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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Exposição Joaquín Torres García - 150 Anos dialoga com a Coleção de Arte Banco do Brasil no CCBB Brasília

Foto: Falcão Junior  Joaquín Torres García - Rua e café, 1929.
Coleção Airton Queiroz, Fortaleza, CE

Mostra aproxima modernismo latino-americano de artistas do acervo, como Athos Bulcão, Rubem Valentim, Burle Marx e Dionísio del Santo
 

 

Ao trazer a mostra Joaquín Torres García - 150 anos para a capital federal, o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília), viabiliza novas perspectivas para a Coleção de Arte Banco do Brasil, em exposição permanente neste centro cultural. A relação entre as obras do artista uruguaio e o acervo evidencia aproximações estéticas e conceituais marcadas pela geometria, pelo modernismo latino-americano e pela valorização de matrizes culturais do sul global. 

Nas obras de Torres García, o uso de formas geométricas buscava uma linguagem reconhecível a todos, ultrapassando fronteiras culturais. Athos Bulcão, um dos artistas presentes na Coleção de Arte Banco do Brasil, também explora a geometria como elemento estruturante, especialmente em seus famosos painéis de azulejos que integram a arquitetura de Brasília, além do uso de signos universais, como o pássaro e a estrela em seus grandiosos mosaicos. A conexão entre os artistas também se realiza pelo contraste entre eles no uso e função da estética geométrica: enquanto Torres García constrói um sistema de pensamento, Bulcão cria experiências visuais no espaço. 

Outro artista integrante da coleção de arte Banco do Brasil é Roberto Burle Marx. Em suas pinturas traça uma ligação com a “África de Torres García”, no que tange ao retorno ao “primitivo”, como potência e não atraso. O artista uruguaio cria uma relação entre arte e território com símbolos ligados ao continente, já Burle Marx trabalha com a matéria do espaço físico, como a terra, as plantas e as cores. Para os dois, o “primitivo” se torna base para uma construção moderna. Rubem Valentim também integra o conjunto de obras conectadas com a mostra no eixo “africanidade” pela presença dos signos e símbolos ancestrais africanos, reconfigurados pela estética moderna.  

Dionísio del Santo, pintor, gravador e serígrafo capixaba, também é colocado à luz neste diálogo provocado pela mostra, revelando sua riqueza plástica, geométrica abstrata, sintetizando elementos, criando formas mínimas e ainda sim, reconhecíveis, como propunha Torres García, no exercício entre a razão e a emoção.  

A ideia de unir a mostra Joaquín Torres García - 150 anos com a Coleção de Arte Banco do Brasil coloca em evidência a importância da valorização da cultura latino-americana, tão bem representada pela “América invertida”. Um último exemplo é a linguagem coletiva e cheia de referências culturais, presentes nos murais de Djanira da Motta e Silva, e o quanto dialogam com as composições de Torres García, ao articular formas simplificadas, estruturadas e simbólicas, criando uma estética que valoriza tanto o cotidiano quanto elementos universais, aproximando suas obras da busca por uma arte moderna enraizada no sul.  

Ao estabelecer um diálogo próprio com a Coleção de Arte do Banco do Brasil e lançar um olhar sobre o tempo presente, a exposição convida o público a reconhecer o valor da produção latino-americana a partir da obra de Torres García, ampliando as leituras possíveis do nosso acervo permanente”, afirma Camila Val, gerente-geral (em exercício) do CCBB Brasília. 

Já o idealizador e curador da exposição, Saulo di Tarso, enfatiza a importância desse diálogo. “Essa mostra estabelece conexões entre a produção de Torres García e o acervo do Banco do Brasil, evidenciando afinidades que vão além da forma e alcançam ideias e contextos. Ao aproximar esses trabalhos, o visitante é levado a perceber como diferentes trajetórias artísticas se cruzam e ajudam a compreender a potência criativa da América Latina”, afirma.

Selecionada no Edital CCBB 2023-2025 e viabilizada por meio da Lei Rouanet, a exposição é patrocinada pela BB Asset, organizada e produzida pela Cy Museum. A classificação indicativa é livre, e os ingressos podem ser retirados na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura.

  

Acessibilidade 

A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional. 

O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta no vídeo de divulgação exibido no interior do veículo. Mais informações em: Serviços Oferecidos | CCBB Brasília

 

Horário da van – De quinta-feira a domingo:

Biblioteca Nacional – CCBB:  13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h.

CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.

 

 

CY Museum  

Empresa Organizadora da exposição no Brasil. Especializada em projetos expositivos nacionais e internacionais. Prêmio APCA 2023 pela mostra de Marc Chagall: sonho de amor. Dirigida pela museóloga e historiadora da arte Cynthia Taboada, PhD em Museologia. 

 

Saulo di Tarso 

Saulo di Tarso é curador, pesquisador e produtor cultural, reconhecido por articular exposições que conectam tradição e inovação na arte latino-americana. Idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, em colaboração com o Museu Torres García, ele também foi responsável pela museografia e produção multimídia da premiada exposição Marc Chagall: sonho de amor (APCA 2023) e traduziu a obra poética completa de Chagall para o português. Sua trajetória inclui curadorias em instituições como Casa do Olhar Luis Sacilotto, Casa das Rosas, Paço das Artes, Paço Imperial, Museu Afro Brasil, Galeria da Unicamp e Galeria Olido, além da criação da Trienal Internacional de Grafias pelo Memorial da América Latina. Com experiência em arte-educação, produção digital e pesquisa em arte contemporânea, atuou em projetos ao lado de nomes como Emanoel Araújo, Alexandre Wollner e Hans-Joachim Koellreutter, e participou de iniciativas culturais e políticas, incluindo a coordenação de cultura na campanha presidencial de Eduardo Campos e Marina Silva. Fundador da Tangram Museologia e filiado ao ICOM-CIMAM, vive entre Brasil e Itália.

 

Ficha técnica  

Realização: Ministério da Cultura

Patrocínio: BB Asset

Organização e Produção: Cy Museum

Curadoria: Saulo di Tarso com a colaboração do Museo Torres García

Apoio Institucional: Museo Torres García

Coordenação Geral: Cynthia Taboada

Coordenação Editorial e Pesquisa: Helena Eilers, Andrea Sousa e Xênia Bergman.

Projeto expográfico: Stella Tennenbaum

  

 

Serviço 

Joaquín Torres García - 150 anos

Local: CCBB Brasília

Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves - Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro

Data: até´ 21 de junho

Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até às 20h40)

Classificação: livre

Ingressos em www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília

Transporte gratuito de quinta a domingo, saindo da Biblioteca Nacional

Gratuito

 

Itinerância 

CCBB Brasília (31 de março a 21 de junho de 2026) 

CCBB BH (15 de julho a 12 de outubro de 2026)

 

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