sexta-feira, 17 de abril de 2026

"Solidão Coletiva", de Júlio Bittencourt, na Caixa Cultural

Foto: Júlio Bittencourt

CAIXA Cultural São Paulo apresenta entre até´ 12 de julho a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de existência em um mundo cada vez mais povoado, acelerado e regulado. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por de Daniela Thomasa mostra reúne oito séries fotográficas realizadas entre 2016 e 2023, resultado de um extenso trabalho de observação em grandes centros urbanos como São Paulo, Nova York, Tóquio, Mumbai, Pequim e Jacarta.

O título da exposição dialoga com o pensamento da filósofa Hannah Arendt, para quem a sociedade moderna, estruturada em torno do trabalho, tende a suprimir a possibilidade de ação e a reduzir o indivíduo à condição de agente funcional. “As imagens de Bittencourt observam grupos humanos imersos em rotinas produtivas, fluxos incessantes de informação e espaços que impõem contenção física e simbólica. O confinamento surge como eixo recorrente, mesmo quando os mecanismos de controle não se apresentam de forma explícita", conta Wisnik.

Em suas fotografias, Julio Bittencourt busca registrar não acontecimentos extraordinários, mas estados de suspensão. São, para o artista, corpos anônimos, captados em situações de espera, repetição ou adaptação a ambientes que os condicionam. De empregados isolados em escritórios a trabalhadores alojados em hotéis cápsula, a privação deixa de ser exceção para se tornar parte estrutural do cotidiano urbano. “Há, nesse gesto, uma dimensão política que não se baseia na denúncia direta, mas na insistência em tornar visível aquilo que costuma passar despercebido", diz o curador.

As séries se articulam como capítulos de uma narrativa aberta, marcada por tensão e ressonância. Transitando entre o documental e o conceitual, Julio Bittencourt explora a fotografia como linguagem crítica, livre do compromisso jornalístico com o fato imediato, mas atenta às possibilidades poéticas do olhar.

Solidão Coletiva - Júlio Bittencourt é uma exposição apresentada pela CAIXA Cultural, com realização da Phi Projetos e Cinnamon e patrocínio da CAIXA e Governo do Brasil.


Sobre Julio Bittencourt

Nascido no Brasil e criado entre São Paulo e Nova York, Julio Bittencourt desenvolve, por meio da fotografia, do vídeo e de instalações, pesquisas sobre vida urbana, identidade e as relações sociais entre indivíduos e seus ambientes.

Autor dos livros Na vitrine do Prédio Prestes Maia 911Ramos e Mar Morto, Bittencourt teve trabalhos exibidos em galerias e museus de mais de vinte países e publicados em veículos como The New YorkerThe GuardianTIMEFinancial Times e The Wall Street Journal. Atualmente radicado em Paris, é representado pela Galeria Lume, em São Paulo, e pela Galeria da Gávea, no Rio de Janeiro.


Sobre Guilherme Wisnik

Guilherme Wisnik (1972) é professor Livre-Docente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP), instituição na qual é Vice-Diretor(2023-2026). É curador do MuBE (Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia), em São Paulo. É autor de livros como Lucio Costa (Cosac Naify, 2001), Estado crítico: à deriva nas cidades (Publifolha, 2009), Espaço em obra: cidade, arte, arquitetura (Edições Sesc SP, 2018), Dentro do nevoeiro: arte, arquitetura e tecnologia contemporâneas (Ubu, 2018) e Lançar mundos no mundo: Caetano Veloso e o Brasil (Fósforo, 2022). Recebeu o prêmio “Destaque 2018" da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) em 2019, e o Prêmio Jabuti em 2021, na categoria “Artes". Foi o Curador-Geral da 10a Bienal de Arquitetura de São Paulo (Instituto de Arquitetos do Brasil, 2013), do Pavilhão do Brasil na Expo 2020 em Dubai (2021), e Cocurador da exposição Infinito vão: 90 anos de arquitetura brasileira (Casa da Arquitectura de Portugal, 2018), em Matosinhos.Publicou artigos e ensaios em revistas no Brasil e no exterior, tais como Cahiers d'Art, Artforum, Architectural Design, Architectural Review, Domus, Arquitectura Viva, AV Monografías, 2G, Rassegna, Arch +, Baumeister, JA – Jornal Arquitectos, Urban China e Monolito.


Sobre Daniela Thomas

Daniela Thomas é cenógrafa, diretora de cinema e teatro. Realizou inúmeros projetos de cenografia, tendo sido agraciada com os principais prêmios nacionais e internacionais da área, incluindo o APCA pelo conjunto da obra e o Triga de Ouro da Quadrienal de Cenografia de Praga. Foi um dos diretores da Cerimônia de Abertura das Olimpíadas Rio 2016 e cenógrafa do espetáculo. Como cineasta, realizou os longas O Banquete, Vazante, que abriu a mostra Panorama do Festival de Berlim em 2017, Terra Estrangeira e Linha de Passe, estes dois últimos co-dirigidos com Walter Salles. Linha de Passe deu a Palma de Ouro de Melhor Atriz no Festival de Cannes à Sandra Corveloni. Com o arquiteto Felipe Tassara, dirige a T+T Projetos, criando o design de dezenas de exposições no Brasil e no exterior (exposições no Grand Palais e no Centre Georges Pompidou em Paris, na Morgan Gallery, em Nova Iorque, no Mamba e no Museo de Belas Artes de Buenos Aires, no Museu de Belas Artes de Santiago do Chile e nos principais museus do Brasil) e a expografia permanente de Museus como o Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, a Coleção Brasiliana Itau e o Museu da Imigração, premiado na Bienal Ibero-Americana de Design.

  

Phi

https://www.instagram.com/_phiprojetos/

 

Cinnamon

www.cinnamon.com.br

 

SERVIÇO


Solidão Coletiva, individual de Julio Bittencourt

Curadoria: Guilherme Wisnik
Visitação: 3 de março a 12 de julho de 2026

Horário de Visitação: de terça a domingo, das 9h às 18h

Abertura e Visita guiada com o artista e o curador: 3 de março (terça), às 17h

Local: CAIXA Cultural São Paulo
Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo – SP
Entrada: Franca

Realização: Phi Projetos e Cinnamon
Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil

 

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