![]() |
| Unsplash |
As férias de julho já estão
movimentando o turismo brasileiro. A Decolar registrou um crescimento de 40% na procura
por hospedagens para o período em comparação com o ano passado,
mesmo com tarifas mais elevadas. Para as empresas do setor, a alta temporada
pede mais do que a ampliação da capacidade operacional. Agora, agências,
companhias aéreas, hotéis e plataformas digitais precisam atender um viajante
acostumado a organizar tudo pelo smartphone e que espera informações claras,
respostas rápidas e suporte em qualquer etapa da viagem. O
consumidor está mais conectado e impaciente.
Esse perfil de viajante representa uma mudança importante na
dinâmica do setor. O consumidor pesquisa preços em diferentes plataformas,
compara avaliações em tempo real, acompanha alertas sobre voos, faz check-in
pelo aplicativo, compra serviços adicionais durante a viagem e espera conseguir
remarcar reservas sem enfrentar longas filas ou centrais telefônicas. Ao mesmo
tempo em que ganhou autonomia, o consumidor se tornou menos tolerante a falhas
de comunicação e atrasos no atendimento.
Luiz Moura, membro do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP)
e cofundador da VOLL, maior agência de viagens corporativas digital
da América Latina, aponta que a jornada da viagem passou a ser
completamente digital. “O viajante pesquisa, compara, compra, paga e
solicita suporte praticamente sem sair do celular. Isso elevou muito o nível de
expectativa do consumidor em relação ao atendimento. Hoje, a velocidade e a
integração entre os canais são fatores decisivos para a satisfação do cliente”,
comenta.
Segundo Moura, essa transformação vale tanto para o turismo de lazer quanto para as viagens corporativas. Embora as motivações sejam diferentes, ambos os públicos esperam uma experiência contínua entre reserva, pagamento, emissão de documentos e atendimento. “O consumidor já não separa a experiência física da experiência digital. Se ele encontrar dificuldade para remarcar um voo, localizar uma reserva ou obter informações durante um imprevisto, toda a percepção sobre a empresa é afetada”, pontua.
Nos bastidores do setor, isso exige um investimento crescente em tecnologias de automação e inteligência de dados para atender chamados rapidamente e também antecipar problemas operacionais antes que eles afetem o viajante. Com aviões e hotéis operando próximos da capacidade máxima nestas férias escolares, Moura avisa que é esperado das empresas prever picos de atendimento, automatizar comunicações e reforçar equipes para reduzir atritos. “O cliente entende que imprevistos acontecem. O que ele não aceita mais é falta de informação ou demora para receber uma solução”, afirma o especialista.

Nenhum comentário:
Postar um comentário