De que adianta ampliar as
oportunidades no mercado de trabalho se as pessoas ainda encontram obstáculos
para ingressar e, depois da contratação, enfrentam dificuldades para circular e
participar da rotina profissional? A discussão sobre inclusão de pessoas com
deficiência e neurodivergência avançou nos últimos anos, mas os desafios de
acessibilidade ainda aparecem em diferentes etapas da carreira.
Segundo o Relatório Radar da Inclusão 2026, realizado pela
consultoria Talento Incluir em parceria com o Pacto Global da ONU e Rede
Brasil, 33% dos entrevistados afirmam ter enfrentado barreiras de
acessibilidade que dificultaram sua participação em processos seletivos. Entre
pessoas com deficiência auditiva, o percentual chega a 48%.
O dado mostra que a inclusão começa antes mesmo da contratação. A
acessibilidade dos espaços, dos deslocamentos e das próprias etapas de seleção
pode determinar quem consegue participar de uma oportunidade e as barreiras não
terminam com a entrada no mercado. Entre as pessoas empregadas, 44% relatam
dificuldades de acessibilidade em confraternizações, eventos ou momentos de
integração com colegas, enquanto 29% apontam obstáculos para circular por
espaços internos, como estações de trabalho, banheiros e refeitórios.
Para Ramon Rogado, gerente do Mobility Unlimited Hub, programa de
aceleração da Toyota Mobility Foundation, fundação global sem fins lucrativos
criada pela Toyota Motor Corporation, os números mostram que discutir inclusão
profissional também significa ampliar o olhar para a mobilidade ativa,
autonomia e acesso. “Mobilidade ativa não se resume ao deslocamento entre casa
e trabalho. Ela envolve a possibilidade de acessar oportunidades, circular por
diferentes ambientes, participar de atividades profissionais e sociais e
exercer autonomia ao longo da jornada. Nesse contexto, tecnologias assistivas,
soluções acessíveis e inovação podem contribuir para reduzir barreiras e
ampliar as possibilidades de participação das pessoas”, afirma.
Na prática, um bloqueio de acessibilidade
pode afetar mais do que o deslocamento. Ele pode limitar a participação em
atividades, o acesso a espaços e até as possibilidades de desenvolvimento
profissional. Por isso, pensar em inclusão também passa por entender como os
ambientes e as soluções disponíveis respondem às necessidades de diferentes
pessoas.
Nesse contexto, a tecnologia assistiva pode
contribuir para tornar espaços e experiências mais acessíveis, desde que seja
desenvolvida a partir de necessidades reais. Soluções voltadas à mobilidade,
por exemplo, podem apoiar não apenas o deslocamento, mas também a participação
de pessoas com deficiência em diferentes ambientes, inclusive os relacionados à
educação e ao trabalho.
Se o processo seletivo é a porta de entrada
para o mercado de trabalho, garantir que essa porta seja acessível é apenas o
primeiro passo. Ramon destaca que soluções de acessibilidade precisam partir
dos obstáculos que as pessoas efetivamente encontram. "Não existe uma
solução única para todos os desafios de mobilidade e acessibilidade. É preciso
entender onde estão as dificuldades, ouvir quem convive com elas e, a partir do
desafio, desenvolver e testar soluções que façam sentido para aquela realidade.
Esse processo aumenta as chances de que a inovação gere impacto concreto",
finaliza.
Toyota
Mobility Foundation
Nenhum comentário:
Postar um comentário