Levantamento da Memed aponta aumento na busca por diagnóstico, mudanças no perfil dos pacientes e maior complexidade no cuidado ao longo da vida
Um estudo inédito da Memed, líder em prescrição digital no Brasil,
em parceria com a NeuroSteps, plataforma digital especializada na gestão
de terapias para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), revela que entre 2022
e 2025, o número médio de pessoas com TEA atendidas por um médico cresceu quase
50%, indicando uma busca mais intensa por avaliação e
acompanhamento.
Ao mesmo tempo, o cenário evidencia pressão
crescente sobre a rede assistencial, que precisa se adaptar a uma demanda em
rápida expansão. A análise da métrica “densidade diagnóstica”, indicador que
mede quantos pacientes com TEA cada médico atende, em média, ao longo do ano,
passou de 9,08, em 2022, para 13,61, em 2025.
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| Gráfico 1. Taxa média anual de pacientes com TEA atendidos por médicos na plataforma Memed, com intervalo de confiança de 95%. Fonte: Memed, 2022-2025. |
Diagnóstico mais tardio e em
novas faixas etárias
O estudo mostra uma mudança relevante na idade em
que o diagnóstico ocorre. Embora a infância ainda concentre a maior parte dos
casos, o padrão vem se deslocando gradualmente para fases mais avançadas da
vida. Atualmente, a faixa de 6 a 12 anos lidera os diagnósticos, superando a
primeira infância, um movimento que contraria a expectativa de identificação
cada vez mais precoce. No período analisado, a participação de crianças de 0 a
5 anos caiu de 42,17% para 30,13%, enquanto a de 6 a 12 anos subiu para
35,15%.
O crescimento do diagnóstico também acontece entre
os adultos. Pessoas de 20 a 39 anos já representam 17,88% dos pacientes, e o
grupo com mais de 40 anos praticamente dobrou sua participação, alcançando 6,73%.
Para o psicólogo e PhD em Neurociências e Diretor
Técnico Científico da NeuroSteps, Dr. Hiago Melo, esse movimento
não indica que o autismo esteja surgindo mais tarde, mas sim que muitos quadros
não são identificados no momento ideal.“O que vemos é um reconhecimento tardio.
Os sinais do TEA estão presentes desde a primeira infância, mas podem passar
despercebidos, especialmente em quadros mais leves, tornando-se mais evidentes
com o aumento das demandas sociais e acadêmicas”, explica.
Esse fenômeno também ajuda a entender o avanço dos
diagnósticos na vida adulta. Segundo o especialista, muitos pacientes passam
anos sendo tratados por sintomas isolados, sem que o quadro seja compreendido
de forma integrada.“Muitas vezes, o diagnóstico de uma criança na família leva
os pais a buscarem avaliação para si mesmos, contribuindo para a identificação
tardia em adultos”, afirma.
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| Gráfico 2. Evolução do share anual de cada faixa etária no momento do primeiro laudo digital de TEA. Fonte: Memed, 2022-2025. |
Diferenças entre homens e
mulheres
O levantamento também aponta mudanças importantes
no recorte por gênero. Na infância, o padrão conhecido se mantém, com maior
prevalência entre meninos, especialmente na faixa de 6 a 12 anos.
Na vida adulta, porém, o cenário se inverte. Em
2025, mulheres entre 20 e 39 anos passaram a representar uma parcela maior dos
diagnósticos do que os homens da mesma faixa etária, tendência que também se
repete entre pessoas com mais de 40 anos.
Tratamento mais complexo e
maior uso de medicamentos
Outro destaque é o aumento na complexidade do
cuidado com o TEA. Nos últimos anos, houve crescimento expressivo no uso de
medicamentos, especialmente aqueles voltados ao manejo de comorbidades.
As dez principais substâncias apresentaram aumento
superior a 70% na taxa de prescrição entre 2024 e 2025. Entre elas, a
atomoxetina se destaca, com crescimento acima de 170%, refletindo o
reconhecimento do TDAH como uma das condições mais frequentemente associadas ao
autismo. Apesar disso, o especialista ressalta que esse avanço não deve ser
interpretado de forma simplista.
“O crescimento está muito mais relacionado ao
manejo de comorbidades, como ansiedade, TDAH e distúrbios do sono, do que a
mudanças no tratamento central do autismo, que continua baseado principalmente
em intervenções comportamentais e educacionais”, explica Melo.
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| Gráfico 3. Taxa de prescrições por médico (2024 vs. 2025) e variação percentual anual das 10 moléculas mais prescritas após o diagnóstico de TEA. Fonte: Memed, 2024-2025 |
Cuidado ao longo da vida exige
mais recursos
Os dados também indicam que o acompanhamento do TEA se torna mais exigente com o passar dos anos. Um adulto jovem, por exemplo, pode demandar quase o dobro de prescrições em comparação a uma criança, refletindo o aumento da complexidade clínica e das necessidades terapêuticas individuais.
Esse cenário reforça que o autismo não é uma
condição restrita à infância, mas um quadro que exige acompanhamento contínuo e
uma rede de cuidado estruturada em todas as fases da vida.
Para o diretor médico da Memed, Fábio Tabalipa, os dados enfatizam uma transformação já em curso no país. “O autismo no Brasil é uma história em mudança — e o mais importante é que essa mudança agora pode ser medida. Nossos dados mostram uma rede médica sob pressão crescente, diagnósticos migrando para novas idades e um arsenal farmacológico cada vez mais sofisticado. Acreditamos que disponibilizar essa leitura de forma transparente e metodologicamente rigorosa é parte da nossa missão como a maior plataforma de prescrição digital do país”, afirma.
Fonte: “Dados da plataforma Memed, 2022-2026”.
Memed · Panorama do Diagnóstico e Tratamento do TEA no Brasil · Publicação abril/2026




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