Infertilidade, baixa estatura na infância e anemia
podem ser sinais ignorados da doençadivulgação
Estima-se
que a doença celíaca afete cerca de 1%
da população mundial¹ — o que pode representar milhões de brasileiros.
Ainda assim, cerca de 80% das pessoas com a condição no país seguem sem diagnóstico,
segundo a Federação
Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (FENACELBRA)².
A
doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten —
proteína presente no trigo, centeio e cevada — que provoca uma reação
imunológica capaz de danificar o intestino e comprometer a absorção de
nutrientes. Nesse contexto, o tema ganha ainda mais relevância em maio, com o
Dia Mundial da Doença Celíaca, em 16 de maio.
Apesar
da relevância, o Brasil ainda carece de estudos nacionais abrangentes
sobre a prevalência da doença, o que reforça o desafio de
visibilidade e diagnóstico. O cenário vai além da falta de acesso: muitos
pacientes convivem por anos com sintomas tratados de forma isolada, sem que a
doença celíaca seja considerada como causa de base.
Sinais fora do intestino
Embora
seja frequentemente associada a sintomas gastrointestinais — como diarreia
crônica, dor abdominal, distensão e perda de peso —, a doença celíaca também
pode se manifestar de formas menos óbvias, o que contribui para o atraso no diagnóstico.
Entre
os quadros que podem estar relacionados à doença, destacam-se:
- Crianças com dificuldade de crescimento ou baixa estatura;
- Mulheres com infertilidade ou dificuldade para engravidar;
- Pacientes com anemia persistente ou deficiências nutricionais
recorrentes;
- Sintomas inespecíficos, como fadiga, dor de cabeça e alterações de
humor.
“A
doença celíaca ainda é pouco lembrada fora do contexto gastrointestinal. Isso
faz com que muitos pacientes passem anos tratando sintomas isolados, sem chegar
ao diagnóstico correto”, explica Aline Oliveira, farmacêutica e Líder de
Autoimunidade da Thermo Fisher Scientific.
Impacto no crescimento infantil
Na
infância, os efeitos podem ser particularmente relevantes. A inflamação
intestinal crônica compromete a absorção de nutrientes essenciais para o
desenvolvimento, segundo estudo publicado no PubMed Central,
base do National Institutes of Health (NIH)³. Entre as consequências possíveis
estão baixa estatura, atraso puberal, deficiência de ferro, cálcio e vitamina
D, além de prejuízos no desenvolvimento ósseo.
“Nem
toda criança com doença celíaca apresenta sintomas clássicos como diarreia. Em
muitos casos, o único sinal é o crescimento abaixo do esperado. Por isso, é
fundamental ampliar o olhar clínico para além do intestino”, afirma Dra.
Danielle Kiatkoski, gastroenterologista e Diretora Científica do Instituto
Brasileiro para Estudo da Doença Celíaca (IBREDOC).
Estudos
mostram que, com o diagnóstico precoce e a adoção da dieta sem glúten, é
possível recuperar o ritmo de crescimento, embora atrasos prolongados possam
impactar o potencial final de altura.
Quando investigar e como diagnosticar
Diante
de sintomas persistentes — mesmo que aparentemente desconectados —,
especialistas reforçam a importância de considerar a doença celíaca como
hipótese diagnóstica.
O
primeiro passo é buscar avaliação médica, geralmente com clínico
geral, gastroenterologista ou pediatra, que irá analisar o
histórico do paciente e indicar a investigação adequada.
O
diagnóstico envolve exames laboratoriais específicos que detectam
anticorpos relacionados à doença, como o teste de
anti-transglutaminase IgA*, considerado um dos principais marcadores para
orientar a investigação e, em alguns casos, evitar procedimentos mais
invasivos.
“Além
de contribuir para diagnósticos mais precoces e assertivos, os exames
laboratoriais ajudam a direcionar melhor a conduta médica, sobretudo em
pacientes com sintomas atípicos”, reforça Aline.
Sem
diagnóstico, o paciente permanece exposto aos efeitos da inflamação e ao risco de complicações,
como osteoporose precoce, infertilidade e outras doenças autoimunes⁴.
Como
não há cura medicamentosa, o tratamento consiste na exclusão total do glúten da
alimentação — o que torna o diagnóstico precoce essencial para interromper o
processo inflamatório e melhorar a qualidade de vida.
SERVIÇO
Mais informações sobre sintomas, diagnóstico e orientações sobre a doença,
estão disponíveis no portal Celiac Insider,
que reúne conteúdos atualizados e confiáveis para apoiar pacientes e
profissionais de saúde na identificação dos sinais e na condução da
investigação diagnóstica: Link
Dra. Danielle Kiatkoski - CRM CRM:14254-PR /RQE Nº:9142 RQE Nº:1398 - gastroenterologista e Diretora Científica do Instituto Brasileiro para Estudo da Doença Celíaca (IBREDOC).
*A utilização desses produtos para fins de diagnóstico é de inteira responsabilidade do serviço de saúde que deverá atender aos requisitos contidos na RDC 786/2023 da ANVISA, Subseção I, Artigos 129 a 135.
Thermo Fisher Scientific Inc.
www.thermofisher.com.
REFERÊNCIAS
¹ Prevalência global da doença
celíaca
Link.
² FENACELBRA – Campanha Maio Celíaco 2024
Link
³ NIH – impacto da doença celíaca no crescimento infantil
Link
⁴ Relação entre doença celíaca, infertilidade e complicações associadas
Link
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