A maternidade tem sido cada vez mais
debatida publicamente, mas a saúde mental das mães ainda aparece de forma
secundária nas discussões sobre cuidado e parentalidade. É o que revela a
pesquisa “Mulher e Agora Mãe – Volume II”, realizada pelo CineMaterna em
parceria com a NOZ Inteligência, com 1.138 mulheres com filhos de até 2 anos em
todo o país.
Os dados mostram que o impacto
emocional da maternidade vai muito além do cansaço associado aos cuidados com o
bebê. Ansiedade, sensação de sobrecarga, perda de identidade e falta de tempo
para si aparecem como elementos centrais da experiência materna contemporânea.
Saúde emocional: desgaste contínuo e necessidade de acolhimento
A maternidade se revela como um
processo emocional intenso e, muitas vezes, solitário. O estudo aponta que o
cansaço físico e emocional cresce com a maternidade, evidenciando um desgaste
acumulado que atravessa diferentes áreas da vida.
Entre as mulheres entrevistadas:
39% afirmam ter se sentido mais
ansiosas
82% relatam necessidade de
acolhimento emocional, sendo que 25% sentem essa necessidade com frequência.
Os relatos também mostram sentimentos
recorrentes de insegurança, culpa, exaustão e dificuldade de se reconhecer após
o nascimento dos filhos.
“A maternidade é um momento de grande
transformação, mas também de vulnerabilidade. Quando não há apoio e acolhimento,
essa experiência pode se tornar ainda mais difícil. Nosso objetivo é justamente
criar espaços onde essas mulheres possam se reconectar com o mundo e com elas
mesmas.” ressalta Mirian Rodrigues, presidente do CineMaterna.
Falta de tempo e autocuidado comprometido
Entre os diversos aspectos avaliados,
a falta de tempo para si aparece como o principal desafio enfrentado pelas mães
de bebês de até 2 anos.
65% afirmam que raramente ou nunca
têm tempo para si, incluindo lazer, descanso, estudos ou autocuidado.
Além disso, cuidar da própria saúde e
bem-estar aparece como o segundo maior desafio da maternidade, indicando que o
autocuidado tende a ser constantemente adiado diante das demandas do cotidiano.
A pesquisa também mostra que
atividades associadas ao descanso predominam quando as mães conseguem algum
tempo livre, evidenciando que esse tempo é percebido mais como recuperação de
energia do que como lazer propriamente dito.
Sobrecarga e múltiplas jornadas
Os dados revelam que a saúde
emocional das mães está diretamente ligada à concentração das responsabilidades
de cuidado.
77% das mães concentram a maior parte
dos cuidados com os filhos, seja cuidando sozinhas ou sendo as principais
responsáveis pela rotina do bebê.
Esse cenário se mantém independentemente
da inserção no mercado de trabalho:
88% entre as mães que não estão
trabalhando
71% entre as que estão trabalhando
Na prática, isso significa que grande
parte das mulheres precisa sustentar simultaneamente as demandas do cuidado, da
casa, do trabalho e da vida pessoal, acumulando múltiplas jornadas.
“Os dados mostram que o maior desafio
da maternidade hoje não é cuidar do bebê, mas sustentar todas as outras
dimensões da vida ao mesmo tempo. Existe um desgaste emocional importante que
ainda é pouco reconhecido e pouco apoiado.” comenta Juliana Vanin, diretora
executiva e fundadora da NOZ Inteligência.
Identidade feminina e sensação de perda de si
A pesquisa também evidencia que a
maternidade provoca mudanças profundas na identidade feminina.
56% das mulheres afirmam que sua
identidade pessoal mudou bastante após a maternidade, enquanto 42% dizem que
mudou em alguns aspectos.
Além disso, 61% ainda não sabem
exatamente como se sentem em relação a essas transformações, indicando que a
maternidade é vivida como um processo intenso, ambivalente e ainda em
elaboração emocional.
Muitas mães relatam dificuldade em
manter aspectos da própria rotina, autonomia e individualidade, reforçando a
sensação de que o cuidado com os outros frequentemente acontece às custas de si
mesmas.
Saúde mental materna ainda é tratada como questão individual
Os resultados apontam que o
sofrimento emocional materno ainda é frequentemente tratado como uma dificuldade
individual, quando, na prática, está diretamente relacionado à sobrecarga, à
ausência de rede de apoio e à concentração do cuidado nas mulheres.
A pergunta que a pesquisa levanta é:
até quando a saúde mental das mães continuará sendo tratada como
responsabilidade individual, e não como uma questão coletiva de cuidado e suporte
social?
Sobre a Pesquisa:
A pesquisa “Mulher e Agora Mãe –
Volume II” foi realizada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, com 1.138
mulheres, mães ou responsáveis por crianças de até 2 anos, em diferentes
regiões do Brasil.
O estudo analisa temas como saúde
emocional, rede de apoio, divisão de cuidados, trabalho, lazer, identidade e
desafios da maternidade nos primeiros anos após o nascimento.
O relatório completo pode ser
acessado em: www.nozinteligencia.com.br/cinematerna2026
www.cinematerna.org.br/
NOZ Inteligência
www.nozinteligencia.com.br/cinematerna2026

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