
Foto: Júlio Bittencourt
A CAIXA Cultural São Paulo apresenta
entre até´ 12 de julho a exposição Solidão Coletiva, individual
inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre
as contradições da sociedade contemporânea e os modos de existência em um mundo
cada vez mais povoado, acelerado e regulado. Com curadoria de Guilherme
Wisnik e expografia assinada por de Daniela Thomas, a
mostra reúne oito séries fotográficas realizadas entre 2016 e 2023, resultado
de um extenso trabalho de observação em grandes centros urbanos como São Paulo,
Nova York, Tóquio, Mumbai, Pequim e Jacarta.
O título da exposição dialoga com o
pensamento da filósofa Hannah Arendt, para quem a sociedade moderna,
estruturada em torno do trabalho, tende a suprimir a possibilidade de ação e a
reduzir o indivíduo à condição de agente funcional. “As imagens de Bittencourt
observam grupos humanos imersos em rotinas produtivas, fluxos incessantes de
informação e espaços que impõem contenção física e simbólica. O confinamento
surge como eixo recorrente, mesmo quando os mecanismos de controle não se
apresentam de forma explícita", conta Wisnik.
Em suas fotografias, Julio Bittencourt
busca registrar não acontecimentos extraordinários, mas estados de suspensão.
São, para o artista, corpos anônimos, captados em situações de espera,
repetição ou adaptação a ambientes que os condicionam. De empregados isolados
em escritórios a trabalhadores alojados em hotéis cápsula, a privação deixa de
ser exceção para se tornar parte estrutural do cotidiano urbano. “Há, nesse
gesto, uma dimensão política que não se baseia na denúncia direta, mas na
insistência em tornar visível aquilo que costuma passar despercebido", diz
o curador.
As séries se articulam como capítulos
de uma narrativa aberta, marcada por tensão e ressonância. Transitando entre o
documental e o conceitual, Julio Bittencourt explora a fotografia como
linguagem crítica, livre do compromisso jornalístico com o fato imediato, mas
atenta às possibilidades poéticas do olhar.
Solidão Coletiva - Júlio Bittencourt é uma exposição apresentada pela CAIXA
Cultural, com realização da Phi Projetos e Cinnamon e patrocínio da CAIXA e
Governo do Brasil.
Sobre Julio Bittencourt
Nascido no Brasil e criado entre São Paulo
e Nova York, Julio Bittencourt desenvolve, por meio da fotografia, do vídeo e
de instalações, pesquisas sobre vida urbana, identidade e as relações sociais
entre indivíduos e seus ambientes.
Autor dos livros Na vitrine do
Prédio Prestes Maia 911, Ramos e Mar Morto,
Bittencourt teve trabalhos exibidos em galerias e museus de mais de vinte
países e publicados em veículos como The New Yorker, The
Guardian, TIME, Financial Times e The
Wall Street Journal. Atualmente radicado em Paris, é representado pela Galeria
Lume, em São Paulo, e pela Galeria da Gávea, no Rio de Janeiro.
Sobre Guilherme Wisnik
Guilherme Wisnik (1972) é professor
Livre-Docente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São
Paulo (FAU USP), instituição na qual é Vice-Diretor(2023-2026). É curador do
MuBE (Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia), em São Paulo. É autor de
livros como Lucio Costa (Cosac Naify, 2001), Estado crítico: à deriva nas
cidades (Publifolha, 2009), Espaço em obra: cidade, arte, arquitetura (Edições Sesc
SP, 2018), Dentro do nevoeiro: arte, arquitetura e tecnologia contemporâneas
(Ubu, 2018) e Lançar mundos no mundo: Caetano Veloso e o Brasil (Fósforo,
2022). Recebeu o prêmio “Destaque 2018" da Associação Brasileira de
Críticos de Arte (ABCA) em 2019, e o Prêmio Jabuti em 2021, na categoria
“Artes". Foi o Curador-Geral da 10a Bienal de Arquitetura de São Paulo
(Instituto de Arquitetos do Brasil, 2013), do Pavilhão do Brasil na Expo 2020
em Dubai (2021), e Cocurador da exposição Infinito vão: 90 anos de arquitetura
brasileira (Casa da Arquitectura de Portugal, 2018), em Matosinhos.Publicou
artigos e ensaios em revistas no Brasil e no exterior, tais como Cahiers d'Art,
Artforum, Architectural Design, Architectural Review, Domus, Arquitectura Viva,
AV Monografías, 2G, Rassegna, Arch +, Baumeister, JA – Jornal Arquitectos,
Urban China e Monolito.
Sobre Daniela Thomas
Daniela Thomas é cenógrafa, diretora de
cinema e teatro. Realizou inúmeros projetos de cenografia, tendo sido agraciada
com os principais prêmios nacionais e internacionais da área, incluindo o APCA
pelo conjunto da obra e o Triga de Ouro da Quadrienal de Cenografia de Praga.
Foi um dos diretores da Cerimônia de Abertura das Olimpíadas Rio 2016 e
cenógrafa do espetáculo. Como cineasta, realizou os longas O Banquete, Vazante,
que abriu a mostra Panorama do Festival de Berlim em 2017, Terra Estrangeira e
Linha de Passe, estes dois últimos co-dirigidos com Walter Salles. Linha de
Passe deu a Palma de Ouro de Melhor Atriz no Festival de Cannes à Sandra
Corveloni. Com o arquiteto Felipe Tassara, dirige a T+T Projetos, criando o
design de dezenas de exposições no Brasil e no exterior (exposições no Grand
Palais e no Centre Georges Pompidou em Paris, na Morgan Gallery, em Nova
Iorque, no Mamba e no Museo de Belas Artes de Buenos Aires, no Museu de Belas
Artes de Santiago do Chile e nos principais museus do Brasil) e a expografia
permanente de Museus como o Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, a Coleção
Brasiliana Itau e o Museu da Imigração, premiado na Bienal Ibero-Americana de
Design.
Phi
https://www.instagram.com/_phiprojetos/
Cinnamon
SERVIÇO
Solidão Coletiva, individual de Julio Bittencourt
Curadoria: Guilherme Wisnik
Visitação: 3 de março a 12 de julho de 2026
Horário de Visitação: de terça a domingo, das 9h às 18h
Abertura e Visita guiada com o artista
e o curador: 3 de março (terça), às 17h
Local: CAIXA Cultural São Paulo
Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo – SP
Entrada: Franca
Realização: Phi Projetos e Cinnamon
Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil
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