dos espermatozoides. Além disso, situações contínuas de tensão comprometem o sono e favorecem hábitos alimentares inadequados, consumo de álcool e tabagismo, fatores que também influenciam a saúde reprodutiva.

4 - Priorizar alimentação natural

Uma dieta rica em vegetais, frutas, fibras, grãos integrais e gorduras boas ajuda a diminuir a inflamação sistêmica e favorece o funcionamento metabólico e hormonal. Já o consumo elevado de ultraprocessados pode afetar os espermatozoides e, até mesmo, a qualidade do embrião, diminuindo as chances de evolução saudável da gestação.

5 - Manter peso saudável e praticar atividade física

Nas mulheres, a obesidade está associada a irregularidades menstruais, dificuldade de ovulação e maior risco de condições como síndrome dos ovários policísticos (SOP). Nos homens, também pode impactar a produção hormonal e prejudicar a qualidade dos espermatozoides. Além disso, o excesso de peso favorece processos inflamatórios no organismo, que podem comprometer a saúde reprodutiva. A prática regular de exercícios físicos e a perda de peso, quando necessária, ajudam a melhorar o funcionamento hormonal, metabólico e reprodutivo, aumentando as chances de gravidez natural e até mesmo de melhores resultados em tratamentos de fertilidade.
 

Investigação precoce é fundamental 

Dra. Marília Bonow lembra que, quando há dificuldade para engravidar, mudanças no estilo de vida devem ser realizadas concomitantemente à investigação médica, pois há muitos fatores envolvidos na infertilidade. O casal não deve adiar a procura por um especialista em reprodução assistida, que irá avaliar reserva ovariana, sêmen e questões hormonais e estruturais. “Quanto mais cedo a causa da infertilidade é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento, principalmente porque a fertilidade feminina diminui com o tempo e algumas condições podem evoluir e se tornar mais difíceis de tratar”, destaca.


Cremesp manifesta apoio irrestrito à resolução do CFM, que proíbe o uso de PMMA, e cobra posicionamento da Anvisa


O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) manifestou, por meio de Nota Técnica, apoio incondicional à Resolução nº 2.461/2026, anunciada hoje, 1º de junho, em coletiva de imprensa do Conselho Federal de Medicina (CFM), com publicação e vigência a partir de 2 de junho. 

De acordo com a norma do CFM, fica proibido o uso médico do PMMA como preenchedor estético ou reparador em todo o País, independentemente da quantidade. A única exceção, desde que condicionada à realização em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS – é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids. 

Na nota técnica emitida por meio de suas Câmaras Técnicas de Dermatologia e Cirurgia Plástica – logo após o anúncio da resolução CFM –, além de manifestar apoio integral à norma, o Cremesp manteve uma cobrança institucional por um posicionamento final e definitivo da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação à incoerência regulatória de sua própria normativa de 2025. 

Na normativa, a Anvisa autoriza a aplicação do PMMA por cirurgiões-dentistas, mesmo com as determinações já estabelecidas pelo Ministério da Saúde – que restringe seu uso a dermatologistas e cirurgiões plásticos com RQE, em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS. A inclusão de dentistas como aplicadores autorizados pela Anvisa não encontra qualquer respaldo nas normativas vigentes do próprio (MS) e representa uma contradição regulatória grave. 

A prontidão do Cremesp, ao propor diretrizes e acompanhar de perto as ações pelo banimento do uso do PMMA, têm como objetivo garantir que nenhum profissional, de nenhuma área, tenha acesso legal ao produto como substância preenchedora no País. 

Enquanto, o PMMA continuar existindo no mercado, seu acesso por profissionais não médicos permanecerá irrestrito e o controle efetivo do uso será estruturalmente inviável.

Para o Cremesp, a normativa do CFM representa uma conquista importante para a proteção dos pacientes e da população. Cabe agora à Anvisa revogar a normativa de 2025 e avançar para o banimento completo do PMMA injetável no Brasil. 

Em relação aos pacientes com HIV/aids, o Cremesp recomenda que o MS promova, com urgência, a discussão e a disponibilização de alternativas terapêuticas mais seguras para o tratamento da lipoatrofia facial, garantindo que esse grupo não seja prejudicado pela descontinuação do produto. A proteção desses pacientes passa pela substituição segura, não pela manutenção de um material permanente e irreversível.

 

Alerta!

O PMMA é um material permanente, sem possibilidade de dissolução ou remoção completa do organismo, estando associado a complicações graves e irreversíveis, como granulomas, deformidades, insuficiência renal, hipercalcemia e até óbito. O Cremesp ressalta que esses riscos são inerentes ao produto e podem ocorrer mesmo quando a aplicação é realizada corretamente.

Acesse a Nota Técnica na íntegra e confira a publicação do Cremesp no Instagram.



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