82,4% das empresas da construção relatam
dificuldades para contratar profissionais, cenário que pode comprometer a
execução e a vida útil das obras
Divulgação - Grupo Soprema
A falta de mão de obra qualificada é um
dos desafios da construção civil e pode ter reflexos diretos na durabilidade
das edificações. A pressão por prazos menores, somada à dificuldade de formar
novas equipes, reduz as oportunidades de capacitação prática nos canteiros de
obras. O resultado pode aparecer na forma de falhas de execução e manifestações
patológicas que comprometem o desempenho dos sistemas construtivos ao longo do
tempo.
O cenário é evidenciado por um levantamento da FGV IBRE, de 2024, segundo o qual 82,4% das
empresas da construção enfrentam dificuldades para contratar profissionais.
Para Ricardo Faria, gerente técnico do Grupo Soprema, esse desafio se soma à
redução do tempo disponível para preparar as equipes nos canteiros.
Historicamente, cronogramas mais longos permitiam que mestres de obras,
engenheiros e tecnólogos orientassem os trabalhadores durante a execução. Com a
aceleração das obras, porém, a capacitação passou a disputar espaço com a
necessidade de cumprir os prazos.
“A exigência do mercado por rentabilidade mais rápida
faz com que muitas vezes não haja tempo suficiente para capacitar a mão de obra
durante a execução. Sem o preparo prático e teórico adequado, aumentam os
riscos de erros que podem comprometer a durabilidade e a vida útil da
edificação”, afirma Ricardo.
Falhas de execução
Os problemas podem surgir em diferentes etapas e
sistemas da construção, desde instalações hidráulicas e elétricas até
estruturas, alvenaria, impermeabilização e paisagismo. Além da falta de
conhecimento sobre os procedimentos, incompatibilidades entre projetos também podem
levar a decisões improvisadas no canteiro, com consequências para o desempenho
da edificação.
Na impermeabilização, o cumprimento das orientações
de projeto e das instruções técnicas dos fabricantes é fundamental para o
resultado. Entre os cuidados necessários estão o preparo adequado da base e da
superfície, o respeito aos intervalos entre as etapas de aplicação, a execução
dos reforços previstos e a realização dos testes e das proteções exigidos para
cada sistema.
“Não basta escolher um produto adequado. É preciso
garantir que ele seja aplicado corretamente, respeitando as condições previstas
em projeto e as orientações do fabricante. Falhas no preparo da superfície, na
manipulação dos materiais ou na sequência de aplicação podem comprometer o
desempenho esperado”, explica o gerente técnico.
Capacitação
Diante da escassez de profissionais, a racionalização
e a industrialização dos processos construtivos aparecem como caminhos para reduzir
a dependência de determinadas atividades executadas de forma artesanal. O uso
de componentes pré-fabricados e de sistemas com estruturas metálicas ou de
madeira e painéis pode diminuir o volume de operações realizadas no canteiro e
acelerar algumas etapas da obra. Essas soluções, porém, também exigem
conhecimento técnico específico.
Para Ricardo, a mudança precisa ser acompanhada de
investimentos na formação profissional. Cursos técnicos, especializações e
treinamentos oferecidos por fabricantes podem contribuir para preparar equipes
para os novos sistemas construtivos. Ele também aponta a necessidade de uma
atuação mais ampla, com participação de empresas, associações do setor e
instituições de formação.
“Já existem iniciativas de capacitação promovidas por
fabricantes e associações, mas precisamos avançar para um programa mais
abrangente, com formação operacional e participação dos setores público e
privado. A qualificação precisa preparar os profissionais para as situações
reais que encontram nas obras”, conclui Ricardo.
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