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terça-feira, 5 de maio de 2026

Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos

·         É essencial que o ginecologista avalie as massas pélvicas

·         Maio é o mês da conscientização do câncer no ovário

·         08 de maio é o Dia Mundial do Câncer no Ovário

 

O câncer de ovário é hoje o tumor ginecológico mais letal entre as mulheres. Embora não seja o mais frequente, é o que mais mata dentro da ginecologia oncológica, principalmente porque, na maioria dos casos, o diagnóstico acontece tardiamente, quando a doença já está em estágio avançado.

 

De acordo com o ginecologista Dr. Ricardo dos Reis, membro da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, entre 70% e 80% das pacientes recebem o diagnóstico apenas nos estágios 3 ou 4 da doença. “Isso confere uma agressividade muito maior ao quadro. Infelizmente, nas fases iniciais, o câncer de ovário costuma não apresentar sintomas ou provoca manifestações muito leves e inespecíficas, como desconforto abdominal discreto ou alteração do hábito intestinal, que podem ser confundidas com diversos outros problemas”, explica.

 

Essa característica torna o diagnóstico precoce um dos maiores desafios da doença. Ao contrário do que ocorre com o câncer do colo do útero e com o câncer de mama, o câncer de ovário ainda não conta com um exame de rastreamento comprovadamente eficaz para detectar a doença de forma precoce e reduzir a mortalidade.

 

Segundo o especialista, o ultrassom transvaginal tem papel importante na investigação de dor pélvica ou na avaliação de uma suspeita de lesão ovariana, mas não funciona como exame de rastreamento populacional. “Ele é muito útil para avaliar massas ovarianas e ajudar na definição da conduta, inclusive cirúrgica. Mas, quando feito de rotina em mulheres sem suspeita clínica, não mostrou benefício em termos de diagnóstico precoce nem aumento de sobrevida”, afirma.

 

Essa conclusão é respaldada por grandes estudos internacionais que avaliaram o rastreamento da doença. Entre eles estão o estudo americano PLCO Trial e o europeu UKCTOCS, que analisaram o uso rotineiro de ultrassom transvaginal associado ao marcador tumoral CA-125. Os resultados mostraram que a estratégia não levou à redução da mortalidade, motivo pelo qual os consensos internacionais atuais não recomendam exames de rastreamento para o câncer de ovário.

 

Na prática, isso significa que muitos diagnósticos ainda acontecem por acaso, quando a paciente procura atendimento por sintomas vagos ou durante a investigação de uma massa pélvica identificada em exame de imagem. “Não há como fazer o diagnóstico precoce dessa doença de forma rotineira. Infelizmente, ainda não temos para o câncer de ovário algo equivalente ao que existe para colo uterino ou mama”, reforça Dr. Ricardo.

 

Diante desse cenário, o especialista destaca a importância do papel do ginecologista geral na abordagem inicial de massas pélvicas. Esse será, inclusive, o tema de sua aula no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece em maio, em Belo Horizonte.

 

A proposta é discutir a chamada cirurgia em two steps para câncer de ovário. “Nesse modelo, o primeiro passo pode ser realizado pelo ginecologista geral, desde que sejam respeitados os princípios oncológicos. A partir da identificação de uma massa pélvica suspeita, é possível fazer a abordagem inicial, preferencialmente por laparoscopia quando indicada, e estabelecer o diagnóstico. Confirmado o câncer, a paciente deve então ser encaminhada a um centro de referência, onde será submetida ao estadiamento adequado e ao tratamento definitivo”, explica o ginecologista.

 

Para Dr. Ricardo dos Reis, esse fluxo é essencial para ampliar a chance de manejo correto desde o início. “O ginecologista geral pode ter um papel importante na abordagem diagnóstica inicial da massa pélvica. Já a cirurgia de estadiamento e o tratamento definitivo devem ser realizados em centros especializados, para garantir que a paciente receba a melhor condução possível”, conclui.



63º CBGO

Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026

#CBGO2026

Data: 27 a 30 de maio de 2026

Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais

 

Outono eleva casos de olho seco e alerta para uso incorreto de colírios

Com queda da umidade do ar e aumento das queixas oculares, especialista alerta que o uso inadequado de colírios pode causar complicações e até agravar doenças

 

A chegada do outono no Brasil marca não apenas a queda das temperaturas, mas também uma mudança importante na saúde ocular da população. Com o ar mais seco, aumento da poluição e maior exposição a ambientes fechados, cresce o número de pessoas com sintomas como ardência, vermelhidão, coceira e sensação de areia nos olhos, sinais clássicos da síndrome do olho seco.

Nesse cenário, o uso de colírios se torna mais frequente. No entanto, o que muitos encaram como um recurso simples pode representar riscos quando utilizado de forma inadequada. “Colírio não é um produto inocente. Ele é um medicamento e, como qualquer outro, precisa ser usado com critério”, explica o oftalmologista Dr. Hallim Feres Neto, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Clínica Prisma Visão.

Diante do aumento da automedicação e do uso contínuo durante os meses mais secos do ano, o especialista elenca cinco cuidados essenciais para evitar complicações.


1-Validade não termina na embalagem fechada
A data impressa na caixa considera o frasco lacrado. Depois de aberto, o tempo de uso muda. Ignorar esse detalhe pode favorecer contaminações e reduzir a eficácia do produto.


2. Colírio aberto tem prazo curto
Após a abertura, a maioria dos colírios deve ser descartada em 30 a 60 dias. “É como um alimento: abriu, começa a contar um novo prazo”, explica o médico. O uso fora desse período aumenta o risco de infecção ocular.


3. Higiene antes da aplicação é indispensável
Lavar as mãos antes de manusear o frasco evita levar bactérias diretamente aos olhos. A aplicação correta também faz diferença: uma única gota, no local adequado, já é suficiente na maioria dos casos.


4. A ponta do frasco não pode tocar o olho
Encostar o aplicador nos olhos ou na pele pode contaminar o conteúdo. “Esse é um erro comum e perigoso, principalmente em uso frequente”, alerta.


5. Colírio não se compartilha
Assim como escova de dentes, colírio é de uso individual. Micro-organismos podem ser transmitidos com facilidade, aumentando o risco de conjuntivite e outras infecções.


Lubrificante com ou sem conservante: qual escolher?

Com o aumento do uso durante o outono, surge uma dúvida comum. Segundo o especialista, colírios lubrificantes tradicionais contêm conservantes para evitar contaminação. O problema é que, em uso frequente, essas substâncias podem irritar a superfície ocular.

“Para quem precisa pingar várias vezes ao dia, o ideal são versões sem conservantes, que vêm em embalagens específicas que impedem a entrada de ar e micro-organismos”, explica.

Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de colírios medicamentosos. Anti-inflamatórios e outras classes, quando usados sem orientação, podem levar a complicações como glaucoma e catarata precoce.

Além disso, algumas substâncias podem ter efeitos sistêmicos. “Existem colírios que podem causar alterações como taquicardia e até impacto respiratório. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental”, reforça.

Com a tendência de intensificação dos sintomas oculares nos próximos meses, a automedicação, especialmente em períodos de clima seco, pode transformar um desconforto simples em um problema de saúde mais sério. “Se o sintoma persiste, não é normal. É sinal de que precisa ser investigado”, finaliza o oftalmologista

 


Dr. Hallim Feres Neto @drhallim - CRM-SP 117.127 | RQE 60732 - Oftalmologia Geral. Cirurgia Refrativa. Ceratocone. Catarata. Pterígio. Membro do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Membro da ABCCR - Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa. Membro da ISRS - International Society of Refractive Surgery. Membro da AAO - American Academy of Ophthalmology

 

Gordura abdominal está ligada a maior risco de perda urinária em mulheres

Foram avaliadas 99 mulheres, entre 18 e 49 anos, 
da cidade de São Carlos
(
imagem: Patricia Driusso/UFSCar)
Estudo conduzido na UFSCar conclui que a adiposidade visceral tem maior impacto sobre o problema do que o peso corporal total

 

O acúmulo de gordura na região abdominal, especialmente a gordura visceral (aquela que se deposita entre os órgãos), aumenta significativamente o risco de incontinência urinária de esforço em mulheres. A conclusão é de um estudo conduzido na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e apoiado pela FAPESP (processos 13/00798-2 e 22/16910-5), que identificou essa região como a mais associada à perda involuntária de urina, superando a gordura corporal total. Os resultados, publicados no European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, também indicam que a distribuição da gordura no corpo pode ser mais determinante do que o próprio peso para explicar a condição.

A incontinência urinária de esforço é caracterizada pela perda involuntária de urina em situações comuns do dia a dia, como tossir, rir, carregar peso ou praticar exercícios. “É aquela perda urinária que acontece quando aumenta a pressão dentro do abdômen e o assoalho pélvico não consegue segurar”, explica Patricia Driusso, professora de Fisioterapia em Saúde da Mulher da UFSCar e orientadora do estudo. Apesar de muitas vezes ser associada somente ao envelhecimento, a condição não é exclusiva de mulheres mais velhas. “Acontece com mulheres de todas as idades, incluindo até as que são muito jovens. Essa musculatura do assoalho pélvico é pouco trabalhada ao longo da vida e, sem treinamento adequado, pode ficar fraca e perder função”, afirma.

O trabalho faz parte de uma linha de pesquisa mais ampla sobre disfunções do assoalho pélvico que incluem, além da incontinência urinária, problemas como incontinência fecal, prolapso de órgãos pélvicos (quando estruturas como útero e bexiga descem pelo canal vaginal), disfunções sexuais e dor pélvica crônica. Nessa etapa, os pesquisadores decidiram investigar especificamente a relação entre a distribuição da gordura corporal e a perda urinária. O estudo foi conduzido pela fisioterapeuta Ana Jéssica dos Santos Sousa, primeira autora do artigo, em parceria com a Western Michigan University, nos Estados Unidos.

Para chegar aos resultados, foram avaliadas 99 mulheres entre 18 e 49 anos, recrutadas na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. O estudo focou exclusivamente em mulheres porque a incontinência urinária é significativamente mais comum nesse grupo. Nos homens, o problema costuma estar associado principalmente a cirurgias de próstata, enquanto nas mulheres há múltiplos fatores envolvidos, como características anatômicas, gestação, menopausa e maior sobrecarga sobre o assoalho pélvico.

As participantes não precisavam ter diagnóstico prévio de incontinência e apresentavam índices de massa corporal (IMCs) diversos, o que permitiu comparar diferentes perfis. Elas passaram por um exame chamado DXA, considerado padrão-ouro para análise da composição corporal, capaz de medir não apenas a quantidade total de gordura, mas também sua distribuição em regiões específicas do corpo.

Os pesquisadores analisaram a gordura total, a gordura abdominal (androide), a gordura da região ginecológica (ginoide) e a gordura visceral. Além disso, aplicaram questionários validados para identificar a presença de incontinência e avaliar o impacto dos sintomas na qualidade de vida das mulheres. Cerca de 39,4% das participantes relataram episódios de perda urinária, número compatível com estimativas internacionais.

“O problema é frequentemente subnotificado, mas mesmo poucos episódios de perda urinárias já indicam que o mecanismo de continência não está funcionando adequadamente”, alerta a professora, ao ressaltar que muitas mulheres acabam normalizando pequenos escapes, achando que são episódios isolados.


Impacto da gordura visceral

Os resultados mostraram que mulheres com maior quantidade de gordura corporal tinham mais chance de apresentar incontinência. No entanto, o principal achado foi o papel da gordura visceral: a presença desse tipo de adiposidade elevou em cerca de 51% a probabilidade de incontinência urinária de esforço. “Esse foi o fator mais fortemente associado. A gente imaginava que a gordura da região ginecológica, por estar mais próxima do assoalho pélvico, teria maior influência, mas o que apareceu foi a gordura visceral”, afirma Driusso.

De acordo com ela, a possível explicação envolve diferentes mecanismos. O primeiro é mecânico: como a gordura visceral se acumula dentro da cavidade abdominal, ela aumenta a pressão sobre os órgãos internos e sobrecarrega o assoalho pélvico, estrutura responsável por sustentar a bexiga e controlar a saída de urina. “O excesso de peso nessa região gera uma sobrecarga constante. Com o tempo, essa musculatura pode se tornar mais fatigada e menos eficiente”, explica a pesquisadora.

O segundo mecanismo é metabólico. A gordura visceral não funciona apenas como um depósito de energia, pois ela é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que circulam pelo organismo. Esse processo pode comprometer a qualidade muscular e reduzir a capacidade de contração, inclusive dos músculos do assoalho pélvico. “A gente fala em uma inflamação crônica de baixo grau, que vai afetando diferentes tecidos do corpo. Isso também pode contribuir para o enfraquecimento muscular”, diz a professora.

Além disso, a obesidade já é reconhecida como um fator de risco para a incontinência urinária, ao lado de envelhecimento, menopausa, número de gestações e condições do parto. No caso do parto, Driusso faz um alerta: “O problema não é o parto em si, mas a assistência obstétrica. Intervenções inadequadas, como a episiotomia [incisão cirúrgica realizada no períneo, região muscular entre a vagina e o ânus, durante o parto normal para ampliar a abertura vaginal], podem aumentar o risco de disfunções do assoalho pélvico”, afirma.


Prevenção e tratamento

De acordo com Driusso, o estudo traz uma contribuição importante ao mostrar que não apenas o excesso de peso, mas a forma como a gordura está distribuída no corpo pode influenciar o desenvolvimento do problema, inclusive em mulheres com IMC dentro da faixa considerada normal. Mas por se tratar de um estudo transversal – que analisa os participantes em um único momento – os pesquisadores não podem afirmar relação de causa e efeito, apenas que existe uma associação entre os fatores. Ainda assim, os achados ajudam a orientar estratégias de prevenção e cuidado.

Uma das principais formas de tratamento é o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, por meio da fisioterapia. “Hoje temos alto nível de evidência de que o treinamento dessa musculatura é eficaz. É o padrão-ouro para tratar a incontinência urinária de esforço”, afirma Driusso.

Segundo ela, o acompanhamento profissional é essencial, já que muitas mulheres não conseguem realizar corretamente a contração desses músculos sozinhas. “Cerca de 30% das mulheres não conseguem contrair adequadamente sem orientação. Algumas fazem o movimento contrário, o que pode até piorar o quadro”, explica. O treinamento, quando bem orientado, pode trazer melhora significativa em cerca de três meses. No entanto, como qualquer outro grupo muscular, o assoalho pélvico precisa ser exercitado continuamente. “Se parar, perde força. É um cuidado que deve ser mantido ao longo da vida”, diz.

Os pesquisadores já planejam os próximos passos da investigação, incluindo o uso de ressonância magnética para avaliar a presença de gordura infiltrada diretamente nos músculos, um fenômeno conhecido como mioesteatose. Também estudam se mulheres com obesidade podem se beneficiar de protocolos específicos de treinamento.

Para Driusso, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre o tema, ainda cercado de tabu. “A incontinência urinária impacta a qualidade de vida, limita atividades e muitas vezes é silenciosa. Mas tem tratamento e tem prevenção. O mais importante é que as mulheres saibam que não precisam conviver com isso.”

O artigo Which body region’s fat accumulation increase the risk of stress urinary incontinence? pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/pii/S0301211526000230

 

Fernanda Bassette

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/gordura-abdominal-esta-ligada-a-maior-risco-de-perda-urinaria-em-mulheres/57955

 

Xaropes para tosse entram no radar médico por risco cardíaco e reforçam alerta sobre automedicação

Após decisão da Anvisa, especialistas explicam por que substância usada há anos pode causar arritmias graves e por que o risco pode superar o benefício.
 

Xaropes para tosse, tradicionalmente vistos como soluções simples e inofensivas, passaram a levantar um alerta importante entre especialistas da área da saúde. O motivo: substâncias utilizadas há anos podem provocar efeitos adversos graves — especialmente quando usadas sem orientação.

Um dos exemplos é o clobutinol, presente em medicamentos indicados para tosse seca. A substância atua diretamente no sistema nervoso central, reduzindo o reflexo da tosse. No entanto, esse mecanismo também pode gerar impactos fora do alvo esperado.

Segundo Isabel Christina Mignoni Homem, farmacêutica e docente do curso de Medicina do Centro Universitário FAPI, o risco está justamente nessa ação não específica.

“Nenhum medicamento é totalmente seletivo. O clobutinol age no centro da tosse, mas também interfere em canais de potássio do coração, podendo prolongar o intervalo QT e favorecer arritmias graves”, explica.

Essa alteração na atividade elétrica cardíaca pode evoluir de forma silenciosa. Em muitos casos, os sintomas só aparecem quando o quadro já apresenta maior gravidade.

“Os sinais incluem palpitações, tontura, sensação de batimento irregular e desmaios. Em situações mais severas, pode evoluir para parada cardíaca e morte súbita”, alerta a especialista.

O médico otorrinolaringologista Henrique Wendling Sava, também docente do curso de Medicina na FAPI, destaca que o uso desse tipo de medicamento já vinha sendo questionado há anos na prática clínica.

“Foi um medicamento bastante utilizado no passado, principalmente para tosse seca, mas deixou de ser recomendado porque apresenta mais risco do que benefício. Hoje existem alternativas mais seguras”, afirma.

Ele também chama atenção para um ponto importante: nem toda tosse deve ser suprimida.

“Em casos de tosse produtiva, por exemplo, o uso de antitussígenos pode dificultar a eliminação de secreções e agravar o quadro, podendo evoluir até para complicações como pneumonia.”

Outro fator que agrava o problema é a automedicação. Por serem facilmente acessíveis, xaropes para tosse costumam ser utilizados sem avaliação médica — o que aumenta os riscos.

Além disso, há o perigo das interações medicamentosas. O clobutinol pode potencializar efeitos cardíacos quando combinado com substâncias presentes em antibióticos, antidepressivos e até medicamentos para enjoo.

“A orientação é clara: não utilizar esses medicamentos por conta própria e, caso já esteja em uso, interromper e procurar avaliação profissional”, reforça Isabel.

O cenário reforça a importância do acompanhamento médico mesmo em situações aparentemente simples. Isso porque a tosse, muitas vezes, é apenas um sintoma — e pode estar associada a condições mais complexas, como infecções respiratórias, asma ou outras doenças.

Para os especialistas, a principal mensagem é de cautela: aliviar o sintoma não pode significar ignorar a causa.

Porque, quando se trata de saúde, o que parece simples pode esconder riscos importantes. 



Centro Universitário Fapi


QUANDO O TDAH ENCONTRA A MATERNIDADE: O DESAFIO SILENCIOSO DE MILHARES DE MULHERES

Mães descobrem o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade após o nascimento dos filhos, revelando uma jornada de autodescoberta e superação.

 

A maternidade é uma jornada de amor e dedicação, mas também de desafios intensos. Para milhares de mulheres, essa fase da vida se torna um catalisador para uma descoberta surpreendente: o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Muitas delas só percebem que vivem com o transtorno após o nascimento dos filhos, muitas vezes ao identificar os mesmos traços nas crianças.

Segundo o Dr. Matheus Trilico, neurologista referência no tratamento de TDAH em adultos, a maternidade expõe as dificuldades de organização e regulação emocional de uma forma que a vida antes não exigia. “A chegada de um filho traz uma sobrecarga mental e de rotina que, para uma mulher com TDAH não diagnosticado, pode ser avassaladora. É como tentar gerenciar uma orquestra sem a partitura”, explica o especialista.


A sobrecarga invisível da "gerência doméstica"

A vida de uma mãe exige planejamento constante, memória de trabalho impecável e uma capacidade de inibição de impulsos que nem sempre está presente em quem tem TDAH. Tarefas como organizar a casa, lembrar de compromissos escolares, gerenciar a alimentação e ainda cuidar de si mesma se tornam montanhas intransponíveis.

Estudos mostram que falhas nas funções executivas – como planejamento, memória de trabalho e controle inibitório – impactam diretamente a gestão doméstica e o cuidado com os filhos. Mães com TDAH frequentemente enfrentam dificuldades em organização, regulação emocional e consistência parental. Cerca de 44% dos adultos com TDAH apresentam déficits executivos significativos, o que adiciona uma morbidade substancial à vida diária, indo além dos sintomas clássicos do transtorno.


O TDAH feminino: um diagnóstico tardio e silencioso

Historicamente, o TDAH foi mais associado a meninos hiperativos e impulsivos. No entanto, a ciência moderna revela que o transtorno se manifesta de forma diferente em mulheres, o que contribui para um subdiagnóstico massivo. Enquanto na infância a proporção é de cerca de 2 meninos para cada menina diagnosticada, na vida adulta essa razão se aproxima de 1:1.

“Mulheres com TDAH tendem a apresentar mais sintomas de desatenção, como divagação mental, dificuldade em organizar tarefas e esquecimento, em vez da hiperatividade visível. Elas também desenvolvem estratégias de camuflagem social, ou masking, para se encaixar nas expectativas, o que esconde os sintomas e atrasa o diagnóstico”, afirma o Dr. Matheus Trilico. Esse esforço constante de mascarar os sintomas está diretamente ligado a uma menor satisfação com a vida e a um aumento significativo de sintomas depressivos.

A desregulação emocional é outro componente central do TDAH em mulheres, frequentemente mediada por essas falhas executivas. A fadiga crônica também é uma característica comum, com 62% dos adultos com TDAH relatando exaustão, o que torna a maternidade, com suas demandas 24 horas por dia, um terreno fértil para o esgotamento.


O "diagnóstico em cascata": a mãe se descobre através do filho

A hereditariedade do TDAH é uma das mais altas na medicina, variando entre 74% e 80%. Isso significa que, se um filho é diagnosticado, a probabilidade de um dos pais também ter o transtorno é muito elevada. Estudos mostram que o risco relativo de TDAH é 8,4 vezes maior em mães de crianças com o transtorno, superando o risco paterno.

É comum que o diagnóstico do filho atue como um espelho para a mãe. Ao observar os comportamentos da criança, a mãe começa a reconhecer em si mesma os mesmos padrões de desatenção, impulsividade ou dificuldade de organização. “O pico de diagnósticos maternos ocorre geralmente entre 2 e 5 anos após o nascimento do filho, período que coincide com a idade em que as crianças são mais frequentemente avaliadas”, pontua o Dr. Trilico. Esse fenômeno, conhecido como "diagnóstico em cascata", transforma a jornada de autodescoberta em um processo familiar.

Para muitas mulheres, o diagnóstico tardio, embora possa trazer um luto pelo "tempo perdido" e pelas dificuldades enfrentadas sem o devido suporte, é também um alívio imenso. Ele oferece uma explicação para uma vida inteira de lutas, culpa e sensação de inadequação, permitindo uma transição da autocrítica para a autocompaixão e a busca por estratégias eficazes.


Maternidade e TDAH: caminhos para uma vida mais leve

O Dr. Matheus Trilico enfatiza que o diagnóstico e o tratamento do TDAH na mãe não beneficiam apenas ela, mas toda a dinâmica familiar. Uma mãe com TDAH tratado consegue gerenciar melhor o estresse, organizar a rotina e responder de forma mais consistente às necessidades dos filhos.

Algumas estratégias são fundamentais para construir uma maternidade mais saudável e equilibrada:

  • Rotina e Estrutura: Criar rotinas previsíveis e usar ferramentas visuais (agendas, listas) ajuda a compensar as dificuldades de planejamento e memória.
  • Delegação e Apoio: Não tentar fazer tudo sozinha. Delegar tarefas e buscar apoio da rede familiar ou profissional é crucial.
  • Gerenciamento Sensorial: Identificar e minimizar gatilhos sensoriais (ruídos excessivos, luzes fortes) e criar "refúgios" de calma.
  • Terapia e Medicação: O tratamento multimodal, que pode incluir terapia cognitivo-comportamental e medicação, é altamente eficaz para gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
  • Autocompaixão: Aprender a ser gentil consigo mesma, reconhecendo que as dificuldades são parte do transtorno e não uma falha pessoal.

A rede de apoio, incluindo parceiros e familiares, desempenha um papel vital. É importante estar atento a sinais como o aumento da irritabilidade, a necessidade de isolamento, a dificuldade em iniciar ou finalizar tarefas, ou a sobrecarga emocional. Identificar esses sinais precocemente permite oferecer suporte, assumir demandas e dar à mãe o espaço necessário para se recuperar, evitando o esgotamento.

“O TDAH não define a mãe, mas entender como ele funciona permite que ela se liberte da culpa e encontre seu próprio ritmo. Uma mãe que se cuida e se entende é uma mãe mais presente e feliz para seus filhos”, conclui o Dr. Matheus Trilico.

  

Dr. Matheus Luis Castelan Trilico - CRM 35805PR, RQE 24818. Médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR - Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/

 


Higienização das mãos: mitos e verdades sobre um hábito essencial para prevenir doenças

Freepik
Especialista do CEJAM esclarece dúvidas comuns e reforça a importância da prática no dia a dia 


As mãos são umas das principais vias de transmissão de vírus e bactérias, uma vez que estão em contato frequente com superfícies e objetos compartilhados. Apesar disso, a higienização correta ainda é, muitas vezes, negligenciada em momentos cruciais ou realizada de forma inadequada. 

Celebrado em 5 de maio, o Dia Mundial da Higienização das Mãos, instituído pela Organização Mundial da Saúde, reforça a importância desse cuidado simples, mas essencial para a prevenção de diversas doenças. A data visa chamar a atenção para a necessidade de adotar a prática de forma correta e frequente, tanto em ambientes de saúde quanto na rotina diária. 

Para ajudar a esclarecer o que é mito e o que é verdade sobre o tema, o infectologista Dr. Paulo Antonio Friggi de Carvalho, do Hospital Estadual de Franco da Rocha, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, esclarece os principais pontos de atenção e orienta como tornar o hábito mais eficaz.

 

“Usar álcool em gel resolve tudo” - MITO. Ele é um importante e fundamental aliado, mas não substitui a lavagem com água e sabão. "A versão 70% é eficaz e indicada para quando não há sujeira visível nas mãos. Contudo, em situações específicas como após usar o banheiro, antes de preparar alimentos ou quando há sujidade visível nas mãos, a lavagem com água e sabão é indispensável, pois promove a remoção completa dos microrganismos e esporos. Em algumas outras situações clínicas, por exemplo, o álcool em gel não substitui a lavagem com água e sabão."
 

“Esfregar as mãos por poucos segundos já garante proteção” - MITO. O tempo de fricção é fundamental para a eficácia do processo. "A higienização com água e sabão deve durar entre 40 e 60 segundos, enquanto a com álcool em gel deve levar de 20 a 30. Respeitar esse tempo é o que garante que todas as áreas das mãos e execução da técnica correta — palmas, dorsos, espaços entre os dedos, unhas e punhos — sejam devidamente limpas."
 

“É necessário retirar anéis, pulseiras e relógio para higienizar as mãos” - VERDADE. Acessórios podem dificultar a limpeza completa. "Esses itens criam áreas onde a sujeira e os microrganismos se acumulam, impedindo que o sabão ou o álcool ajam de forma adequada, além de produzirem barreiras para que os higienizantes atinjam toda a superfície das mãos. A recomendação é retirá-los sempre antes de higienizar as mãos, especialmente na manipulação de alimentos e evitar adentrar ambientes hospitalares com estes adornos."
 

“Produtos como detergente podem ser usados para higienizar as mãos” - VERDADE, mas com ressalvas. Eles podem ser usados em situações emergenciais, quando o sabão não está disponível, mas não são os mais indicados. "Embora ajudem a remover a sujeira, esses produtos não foram desenvolvidos para a pele e podem causar ressecamento e irritações. Sempre que possível, dê preferência ao sabão ou sabonete, que são produtos apropriados para esse fim."
 

“Luvas substituem a higienização das mãos” - MITO. O uso de luvas não elimina a necessidade da limpeza. "As luvas funcionam como uma barreira de proteção, mas podem ser contaminadas. Além disso, podem causar uma falsa impressão de segurança, as mãos podem se contaminar durante a remoção das luvas, sendo a higienização indispensável tanto antes de colocá-las quanto imediatamente após retirá-las.”
 

“Higienizar as mãos com frequência realmente faz diferença" - VERDADE. A prática regular tem um impacto direto e significativo na prevenção de doenças. "A higienização adequada das mãos é uma das intervenções mais eficazes e de baixo custo no controle de infecções. Ao remover vírus, bactérias e outros patógenos, a prática interrompe a cadeia de transmissão e reduz drasticamente a incidência de doenças infecciosas, tanto no ambiente doméstico quanto nos serviços de saúde."
 

"A higienização das mãos vai muito além de um hábito de cuidado pessoal. É uma medida de saúde coletiva com eficácia comprovada e com custo financeiro mínimo. Quando realizada corretamente e incorporada à rotina, ela protege não apenas o indivíduo, mas toda a comunidade. Em um cenário onde as doenças infecciosas continuam a ser um desafio global, gestos simples como este têm um impacto real na prática clínica e na qualidade de vida da população", conclui o especialista. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial



Companhias aéreas endurecem regras e proíbem gravações a bordo, gerando debate sobre direitos dos passageiros

Nova política da British Airways reflete tendência global e levanta discussão entre privacidade da tripulação e direito à prova do consumidor 

 

A decisão da British Airways de proibir gravações feitas por passageiros dentro de aeronaves, formalizada em suas condições gerais de transporte, reacendeu o debate sobre os limites entre a privacidade da tripulação e os direitos dos consumidores. A medida surge em meio ao aumento da produção de conteúdo durante voos, impulsionado pelo Wi-Fi a bordo e pelas redes sociais, e já vem sendo adotada, de forma semelhante, por outras companhias europeias. Embora a justificativa seja proteger a integridade dos funcionários, especialistas alertam para possíveis impactos na capacidade de passageiros registrarem problemas durante a prestação do serviço. 

Segundo Rodrigo Alvim, advogado atuante em defesa dos Direitos do Passageiro Aéreo, a mudança não tem base em normas internacionais. “Não existe nenhuma norma da ICAO, da IATA ou qualquer convenção internacional que regule gravações de passageiros a bordo. O que a British Airways fez foi inserir a proibição diretamente nas suas Condições Gerais de Transporte, com base no argumento de que o interior da aeronave não é um espaço público. Isso é uma política contratual, não uma obrigação legal internacional”, explica. 

Na prática, a validade dessa regra pode variar conforme o país. “Cada país vai interpretar essa cláusula de acordo com sua própria legislação. No Reino Unido, a cabine não é considerada um espaço público, o que dá mais margem para a companhia impor esse tipo de restrição. No Brasil, essa análise passaria pelo filtro do Código de Defesa do Consumidor”, afirma. 

O tema evidencia um conflito direto entre direitos fundamentais. “É uma colisão real de direitos e não tem resposta fácil. O tripulante tem direito à proteção de sua imagem, afinal ninguém é obrigado a ser filmado no exercício do trabalho. Mas o passageiro é consumidor, e o CDC garante o direito à informação, à transparência e à proteção contra abusos”, pontua o especialista. “Quando a companhia proíbe qualquer tipo de registro, ela não está apenas protegendo a tripulação, mas também controlando o que o passageiro pode documentar dentro de uma relação de consumo que ocorre em um ambiente fechado e sem testemunhas externas.” 

A preocupação dos passageiros com a perda de provas em casos de conflito é considerada legítima, de acordo com o advogado. “Um vídeo mostrando o passageiro sendo ignorado, humilhado ou mal atendido a bordo tem um peso probatório que nenhum boletim de ocorrência substitui. A proibição pode, sim, dificultar essa coleta de provas”, destaca. Ainda assim, ele ressalta que existem alternativas, como registros por escrito durante o voo, identificação de testemunhas, documentação imediata após o desembarque e abertura de reclamações formais junto às autoridades competentes. 

Apesar da tendência internacional, o Brasil ainda não possui regulação específica sobre o tema. “A ANAC não editou nenhuma resolução tratando disso. O que existe é um equilíbrio entre o direito à privacidade e os direitos do consumidor. Uma proibição absoluta, sem distinguir uso abusivo de registro legítimo como meio de prova, tem boas chances de ser considerada abusiva pela Justiça brasileira”, conclui. 

O movimento das companhias aéreas indica que o setor deve continuar ajustando suas políticas para lidar com um ambiente cada vez mais digital, enquanto o debate jurídico sobre os limites dessas restrições ainda deva encontrar um consenso. 




Fonte:

Rodrigo Alvim - Mestre em Direito pela PUC/MG. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com um semestre na Univesidad de Barcelona. Possui MBA em gestão empresarial pela FGV. É especialista em Direito dos Passageiros Aéreos

 

CLT é preferência de quase 80% dos brasileiros que buscam emprego, mas cai pela metade entre Baby boomers, aponta Serasa Experian


·      69,1% dos brasileiros dizem estar abertos a mudar de carreira nos próximos anos;

·      Preferência pela CLT chega a 92,6% na Geração Z, mas cai para 50% entre Baby Boomers;

·      Entre Baby Boomers, 36,8% pretendem trabalhar enquanto tiverem saúde e disposição;

·      Valorização da experiência (39,7%) e investimento em saúde e bem-estar (38,5%) são os principais fatores para permanecer ativo no mercado.

 

Em um cenário de transformação nas relações de trabalho, a carteira assinada segue como principal escolha entre os brasileiros que buscam emprego. Um levantamento da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, mostra que 78,7% dos brasileiros que estão em busca de uma vaga preferem o regime CLT, indicando que, no momento da recolocação, a estabilidade ainda é determinante.

 

A análise por geração ajuda a explicar esse comportamento. Entre os mais jovens, a preferência pela CLT é quase unânime: 92,6% na Geração Z e 86,8% entre Millennials. Esse percentual diminui ao longo da trajetória profissional, chegando a 82,9% na Geração X e a 50% entre Baby Boomers, grupo em que formatos alternativos, como trabalho liberal (23,3%), terceirizado (16,7%) e PJ (10%), ganham mais espaço.


Para a gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, Fernanda Guglielmi, esse comportamento está diretamente ligado ao contexto em que a decisão é tomada. “Quando as pessoas estão efetivamente procurando trabalho, o vínculo formal ainda aparece como principal referência. A previsibilidade do contrato segue sendo determinante nesse momento, especialmente no início da carreira, mas convive com uma abertura crescente à reinvenção profissional ao longo do tempo”, afirma. Confira o detalhamento completo desta visão no gráfico abaixo:

 

 

Reinvenção profissional acompanha avanço da trajetória

 

A disposição para mudar de carreira acompanha esse movimento. No total, 69,1% dos brasileiros dizem estar abertos a mudar de carreira nos próximos anos. Entre as gerações, esse movimento é mais intenso justamente entre os profissionais mais experientes: 82,3% dos Baby Boomers afirmam estar abertos à reinvenção, percentual superior ao observado na Geração X (70,9%), Millennials (69,4%) e Geração Z (56,1%).

 


Segundo Fernanda, “os dados mostram que a reinvenção profissional não está restrita ao início da carreira e ganha força entre os profissionais mais experientes, acompanhando mudanças nas prioridades e na forma como eles se relacionam com o trabalho ao longo do tempo”.


Essa maior abertura também se reflete na forma como os profissionais projetam sua permanência no mercado. Entre os Baby Boomers, 36,8% afirmam que pretendem trabalhar enquanto tiverem saúde e disposição. Nas demais gerações, a permanência no mercado ainda aparece mais associada a marcos etários, mas já aponta para carreiras prolongadas. Entre os profissionais da Geração Z, 24,6% se veem ativos até os 50 anos e 29,7% até os 60. Entre Millennials, 34,8% pretendem trabalhar até os 60 anos, enquanto na Geração X, 42,3% projetam atuação entre os 60 e 70 anos. 

 


Experiência, saúde e aprendizado sustentam longevidade

Para permanecer ativo no mercado de trabalho ao longo dos anos, os profissionais apontam diferentes fatores. Para 39,7%, a valorização da experiência e do conhecimento acumulado é o principal elemento, seguida por investimento em saúde e bem-estar (38,5%) e oportunidades de requalificação e aprendizado contínuo (29,5%). Além disso, 53,1% dos entrevistados apontam fatores pessoais como determinantes para continuar trabalhando, enquanto aspectos ligados às empresas (25%) e ao contexto social (19,5%) também exercem influência.

 

Na avaliação dos profissionais, a atratividade das empresas está diretamente ligada às condições oferecidas no dia a dia. Salários e benefícios competitivos são citados por 28,3% dos entrevistados, seguidos por ambiente de trabalho saudável e colaborativo (22,3%) e oportunidades reais de crescimento (13,7%). “Na prática, vemos que a relação com o trabalho combina a busca por estabilidade no início com trajetórias mais flexíveis e duradouras ao longo da vida profissional”, completa Fernanda.

 


Sobre a pesquisa Panorama do Trabalho no Brasil 

Os dados fazem parte da série Panorama do Trabalho, mapeamento realizado pela Serasa Experian para analisar diferentes aspectos da relação entre profissionais e empresas no país. O levantamento que compõe este capítulo foi realizado entre novembro e dezembro de 2025 com 1.521 profissionais economicamente ativos ou em busca de emprego, de diferentes gerações e regiões do Brasil. A amostra é representativa da população pesquisada e a margem de erro do estudo é de 3%.

 


Experian
experianplc.com


FecomercioSP promove live de orientação sobre IR na sexta-feira (8)

 
Entidade receberá auditor da Receita Federal e delegado da DERPF para abordar boas práticas na hora de declarar o Imposto de Renda


 
A
Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) promoverá, na sexta-feira (8), às 17h, no YouTube, sua tradicional live de orientação sobre a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF), em transmissão gratuita.
 
Com mediação da jornalista Camila Silveira, a conversa — intitulada Orientações Essenciais para Declarar com Segurança — contará com as presenças de Ricardo Roberto Mendes Ribeiro Junior, auditor da Receita Federal do Brasil, e de Claudio Affonso de Andrade, delegado da Delegacia Especial de Pessoas Físicas (DERPF), além do presidente do
Conselho de Assuntos Tributários da Federação, Márcio Olívio Fernandes da Costa, e da assessora jurídica do conselho, Sarina Manata.
 
Trata-se de um serviço fundamental que a Entidade presta anualmente ao público, apresentando as novidades para o ano, esclarecendo dúvidas dos participantes, orientando acerca de boas práticas na hora de declarar o IR e sobre erros possíveis (e comuns) nessa fase do processo.
 
Para se ter uma ideia, até outubro do ano passado, a Receita contabilizava que 2,8% das declarações feitas em 2025 tinham caído na malha fina (isto é, quando há inconsistências ou erros na declaração). Em números absolutos, foi cerca de 1,2 milhão de casos.
 
Em 2026, duas novidades merecem atenção dos contribuintes. A primeira refere-se à substituição da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF) pelo eSocial, o que pode gerar divergências na hora de fazer as declarações sobre informações dos rendimentos dos empregados.
 
Outra mudança diz respeito à obrigatoriedade de informar valores relacionados a plataformas de apostas. Os saldos mantidos nelas deverão ser declarados na ficha de Bens e Direitos. Há ainda questões envolvendo cashback, sistema de declarações preenchidas antecipadamente e novas normas sobre despesas de saúde, por exemplo.
 
O prazo para declarar o IR de 2026 acaba no dia 29 de maio, mesma data do pagamento do primeiro lote de restituições. O governo promete pagar até 80% desses recursos entre os dois primeiros lotes — entre 29 de maio e 30 de junho.

SERVIÇO

IR 2026: Orientações Essenciais para Declarar com Segurança
Quando:
8 de maio (sexta-feira), às 17h
Onde: canal da FecomercioSP no YouTube
Como participar:
inscrição via Sympla

 

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