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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Automedicação pode agravar casos de cefaleia de origem nasal

Uso frequente de analgésicos pode mascarar sintomas e cronificar a dor, alerta otorrinolaringologista da ABORL-CCF

 

Uma das queixas mais frequentes da população brasileira, a dor de cabeça pode ter diferentes causas, inclusive alterações nasais e sinusais. O Dr. Luciano Lobato Gregório, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), chama a atenção para os casos de cefaleia de origem nasal, condição que exige avaliação especializada para o diagnóstico correto e o tratamento adequado. Ele explica que ela costuma estar relacionada a processos inflamatórios ou obstrutivos que provocam pressão e contato entre as estruturas internas do nariz. “Entre os sintomas mais comuns estão a sensação de pressão na face; dor ao redor dos olhos, testa e maçãs do rosto; congestão nasal; secreção e piora da dor em episódios de crise respiratória.” 

Embora muitas cefaleias estejam relacionadas a fatores neurológicos, hormonais ou emocionais, problemas nasais também podem provocar dores persistentes, especialmente quando associados à rinite, à sinusite, ao desvio de septo ou a alterações anatômicas das cavidades nasais. “Nem toda dor de cabeça tem origem neurológica. Alterações nasais e sinusais podem desencadear cefaleias importantes e impactar diretamente a qualidade de vida do paciente”, comenta.

 

Cuidados

Ter um remédio na bolsa, para “aquela dorzinha de cabeça no final do dia”, é algo comum e faz parte da vida do brasileiro. No entanto, a automedicação frequente pode mascarar sintomas importantes e, principalmente, agravar o quadro clínico. Inclusive, o uso excessivo de analgésicos pode transformar dores esporádicas em casos de cefaleias crônicas. 

De acordo com o Dr. Gregório, deve-se procurar um otorrinolaringologista quando a dor de cabeça vier acompanhada de obstrução nasal frequente; estiver associada à sinusite recorrente; provocar pressão facial constante; piorar ao abaixar a cabeça; surgir junto de alterações respiratórias ou do sono; não melhorar com tratamentos convencionais e ocorrer de forma repetitiva ou impactar a rotina diária. “O diagnóstico da cefaleia de origem nasal é realizado por meio de avaliação clínica detalhada, exames endoscópicos e, em alguns casos, exames de imagem. Sabendo realmente o que a pessoa tem é possível controlar os sintomas e melhorar significativamente a respiração e o sono.” 

Quanto aos tratamentos, o otorrinolaringologista da ABORL-CCF revela que eles variam de acordo com a causa identificada. Entre os mais comuns estão a lavagem nasal com solução salina; o uso de medicamentos para o controle da rinite e da sinusite, como corticoides nasais e antialérgicos; antibióticos, quando há infecção bacteriana; o controle de fatores alérgicos e ambientais; o acompanhamento multidisciplinar em casos associados a outras condições clínicas e procedimentos cirúrgicos para correção de desvio de septo, pólipos nasais ou alterações anatômicas, que dificultam a respiração e favorecem crises recorrentes. “O fato é que o tratamento adequado pode reduzir de maneira significativa a frequência das dores e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, reforça, ao afirmar que manter a hidratação adequada; realizar a higiene nasal regularmente; evitar exposição excessiva à poeira, fumaça e agentes alérgenos; tratar corretamente os quadros de rinite e sinusite; manter os ambientes ventilados e umidificados; evitar a automedicação frequente e procurar um médico diante dos sintomas persistentes são as principais formas de prevenção da cefaleia de origem nasal.

 

Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF


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