Especialista explica causas mais
comuns, relação com alterações no nariz e quando a situação merece investigação 
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A cena é comum em muitas casas: a criança começa a
respirar pela boca, reclama de “nariz entupido” com frequência ou apresenta
pequenos episódios de sangramento nasal ao longo da semana. Embora esses sinais
muitas vezes sejam encarados como passageiros, eles podem indicar alterações
que merecem atenção dos pais, como o desvio de septo ou condições associadas
que favorecem o ressecamento da mucosa e aumentam o risco de sangramentos.
“O septo nasal é uma estrutura formada em parte por osso e outra
por cartilagem e que divide a cavidade nasal em dois lados: esquerdo e
direito”, explica a Dra. Letícia Pina, otorrinolaringologista do Hospital de
Olhos de Pernambuco (HOPE). Segundo a especialista, alterações nessa região
podem interferir diretamente na passagem de ar pelas narinas.
Entre os sinais mais percebidos na infância, a médica destaca a
dificuldade para respirar adequadamente. “A obstrução nasal é o principal
sintoma do desvio de septo e, nesse caso, é mais comum que ela tenha um lado
específico, coincidindo com o lado do desvio”, afirma.
A condição não está necessariamente ligada a uma faixa etária
específica. “O desvio já pode estar presente desde o nascimento, se acentuando
durante o desenvolvimento da face, ou pode ser decorrente de algum trauma. A
presença de sintomas, bem como o grau e a localização, são fatores que devem ser
avaliados”, esclarece.
Apesar de ser uma alteração estrutural, a cirurgia nem sempre é a
primeira escolha, principalmente entre os pequenos. “A correção cirúrgica deve
ser evitada na infância, pois a face ainda está em desenvolvimento. Em
situações com maior repercussão clínica, pode ser considerada uma abordagem
conservadora, preservando ao máximo a estrutura do septo”, pontua.
Quando o assunto é sangramento nasal, a especialista ressalta que
as causas mais frequentes são variadas. “A maior parte dos episódios está
relacionada à rinite alérgica, infecções respiratórias, ressecamento, hábito de
manipular o nariz e à presença de pequenos vasos dilatados na região anterior
do septo”, diz. Ela acrescenta que alterações estruturais também podem
contribuir: “Quando existe desvio, essa área pode ficar mais exposta ao fluxo
de ar, favorecendo o sangramento”.
Na maior parte das vezes, os episódios são leves. “Sangramentos de
pequeno volume e esporádicos são comuns, especialmente em crianças com rinite
descompensada ou que têm o hábito de cutucar o nariz”, explica. Ainda assim, a
avaliação especializada é indispensável. “Todos os casos devem ser investigados
para um diagnóstico adequado e afastar outras condições importantes. A presença
de hematomas frequentes ou sangramentos em outros locais acende um sinal de
alerta”, reforça.
Durante os episódios em casa, algumas medidas simples costumam ser
eficazes. “A compressão da narina afetada por cinco a dez minutos geralmente é
suficiente para interromper o sangramento. A aplicação de gelo envolto em
tecido também pode ajudar”, orienta. Ela destaca ainda a importância da
postura: “A criança deve manter a cabeça ereta. Não é necessário inclinar para
frente ou para trás. Evitar assoar, coçar ou manipular o local é fundamental”.
Alguns sinais, no entanto, exigem atenção imediata. “Sangramentos
que não cessam com compressão, que apresentam grande volume ou vêm acompanhados
de fraqueza, palidez, tontura, sonolência, dificuldade respiratória ou
histórico de trauma na face precisam de avaliação médica urgente”, alerta.
Na consulta, a investigação é feita de forma detalhada. “O exame
físico inclui a inspeção do septo por meio da rinoscopia anterior. Em alguns
casos, utilizamos a videoendoscopia nasal para avaliar regiões mais
posteriores. Exames laboratoriais também podem ser solicitados com o objetivo
de analisar a coagulação”, explica a especialista.
Para reduzir a ocorrência desses episódios, hábitos simples fazem
diferença na rotina. “O controle da rinite alérgica, a lavagem nasal com soro
fisiológico e o uso de hidratantes ajudam a manter a mucosa saudável,
principalmente em períodos secos ou durante infecções respiratórias”, orienta.
A médica finaliza com um alerta prático: “Evitar ambientes com ar muito seco,
como ventiladores fortes e ar-condicionado, além de orientar a criança a não
remover crostas ou cutucar o nariz, são medidas importantes na prevenção”.
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