Da bancada do
laboratório até a prescrição médica, um novo medicamento pode levar mais de uma
década para chegar à população. O caminho envolve anos de pesquisa, testes
rigorosos e acompanhamento contínuo, desde os testes de desempenho da molécula
e sua segurança nas etapas iniciais até o monitoramento dos pacientes quando o
medicamento passa a ser comercializado, e, cada vez mais, uma rede de parceiros
que trabalha para garantir que, uma vez aprovado, o tratamento chegue de fato a
quem precisa.
A curiosidade sobre como um remédio é desenvolvido cresceu nos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando termos como "fase clínica" e "estudo em voluntários" passaram a fazer parte do cotidiano. Mas, afinal, o que acontece antes de um medicamento ser aprovado e como ele chega ao paciente?
O processo é dividido em etapas que começam ainda no laboratório e avançam para
estudos em seres humanos. De acordo com dados amplamente referenciados na
literatura farmacêutica, citados por instituições como a Unicamp e a
Interfarma, a cada 10 mil moléculas testadas, apenas uma se torna medicamento,
num processo que pode levar entre 10 e 15 anos até a comercialização [1, 2].
Tudo começa antes dos testes em humanos
Antes de qualquer aplicação em pacientes, os pesquisadores realizam estudos chamados pré-clínicos. Nessa fase, o objetivo é entender como a substância se comporta em células e modelos animais, além de avaliar possíveis efeitos tóxicos. Também é nesse momento que os cientistas definem formulações, dosagens e analisam se a molécula realmente possui potencial terapêutico. Apenas após essa etapa os estudos clínicos podem começar [3].
- Fase
1: segurança em primeiro lugar - A primeira fase clínica marca o início
dos testes em humanos. Geralmente, participam pequenos grupos de
voluntários saudáveis. O foco principal é avaliar a segurança do
medicamento, entender como o organismo absorve a substância e identificar
possíveis efeitos colaterais. Também são definidos parâmetros de dose e
tolerância [3].
- Fase
2: o medicamento funciona? - Depois de comprovar segurança inicial, os
estudos avançam para pacientes que possuem a condição que o medicamento
pretende tratar. Nesta etapa, os pesquisadores analisam a eficácia do
tratamento e continuam monitorando os riscos. O número de participantes
aumenta e começam as comparações sobre resposta clínica, dose ideal e
efeitos adversos [3].
- Fase
3: comparação em larga escala - Considerada uma das etapas mais longas e
caras do desenvolvimento farmacêutico, a fase 3 envolve centenas ou
milhares de pacientes em diferentes centros de pesquisa. O objetivo é
confirmar os resultados obtidos anteriormente, comparar o novo tratamento
com terapias já existentes e reunir evidências robustas para submissão às
agências regulatórias, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) [3, 4].
- Fase
4: monitoramento continua mesmo após aprovação - Mesmo depois da aprovação
e chegada do medicamento ao mercado, o monitoramento não termina. Nesta
fase, também chamada de farmacovigilância, especialistas acompanham o
comportamento do medicamento em larga escala, no mundo real, observando
efeitos raros, reações adversas e até novas possibilidades de uso [3]. É
nessa fase que ocorre o monitoramento contínuo dos pacientes e da
segurança do tratamento em condições reais de utilização.
Após a aprovação regulatória, um novo desafio surge: garantir acesso à população, que o tratamento chegue, de fato, aos pacientes. É nesse contexto que entram os Programas de Suporte ao Paciente (PSPs), que ajudam a conectar a inovação terapêutica à prática clínica, facilitando o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. "Os Programas de Suporte ao Paciente representam a etapa de entrada de uma nova terapia no mercado, sem perder de vista a segurança e a eficácia neste momento", explica Victor Gadelha, Superintendente de Pesquisa Clínica e Soluções de Dados da Dasa, líder em medicina diagnóstica no país.
Na prática, o acesso ao exame através do programa de suporte, como um teste genético por exemplo, torna-se decisivo para melhor a assertividade terapêutica e, dessa forma, reduzir o tempo até o início do tratamento mais adequado para condição do paciente. O resultado é a redução da jornada de cuidado, promovendo, em diversos casos, melhora do desfecho clínico.
Desde 2020, mais de 86 mil pacientes passaram por exames diagnósticos viabilizados por esses programas. A Dasa participa ativamente nesse contexto, em parceria com mais de 30 indústrias farmacêuticas, atua em mais 70 programas de suporte - concentradas especialmente em oncologia, neurologia e doenças raras, que juntas representam 77% das iniciativas. "Essa colaboração com a indústria farmacêutica, acima de tudo, tem o propósito de colocar o paciente no centro, encurtando sua jornada de cuidado", reforça Gadelha.
A operação por
trás desse acesso exige precisão e alcance nacional. Com mais de 800 unidades e
mais de 40 marcas de medicina diagnóstica no país, a capilaridade da Dasa
permite que pessoas em regiões distantes também tenham acesso ao diagnóstico
necessário para avançar na jornada de cuidado. "Nosso papel é viabilizar
com eficiência e qualidade toda a etapa diagnóstica, com gestão de ponta a
ponta, inclusive nas regiões mais afastadas", destaca Andresa Forte,
gerente de Operações em Pesquisa e Solução de Dados da Dasa.
Pesquisa
clínica na Dasa
Além de participar
dos PSPs, a Dasa conduz estudos clínicos por meio do CPClin — Centro de
Pesquisas Clínicas com mais de duas décadas de atuação. Atualmente, o centro
possui estudos abertos para recrutamento em diferentes áreas terapêuticas, como
neurologia, cardiologia, endocrinologia e reumatologia, incluindo condições
como esclerose múltipla, encefalite autoimune, doença de Alzheimer em estágio
inicial, Parkinson, obesidade, lúpus eritematoso sistêmico e doenças
cardiovasculares.
" Um dos
principais desafios da pesquisa clínica é o recrutamento de pacientes. Às
vezes, acessamos mil pessoas para conseguir apenas uma, devido aos muitos
critérios e variáveis", explica Gadelha. Para os pacientes (especialmente
aqueles com doenças raras ou em tratamento pelo SUS), participar de uma
pesquisa clínica significa ter acesso a uma medicação ainda não lançada no
mercado, que muitas vezes pode ser a única opção de tratamento para a
patologia.
A participação é
totalmente voluntária, sem nenhum custo — inclusive com suporte para transporte
e alimentação quando necessário. Interessados podem se inscrever pelo site
lp.cpclin.com.br/cpclin ou pelo e-mail voluntario.pesquisa@dasa.com.br.
[5, 6]
Referências
[1] UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Pesquisadores
avaliam metodologia inédita capaz de acelerar descoberta de novos fármacos.
Jornal da Unicamp, Campinas, 2 mar. 2023. Disponível em: https://unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2023/03/02/pesquisadores-avaliam-metodologia-inedita-capaz-de-acelerar-descoberta-de.
Acesso em: 25 mai. 2026.
[2] INTERFARMA – ASSOCIAÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DE
PESQUISA. Interfarma celebra 35 anos de contribuição à inovação no Brasil.
Panorama Farmacêutico, 2025. Disponível em: https://panoramafarmaceutico.com.br/interfarma-celebra-35-anos-de-contribuicao-a-inovacao-no-brasil.
Acesso em: 25 mai. 2026.
[3] INSTITUTO QUALIDADE EM SAÚDE. Medicamento exige até
12 anos para ser desenvolvido e R$ 10 bilhões de investimento. ICTQ, 2020.
Disponível em: https://ictq.com.br/farmacia-clinica/2202-medicamento-exige-ate-12-anos-para-ser-desenvolvido-e-r-10-bilhoes-de-investimento.
Acesso em: 25 mai. 2026.
[4] AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa:
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2026. Disponível
em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br.
Acesso em: 25 mai. 2026.
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