Uso frequente de analgésicos pode mascarar sintomas
e cronificar a dor, alerta otorrinolaringologista da ABORL-CCF
Uma das queixas mais frequentes da população brasileira, a dor de cabeça pode ter diferentes causas, inclusive alterações nasais e sinusais. O Dr. Luciano Lobato Gregório, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), chama a atenção para os casos de cefaleia de origem nasal, condição que exige avaliação especializada para o diagnóstico correto e o tratamento adequado. Ele explica que ela costuma estar relacionada a processos inflamatórios ou obstrutivos que provocam pressão e contato entre as estruturas internas do nariz. “Entre os sintomas mais comuns estão a sensação de pressão na face; dor ao redor dos olhos, testa e maçãs do rosto; congestão nasal; secreção e piora da dor em episódios de crise respiratória.”
Embora muitas
cefaleias estejam relacionadas a fatores neurológicos, hormonais ou emocionais,
problemas nasais também podem provocar dores persistentes, especialmente quando
associados à rinite, à sinusite, ao desvio de septo ou a alterações anatômicas
das cavidades nasais. “Nem toda dor de cabeça tem origem neurológica.
Alterações nasais e sinusais podem desencadear cefaleias importantes e impactar
diretamente a qualidade de vida do paciente”, comenta.
Cuidados
Ter um remédio na bolsa, para “aquela dorzinha de cabeça no final do dia”, é algo comum e faz parte da vida do brasileiro. No entanto, a automedicação frequente pode mascarar sintomas importantes e, principalmente, agravar o quadro clínico. Inclusive, o uso excessivo de analgésicos pode transformar dores esporádicas em casos de cefaleias crônicas.
De acordo com o Dr. Gregório, deve-se procurar um otorrinolaringologista quando a dor de cabeça vier acompanhada de obstrução nasal frequente; estiver associada à sinusite recorrente; provocar pressão facial constante; piorar ao abaixar a cabeça; surgir junto de alterações respiratórias ou do sono; não melhorar com tratamentos convencionais e ocorrer de forma repetitiva ou impactar a rotina diária. “O diagnóstico da cefaleia de origem nasal é realizado por meio de avaliação clínica detalhada, exames endoscópicos e, em alguns casos, exames de imagem. Sabendo realmente o que a pessoa tem é possível controlar os sintomas e melhorar significativamente a respiração e o sono.”
Quanto aos
tratamentos, o otorrinolaringologista da ABORL-CCF revela que eles variam de
acordo com a causa identificada. Entre os mais comuns estão a lavagem nasal com
solução salina; o uso de medicamentos para o controle da rinite e da sinusite,
como corticoides nasais e antialérgicos; antibióticos, quando há infecção
bacteriana; o controle de fatores alérgicos e ambientais; o acompanhamento
multidisciplinar em casos associados a outras condições clínicas e
procedimentos cirúrgicos para correção de desvio de septo, pólipos nasais ou
alterações anatômicas, que dificultam a respiração e favorecem crises
recorrentes. “O fato é que o tratamento adequado pode reduzir de maneira
significativa a frequência das dores e melhorar a qualidade de vida das
pessoas”, reforça, ao afirmar que manter a hidratação adequada; realizar a
higiene nasal regularmente; evitar exposição excessiva à poeira, fumaça e
agentes alérgenos; tratar corretamente os quadros de rinite e sinusite; manter
os ambientes ventilados e umidificados; evitar a automedicação frequente e
procurar um médico diante dos sintomas persistentes são as principais formas de
prevenção da cefaleia de origem nasal.
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia
Cérvico-Facial - ABORL-CCF
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