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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Julho Amarelo: infectologista desmistifica as principais dúvidas sobre hepatites virais, doença que já soma mais de 826 mil casos no Brasil

Campanha reforça que nem todas as hepatites são transmitidas da mesma forma e destaca a importância da vacinação, da testagem e do diagnóstico precoce diante de uma doença que costuma evoluir sem sintomas

 

As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública por um motivo que merece atenção: muitas vezes, não apresentam sintomas nas fases iniciais. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. A hepatite C representa 41,5% dos diagnósticos, seguida pela hepatite B, com 36,6%. Embora a mortalidade tenha diminuído nas últimas décadas graças ao avanço da vacinação e do tratamento, a prevenção continua sendo essencial, principalmente em situações que envolvem contato com sangue. 

Mesmo com campanhas de conscientização, ainda persistem dúvidas sobre as formas de transmissão, prevenção, vacinação e tratamento da doença. Para responder às perguntas mais frequentes, o Dr. Valdir Sabbaga Amato, infectologista disponível na Doctoralia e professor associado do Depto. de Infectologia e Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), explica o que é mito e o que é verdade sobre as hepatites virais.
 

Compartilhar escovas de dente ou lâminas de barbear pode transmitir hepatites virais: VERDADE 

Objetos de uso pessoal que podem entrar em contato com pequenas quantidades de sangue não devem ser compartilhados. Mesmo sem sangue visível, existe possibilidade de transmissão dos vírus das hepatites B e C.

"São objetos que podem provocar pequenos ferimentos e, por isso, representam um risco quando compartilhados. A recomendação é que sejam sempre de uso individual", orienta Valdir.
 

Quem tem hepatite sempre apresenta sintomas, como pele e olhos amarelados: MITO 

Nem todas as pessoas desenvolvem sintomas. Em muitos casos, especialmente nas hepatites B e C, a infecção pode permanecer silenciosa durante anos, sendo identificada apenas em exames de rotina ou quando já existe algum comprometimento do fígado.

"A ausência de sintomas não significa ausência da doença. Esse é justamente um dos motivos pelos quais o diagnóstico precoce é tão importante", afirma o infectologista.
 

Existe vacina para todas as hepatites virais: MITO 

Atualmente, há vacinas eficazes contra as hepatites A e B. Ainda não existe vacina para a hepatite C, o que torna as medidas de prevenção e a testagem ainda mais importantes.

Para o infectologista, a vacinação é uma das principais ferramentas de prevenção para algumas hepatites, mas ela não protege contra todos os tipos. “Por isso, hábitos seguros e acompanhamento médico continuam sendo fundamentais."
 

Todas as hepatites podem ser contraídas da mesma forma: MITO 

As formas de transmissão variam de acordo com o tipo de hepatite viral. As hepatites A e E são transmitidas principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados e estão relacionadas a condições inadequadas de saneamento e higiene. Já as hepatites B, C e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado. No caso da hepatite B, também há risco de transmissão por relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. 

“Embora todas afetem o fígado, as hepatites virais não são contraídas da mesma maneira. Conhecer as formas de transmissão de cada tipo é essencial para adotar as medidas adequadas de prevenção”, explica o infectologista.
 

As hepatites virais têm tratamento e, em alguns casos, podem ser curadas: VERDADE 

Os avanços da medicina permitiram tratamentos cada vez mais eficazes. A hepatite C, por exemplo, apresenta altas taxas de cura quando diagnosticada e tratada adequadamente. Já a hepatite B pode ser controlada, reduzindo o risco de complicações. 

"Quanto mais cedo a infecção é identificada, maiores são as chances de um tratamento eficaz e da prevenção de complicações como cirrose e câncer de fígado. Por isso, pessoas que tiveram situações de risco ou nunca realizaram a testagem devem conversar com um profissional de saúde", conclui o Dr. Valdir Sabbaga Amato.
 



Referência

Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025



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