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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Inverno e metabolismo: por que sentimos mais fome no frio e como manter o peso sob controle

Mecanismos hormonais e neuroquímicos explicam o desejo por carboidratos na estação; pacientes bariátricos têm vantagem metabólica, mas ainda precisam aumentar os cuidados durante o período 

 

O frio não é só desculpa para comer mais. A maior fome sentida no inverno tem base biológica real e entender as causas que levam a esse comportamento é o primeiro passo para não perder o controle do peso nessa estação. O cirurgião bariátrico César De Fazzio, diretor do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília, explica o que acontece no organismo e quais estratégias ajudam a atravessar o período frio sem estagnar no processo de emagrecimento ou aumentar o percentual de gordura corporal. 

Dois mecanismos principais estão por trás do aumento do apetite nos meses mais frios. O primeiro é hormonal: a queda de temperatura altera o equilíbrio entre grelina e leptina — o primeiro hormônio, que sinaliza fome, sobe, enquanto o segundo, que atua na saciedade, cai. “Isso já foi demonstrado em modelos de exposição ao frio, em que a queda de leptina provoca um aumento compensatório do apetite”, esclarece De Fazzio. 

O segundo mecanismo é neuroquímico. Os dias mais curtos do inverno reduzem a exposição à luz solar, o que diminui a produção de serotonina e dopamina. Para compensar, o cérebro busca carboidratos, que estimulam a liberação dessas substâncias ligadas ao bem-estar. “É por isso que o desejo no inverno é especificamente por pão, massa e chocolate, e não por qualquer caloria”, completa o médico. 

A resistência à insulina pode entrar nessa equação como agravante. Leptina e insulina trabalham juntas na regulação do apetite e quem já apresenta resistência insulínica ou obesidade tende a entrar num ciclo em que sente mais fome, consome mais carboidrato simples e retroalimenta o desequilíbrio metabólico.
 

Paciente bariátrico tem proteção extra, mas não está imune 

A cirurgia bariátrica e metabólica altera esse cenário porque modifica a produção de hormônios intestinais que competem diretamente com o mecanismo do frio. Após o procedimento, especialmente no bypass, há aumento de GLP-1 e PYY — hormônios que promovem saciedade — e redução da grelina. “Isso cria um contrapeso hormonal ao efeito do inverno”, afirma De Fazzio. Segundo o médico, estudos de neuroimagem também apontam mudanças em regiões cerebrais ligadas à recompensa e ao controle cognitivo, contribuindo para a redução de desejos compulsivos. 

Isso não elimina o efeito sazonal. O paciente operado ainda sentirá maior atração por carboidratos nos meses frios, mas conta com uma ferramenta hormonal adicional para conter esse impulso. “Esse equilíbrio pode se perder com o tempo, principalmente se houver reganho. Esse é mais um motivo para não abandonar o acompanhamento médico pós-procedimento”, alerta o cirurgião. 

Há ainda um risco específico para quem tem o estômago reduzido: líquidos quentes açucarados e carboidratos de alto índice glicêmico favorecem a síndrome de dumping, provocada pelo esvaziamento acelerado do estômago para o intestino. O distúrbio desencadeia uma cascata hormonal com sintomas como mal-estar, taquicardia e sudorese. De acordo com o especialista, cerca de 85% dos pacientes submetidos ao bypass, uma das técnicas de cirurgia bariátrica, apresentam algum episódio de dumping após o procedimento.
 

Orientações práticas para o inverno 

De Fazzio propõe ajustes simples para contornar os erros comuns nessa época do ano, entre eles o aumento no consumo de bebidas quentes calóricas, beliscar alimentos durante o dia, queda na hidratação e redução da atividade física. 

A primeira orientação do médico é incluir proteína em todas as refeições, inclusive no café da manhã, para estabilizar a glicemia e prolongar a saciedade. Substituir carboidrato simples por versões com fibra e proteína — uma sopa com proteína magra, por exemplo, no lugar de um caldo só de amido — é outra sugestão do profissional. A atividade física também continua sendo fundamental. 

Além disso, é importante manter a hidratação — utilizando até mesmo lembretes fixos de horário, se necessário —, já que a sede pode ser confundida com fome pelo organismo e, no frio, o estímulo natural para beber água tende a diminuir, mesmo que a necessidade hídrica permaneça a mesma. 

Ele alerta ainda ser importante que o paciente evite associar o frio à época de comer à vontade. “O desejo por comida mais calórica no inverno é real e tem base hormonal. É fisiológico, não falta de força de vontade. Mas ele pode e deve ser direcionado para opções mais inteligentes”, recomenda De Fazzio.
 

César De Fazzio - cirurgião bariátrico, dedica-se à área do aparelho digestivo há mais de 15 anos. Fundador do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília-DF, é referência no tratamento cirúrgico e clínico da obesidade. Com um olhar sistêmico do paciente, o especialista coordena todas as etapas do emagrecimento, integrando medicina, nutrição e psicologia em um acompanhamento multidisciplinar. Sua prática é pautada em evidências científicas, pela ética e pelo uso de tecnologia de ponta com materiais de alta qualidade em intervenções minimamente invasivas, visando resultados de longo prazo. Prioriza a segurança e um atendimento transparente e individualizado.



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