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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Centros especializados e experiência cirúrgica são determinantes no tratamento da Carcinomatose Peritoneal

Cirurgião oncológico alerta: a escolha do centro e da equipe pode representar a diferença entre um tratamento potencialmente curativo e uma cirurgia incompleta

 

 

A carcinomatose peritoneal é uma condição caracterizada pela disseminação de tumores pela cavidade abdominal. A cirurgia para tratamento da carcinomatose peritoneal é de alta complexidade, comparada a um transplante de órgão. Por este motivo, depende de uma série de fatores, incluindo a experiência da equipe e a infraestrutura do centro onde a cirurgia será realizada.

"A cirurgia citorredutora não é uma cirurgia comum. Estamos falando de um procedimento extremamente complexo, muitas vezes longo, envolvendo múltiplos órgãos, grandes ressecções, reconstruções intestinais e decisões intraoperatórias altamente especializadas", afirma o Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião geral e oncológico, coordenador do Centro de Doenças Peritoneais da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Estudos internacionais, como o publicado pelo Dr. Shigeki Kusamura no Annals of Surgery, demonstram que a cirurgia citorredutora associada à HIPEC, que é a aplicação de quimioterapia hipertérmica diretamente na cavidade abdominal, possui uma das curvas de aprendizado mais longas e complexas da oncologia cirúrgica. Os dados mostram que os resultados melhoram progressivamente com o volume de casos. Entre 40 e 70 procedimentos, observa-se melhora inicial da segurança cirúrgica; entre 80 e 100, aprimoram-se os resultados oncológicos; e somente a partir de 140 a 150 casos o cirurgião atinge verdadeira proficiência, com menores complicações e maiores taxas de citorredução completa.

"Quando o paciente é operado em centros sem experiência ou por equipes com baixo volume de casos, aumenta significativamente o risco de cirurgia incompleta, complicações graves, necessidade de novas operações e progressão precoce da doença. Em muitos casos, uma primeira cirurgia inadequada pode comprometer definitivamente as chances futuras do paciente", alerta o Dr. Arnaldo.

A complexidade desse tratamento vai além da sala de operação. O cuidado adequado exige integração entre diversas especialidades, como a cirurgia oncológica, anestesia, UTI, enfermagem especializada, oncologia clínica, nutrição e suporte intensivo pós-operatório.

"A cirurgia citorredutora associada à HIPEC não depende apenas do cirurgião. Depende de uma equipe altamente especializada e de um centro preparado para oferecer toda essa estrutura", reforça o especialista.

A experiência da equipe influencia diretamente variáveis críticas do tratamento, como a chance de retirada completa da doença, o risco de complicações graves, o tempo de internação, a mortalidade cirúrgica e, sobretudo, a sobrevida do paciente.

"Carcinomatose Peritoneal não deve ser tratada como uma cirurgia oncológica convencional. Trata-se de uma subespecialidade altamente complexa, cujo resultado depende diretamente da expertise da equipe envolvida. Na prática, experiência salva vidas", conclui o Dr. Arnaldo.



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