Com o avanço do outono e a
queda das temperaturas, o Brasil já registra aumento nos casos de doenças
respiratórias, o que reacende o alerta para a importância da vacinação,
especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Segundo o boletim InfoGripe da
Fiocruz, 14.370 casos graves de infecções respiratórias já haviam sido
notificados no Brasil, nos primeiros meses de 2026, sendo que 35% apresentaram
resultado positivo para algum vírus respiratório. Entre os casos confirmados,
cerca de 20% foram associados à Influenza A e aproximadamente 1,7% à Influenza
B, os dois principais tipos do vírus responsáveis pelas epidemias sazonais de
gripe.
Diante desse cenário, a
vacinação ganha ainda mais relevância. “Nenhuma vacina isolada é capaz de
conferir proteção contra a totalidade das enfermidades respiratórias. Cada uma
possui uma função distinta, combatendo agentes virais ou bacterianos
específicos. É por esse motivo que, frequentemente, as vacinas devem ser vistas
como aliadas que se somam, e não como opções que se anulam”, esclarece Luísa
Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no
Rio de Janeiro.
Mesmo com a disponibilidade
das vacinas, uma dúvida comum persiste: afinal, quais imunizantes tomar – e é
possível combiná-los? A confusão é compreensível, mas pode ser resolvida com
informação. Entenda as principais vacinas respiratórias e como utilizá-las de
forma adequada.
Vacina da Gripe
(Influenza)
Protege contra os principais
tipos do vírus Influenza em circulação, que são atualizados todos os anos. A
Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, iniciada no fim de março,
segue até maio nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Ainda assim, a cobertura
vacinal contra a gripe frequentemente fica abaixo da meta de 90% estipulada
pelo Ministério da Saúde para grupos prioritários, como idosos, gestantes,
crianças e pessoas com comorbidades.
Atualmente, existem diferentes
tipos de vacinas disponíveis e entender as diferenças ajuda na escolha mais
adequada:
- Trivalente
(SUS):
protege contra três cepas do vírus (dois subtipos de Influenza A e um de
Influenza B). É a versão oferecida gratuitamente na rede pública.
- Tetravalente
(ou quadrivalente): disponível na rede privada, é uma vacina inativada
(não causa a doença) que protege contra quatro cepas do vírus Influenza: duas do tipo A (H1N1 e H3N2) e duas do tipo
B.
- Vacina
de alta dose (Efluelda): indicada para idosos, contém maior quantidade de
antígeno para estimular uma resposta imunológica mais robusta — importante
nessa faixa etária, que costuma ter menor resposta às vacinas
tradicionais. Disponível apenas na rede privada.
- Para
quem é indicada:
toda a população, com prioridade para idosos, gestantes, crianças e
pessoas com doenças crônicas
- Quando
tomar:
antes do inverno (entre março e maio)
- Pode
combinar?
sim, pode ser administrada junto a outras vacinas
Importante: a
vacina não causa gripe e reduz significativamente o risco de complicações e
hospitalizações
Vacina Pneumocócica
Protege contra a bactéria Streptococcus
pneumoniae, responsável por doenças como pneumonia, meningite e infecções
generalizadas. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que a meningite
segue como uma doença de alto impacto no país. Apenas no primeiro semestre de
2025, foram registrados mais de 6 mil casos confirmados e 781 mortes, com taxa
de letalidade de 12,7%.
Atualmente, existem diferentes
tipos de vacinas pneumocócicas, indicadas conforme idade e perfil de risco:
- PCV10
(conjugada 10-valente – SUS): disponível no calendário infantil, protege contra 10
sorotipos da bactéria.
- PCV13,
PCV15 e PCV20 (rede privada): ampliam a cobertura para mais sorotipos, sendo frequentemente
recomendadas para crianças, adultos e idosos, conforme avaliação médica.
- Para quem é indicada:
- doenças
pulmonares crônicas
Crianças menores de 5
anos (rotina do calendário infantil)
Idosos (em algumas
estratégias e campanhas específicas)
Pessoas com
comorbidades, como:
- doenças
cardíacas
- diabetes
- imunossupressão
- doenças
renais ou hepáticas
- Quando
tomar:
ao longo do ano, conforme calendário ou orientação médica
- Pode
combinar?
sim, inclusive com a vacina da gripe
Diferencial: atua
contra infecções bacterianas — ao contrário de vacinas como a da gripe, que
protegem contra vírus — sendo fundamental na prevenção de formas graves e
complicações.
Vacina contra o VSR
(vírus sincicial respiratório)
O vírus sincicial respiratório
é uma das principais causas de bronquiolite e infecções respiratórias graves em
bebês e representa risco para idosos. É uma das grandes causas de pneumonia em
idosos e não tem tratamento específico, o que reforça o papel da prevenção.
- Disponibilidade:
- Na
rede privada, para gestantes e pessoas 60 +.
- No
SUS, para gestantes.
Para quem é indicada:
gestantes (para permitir proteção do bebê pela passagem de anticorpos pela
placenta) e idosos.
- Quando
tomar:
conforme orientação médica, independente de sazonalidade.
- Pode
combinar?
Sim.
Atenção: O VSR
tem o potencial de causar quadros graves, principalmente em lactentes,
imunossuprimidos e idosos.
Vacinas respiratórias
do calendário infantil
O calendário vacinal infantil
inclui diferentes imunizantes que ajudam a proteger contra doenças
respiratórias desde os primeiros meses de vida.
Entre as principais vacinas
estão:
- Pentavalente
(DTPa + Hib + Hepatite B): protege contra difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus
influenzae tipo b (Hib), bactéria que pode causar meningite e
infecções respiratórias graves.
- Vacina
pneumocócica:
previne infecções causadas pelo Streptococcus pneumoniae, como pneumonia,
otite e meningite.
- Vacina
contra influenza (gripe): indicada a partir dos 6 meses de idade, especialmente
importante para reduzir complicações respiratórias.
- Vacina
Covid-19:
incluída no calendário para algumas faixas etárias, contribuindo para a
proteção contra formas graves da doença.
- Vacina
VSR:
recomendada gestantes e idosos.
Importante:
manter o calendário vacinal atualizado é uma das formas mais eficazes de
prevenir doenças graves na infância.
Mitos e verdades
É possível tomar mais
de uma vacina ao mesmo tempo.
Verdade. Em
muitos casos, as vacinas podem ser aplicadas no mesmo dia ou no mesmo período,
sem prejuízo à eficácia. “A combinação de vacinas é segura e faz parte das
estratégias de proteção. O mais importante é avaliar cada paciente
individualmente, considerando idade, histórico de saúde e fatores de risco”,
ressalta a infectologista.
Se eu tomar vacinas,
não preciso fazer o exame de painel respiratório?
Mito. Mesmo
com a vacinação, sintomas respiratórios podem ocorrer e nem sempre é possível
identificar a causa apenas pela avaliação clínica. Nesses casos, o painel
respiratório pode ser indicado. O exame permite identificar diferentes vírus e
bactérias, como Influenza, VSR e outros agentes, contribuindo para um
diagnóstico mais preciso e direcionamento do tratamento.
“É importante considerar
realizar o painel respiratório quando o paciente tiver sintomas persistentes ou
intensos, quadro em crianças e idosos e necessidade de diferenciar vírus
respiratórios”, finaliza Luísa.
Vou escolher um único imunizante por ano
para me vacinar. Assim, não sobrecarrego meu sistema imunológico e estou
protegido.
Mito. A
estratégia mais eficaz envolve combinar vacinas, manter o acompanhamento médico
e recorrer a exames quando necessário, especialmente nos períodos de maior
circulação viral.
Nenhum comentário:
Postar um comentário