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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

MOBILIDADE AINDA É DESAFIO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: BARREIRAS COMEÇAM NO PROCESSO SELETIVO E CONTINUAM NO AMBIENTE DE TRABALHO

 

De que adianta ampliar as oportunidades no mercado de trabalho se as pessoas ainda encontram obstáculos para ingressar e, depois da contratação, enfrentam dificuldades para circular e participar da rotina profissional? A discussão sobre inclusão de pessoas com deficiência e neurodivergência avançou nos últimos anos, mas os desafios de acessibilidade ainda aparecem em diferentes etapas da carreira.  

Segundo o Relatório Radar da Inclusão 2026, realizado pela consultoria Talento Incluir em parceria com o Pacto Global da ONU e Rede Brasil, 33% dos entrevistados afirmam ter enfrentado barreiras de acessibilidade que dificultaram sua participação em processos seletivos. Entre pessoas com deficiência auditiva, o percentual chega a 48%. 

O dado mostra que a inclusão começa antes mesmo da contratação. A acessibilidade dos espaços, dos deslocamentos e das próprias etapas de seleção pode determinar quem consegue participar de uma oportunidade e as barreiras não terminam com a entrada no mercado. Entre as pessoas empregadas, 44% relatam dificuldades de acessibilidade em confraternizações, eventos ou momentos de integração com colegas, enquanto 29% apontam obstáculos para circular por espaços internos, como estações de trabalho, banheiros e refeitórios. 

Para Ramon Rogado, gerente do Mobility Unlimited Hub, programa de aceleração da Toyota Mobility Foundation, fundação global sem fins lucrativos criada pela Toyota Motor Corporation, os números mostram que discutir inclusão profissional também significa ampliar o olhar para a mobilidade ativa, autonomia e acesso. “Mobilidade ativa não se resume ao deslocamento entre casa e trabalho. Ela envolve a possibilidade de acessar oportunidades, circular por diferentes ambientes, participar de atividades profissionais e sociais e exercer autonomia ao longo da jornada. Nesse contexto, tecnologias assistivas, soluções acessíveis e inovação podem contribuir para reduzir barreiras e ampliar as possibilidades de participação das pessoas”, afirma. 

Na prática, um bloqueio de acessibilidade pode afetar mais do que o deslocamento. Ele pode limitar a participação em atividades, o acesso a espaços e até as possibilidades de desenvolvimento profissional. Por isso, pensar em inclusão também passa por entender como os ambientes e as soluções disponíveis respondem às necessidades de diferentes pessoas.  

Nesse contexto, a tecnologia assistiva pode contribuir para tornar espaços e experiências mais acessíveis, desde que seja desenvolvida a partir de necessidades reais. Soluções voltadas à mobilidade, por exemplo, podem apoiar não apenas o deslocamento, mas também a participação de pessoas com deficiência em diferentes ambientes, inclusive os relacionados à educação e ao trabalho.  

Se o processo seletivo é a porta de entrada para o mercado de trabalho, garantir que essa porta seja acessível é apenas o primeiro passo. Ramon destaca que soluções de acessibilidade precisam partir dos obstáculos que as pessoas efetivamente encontram. "Não existe uma solução única para todos os desafios de mobilidade e acessibilidade. É preciso entender onde estão as dificuldades, ouvir quem convive com elas e, a partir do desafio, desenvolver e testar soluções que façam sentido para aquela realidade. Esse processo aumenta as chances de que a inovação gere impacto concreto", finaliza.
 


Toyota Mobility Foundation


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