Tecnologia de alta resolução auxilia no
diagnóstico precoce e no acompanhamento de doenças dermatológicas e
procedimentos estéticos
O avanço das tecnologias de imagem vem transformando diferentes
especialidades médicas, e na Dermatologia não é diferente. Cada vez mais
presente na prática clínica, o ultrassom dermatológico tem ampliado a
capacidade dos médicos de investigar alterações da pele de forma não invasiva,
oferecendo informações que muitas vezes não são perceptíveis apenas durante o
exame físico. Segundo a médica radiologista e especialista em ultrassom
dermatológico, Dra. Priscilla Tashiro, o exame
representa uma mudança importante na forma como a pele é avaliada. “O ultrassom
dermatológico é uma tecnologia de alta resolução capaz de visualizar, em tempo
real, as diferentes camadas da pele, do tecido subcutâneo e das estruturas
anexas, como unhas e folículos pilosos. Ele permite enxergar alterações que
muitas vezes não são perceptíveis apenas no exame clínico”, avalia.
Embora muitas pessoas associem o ultrassom apenas à gestação ou à
avaliação de órgãos internos, a tecnologia também pode ser aplicada à
Dermatologia por meio de equipamentos de alta frequência, capazes de gerar
imagens detalhadas das estruturas superficiais da pele. "Trabalhamos com
transdutores de alta frequência, acima de 15 MHz, capazes de produzir imagens
com resolução suficiente para visualizar estruturas extremamente superficiais.
Isso nos permite estudar a espessura da pele, vascularização, processos
inflamatórios, nódulos, cistos, tumores e até alterações provocadas por
procedimentos estéticos", explica a especialista.
Atualmente, o exame auxilia na investigação de tumores benignos e
malignos, doenças inflamatórias como hidradenite supurativa, psoríase e
alterações das unhas, além de contribuir para o acompanhamento da resposta aos
tratamentos e para o planejamento cirúrgico. "O grande diferencial é que
conseguimos entender não apenas a presença da lesão, mas também sua extensão,
profundidade e comportamento", destaca a médica.
Ao caracterizar com mais detalhes o tipo de tecido, o exame
fornece informações importantes para a definição da melhor conduta médica.
"Quanto mais informação temos antes de uma cirurgia, maior tende a ser a
segurança e a previsibilidade do tratamento", afirma. Outro benefício
importante é a possibilidade de identificar alterações ainda em fases iniciais
da doença, antes mesmo que elas sejam evidentes clinicamente.
O crescimento dos procedimentos estéticos também ampliou a
importância do ultrassom dermatológico. "Essa talvez seja uma das áreas
que mais cresceram nos últimos anos. O ultrassom permite diferenciar produtos
preenchedores, reconhecer inflamações, granulomas, infecções, alterações
vasculares e orientar procedimentos guiados. Vale ressaltar a importância do
ultrassom antes e durante os procedimentos. Isso muda completamente a segurança
e evita complicações", ressalta.
Na avaliação de nódulos e lesões cutâneas, o exame também fornece
informações que ajudam o médico a definir os próximos passos da investigação.
"Embora nenhum exame isolado substitua a avaliação médica ou a biópsia
quando indicada, essas informações ajudam significativamente na estratificação
do risco”, explica.
Para a Dra. Priscilla, a tendência é que o ultrassom dermatológico ocupe um espaço cada vez maior na prática clínica, acompanhando a evolução da medicina personalizada. "Acredito que caminhamos nessa direção. À medida que surgem novas evidências científicas e mais profissionais são capacitados, o ultrassom tende a ocupar um espaço semelhante ao que hoje a dermatoscopia representa na Dermatologia. Ele não substituirá o exame clínico, pelo contrário, potencializa a avaliação do dermatologista. O futuro da Dermatologia passa por uma medicina cada vez mais precisa, personalizada e guiada por imagem. E o ultrassom dermatológico faz parte dessa transformação”, finaliza.
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